BRPI0303379B1 - método para o estiramento e a secagem gradual e contínua de couros crus industriais e de produtos semelhantes, e, planta para o tratamento a úmido gradual de couros crus industriais e para implementar o método - Google Patents

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Abstract

"método para o estiramento e a secagem gradual e contínua de couros crus industriais e de produtos semelhantes, e, planta para o tratamento a úmido gradual de couros crus industriais e para implementar o método". um método para o estiramento e secagem gradual e contínua de couros crus industriais e produtos semelhantes que compreende pelo menos uma etapa de (a) envolvimento da secagem parcial inicial dos couros crus completamente umidificados, fornecidos após um tratamento com líquidos, como curtimento, recurtimento ou tingidura, até que o seu teor relativo de umidade seja reduzido até entre 45% e 65%, pelo menos uma etapa (b) envolvendo o estiramento final dos couros crus por intermédio de tensões mecânicas localizadas e capazes de recuperar o encolhimento resultante da secagem parcial dos mesmos, caracterizado pelo fato de que, depois da referida etapa inicial de secagem parcial (a), é executada pelo menos uma etapa intermediária de estiramento (c), seguida pela secagem parcial intermediária (d), seguida por pelo menos uma etapa intermediária de estiramento (e) antes de prosseguir para a referida etapa (c) que envolve a secagem final e a termofixação dos couros crus.

Description

“MÉTODO PARA O ESTIRAMENTO E A SECAGEM GRADUAL E CONTÍNUA DE COUROS CRUS INDUSTRIAIS E DE PRODUTOS SEMELHANTES, E, PLANTA PARA O TRATAMENTO A ÚMIDO GRADUAL DE COUROS CRUS INDUSTRIAIS E PARA IMPLEMENTAR O MÉTODO” Campo técnico A invenção atual refere-se genericamente ao campo técnico da curti mento e refere-se especialmente a um método para o estiramento e a secagem contínua gradual de couros crus industriais e produtos semelhantes. A invenção também se refere a uma planta para implementar o método mencionado acima. Técnica anterior Sabe-se que certos tratamentos industriais de couro cru, como curti mento, recurtimento e engraxamento são executadas na fase úmida, i.e., através da imersão dos couros crus em líquidos mais ou menos densos com base em água, com base em óleo ou com base em graxa, que contêm substâncias químicas de natureza orgânica ou inorgânica e têm a função de inibir os processos bacteriológicos e enzimáticos ou proteger os couros crus e darem aos mesmos uma aparência estética específica.
Depois dos tratamentos mencionados acima, os couros crus umidificados devem ser secos e estirados para se proceder com as etapas subseqüentes de trabalho.
Também é conhecido que a área superficial dos couros crus é um fator de importância vital para a eficiência de custos de um curtume, porque o preço dos produtos acabados, para a mesma qualidade final, é determinado com base neste parâmetro. Assim sendo, um dos principais objetivos dos curtumes é a produção de couros tendo o maior cumprimento ou área superficial possível, de forma que seja compatível com os outros requisitos qualitativos.
No passado, para se executar a operação de estiramento, eram utilizadas as lâminas tradicionais de beiradas retas, as referidas lâminas requerendo uma grande quantidade de esforço por parte dos operadores e tendo uma eficiência limitada.
Esta operação manual foi gradualmente substituída por outras operações automáticas, que são executadas, por exemplo, com máquinas de prensar que têm cilindros espiralados colocados em posição oposta um contra o outro. Altemativamente, os couros crus poderão ser prensados e estirados por intermédio de prensas contendo pares de correias de feltro que atuam nos couros crus durante a introdução dos mesmos.
Outro método para o estiramento dos couros crus consiste em uma operação que prevê que uma pasta seja depositada no lado áspero dos couros crus úmidos, a referida pasta tendo a função de fazer com que os couros crus possam ser aderidos em placas de vidro, porcelana ou metal. Os couros crus tratados dessa forma passam para dentro de um secador em túnel até perderem uma porção significativa da sua umidade. Uma vez secos, os couros crus são separados e estão na forma de placas lisas, prontos para o acabamento e o processamento posterior.
