BR102015013231A2 - preparo de microemulsão a base de óleo de copaíba para uso odontológico - Google Patents

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Abstract

na presente invenção o óleo de copaíba (oc) foi veiculado em baixa concentração, um sistema automicroemulsionado do tipo smedds para aplicação na terapêutica odontológica. o bioproduto resultante foi denominado de biocopame e contem um tensoativo da classe dos sorbitanos e a fase oleosa foi preferencialmente preparada com oc em mistura com o óleo de girassol. a caracterização físico-quimica do bioformulado biocopame mostrou diâmetro em escala micrométrica das gotículas micelares, com favorecimento da liberação controlada e prolongada do princípio bioativo oc. a eficácia terapêutica e a biocompatibilidade do formulado biocopame foram comprovadas em experimento in vitro desenvolvido com células tronco da polpa dentária (dental pulp stem cells - dpsc2). por tratar-se de uma formulação automicroemulsificante do tipo smedds, contendo compostos considerados seguros para saúde humana em baixas concentrações, a via de administração pode ser oral ou tópica. a eficácia da liberação de oc veiculado neste formulado foi analisada sobre células-tronco da polpa dentária por simulação do contato indireto. biocopame mostrou biocompatibilidade nesse modelo experimental e está sendo reivindicado como um capeador pulpar.

Description

Relatório Descritivo da Patente de Invenção para PREPARO DE MICROEMULSÃO A BASE DE ÓLEO DE COPAÍBA PARA USO ODONTOLÓGICO
Campo da Invenção [001] A presente invenção está inserida na área da biotecnologia e consiste no invento de um bioformulado à base de óleo de copaíba (OC) veiculado em um sistema coloidal do tipo SMEDDS (SELF MICROEMULSIFYING DRUG DELIVERY SYSTEM) contendo um tensoativo da classe dos sorbitanos.
[002] O fitoterápico BIOCOPAME tem aplicação na área odontológica, e consiste em um bioproduto eficaz para o tratamento e prevenção de lesões que acometem os tecidos da cavidade oral, como a mucosite, a doença periodontal e, ainda, no procedimento de capeamento pulpar direto.
[003] Por estar sendo biodisponibilizado em um sistema coloidal que não causa nenhum dano agressivo em tratamento de pouca duração, este medicamento natural desperta o interesse do setor industrial farmacêutico voltado para a área da odontologia.
Objeto da Invenção e Justificativa do Invento [004] Em função do rico histórico medicinal do óleo de copaíba, no presente invento objetivou-se a veiculação deste óleo em um sistema coloidal carreador do tipo SMEDDS.
[005] O formulado resultante (BIOCOPAME) consistiu em um bioproduto eficaz para o tratamento e prevenção de lesões que acometem os tecidos da cavidade oral, como a mucosite, a doença periodontal e, ainda, no procedimento de capeamento pulpar direto.
[006] O formulado BIOCOPAME contém uma mistura de óleo-resina de copaíba (OC) e óleo fixo de semente, em especial o de girassol (OG) e está baseado em sistemas de entrega de fármacos do tipo óleo em água (O/A) automicroemulsificante.
[007] O referido óleo de copaíba foi utilizado como principal bioconstituinte do fitoterápico BIOCOPAME que se destaca por agregar valor biotecnológico ao uso medicinal do óleo de copaíba, em função do comprovado aumento da eficácia de adsorção de filme micelar presente em microemulsões, e ainda, por OC ter sido veiculado com concentração reduzida, mantendo-se sua eficácia de ação biológica.
[008] No presente invento se propõem que o óleo OC, veiculado em baixa concentração em mistura com OG, tenha sua eficácia terapêutica potencializada em função de estar veiculado em uma emulsão automicroestruturada denominada de BIOCOPAME e portanto, tem ação terapêutica prolongada e controlada, com consequente redução de riscos toxicológicos.
[009] A partir de informações reportadas na literatura, não foram encontrados documentos antecipando ou sugerindo o uso de óleos de copaíba e girassol, veiculado em baixa concentração em um sistema SMEDDS com aplicação na área da odontologia.
