BRPI0817954A2 - uso do 5-hidroxi-2-hidroximetil-(gama)-pirona como agente de ativação do macrófago no combate da leishmaniose cutánea - Google Patents

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Abstract

Uso do S-hidroxi-2-hidroximetil-<sym>-pirona como agente de ativação do macrófago no combate da Leislunaniose Cutânea. A presente patente refere-se a utilização do HMP (um metabólito secundário produzido por fungo filamentoso), como agente de estimulação da atividade microbicida do macrófago para atuação no combate da Leisbunaniose Cutânea (LC) causada pelo protozoário Leishmania (Leishmania) amazonensis. O principal mecanismo de ação foi a ativação da atividade microbicida destas células hospedeiras através do aumento da produção de radicais de oxigênio, aumento da quantidade de lisossomos, aumento dos filamentos de actina e microtúbulos, e do aumento do espraiamento característico do estado de ativação dessas células, eliminando o agente da infecção. Neste sentido a busca de moléculas de fácil obtenção e que não dependam de sazonalidade, além de apresentarem um mecanismo eficiente de combate e que não cause reações adversas é apresentado pelo HMP, um candidato potencial para uso no combate a LC na concentração mínima de 50 <109>g/mL. Portanto, o resultado apresentou alta atividade leishmanicida, que qualifica o uso do HMP como um potente candidato ao combate da leshmaniose cutânea.

Description

Relatório descritivo
Uso do 5-hidroxi-2-hidroximetil-y-pirona como agente de ativação do macrófagono combate da Leishmaniose Cutânea
A presente patente refere-se ao uso do 5-hidroxi-2-hidroximetil-y-pirona(HMP) como leshmanicida e que atua como agente de estimulação da atividademicrobicida do macrófago no combate da Leishmaniose Cutânea (LC) causada peloprotozoário Leishmania (Leishmania) amazonensis. Investigação sistemática realizadacom o HMP in vitro no combate à infecção de células hospedeiras pelo parasito,apresentou um resultado que tem como principal mecanismo de ação a ativaçãomicrobicida destas células que são ativadas pelo HMP, aumentando a produção deradicais de oxigênio, aumento da quantidade de lisossomos, aumento de filamentos deactina e microtúbulos e aumento do espraiamento característico do estado de ativaçãodessas células, eliminando o agente da infecção. Esta ação sobre a célula hospedeira eno protozoário foi observada pela primeira vez em nossos laboratórios, através do usodo HMP com métodos experimentais aqui descritos, não havendo na literatura qualquerrelato destes procedimentos.
A Leishmaniose é uma doença que acomete cerca de 2 milhões de pessoas nomundo, e é uma das seis doenças tropicais de maior relevância mundial. De acordo coma Organização Mundial de Saúde, as Leishmanioses afetam 88 países, dentre os quais72 são classificados como países em desenvolvimento (WHO. The Special Programmefor Research and Training in Tropical Diseases. Leishmaniasis: Disease information.Disponível em http://www.who.int/tdr/diseases/leish/diseaseinfo.htm. Último acessoem: 18/04/2007).
Nas Américas são conhecidas, atualmente, 11 espécies dermotrópicas deLeishmania causadora de doença humana e oito espécies descritas em animais. NoBrasil, já foram identificadas sete espécies, das quais seis pertencem ao subgêneroViannia e uma ao subgênero Leishmania. As espécies mais conhecidas são: Leishmania(Viannia) braziliensis, L. (V.) guyanesis e L. (Leishmania) amazonensis. No Brasil, apartir da década de 80, verificou-se um aumento de casos registrados, contabilizados3000 casos em 1980 e subiu para 37.710 casos em 2001. Os dados apontam que naregião Norte foi observada uma densidade de 552 casos por 10.000 habitantes,especialmente na Grande região do Tucuruí que envolve os estados do Pará, Maranhão eTocantins (Ministério da Saúde, Departamento de Vigilância da Saúde. Manual deVigilância da Leishmaniose Tegumentar Americana. Série A. Normas e ManuaisTécnicos. Editora MS, 2a Ed., 2007).