Outro método de estirar os couros crus prevê o uso de pinças ou grampos aplicados ao longo das beiradas dos couros crus e direcionados radialmente no sentido externo. Os grampos são afixados em suportes os quais mantêm os couros crus distendidos enquanto eles são passados através de um secador de túnel ou ao longo de um caminho em uma atmosfera controlada. Opcionalmente, os suportes são fornecidos com placas para suportar os couros em seções que podem ser separadas, conforme descrito, por exemplo, na patente americana de número US-A- 2.834.147.
Uma desvantagem significativa do referido método conhecido reside no fato de que as áreas afetadas pelas pinças são colocadas sob tensão maior do que as áreas centrais, de tal forma que elas são danificadas irreversivelmente, originando as assim chamadas "bolhas" ou empolas devido à separação e deformação das fibras em relação a pele. Além disso, a espessura dos couros crus é menor nas áreas pinçadas do que nas áreas centrais e portanto ocorre o estiramento e a redução variada da espessura dos couros crus, com qualidade conseqüente menor do produto acabado.
Outro método conhecido, descrito no pedido francês FR-A-2602795, prevê o uso de um par de placas lisas horizontais nas quais são colocadas as mantas respectivas deformáveis elasticamente, geralmente feitas de borracha. Através da compressão dos couros cms entre as mantas arranjadas de forma oposta uma à outra e aplicando-se uma força longitudinal de pressão nas mesmas, é obtido o estiramento dos couros crus por meio de atrito. Além disso, o ar quente, o qual tem a função de secar os couros crus, é direcionado entre as mantas. Infelizmente, o calor utilizado para aquecer os couros crus também danifica as mantas de borracha e portanto limita a sua vida útil. Além disso, como a temperatura de trabalho não pode exceder certos valores máximos, o tempo de secagem aumenta, reduzindo a eficiência do processo.
Os referidos métodos de estiramento conhecidos têm a desvantagem de submeter os couros crus a uma ação de estiramento mecânico a qual é concentrada especialmente ao longo da beirada periférica dos mesmos. Quando atuando nas referidas áreas, as quais são as áreas mais finas, é necessário restringir a magnitude das tensões para se evitar o rompimento. Isto restringe o aumento da área superficial e portanto a eficiência do método.
Além disso, as tensões não são distribuídas uniformemente e, acima de tudo, não são aplicadas em direção ao centro dos couros crus, que tem a maior espessura e portanto podería permitir o estiramento maior. O pedido de patente britânica GB-A-2236111 descreve um método para aumentar a área total da superfície de couros crus curtidos por cromo ou curtidos por azul úmido, que prevê que os couros crus umidificados sejam colocados em uma superfície plana e sejam submetidos a uma ação simultânea de tração longitudinal, por intermédio de pinças, e compressão, por intermédio de rolos colocados longitudinalmente com uma movimentação alternada, que é repetida após a rotação dos couros crus a cerca de 90 ° C. Este tratamento permite um aumento da área superficial de cerca de 10%.
No entanto, mesmo esta solução, assim como as soluções anteriores, não elimina o problema das tensões mecânicas nas zonas periféricas dos couros crus e não obtém um estiramento uniforme dos mesmos.
Além disso, a aplicação deste método não permite que as fibras de couro cru sejam estiradas na região da sua parte central e portanto os líquidos absorvidos nesta zona são retidos por mais tempo do que em outras zonas, aumentando os tempos de secagem.
Um método e uma linha para estirar couros crus e outros produtos semelhantes são conhecidos do pedido de patente industrial italiano número VI2001A000220.
Neste método conhecido, os couros crus umidificados fornecidos após um tratamento com líquidos, como curtimento, recurtimento, tingidura ou semelhante, são parcialmente secos, por exemplo, por intermédio de "assentamento", e então estirados por intermédio de tensões mecânicas localizadas, que são aplicadas na direção substancialmente perpendicular à do plano onde os couros crus são colocados para se obter um aumento predeterminado da área superficial, e finalmente os couros crus são parcialmente secos para se estabilizar e se fixar termicamente os couros crus estirados. Este método conhecido é caracterizado pelo fato de que durante a etapa de estiramento, os couros crus são mantidos úmidos com um nível substancialmente constante de umidade, enquanto que as tensões mecânicas são exercidas ao longo da área superficial inteira dos couros crus de uma forma substancialmente uniforme, sem nenhuma redução ao longo das suas beiradas periféricas, para se obter uma ação radial de estiramento ao longo da área superficial inteira.