Problema que a Invenção se Propõe a Resolver [010] A maioria das doenças que acometem o complexo maxilo-facial (especialmente a cavidade oral) são de origem inflamatória e estão associadas a uma complexa interação entre células do hospedeiro e microorganismos patogênicos. Desde infecções de curso clínico indolente aos processos degenerativos de maior complexidade que resultam na perda tecidual, e consequentemente, na perda dentária, a etiopatogenia dessas doenças apresentam fatores comuns.
[011] Em procedimentos de capeamento pulpar direto, realizados rotineiramente nos consultórios odontológicos, a ausência de infecção e a biocompatibilidade do material inserido em contato direto com a polpa dentária, são decisivos no resultado positivo do tratamento odontológico.
[012] Neste contexto, a busca por novos recursos terapêuticos eficazes que possibilitem redução de toxicidade reforça o interesse de novas pesquisas. É importante destacar ainda, que a elevada incidência de complicações de enfermidades que acometem os tecidos da cavidade oral, bem como as que são decorrentes de lesões traumáticas ou de efeitos adversos de alguns fármacos, motivam a busca por atividade inventiva no setor industrial de biomateriais com aplicação odontológica.
[013] Desta forma, o desenvolvimento de novos produtos utilizando recursos naturais, que possam restabelecer mais precocemente a integridade tecidual da polpa dentária, surge como uma alternativa viável em novos procedimentos odontológicos.
[014] O óleo de copaíba por apresentar propriedades bioquímicas anti-inflamatória, analgésica, antibacteriana e cicatrizante representa uma alternativa medicinal viável para fabricação de fitoterápicos desenvolvidos na área da biotecnologia objetivando a redução de riscos toxicológicos.
[015] Estudos preliminares reportaram efeitos adversos do óleo de copaíba utilizado na forma in natura, tendo sido comprovado que OC provoca atraso no processo de reparação tecidual. No entanto, observou-se que ferimentos tratados com OC administrado em concentrações reduzidas combate processos inflamatórios com significante aumento da atividade fibroblástica (BRITO et al., 1999; COMELLI Jr. et al., 2009; ESTEVÃO et al., 2013, 2009; GELMINI et al., 2013; MASSON-MEYERS et al., 2013a, 2013b; MILLAS et al., 2014; SILVA et al., 2012, 2009; YASOJIMA et al., 2013).
[016] No presente invento, OC encontra-se veiculado em baixa concentração, em um sistema de liberação controlada do tipo coloidal (SMEDDS) e, portanto, em função do comprovado aumento da eficácia de adsorção de filmes micelares o uso do fitoterápico BIOCOPAME agrega valor medicinal ao óleo de copaíba.
[017] Filmes em forma de micelas que são observados em microemulsões [O/A, A/O, SMEDDS ou bicontínua (O/A/O ou A/O/A)] são característicos de sistemas coloidais termodinamicamente estáveis e vêm sendo amplamente utilizados na área biotecnológica como sistemas de liberação controlada de fármacos com comprovada eficácia terapêutica e possibilitam a melhoria da solubilidade de fármacos ampliando suas biodisponibilizações.
[018] A solubilidade é um dos parâmetros mais importantes para atingir a concentração desejada de droga na circulação sistêmica e otimização da resposta terapêutica. Neste contexto os sistemas coloidais nano e miroestruturados, são aplicados como técnicas modernas para o avanço biotecnológico de fármacos (DIAS et al., 2012; MEGHANI et al., 2013; OLIVEIRA et al., 2004; ROSSI et al., 2007; SUDHEER et al., 2012).
[019] A constatação de que drogas com baixa solubilidade aquosa quando co-administradas com refeições ricas em lipídios melhoravam a biodisponibilidade oral, indicaram o interesse em estratégias mais eficazes, baseadas em otimizar a biodisponibilidade e absorção de fármacos.