A leishmaniose é uma doença causada por um protozoário flagelado, que possuicaráter zoonótico e é transmitida através de um vetor, e que tem como principalprofilaxia o controle do hospedeiro invertebrado e dos reservatórios. Esta é uma dasdoenças que tem cura quando diagnosticada a tempo: O medicamento de primeiraescolha para tratamento da LC são os antimoniais pentavalentes descritos pela patenteUS1984480, 1934; são utilizados desde 1945 e administrados por via intraperitoneal,mas que apresentam efeitos colaterais como mialgia, náusea, vômito, dor abdominal efebre. O tratamento de segunda escolha são as injeções intramusculares de pentamidinase injeções intravenosas de anfotericinas descritas na patente US2908611, 1959;entretanto ambas também têm demonstrado efeitos adversos como náuseas, dor no localda injeção, sintomas cardiorrespiratórios, febre e anemia (Lima, E. B., Porto, C.; Mota,J. O. C.; Sampaio, R. N. R. Tratamento da Leishmaniose Tegumentar Americana. AnaisBrasileiros de Dermatologia. 82(2): 111-24, 2007; Amato, V.S.; Tuon, F. F.; BachaH.A. Neto, V.A.; Nicodemo, A. C. Review - Mucosal leishmaniosis Current Scenarioand Prospects for Treatment. Acta Tropica 105, 1-9, 2008). Outros medicamentostambém são aplicados no controle da Leishmaniose cutânea, como o antibióticoParomomicina descrito na patente EP0435915, 1993; que é administrado por viaparenteral desde a década de 60, o qual é combinado com sais, uréia ou gentamicina emconcentrações adequadas de acordo com a espécie invasora. Entretanto a utilização daparomomicina em novas vias de administração vêm sendo desenvolvida, comoformulação em emulsão para uso tópico (US6284739, 2001).
A miltefosina descrita pela patente EP1051159, 2002 é outro medicamento queestá sendo amplamente estudado como o primeiro tratamento oral efetivo no combate aLeishmaniose visceral, e que se encontra na fase VI de testes em humanos na índia. Asanfotericinas B também vêm sendo submetidas a uma série de estudos visando adiminuição dos efeitos adversos, através da utilização de lipossomas contendoanfotericina (US5965156, 1999). Além dos medicamentos sintéticos, existem outrassubstâncias naturais que têm demonstrado grande potencial terapêutico e leishmanicida,como os alcalóides, terpenos, flavonóides, esteróides, entre outros, provenientes de maisde 101 plantas encontradas, principalmente, na Bolívia, Colômbia, Brasil, Venezuela eíndia (Rocha, L.G.; Almeida, J.R.G.S.; Macedo, R.O.; Barbosa-Filho, J.M. A review ofNatural Products With Antileishmanial Activity. Phytomedieine 12, 514-535, 2005),porem substancias isoladas de plantas apresentam pequenas concentrações de seusprincípios ativos, além de se levar em consideração o fator da sazonalidade, e que emmuitos casos, é um fator limitante para a produção continua destes metabólitos emescala comecial.
No Brasil, o tratamento da leishmaniose segue os padrões estabelecidos pelaOrganização Mundial da Saúde (OMS) que determina a utilização de antimoniaispentavalentes como primeira escolha no tratamento, seguido da anfotericina B,pentamidinas. Algumas substâncias naturais também têm sido objetos de pesquisa noBrasil para combater a leishmaniose cutânea, como óleos essenciais ricos em Linalol ouEugenol, provenientes de plantas das espécies Croton cajucara e Ocimum gra Iissi mu,respectivamente (Rosa, M. S. S. et ali Antileishmanial Activity of a Linalool-RichEssential Oil from Croton cajucara. Antimicrobial Agents and Chemotherapy, p.1895-1901. June 2003). Além dos óleos essenciais, também estão sendo estudadosalcalóides provenientes das espécies A. crassiflora, A. coriacea, G. australis e C.ovalifolia (Tempone , A.G. et ali. Antiprotozoal Activity of Brazilian Plant Extractsfrom Isoquinoline Alkaloid-Producing Families. Phvtomedicine: (5):382-90. May,2005). O extrato hidralcóolico proveniente da planta Stachytarpheta cayennensis,espécie utilizada popularmente no tratamento de LC (Moreira, R.C.R. et ali. In vitroleishmanicidal effect of Stachytarpheta cayennensis (Rich.) Vahl (Verbenaceae), Rev.bras. farmacogn. vol.17 no.l João Pessoa Jan./Mar. 2007), e ainda, o extrato etanólicoproveniente do própolis, que demonstrou eficácia também através da ativação da célulahospedeira (Ayress, D.C. et ali. Effects of Brazilian propolis on Leishmaniaamazonemis. Mem Inst Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro. Vol. 102(2): 215-220, March2007), têm sido alvos de investigações.