Este método permite que os couros crus sejam secos de uma forma substancialmente uniforme e resultam em produtos de uma qualidade melhor com um custo relativamente baixo. No entanto, este método é descontínuo e portanto poderá ser submetido a melhorias, especialmente para o tratamento de couro cru de carneiro e de cabra e couros crus finos em geral, para os quais não é necessário utilizar-se um secador a vácuo. Além disso, o estiramento a úmido dos couros crus é executado em um só passe, não explorando até o fim o potencial tecnológico e qualitativo deste processo.
Finalmente, o uso de um secador a vácuo faz com que seja necessário utilizar-se um certo número de operadores os quais aumentam o tempo e o custo de processamento.
Sumário da invenção O objetivo da invenção atual é o de superar as desvantagens mencionadas acima, fornecendo um método e uma planta para o estiramento gradual e contínuo de couros crus e produtos semelhantes, o que permite que sejam obtidos produtos secos de alta qualidade com tempos de processamento e custos de produção extremamente baixos.
Um objetivo especial da invenção atual é o de prever um método e uma planta para o estiramento gradual e contínuo de couros crus e produtos semelhantes o que permite que seja obtido o estiramento gradual e uniforme dos couros crus para se obter couros crus com uma espessura e maciez substancialmente constante.
Um outro objetivo especial é aquele de se projetar uma planta que permite que os couros cms sejam secos gradualmente, estirando-se os mesmos gradualmente quando eles perdem o seu teor de umidade, com ciclos sucessivos de tração, de forma a aumentar a eficiência do tratamento, conforme o desejado.
Estes objetivos, assim como outros que ficarão mais claramente aparentes daqui por diante, são alcançados por um método para o tratamento contínuo de couros crus industriais e produtos semelhantes o qual, de acordo com a reivindicação 1, compreende a remoção e a transferência dos couros crus completamente umidificados fornecidos após um tratamento com líquidos, como curtimento, recurtimento ou tingidura, uma etapa envolvendo a pré-secagem dos couros crus umidificados de forma a reduzir o seu teor relativo de umidade até um valor entre 45% e 65%, pelo menos um estiramento inicial a úmido dos couros crus por intermédio de tensões mecânicas localizadas capazes de recuperar a perda de área e a maciez resultante da pré-secagem dos mesmos, pelo menos uma etapa intermediária de secagem parcial, pelo menos uma etapa intermediária de estiramento e amaciamento parciais, seguido por uma secagem final dos couros crus, um estiramento e amaciamento final dos couros crus completamente secos, e o empilhamento dos couros crus completamente secos e macios em um suporte adequado.
De acordo com um segundo aspecto da invenção, é prevista uma planta para a implementação do método de acordo com a reivindicação 1, e de acordo com a reivindicação independente 12.
Breve descrição dos desenhos Outras características e vantagens da invenção serão mais claramente entendidas à luz da descrição detalhada de algumas realizações preferidas mas não exclusivas de um método e uma planta para o estiramento e secagem contínua de couros crus industriais e produtos semelhantes, ilustrado por intermédio de um exemplo não limitante com o auxílio das placas anexas de desenhos nas quais: A figura 1 mostra um gráfico de fluxo que ilustra o método de estiramento e secagem gradual de couros crus de acordo com a invenção; A figura 2 mostra um diagrama que ilustra em forma esquemática as variações no teor de umidade relativa e alongamento percentual dos couros crus durante as várias etapas do método de acordo com a figura 1; A figura 3 mostra uma vista lateral de uma primeira realização preferida de uma planta para o estiramento e a secagem gradual de couros crus para se implementar o método de acordo com a invenção; A figura 4 mostra uma vista plana da planta de acordo com a figura 3; A figura 5 mostra uma vista lateral de uma segunda realização preferida de uma planta para o estiramento e a secagem gradual de couros crus para implementar o método de acordo com a invenção; A figura 6 mostra uma vista plana da planta de acordo com a figura 5.