[020] Desta forma, sistemas de liberação controlada de drogas baseados em lipídios nano e microemulsões do tipo A/O apresentaram sucesso mercadológico; alguns exemplos específicos são destacados a seguir.
[021] SandimmuneNeoraí™(Ciclosporina), NovartisLaboratories, Fortovase™ (Saquinavir) e Roche Laboratories (SHUKLA P, PRAJAPATI SK, SHARMA UK, SHIVHARE S, AKHTAR AA. Review on self microemulsifying drug delivery system: an approach to enhance the oral bioavailability of poorly water soluble drugs. 2012).
[022] A absorção da indometacina via administração oral do seu bioformulado coloidal do tipo SMEDDS, ampliou sua eficácia de ação (KIM JY, KU YS. Enhanced absorption of indomethacin after oral or rectal administration of a self-emulsifying system containing indomethacin to rats. 2000).
[023] Nanoemulsões bicontínuas do tipo A/O/A foram preparadas e avaliadas como bioformulados citotóxicos (SIGWARD E, MIGNET N, RAT P, DUTOT M, MUHAMED S, GUIGNER JM, SCHERMAN D, BROSSARD D, CRAUSTE-MANCIET S. Formulation and cytotoxicity evaluation of new self-emulsifying multiple W/O/W nanoemulsions. 2013.
[024] Nanoemulsões são utilizadas como veículos de cosméticos (ROCHA FILHO PA, MARUNO M, OLIVEIRA B, BERNARDI DS, GUMIERO VC, PEREIRA TA. Nanoemulsions as a vehicle for drugs and cosmetics. 2014).
[025] Existe, portanto, a necessidade de desenvolvimento biotecnológico para sistematizar a utilização de produtos bioativos em geral, objetivando-se otimizar a eficácia de ação, minimizar riscos toxicológicos ou ampliação da biodisponibilidade, sem que haja comprometimento da sua eficácia terapêutica.
[026] No presente invento, a eficácia de liberação controlada do óleo de copaíba foi avaliada em modelo experimental in vitro na manutenção da viabilidade celular. Para tanto, foram utilizadas células tronco da polpa dentária (Dental Pulp Stem Cells - DPSC2) e a viabilidade celular foi determinada pela atividade mitocondrial (ensaio de MTT).
[027] Desta forma, foi possível confirmar que o bioproduto BIOCOPAME é biocompatível neste modelo experimental e em função da ação terapêutica de OC ter sido comprovada para o fitoterápico BIOCOPAME, o óleo de copaíba veiculado nesta bioformulação, encontra-se, neste descritivo, reivindicado para uso odontológico na terapêutica de mucosite, doença periodontal, bem como no capeamento pulpar direto.
Fundamentos da Invenção [028] A indústria de biomateriais têm desenvolvido novos produtos com indicação para o capeamento pulpar direto. No entanto, alguns não apresentam biocompatibilidade eficaz com as células do tecido pulpar e, portanto, não são competitivos no mercado odontológico.
[029] As células tronco da polpa dentária (Dental Pulp Stem Cell - DPSC2) são derivadas do tecido pulpar de humanos adultos e uma das suas características mais relevantes consiste na capacidade de diferenciação em células neurais, osteoblastos, condroblastos, adipócitos e miócitos.
[030] Estudos científicos foram amplamente desenvolvidos para modelos de cultivo celular e a biocompatilidade de diversos compostos foram avaliados nas DPSC (ESMERALDO et al., 2013; GRONTHOS et al., 2000; 2002; 2011; HAN et al., 2014; LEONG et al., 2012; PARANJPE et al., 2010).
[031] Considerando-se os compostos bioativos advindos dos recursos naturais aplicados na odontologia materiais, pesquisadores na área médica da engenharia tecidual investem em produtos naturais que possuam atividades cicatrizante, anti-inflamatória, analgésica, e afins, que possam gerar novos fitoterápicos de uso odontológico (ESMERALDO et al., 2013; PARANJPE et al., 2010).