Outro produto natural bastante estudado é um medicamento homeopático,Canova, desenvolvido na Argentina e atualmente comercializado no Brasil, quedesenvolveu atividade microbicida em células hospedeiras como macrófagos (Pereira,W.K. et ali. Immunomodulatory effect of Canova medication on experimentalLeishmania amazonensis infection. Journal of Lnfection 51, 157-164, 2005; Oliveira,C.C, et ai, Journal of Infection, 52, 420-432, 2006), porém este medicamento épreparado como um composto e utilize-se cinco espécies vegetais para sua produção, oque apresenta um fator limitante para a produção em larga escala.
A busca por agentes leshmanicida tem sido um grande desafio nos últimos anos,em função da doença ser considerada negligenciável e por haver pouco apeloeconômico. Neste sentido a busca de moléculas de fácil obtenção, que não dependam desazonalidade, que não apresentem limitadores na sua produção, além de apresentaremum mecanismo eficiente de combate e que não causem reações adversas é o desejávelpara uma produção em larga escala com perspectivas comerciais. Neste contexto, ometabólito secundário produzido através de processo Biotecnológico por fungofilamentoso, como é o caso do HMP, apresenta todas estas características e é umcandidato potencial para uso no combate da leshmaniose cutânea.
A descoberta do HMP foi realizada em 1907. Este metabólito secundário foiutilizado, inicialmente, como dietético, antioxidante, corante e mais tarde comopreservativo. Atualmente, além de ser extensamente usado como um elemento aditivoem alimentos é também empregado em cosméticos como agente branqueador da pele.Também é extensamente usado em medicamento como uma droga antiinflamatória e oestudo de seus derivados tem sido direcionado para outros testes biológicos de interessesócio-econômico.
Baseado na literatura revisada e discutido no recente trabalho de (Burdock, G.A.; Soni, M. G.; Cabin, I. G. Evaluation of health aspects of kojic acid in food.Regulatory and Pharmacology. v. 33, p. 80-101, 2001.), o consumo do HMP a níveis,normalmente, encontrados nos alimentos não se faz presente uma preocupação parasegurança da saúde humana. Esta conclusão também foi encontrada por Nohyneka, G.J., et al. An assessment of the genotoxicity and human health risk of topical use of kojicacid [5-hydroxy-2-(hydroxymethyl)-4H-pyran-4-one] Food and Chemical Toxicology42, 93-105, 2004, em seus estudos de ação genotóxica, que apresentou respostanegativa para o HMP. Esta substancia é um metabólico comumente produzido pormuitas espécies de fungos pertencentes aos generos Aspergillus, Acetobacter, ePenicillium (Burdock, G. A.; Soni, M. G.; Cabin, I. G. Evaluation of health aspects ofkojic acid in food. Regulatory and Pharmaeology. v. 33, p. 80-101, 2001), entretantopara a produção em escala comercial é necessário que a linhagem apresente potencial deprodução, além de possuir habilidade de uso de fonte de carbono abundante, tal como asacarose e a amilose ou amilopectina. Tolentino (1974) discute em detalhes a estrutura ea química do HMP. Esta é também conhecida pelo registro CAS No. 501-30-4 e tem afórmula empírica CóHôC^ e peso molecular de 142.109 g-mol"1. Cristaliza como agulhasprismáticas em acetona, etanol, e éter ou metanol e acetato de etila. O ponto de fusão éem torno de 153-154°C e tem ρKa estimado de 7.90 e 8.03. É livremente solúvel emágua, etanol, ou acetona. No processo de obtenção do HMP, após completar afermentação, este pode ser recuperado por um dos métodos Físicos e Químicosseguintes: (1) precipitação como sal de cobre, (2) extração com acetato de etilo, (3)extração contínua com éter, (4) evaporação para um volume pequeno que conduz acristalização ou cristalização à O0C, (5) extração com clorofórmio, ou (6) absorção emcarbono ativo seguido por eluição com acetato de butila saturado com amônia (Bajpai,P., Agrawala, D.K.; Vishwathan, L. kojic acid: synthesis and properties. J. ScL Ind. Res. n. 41,p. 185-194, 1982).