Descrição detalhada de algumas realizações preferidas Com referência aos desenhos anexos, são mostrados um método e uma planta para o estiramento gradual e contínuo de couros crus industriais e produtos semelhantes de acordo com a invenção. O gráfico de fluxo mostrado na figura 1 ilustra em forma esquemática o processo inteiro de estiramento e secagem gradual, com duas variantes operacionais possíveis, i.e., a primeira com um só ciclo intermediário e a segunda com dois ciclos intermediários de estiramento a úmido e secagem parcial.
Obviamente, o método poderá também prever um número maior de ciclos intermediários de tratamento sem dessa forma afastar-se do escopo da invenção. A primeira parte do método é comum a ambas as variantes e prevê uma primeira etapa a) o na qual os couros crus P são removidos de um tambor de curtimento ou recurtimento ou de um tanque de tingidura ou de revestimento por graxa, mostrado na forma esquemática como B, com um teor de umidade relativa entre 85% e 100%.
Nestas condições, as fibras dos couros crus P são especialmente flexíveis e permitem que as mesmas sejam estiradas com riscos mínimos de rompimento e danos locais, reduzindo significativamente o risco de "bolhas” e outros efeitos locais.
Depois de serem removidos, os couros crus P são submetidos a uma etapa de pré-secagem parcial b), por exemplo, utilizando-se métodos tradicionais de prensagem executados como uma máquina de prensagem ou de fixação, formada essencialmente por uma prensa de feltro de prensagem/estiramento. Esta etapa é controlada de tal forma que os couros crus tenham um teor de umidade relativa residual com valores entre 45% e 65%. Nesta etapa, os couros crus são estirados levemente ou apenas alisados, de tal forma que eles possam ser facilmente direcionados para a etapa seguinte de estiramento mecânico.
Neste ponto, é prevista uma etapa c), envolvendo o estiramento a úmido dos couros crus P por intermédio de tensões mecânicas localizadas e aplicadas em direção substancialmente perpendicular ao plano onde os couros crus estão colocados, de acordo com os ensinamentos, por exemplo, do pedido de patente de número V12001A000220, para se obter um aumento predeterminado da área superficial.
Convenientemente, durante a etapa de estiramento a úmido c), os couros crus P são mantidos em condições substancialmente constantes de umidade relativa, correspondendo à umidade na saída da etapa de secagem parcial b). Em outras palavras, durante esta etapa, os couros crus não devem perder o seu teor inicial de umidade de forma a não perder a sua flexibilidade quando úmidos.
Além disto, é importante que as tensões mecânicas sejam distribuídas sobre a área superficial inteira dos couros crus individuais de uma forma substancialmente uniforme. E igualmente importante que os couros crus sejam tensionados mecanicamente sem se aplicar nenhuma restrição, i.e., sem qualquer pinça ou grampo próximo das zonas periféricas, de forma a deixar os couros crus livres para serem estirados radialmente de uma forma substancialmente uniforme em toda a área superficial. A etapa de estiramento c) de preferência é executada até que um aumento da área superficial ou área total de 2% e 4% seja obtido, dependendo do tipo de tratamento a úmido executado anteriormente.
Em vários testes práticos executados em couros crus de carneiros e cabras, os quais tinham uma espessura média de cerca de 1 mm e foram curtidos com curtimento vegetal, foi obtido um aumento na área total dos couros crus submetidos ao método de acordo com a invenção igual a cerca de 4 - 5%, em comparação com os mesmos couros crus que não tinham sido tratados na forma úmida. No caso dos couros crus bovinos curtidos com cromo, de espessuras maiores, tendo um teor de umidade relativa próxima de 50%, foram obtidos aumentos na área total acima de 10%.
Foi estabelecido que atuando-se em couros crus tendo um teor de umidade relativa acima de 65%, não é obtido nenhum benefício em termos de aumento na metragem total, e ao mesmo tempo as dificuldades de se trabalhar com couros crus úmidos aumenta de uma forma inaceitável.
Convenientemente, as tensões mecânicas localizadas são exercidas em ambos os lados de cada couro cru P em pontos uniformemente distribuídos e substancialmente eqüidistantes da sua extensão superficial. De preferência, as tensões mecânicas são fornecidas por intermédio de ferramentas atuando em lados opostos dos couros crus a serem estirados de forma a produzir tensões substancialmente radiais em áreas localizadas centradas nos referidos pontos.