[032] Neste contexto, para utilização endodôntica destaca-se o uso do óleo de copaíba que foi avaliado na prevenção e no tratamento de doenças da cavidade oral, inclusive as de origem infeciosas (DIAS-DA-SILVA et al., 2013; GARCIA et al., 2011; GARRIDO et al., 2010; SOUZA et al., 2011).
[033] Especificamente, as propriedades físico-químicas de um cimento endodôntico contendo Copaifera multijuga foram avaliadas e comparadas a três outros produtos comercializados. Neste estudo, os autores concluíram que, nos ensaios realizados, as características físico químicas do cimento atenderam aos critérios exigidos pela American Dental Association (GARRIDO AD, LIA RC, FRANÇA SC, DA SILVA JF, ASTOLFI-FILHO S, SOUSA-NETO MD. Laboratory evaluation of the physicochemical properties of a new root canal sealer based on Copaifera multijuga oil-resin. 2010).
[034] Nessa perspectiva, a biocompatibilidade no tecido conjuntivo de outros dois cimentos endodônticos, contendo óleo de copaíba, foi analisada e comprovada em estudo in vivo, em modelo experimental em ratos (GARCIA L, CRISTIANE S, WILSON M, SORAYA M, LOPES RA, MÔNICA R, DE FREITAS O. Biocompatibility assessment of pastes containing copaiba oil resin, propolis, and calcium hydroxide in the subcutaneous tissue of rats. 2011).
[035] Os efeitos do óleo de copaíba administrado por via tópica e oral, no processo de reparo alveolar após exodontia, foram avaliados em estudo experimental em ratos. Os resultados das análises histopatológicas demonstraram uma melhor cicatrização óssea alveolar nos grupos tratados. No entanto, os animais submetidos à administração por via tópica apresentaram ulcerações na mucosa oral, redução da migração epitelial e as fibras colágenas estavam dispostas de forma desordenada e com menor espessura, quando comparadas ao grupo tratado por via oral (DIAS-DA-SILVA MA, PEREIRA AC, MARIN MC, SALGADO MA. The influence of topic and systemic administration of copaiba oil on the alveolar wound healing after tooth extraction in rats. 2013).
[036] Recentemente, a atividade anticariogênica de diterpenos e sesquiterpenos, isolados do óleo-resina de copaíba, foi avaliada in vitro. As análises dos resultados deste estudo mostraram que o ácido copálico apresentou maior atividade, inibindo o crescimento bacteriano dos principais microrganismos responsáveis pela carie dentária (SOUZA AB, MARTINS CH, SOUZA MG, FURTADO NA, HELENO VC, DE SOUSA JP, ROCHA EM, BASTOS JK, CUNHA WR, VENEZIANI RC, AMBRÓSIO SR. Antimicrobial activity of terpenoids from Copaifera langsdorffii Desf. against cariogenic bacteria. 2011).
[037] Considerando, ainda, o efeito antimicrobiano nas enfermidades da cavidade oral, o óleo de copaíba foi tão eficaz quanto à clorexidina como agente inibidor do crescimento do Streptococcus mutans, principal agente etiológico da cárie (PIERI FA, MUSSI MC, FIORINI JE, MOREIRA MA, SCHNEEDORF JM. Bacteriostatic effect of copaiba oil (Copaifera officinalis) against Streptococcus mutans. 2012).
[038] O ácido copálico, também foi considerado o composto mais ativo na inibição do principal patógeno da doença periodontal, a bactéria Porphyromonas gingivalis, além disso, não exibiu citotoxicidade para os fibroblastos humanos (SOUZA AB, DE SOUZA MG, MOREIRA MA, MOREIRA MR, FURTADO NA, MARTINS CH, BASTOS JK, DOS SANTOS RA, HELENO VC, AMBROSIO SR, VENEZIANI RC. Antimicrobial evaluation of diterpenes from Copaifera langsdorffii oleoresin against periodontal anaerobic bacteria. 2011).