A partir das informações obtidas na literatura não houve nenhum incidenteinformado do envenenamento em humano pelo HMP. Não há nenhum dado descritivona literatura do processo de excreção do HMP pelo organismo humano. Porém, devidosua estrutura, provavelmente esta substancia apresenta uma rota relativamente simplesde metabolismo muito semelhante ao das hexoses dietéticas (Burdock, G. A.; Soni, M.G.; Cabin, I. G. Evaluation of health aspects of kojic acid in food. Regulatory andPharmacology. v. 33, p. 80-101, 2001).
Atividades antibióticas dos derivados do HMP mostraram que o mesmo éineficaz como antiprotozoanal quando testado contra Trypanosoma cruzi, Tetrahymenapyriformis, Euglena gracilis, e Astasia chattoni (Dobias, J., Balanova, J., Nemec, P.Effect of kojic acid phenylosazone on Trypanosoma cruzi. Biologia (Bratislava) 35,203-207, 1980). Estudos anteriores relataram em sua pesquisa que houve a inibição embactérias de vários gêneros inclusive Aerobacter, Bacilo, Chromobacterium,Clostridium, Corynebacterium, Diplococcus, Escherichia, Gaffkya, Klebsiella,Micrococcus, Neisseria, Pasteurella, Proteus, Pseudomonas, SalmonellatStaphylococcus e Vibrio pelo HMP, este resultado é muito promissor paradesenvolvimento de novos derivados mais potentes com atividade antibacteriano.
Na literatura encontram-se diversos artigos relacionados ao estudo da toxicidadesubcrônica, crônica e carcinogênica do HMP (Giroir, L. E., et al. The individual andcombined toxicity of kojic acid and aflatoxin in broiler chickens. Poult. Sei. 70, 1351—1356, 1991; Giroir, L. E., et al. Toxic effects of kojic acid in the diet of male broilers.Poult. Sei. 70, 499-503, 1991; Fujimoto, N., et al. Induction of thyroid tumours in(C57BL/6N £ C3H/N)F1 mice by oral administration of kojic acid. Food Chem.Toxicol. 36, 697-703, 1998. ; Kinosita, R., Mycotoxins in fermented food. Câncer Res.28, 2296-2311, 1968; Yamato, M., et al.. Synthesis and antitumor activity of tropolonederivatives. J. Med. Chem. 28, 1026-1031, 1985; Yamato, M., et al. Synthesis andantitumor activity of tropolone derivatives. J. Med. Chem. 30, 117-120, 1987). Estesautores apresentam conclusões sobre o teor d HMP quantificados em diversos tipos deanimais e o potencial sinergistico das aflatoxinas que esta substância apresenta quandoadministrada em grama de HMP por kg de alimento durante um período de tempoestabelecido. Não se tem informação na literatura sobre a toxicidade aguda que resultade uma única dose oral do HMP em humanos, mas, convulsões podem acontecer se oHMP for injetado em quantidades críticas (Hewitt, S. D., et al. Investigation of the anti-inflammatory properties of hydroxypyridinones. Ann. Rheum. Dis. 48, 382-388, 1989).
Nohyneka et al. (2004) verificaram o risco do consumo do HMP no uso geral,tanto em alimentos quanto em produtos para pele, e concluíram que esta substancia nasdoses consumidas, não apresentam efeitos genotoxicos ou tóxicos, assim nãoapresentam nenhum risco ao uso desta substancia em doses de 0,03 - 0,06 mg/Kg/dia, oque elimina os riscos de toxicidade desta substancia. Em um dos seus estudos Hewitt et(1989) buscou determinar os efeitos de antiinflamatório do HMP em ratos. Nelesforam injetados soluções com quelantes, incluído o HMP. Os animais foramsacrificados após lh, em seguida foram dissecados para análise dos quelantes na peleabdominal subcutânea. Os teores dos quelantes foram avaliados e comparados, assim,verificou-se que o HMP não teve influencia nas características agressivas aosorganismos. Concluíram, que esta substancia é menos lipofilica devido apresentargrupos hidroxilas, então, ele pode ser menos tóxico e conseqüentemente de maiorutilidade na área de saúde.