Em uma realização preferida, as tensões mecânicas poderão ser executadas utilizando-se uma máquina de esticar couro com placas de batimento, que possuam ferramentas atuando em direções substancialmente perpendiculares ao plano da extensão dos couros crus e uma freqüência de batimentos substancialmente constante aplicada nos couros crus, os quais são alimentados ao mesmo tempo sendo presos nos seus lados opostos por um par de correias transportadoras de faces mútuas, anulares.
De preferência, a freqüência de operação da máquina de esticar couro será entre 200 e 1.200 deslocamentos por minuto e a velocidade de alimentação das correias transportadoras é entre 2 e 15 m/minuto.
Conforme mostrado na forma esquemática na parte esquerda da figura 1, no final da etapa c) de estiramento a úmido segue-se uma etapa d) envolvendo a secagem intermediária e o condicionamento dos couros crus para reduzir o seu teor de umidade relativa residual até entre 25% e 35%, de tal forma que os couros crus possam ainda ser estirados e puxados facilmente, ao mesmo tempo permanecendo relativamente lisos.
Os couros crus P, ainda úmidos, são então transportados para uma etapa adicional de estiramento intermediário e) utilizando-se procedimentos semelhantes àqueles ilustrados para a etapa c), apesar das condições menores de umidade relativa, de forma a sofrerem um aumento adicional na metragem total entre 2% e 5%.
Finalmente, os couros crus gradualmente estirados são transportados para a etapa final de secagem e termofixação f), durante a qual o seu teor de umidade cai para um valor final relativo entre 7% e 15% e as suas fibras são termotracionadas de forma a estabilizar a sua metragem total final.
Na referida condição de secagem quase que completa, os couros crus P são submetidos a uma etapa final de estiramento g) que visa estabilizar os couros crus e dar aos mesmos o grau de maciez e flexibilidade requerida pelo mercado.
Seguindo-se a rota ao longo do lado direito da figura 1, os couros crus P são submetidos a dois ciclos sucessivos do tipo descrito acima, diferentemente de um só ciclo intermediário de secagem e estiramento.
Especialmente, a jusante da etapa inicial de estiramento c), os couros crus P são submetidos a uma primeira etapa intermediária de secagem dl até que eles alcancem um nível de umidade relativa entre 30% e 45%, seguido por uma primeira etapa intermediária de estiramento el). Os couros crus são então submetidos a uma segunda etapa intermediária de secagem d2) até que eles alcancem um valor de umidade relativa entre 20% e 30%, seguido por uma segunda etapa intermediária de estiramento e2.
Neste caso também fmalmente os couros crus P serão transportados para uma etapa final de secagem f) para serem quase que completamente secos tecnicamente, i.e., até um nível de umidade relativa entre 7% e 15%.
Finalmente, os couros crus P serão submetidos a uma etapa final de estiramento g) até que a metragem total e o grau de maciez ou "tato" requerido pelo mercado seja obtido.
Deve ser notado que o estiramento a úmido e o estiramento gradual permitem que os efeitos das duas etapas sucessivas sejam maximizados. Devido a este modo gradual de trabalho, poderão ser obtidos aumentos na metragem total de até cerca de 10% em comparação com os métodos tradicionais e os métodos envolvendo o estiramento a úmido em um só passe. O gráfico de acordo com a figura 2 ilustra em forma esquemática as faixas de variação do teor de umidade relativa dos couros crus e o estiramento relativo durante as etapas sucessivas do método no caso de um só ciclo intermediário de secagem parcial seguido por estiramento parcial a úmido. As etapas sucessivas b), c), d), e), f), g) são mostradas nos eixos X e os valores máximo e mínimo do teor de umidade relativa em % H20 e da percentagem de alongamento Δ 1/1% são mostrados nos eixos Y.
As figuras 3 a 6 ilustram dois exemplos de realizações de plantas para a implementação do método de acordo com a invenção.
Especialmente, as figuras 3 e 4 ilustram uma primeira planta, demonstrada na sua integridade pelo número de referência 1, para a implementação do método seguido na parte esquerda do diagrama de fluxo mostrado na figura 1. A planta 1 é composta, em seqüência, de meios para a remoção e alimentação dos couros crus umidificados a partir de um aparelho para o tratamento com líquidos, como um tambor para curtimento, recurtimento, tingidura ou semelhante. Especialmente, os meios 2 poderão ser formados por um alimentador automático ou por um par de operadores para executarem a etapa a) do processo.