[039] Neste contexto, outro antimicrobiano oral, a base de óleo de copaíba, foi testado em cães e seus efeitos em doença periodontal, foram avaliados e comparados ao controle clorexidina. Os resultados sugeriram que OC pode ser considerado um possível substituto da clorexidina na terapia antimicrobiana da cavidade oral (PIERI FA, MUSSI MC, FIORINI JE, SCHNEEDORF JM. Efeitos clínicos e microbiológicos do óleo de copaíba (Copaifera officinalis) sobre bactérias formadoras de placa dental em cães. 2010).
[040] Ressalta-se, ainda, que o OC, em estudo in vitro, favoreceu a proliferação celular sobre as células do tipo MDBK (Madin Darby bovine kidney), no entanto, foi observada a correlação entre a concentração e o efeito proliferativo (NOGUEIRA E, NOVAES A, SANCHEZ C, ANDRADE C. Avaliação do efeito do óleo-resina de copaíba (Copaifera sp.) na proliferação celular in vitro. 2012).
[041] Com relação aos estudos que avaliam a formação de sistemas coloidais contendo óleo de copaíba encontram-se reportados sistemas biológicos do tipo nano e microemulsão, obtidos a partir de uma mistura de tensoativos (Span® 80 e Tween® 20) em meio aquoso, tendo apresentado atividade antibacteriana para o tratamento de infecções ocasionadas por Streptococcus epidermidis, causadas por dispositivos biomédicos, tais como: cateteres, próteses articulares e válvulas cardíacas (XAVIER JUNIOR et al., 2010). (XAVIER JUNIOR, 2011; XAVIER JUNIOR et al., 2010; 2009; SILVA et al., 2010; 2009).
[042] No estudo de Alencar et al. (2015) investigou-se a atividade antimicrobiana do óleo essencial obtido do óleo-resina de copaíba (Copaifera langsdotffii) e do óleo de rã-touro (Rana catesbeiana Shaw) os quais foram veiculados em sistemas emulsionados nanoestruturados, objetivando a avaliação em experimentos realizados com bactérias associadas a doenças de pele. O teste de concentração inibitória mínima demonstrou atividade antimicrobiana contra cepas de Staphylococcus, Pseudomonas e Candida.
[043] No referido estudo, os autores puderam concluir que as emulsões nanoestruturadas de óleo resinoso e essencial de copaíba melhoraram a atividade antimicrobiana dos óleos puros, especialmente contra Staphylococcus e Candida, resistentes a azóis.
[044] A emulsão de óleo rã-touro nanoestruturada apresentou efeito antimicrobiano menor quando comparado com as amostras de copaíba, porém mostrou uma atividade antibiofilme significativa (p <0,05), melhor que o observado para o óleo-resina de copaíba veiculado em emulsão nanoestruturada.
[045] Finalmente, os autores afirmaram que as emulsões nanoestruturadas à base de óleo essencial extraído do óleo-resina de copaíba, bem como óleo de rã-touro poderão ser eficazes para tratamento de infecções e podem ser utilizadas para incorporar outros medicamentos antimicrobianos (ALENCAR EN, XAVIER-JUNIOR FH, MORAIS ARV, DANTAS TRF, DANTAS-SANTOS N, VERISSIMO LM, REHDER VLG, CHAVES GM, OLIVEIRA AG, EGITO EST. Chemical characterization and antimicrobial activity evaluation of natural oil nanostructured emulsions. 2015).
[046] Com relação às publicações de patentes contendo o bioativo OC, destacam-se neste descritivo apenas as que são vinculadas ao escopo da presente invenção, como mostrado abaixo.
[047] A patente PI 0402262-9 A2 refere-se à composição de obturação endodôntica, método para preparação de cimento endodôntico e uso de dita composição atóxica, biocomptível, apropriada para uso como material de obturação endodôntica, endurecível in situ.
[048] A patente PI 0404266-2 A2 refere-se ao método de fabricação de um gel de óleo de copaíba (Copaifera Multijuga) com atividade antibacteriana para controle de placa ou biofilme dental.