Os estudos de Yamato et al. (1985), que testaram a atividade antitumoral doHMP contra leucemia P388 em ratos, mostram indicativos positivos de atividadeantitumoral. Subseqüentemente, Yamato et al. (1987) na tentativa de abaixar asquantidades das doses do HMP administradas em diluições com mais da quarta parte,ainda asim, encontraram atividade antitumoral para esta substancia. Os efeitos deembriotoxicidade e teratogenicidade do HMP, analisados em ratos, foi objeto de estudode Choudhary, D. N., Sahay, G. R., Singh, J. N. Antifertility and cannibalistic propertiesof some mycotoxins in albino rats. J. Food Sei. Technol. (Mysore) 31, 497-499, 1994.
Os resultados deste estudo indicaram que o HMP não apresentou nenhum efeitoteratogênico. Mas, relata que nenhuma conclusão definitiva, até o presente momento,foi alcançada sobre os efeitos embriotoxicidade. Os resultados do efeito de metagênesesainda não são conclusivos. A administração contínua de altas doses do HMP em ratosresultou na indução de adenomas tireóide em ambos os sexos. Esta substancia afetadiretamente a função da tireóide, principalmente, inibindo absorção de iodo, conduzindodiminuições em T3 e T4 e aumenta em TSH, aumentando TSH de glândula pituitáriaestimula da tireóide em troca de hiperplasia. Várias linhas de evidência indicam que aação proliferativa causada pelo HMP na tiróide não está relacionado com agenotoxidade desta substância (Fujimoto et al, 1999), e sim com o potencial quelanteda gama-pirona.
Há evidência na literatura do efeito de mutagenicidade em bactérias comresultados positivos para bacilos (Manabe, M., et al. The capabilities of the Aspergillusflavus group to produce aflatoxins and kojic acid. Rep. Natl. Food Res. Inst. 38, 115-120, (1981) e Salmonelas (Wehner, F. C., et al. Mutagenicity to Salmonellatyphimurium of some Aspergillus and Penicillium mycotoxins. Mutat. Res. 58, 193-204,1978; Wei, C. I., et al. Mutagenicity studies of kojic acid. Toxicol. Lett. 59, 213-220,1991; Bjeldanes, L. F., Chew, H. Mutagenicity of 1,2-dicarbonyl compounds: Maltol,kojic acid, diacetyl and related substances. Mutat. Res. 67, 367-371, 1979). Bhat, R.,Hadi, S. M.. Photoinduction of strand scissions in DNA by kojic acid: Role of transitionmetal ions and oxygen free radical intermediates in the reaction. Mutagenesis 7, 119-124, 1992, informaram que o HMP na presença de oxigênio molecular e luz visívelinfluenciam diretamente nas alterações no DNA destes microrganismos. A degradaçãofoi aumentada na presença de Fe(III), Fe(II), e Cu(II). Cotellessa et al. (1999) avaliarama eficácia da mistura do ácido tricloro-acético, ácido glicólico e o HMP no tratamentoda hiperpigmentação cutânea. Os autores concluíram que a adição do HMP melhorou otratamento da melasma. Resultados semelhantes também foram encontrados por Lim(1999).
Diversas patentes foram submetidas visando ajustar e melhorar as propriedadesdeste metabólito, JP 54-92632A, JP 56-77272A, JP 60-796IB e JP 60-9722B, assimcomo a incorporação de mono ou di-ésteres de ácidos graxos, obtendo-se melhoria naatividade de inibição da tyrosinase. Neste mesmo sentido as patentes JP 3-14508A, JP4-145096A, JP 4-187618A e JP 5-39298A propuseram várias modificações na estruturaoriginal, obtendo-se derivados para inibir a tyrosinase. Tanto a estrutura glicosiladaquanto amino-protetora foram desenvolvidas, assim como para aumentar o potencial declareamento da pele JP 62-3820B, JP 64-83008A, JP 1-121205A e JP 2-028105A.A atividade do HMP sobre parasitas foi descrita apenas em um trabalho, onde ometabólito inibiu a ação das tirosinases 1 e 2 presentes em ovos de Schistosomamansoni, evitando a progressão do ciclo desse helminto (Fitzpatrick, J. M. Schistosomeegg production is dependent upon the activities of two developmentally regulatedtyrosinases FASEB J. 2007 21: 823-835). Entretanto, ainda não foi demonstradoqualquer efeito deste metabólito sobre protozoários, especialmente em espécies deLeishmania ou na célula hospedeira.