Uma máquina de secagem 3 para a prensagem inicial e a pré-secagem dos couros crus umidificados P poderá ser prevista a jusante dos meios de transferência 2, a referida máquina destinando-se a executar a etapa b) do processo, reduzindo o nível de umidade relativa de um valor entre 85% e 100% até um valor entre 45% e 65%.
Como forma de exemplo não limitante, a máquina 3 poderá ser formada por uma prensa de retorcer/estirar, modelo PRC4 RA 3200, produzida pela companhia Bauce de Trissino (Vicenza). Os couros crus P que saem da máquina 3 de preferência terão um nível de umidade relativa entre 35% e 65%.
Uma máquina de estiramento contínuo 4, que se destina a executar a etapa c) do processo - i.e., o estiramento a úmido dos couros crus P por intermédio de tensões mecânicas localizadas atuando nos lados opostos em direções substancialmente perpendiculares ao plano onde estão colocados - e que é capaz de conseguir uma porcentagem de alongamento entre 2% e 4%, poderá ser prevista a jusante da máquina de pré-secagem 3.
Como forma de exemplo, a máquina 4 poderá ser formada por uma máquina de esticar couro com placas de batimento do tipo chamado Syncro 3200 produzida pelos requerentes atuais, na qual as correias transportadoras de couro cru são feitas de materiais que são à prova d'água ou repelentes à água, e de qualquer forma não absorventes, de forma a evitar a drenagem e a impregnação dos líquidos contidos nos couros crus P sendo processados. É previsto um dispositivo para executar a etapa intermediária d) do método a jusante da máquina de esticar couro 4, o referido dispositivo sendo formado por um secador-condicionador intermediário 5, por exemplo, do tipo de túnel de condicionamento contínuo descrito na patente internacional WO-A-01/44517 no nome dos requerentes atuais, regulado de forma a reduzir o teor de umidade para valores entre 25% e 30%.
Uma outra máquina intermediária de estiramento, denominada de 4', semelhante à máquina de esticar couro 4 e operando nas mesmas condições, mas com um nível menor de umidade dos couros crus P, é localizada a jusante do condicionador 5, para executar a etapa e) do método, para se obter uma percentagem de alongamento entre 2% e 4%. É previsto um dispositivo contínuo de secagem/condicionamento 5', que é semelhante ao dispositivo de secagem/condicionamento 5 e é controlado de forma a executar a etapa final de secagem f), trazendo o teor de umidade relativa dos couros crus P para um valor entre 7% e 15% a jusante da máquina de estiramento 4'. É previsto um dispositivo de estiramento ou de fixação 4 11 a jusante do dispositivo 5', que atua nos couros crus quase que completamente secos, para implementar a etapa g) do processo, para aumentar a metragem total em 2-3% adicionais e dar aos couros crus o grau de maciez requerido pelo mercado.
Os couros crus P são então removidos do dispositivo de fixação 4 " e transferidos para um cavalete 6 por intermédio de um dispositivo tradicional de empilhamento 7, para implementar a etapa h) do método.
Os couros crus tratados desta forma são caracterizados por um aumento significativo na área superficial entre 5% e 10% e têm uma qualidade e maciez notáveis, sem serem submetidos à tensões mecânicos e térmicos que são típicos dos métodos tradicionais.
Deve ser enfatizado que a planta para o estiramento e secagem gradual de couros crus industriais, para a implementação do método descrito acima, poderá ser inserida em uma linha semi-automática de processamento de couros crus, como por exemplo, do tipo descrito e reivindicado no pedido internacional WO-A-96/15275 no nome dos requerentes atuais. A planta ilustrada nas figuras 5 e 6, representada na sua integridade pelo número de referência Γ, é diferente daquela mostrada nas figuras 3 e 4 essencialmente porque ela prevê, ao invés de um só dispositivo intermediário, dois dispositivos intermediários de secagem parcial, que são denominados de 5, 5' respectivamente, e regulados para reduzir o teor de umidade relativa a valores entre 30% e 45% e 20% e 30%, para implementar as etapas dl) e d2) do método, seguido pelos dispositivos intermediários de estiramento a úmido, denominados de 4', 4" respectivamente, para implementar as etapas el) e e2) do método de acordo com a invenção.