[049] A patente PI 1000802-0 A2 descreve o processo de obtenção de micropartículas matriciais de Copaifera langsdorffii e do isolamento dos compostos bioativos da referida planta, além de formulações para uso médico, cosmético, veterinário, odontológico, dentre outros.
[050] A patente US 8399002 B2 refere-se a uma formulação de silicone para uso tópico, obtida com alguns componentes de origem natural, dentre eles, óleo de girassol, indicada para prevenir (ou reduzir) o aparecimento de cicatrizes e marcas de estiramento.
[051] A patente BR10201300555 consiste no uso do extrato natural óleo-resina de copaíba para reparação tecidual.
[052] Nas patentes BR 102014033133-6 e BR 102014033132-8 encontram-se reivindicados respectivamente, formulações coloidias do tipo nanoemulsão e microemulsão contendo óleo de copaíba (OC) veiculado em baixa concentração para aplicação medicinal tópica. Especificamente, são bioformulados coloidais polares (O/A) contendo Tween 80 indicados para tratamento de enfermidades cutâneas, com ações atimicrobiana, antiinflamatória e cicatrizante.
[053] No descritivo do preparo do invento NEOCAP o óleo de copaíba é veiculado em uma nanoemulsão que contém meio aquoso salinizado com água de coco em pó e o sistema coloidal foi formado na presença do tensoativo Tween 80 (BR 1020140331336. MACIEL MAM, DE MEDEIROS ML, ARAÚJO FILHO I, ROSSI CGFT, SALGUEIRO CCM, VEIGA JUNIOR VF. Nanoformulação contendo bioativos naturais para cicatrização de lesões cutâneas. INPI - Instituto Nacional de Propriedade Intelectual).
[054] O bioformulado MEOCOG (microemulsão) foi preparado em meio aquoso neutro, com fase oleosa contendo OC em mistura com óleo de girassol e Tween 80, como tensoativo (BR 1020140331328. DE MEDEIROS, ML MACIEL, MAM, ARAÚJO FILHO, I, DO RÊGO, ACM, EMERENCIANO, DP, VEIGA JUNIOR, VF. Preparo e avaliação de bioformulação contendo óleo de copaíba para tratamento de enfermidades cutâneas. INPI - Instituto Nacional de Propriedade Intelectual).
[055] Para a proposta da presente invenção, comprovou-se que não existem relatos literários contendo OC veiculado em microemulsão do tipo SMEDDS contendo um tensoativo da classe dos sorbitanos (Tween 80), isento de co-tensoativo, que tenha indicação para uso odontológico terapêutico no combate a mucosite e doença periodontal, bem como no capeamento pulpar direto. Descrição detalhada da invenção [056] O óleo de copaíba utilizado no preparo do bioproduto BIOCOPAME foi adquirido comercialmente e sua autenticidade foi comprovada de acordo com metodologia previamente desenvolvida que consta das seguintes análises cromatográficas: CGAR-DIC (Cromatografia em fase Gasosa de Alta Resolução utilizando detecção em ionização de chama) e CGAR-EM (Cromatografia em fase Gasosa de Alta Resolução acoplada ao Espectrômetro de Massas) (PIERI FA, SILVA VO, VARGAS FS, VEIGA JUNIOR VF, MOREIRA MAS. Antimicrobial activity of Copaifera langsdorffii oil and evaluation of its most bioactive fraction against bacteria of dog’s dental plaque. 2014. VEIGA JÚNIOR VF, ROSAS EC, CARVALHO MV, HENRIQUES MG, PINTO AC. Chemical composition and anti-inflammatory activity of Copaiba oils from Copaifera cearensis Huber ex Ducke, Copaifera reticulate Ducke and Copaifera multijuga Hayne - a comparative study. 2007).
[057] No presente invento a veiculação do óleo de copaíba no sistema coloidal SMEDDS denominado de BIOCOPAME ocorreu na presença de um tensoativo não iônico da classe dos sorbitanos Tween 80 conforme descrito abaixo.
[058] I- Considerando-se as etapas iniciais do processo de preparo da formulação realizou-se pesagem dos componentes, utilizando-se uma balança de precisão digital com limite operacional para 400 g. II- O tensoativo Tween 80 (na faixa preferencial 18% - 20%) foi adicionado aos constituintes da fase oleosa que consiste na mistura de óleo de copaíba (0,2% - 2%) e girassol (0,2% - 2%). III- A biomistura descrita no item II foi mantida sob agitação magnética a uma velocidade de 500 rpm, em temperatura controlada, inferior a 80 °C, até completa homogeneização. IV- Na sequência, adicionou-se água (bidestilada ou desmineralizada) até completar o volume máximo de 100% do peso total do bioformulado. V- O bioformulado descrito nos itens II - IV foi submetido à sonificação ultrassônica (10 - 20 minutos) resultando no sistema coloidal do tipo SMEDDS que recebeu denominação (com conotação comercial de fitoterápico) BIOCOPAME (vide fotografia na FIGURA 1). VI- Após caracterização físico-químicas comprovou-se a escala micro para o sistema BIOCOPAME (microemulsão do tipo óleo em água, automicroemulsificante) que é opticamente transparente, termodinamicamente estável, com micropartículas na faixa 8,00 - 10,00 nm de diâmetro, para 100% da amostra analisada, tendo sido determinada pela técnica de espalhamento de luz dinâmico, utilizando o equipamento Nanotrac Particle Size Analyser (Microtac Incorporation, EUA). A medida foi realizada em triplicata, na temperatura de 25 °C e com o índice de refração no valor 1,4635. VII- BIOCOPAME possui pH na faixa preferencial 5,78 ± 0,02 - 6,51 ± 0,02, estando adequado para uso na cavidade oral, tendo sido avaliado em triplicata, no peagâmetro microprocessado de bancada (Tecnopon, Modelo MPA-210), previamente calibrado com as soluções tampões de pH 4,0 e 7,0, a uma temperatura de 25 ± 0,5 °C. VIII- BIOCOPAME apresenta viscosidade na faixa preferencial 7,89 x 10-3 cP - 8,79 x 10-3 cP, obtida por reômetro rotacional Thermo scientific Hooke Mars. As análises foram realizadas em triplicata, em temperatura constante de 25 °C.
[059] A avaliação da viabilidade celular do fitoterápico BIOCOPAME encontra-se descrito a seguir, tendo sido realizada de acordo com estudo estabelecido previamente (GUVEN EP, YALVAC ME, SAHIN F, YAZICI MM, RIZVANOV AA, BAYIRLI G. Effect of dental materials calcium hydroxide-containing cement, mineral trioxide aggregate, and enamel matrix derivative on proliferation and differentiation of human tooth germ stem cells. 2011. JABERIANSARI et al., Z; NADERI S; TABATABAEI FS, 2014; GUVEN EP; YALVAC ME, SAHIN F, YAZICI MM, RIZVANOV AA, BAYIRLI G. ET AL., Cytotoxic effects of various mineral trioxide aggregate formulations, calcium-enriched mixture and a new cement on human pulp stem cells. 2014).
[060] Na determinação da viabilidade celular utilizou-se células DPSC2 (Dental Pulp Stem Cells), cultivadas meio de cultura DMEM/Ham (1:1, Invitrogen, Carlsbad, EUA), suplementado com 15% de soro fetal bovino (FBS, Hyclone, Logan, EUA), 100 U/mL de penicilina (Invitrogen), 100 mg/mL de estreptomicina (Invitrogen), 2 mM de L-glutamina (Invitrogen) e 2 mM de aminoácidos não essenciais (Invitrogen). As células foram cultivadas numa incubadora a 37 °C em atmosfera úmida contendo 5% de CO2, pelo tempo necessário para atingir o número total de células necessárias para estudo. No grupo teste, as células DPSC2 foram cultivadas em meio de cultura condicionado com o bioformulado a uma concentração de 100%, enquanto no grupo controle apenas o meio de cultura foi usado. Vinte quatro horas após o início do experimento a viabilidade celular foi determinada por meio da atividade mitocondrial. Os resultados foram analisados por meio do teste t student com nível de confiança de 95%.