Conforme na planta de acordo com as figuras 3 e 4, um dispositivo final de secagem 5 " para implementar a etapa f), para reduzir o teor de umidade relativa a cerca de 7% - 15%, e um dispositivo final de estiramento 4 que atua nos couros crus quase que completamente secos, para implementar a etapa g) do processo, resultando em uma percentagem final de alongamento entre cerca de 5% e 10%, são localizados à jusante do dispositivo intermediário de estiramento 4".
Finalmente, da mesma forma que o exemplo de acordo com as figuras 3 e 4, é previsto um dispositivo de empilhamento 7, que remove os couros crus P e deposita os mesmos em um cavalete 6, para implementar a etapa h) do método, a jusante do dispositivo de estiramento 4"'. É enfatizado que são requeridos somente dois operadores, para a remoção dos couros crus úmidos P do tambor ou tanque B e para a transferência dos mesmos para os meios 2 para a alimentação da prensa 2, para operar a planta, resultando em uma redução significativa no número de pessoas e no tempo de processamento. Devido ao método e à planta de acordo com a invenção, a produção de cerca de 100 couros crus/hora pode ser obtida somente com duas pessoas, em comparação com as dez pessoas requeridas no passado utilizando-se os métodos tradicionais e com resultados piores em termos de qualidade.
Considerando-se um aumento na metragem total de cerca de 7%, é possível calcular-se o benefício em termos de eficiência de custo obtida com a planta e o método de acordo com a invenção. No caso de uma planta com uma produção de cerca de 100 couros crus/hora, considerando-se uma metragem total de cerca de 4,6 m2 por couro cru e um turno de trabalho de cerca de 8h/dia, são obtidos uma metragem total de cerca de 3716 m /dia e um aumento médio diário de cerca de 260 m2/dia.
Considerando-se o custo de couros crus como uma média de cerca de 3,6 Euros/pé quadrado (1 pé quadrado = 929 cm2), é possível prever-se uma economia acima de 10.080 Euros/dia permitindo que o custo de uma linha de preparação de acordo com esta invenção, com um só ciclo composto de uma máquina de pré-secagem e um dispositivo de fixação, seja pago rapidamente, i.e., em cerca de 3-4 meses.
Pelo exposto acima, fica entendido que o método e a linha de preparação de acordo com a invenção atendem os objetivos predeterminados e, especialmente, chama-se a atenção para o aumento de metragem com uma qualidade uniforme e espessura final substancialmente constante, sem quaisquer defeitos ou qualquer risco de danos próximos da beirada dos couros crus. O método e a linha de preparação a úmido de acordo com a invenção poderão ser submetidos a numerosas modificações e variações, todas elas enquadrando-se dentro da idéia inventiva descrita nas reivindicações anexas. O presente pedido é baseado e reivindica prioridade para o pedido de patente número V12002A000050, depositado em 20.03.2002 na Itália, a apresentação do qual é incorporada expressamente aqui como referência à mesma.

Claims (11)

1. Método para o estiramento e a secagem gradual e contínua de couros crus industriais e de produtos semelhantes, caracterizado pelo fato de compreender as seguintes etapas: - remoção e transferência dos couros crus completamente úmidos (P) fornecidos após um tratamento com líquidos, como curtimento, recurtimento ou tingidura; - pré-secagem (b) dos couros crus úmidos (P) até que o seu teor de umidade relativa seja reduzido para um valor entre 45% e 65%; - estiramento a úmido e amaciamento inicial (c) dos couros crus por intermédio de tensões mecânicas localizadas capazes de recuperarem a perda de metragem e a maciez resultantes da pré-secagem dos mesmos; - pelo menos uma secagem parcial intermediária (d) seguida por: - pelo menos um estiramento e amaciamento parcial intermediário (e); - secagem final (f) dos couros crus (P); - estiramento e amaciamento final (g) dos couros crus completamente secos (P); - empilhamento (h) dos couros crus completamente secos e amaciados (P) em um suporte adequado, de tal forma a alcançar uma percentagem total de aumento entre 5% e 10%.