[061] De acordo com os resultados obtidos, comprovou-se que o óleo de copaíba [incorporado no formulado BIOCOPAME avaliado em diferentes concentrações (0,01% a 100% do sistema SMEDDS) a partir da biomassa original deste formulado] se mostrou um veículo biocompatível em modelo experimental in vitro de células-tronco da polpa dentária, com ação eficaz na manutenção da viabilidade celular (FIGURA 2).
REIVINDICAÇÕES

Claims (14)

1. Preparo de uma microemulsão biológica a base de óleo de copaíba para uso odontológico odontológica, caracterizado por ser um sistema coloidal do tipo automicroemulsificante obtido com tensoativo da classe dos sorbitanos (Tween 20, 40 ou 80) contendo óleo de copaíba veiculado em percentual reduzido (0,2% a 1,0 %), para;
2. Bioformulação denominada de BIOCOPAME, correlacionada com a reivindicação 1, caracterizado por ser uma microemulsão contendo uma mistura oleosa a base de óleo de copaíba e óleo de girassol, em baixas concentrações (0,2% a 1,0%);
3. Biocomposições derivativas do sistema BIOCOPAME correlacionadas com as reivindicações 1 e 2, caracterizado por sofrer modificações pela adição de estabilizantes, bem como agentes espessantes ou gelificantes;
4. Biocomposições derivativas do sistema BIOCOPAME correlacionadas com as reivindicações 1 e 2, caracterizado por sofrer modificações na classificação química do tensoativo (podendo ser iônico ou não-iônico);
5. Biocomposições derivativas do sistema BIOCOPAME correlacionadas com as reivindicações 1 e 2, caracterizado por sofre modificações na presença de outros agentes tensoativos que estejam em misturas, contendo ou não um agente co-tensativo;
6. Método de obtenção do bioformulado BIOCOPAME correlacionados com as reivindicações 1 até 5, caracterizado por aquecimento moderado (faixa 40 °C - 80 °C), sob processo de centrifugação com velocidade constante em tempo limitado (30 min. - 60 min.);
7. Método de obtenção do bioformulado BIOCOPAME correlacionados com as reivindicações 1 até 7, caracterizado por sofrer modificações de temperatura, agitação e tempo de aquisição;
8. Uso odontológico do bioformulado BIOCOPAME caracterizado por estar correlacionado com as reivindicações anteriores e ter indicação para bochechos sépticos;
9. Uso odontológico do bioformulado BIOCOPAME correlacionado com as reivindicações 1 até 7, caracterizado por ter indicação de uso tópico bucal, no combate as afecções orais do tipo mucosite;
10. Uso odontológico do bioformulado odontológico correlacionado com as reivindicações 1 até 7, caracterizado por administração, preferencialmente, por via tópica bucal, para cicatrização de mucosa oral;
11. Uso odontológico do bioformulado BIOCOPAME correlacionado com as reivindicações 1 até 7, caracterizado por ser administrado preferencialmente, por via tópica bucal, em terapia periodontal;
12. Uso odontológico do bioformulado BIOCOPAME correlacionado com as reivindicações 1 até 7, caracterizado por ser administrado preferencialmente, por via tópica bucal, para viabilidade de células tronco da polpa dentária (Dental Pulp Stem Cells - DPSC2);
13. Uso odontológico do bioformulado BIOCOPAME caracterizado por ser de uso oral ou tópico na terapêutica cicatrizante;
14. Uso medicinal do bioformulado BIOCOPAME correlacionado com todas as reivindicações anteriores, caracterizado por ser administrado preferencialmente, por via tópica bucal na forma líquida, de spray, pomada, gel, creme dental, dentre outras possibilidades de uso no combate as afecções bucais do tipo mucosite, cicatrização de mucosa oral e viabilidade de celular da polpa dentária.
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