2. Método de acordo com a reivindicação 1, caracterizado pelo fato de que, a jusante da referida etapa (c) do estiramento a úmido e amaciamento inicial dos couros crus quando úmidos, é executada uma primeira etapa intermediária de secagem parcial (dl), seguida por uma primeira etapa intermediária de estiramento parcial (el), seguida por uma segunda etapa intermediária de secagem parcial (d2), seguida por uma segunda etapa intermediária de estiramento parcial (e2), antes de prosseguir para a referida etapa final de secagem (f)eo estiramento e amaciamento final (g) dos couros crus (P).
3. Método de acordo com qualquer uma das reivindicações 1 e 2, caracterizado pelo fato de que a referida etapa envolvendo o estiramento e o amaciamento final dos couros crus acontece em condições residuais de umidade relativa entre 7% e 15%.
4. Método de acordo com a reivindicação 2, caracterizado pelo fato de que a variação na umidade relativa após cada uma das etapas intermediárias de secagem parcial (d, dl, d2...) é entre 10% e 40%.
5. Método de acordo com a reivindicação 2, caracterizado pelo fato de que as referidas etapas de estiramento parcial (e, el, e2, g) são executadas em couros crus úmidos de forma a obter-se um aumento percentual da área superficial entre 2% e 4%.
6. Método de acordo com a reivindicação 1, caracterizado pelo fato de que as referidas etapas intermediárias de estiramento parcial (e, el, e2) são executadas por intermédio de tensões mecânicas localizadas exercidas nos lados opostos dos couros crus úmidos em pontos uniformemente distribuídos e substancialmente eqüidistantes, sem restringir os couros crus ao longo das suas beiradas, e colocando-se um par de correias transportadoras substancialmente impermeáveis no meio, de forma a manter os couros crus úmidos durante o processo de fixação.
7. Método de acordo com a reivindicação 6, caracterizado pelo fato de que a freqüência de operação da referida máquina de esticar couro é entre 200 e 1.200 deslocamentos por minuto e a velocidade de alimentação do referido par de correias transportadoras é entre 2 e 15 m/minuto.
8. Planta para o tratamento a úmido gradual de couros crus industriais e para implementar o método como definido em uma ou mais das reivindicações anteriores, compreendendo em sucessão: - os meios (2) para a remoção e transferência dos couros crus úmidos (P) de um aparelho (B) para tratamento com líquidos, como um tambor para curtimento, recurtimento ou semelhante; - um dispositivo (3) para a secagem parcial inicial dos couros crus úmidos (P), regulado para reduzir o teor de umidade relativa dos couros crus para um valor entre 45% e 65%; - um dispositivo de estiramento contínuo (4) para o estiramento dos couros crus úmidos por intermédio de tensões mecânicas localizadas que atuam nos lados opostos na direção substancialmente perpendicular ao plano onde se situam os mesmos, de forma a aumentar a área superficial por um valor entre 2% e 4%; - um dispositivo (5) para a secagem contínua e a termocura final dos couros crus, que se destina a reduzir o teor final de umidade relativa dos couros crus para entre 7% e 15%, caracterizada pelo fato de que ele compreende, a jusante do referido dispositivo inicial de estiramento (4), pelo menos um dispositivo intermediário de secagem contínua (5') seguido por um dispositivo intermediário de estiramento continuo (4') localizados a montante do referido dispositivo final de secagem e termofixação (5), de forma a obter-se o aumento percentual total de área superficial dos couros crus entre 5% e 10%.
9. Planta de acordo com a reivindicação 8, caracterizada pelo fato de que cada um dos referidos dispositivos contínuos de estiramento (4, 4\4",4'"...) é formado essencialmente por uma máquina de esticar couro, com pelo menos um par de placas de batimento que são fornecidas com ferramentas e interagem periodicamente com uma freqüência substancialmente constante nos couros crus úmidos, pelo menos um par de correias transportadoras sendo colocadas no meio, para a alimentação contínua dos couros crus ao longo do seu plano de extensão.
10. Planta de acordo com a reivindicação 8, caracterizada pelo fato de que o referido par de correias transportadoras contínuas é feito de material impermeável adequado para manter os couros crus (P) em condições de umidade substancialmente constante.
11. Planta de acordo com a reivindicação 10, caracterizada pelo fato de que os referidos dispositivos de secagem parcial (5, 5', 5") são formados por um túnel contínuo de secagem e condicionamento com um nível controlado de umidade e ventilação.
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