Metodologia de Obtenção do metabólito: Para a produção do HMP em escalade bancada são utilizados frascos de Erlenmeyer de 1000 mL contendo 400mL de meiode cultura Czapeck e 6% m\v de sacarose, devidamente esterilizados a 121°C por 15min. Após o meio atingir temperatura de 3 O0C, adiciona-se 5 mL da suspensão dosesporos (como inóculo). Os frascos são colocados em incubadora com agitação fixadaem 120 rpm e temperatura mantida em 28 °C. A fase líquida obtida do meio de cultura ésubmetida à filtração e em seguida à liofilização para obtenção do material brutoconcentrado. O conteúdo é transferido para frascos de 1000 mL, onde se adicionaetanokágua 80:20. São realizadas extrações consecutivas e os extraídos são reunidos econcentrados por evaporação. O produto é obtido por cristalização. A pureza é avaliadapor CLAE, caso haja pureza menor que 90% nova cristalização é realizada paraobtenção de um produto com pureza acima de 95%.
Cultivo da Leishmania (Leishmania) amazonensis e da célula hospedeira:Formas promastigotas de Leishmania (L.) amazonensis são obtidas em meio NNN etransferidas para meio líquido RPM 1640 suplementado com 10% de soro bovino fetalpara crescimento. Macrófagos peritoneais são obtidos a partir do peritônio decamundongos e são mantidos a 37°C e 5% de CO2 em meio DMEM suplementado com10% de soro bovino fetal.
Análise morfológica e da viabilidade celular: Inicialmente é feita a análisemorfológica das células hospedeiras tratadas com o metabólito nas concentrações 10, 20e 50 μg/mL diluído em meio DMEM através da microscopia óptica de luz, microscopiaóptica de fluorescência e microscopia eletrônica de transmissão e a análise daviabilidade através dos métodos Thiazolyl Blue (MTT) e Vermelho neutro (VN).
Análise da atividade microbicida: Posteriormente, é feita a análise daatividade microbicida da célula hospedeira, onde são cultivadas, infectadas ou não comLeishmania (L.) amazonensis, e tratadas com as concentrações do metabólito citadasanteriormente.Resultados: Através das técnicas de microscopia eletrônica foi possívelobservar em células tratadas com 20 e 50 μ^πιΐ, de AK o aumento na quantidade devacúolos, aumento do tamanho celular, polimerização de filamento de actina comfavorecimento do espraiamento celular e formação de inúmeros filopódios sem quefosse observadas alterações morfológicas nas organelas citoplasmáticas comomitocôndrias, retículo endoplasmático e núcleo. Foi observado, também um aumento naquantidade de retículo endoplasmático na célula tratada com 50 μg/mL do metabólitoHMP. Em ambos os ensaios de citotoxicidade não foram detectadas alteraçõessignificativas nas células hospedeiras tratadas com 10, 20 e 50 μg/mL, demonstrandoque a substancia não afeta a integridade das mesmas, inclusive quando utilizada emdoses excessivas como 600 μg/mL. Além disso, após a realização do ensaio VN foiobservado um aumento na absorbância, indicando um aumento na quantidade delisossomos em células tratadas, principalmente nas concentrações de 20 e 50 μg/mL. Aanálise da atividade microbicida foi realizada através da produção de radicaissuperóxidos, tóxicos ao parasito, o que foi possível observar a produção desses radicais,principalmente em células não infectadas ou tratadas com 50 μg/mL da substancia.Também foi detectada essa ativação em macrófagos tratados com 50 μg/mL do HMP, einfectadas com o parasito L. amazonensis, que tem como mecanismo de escapecaracterístico a inibição dos radicais superóxidos. A análise do índice endocítico dessesparasitos também foi realizada, sendo observada a inibição da proliferação do parasito,em macrófagos infectados e tratados com 50 μg/mL, tanto da forma promastigotaquanto da forma amastigota, com uma inibição de 68% e 79%, respectivamente.
O controle da doença somente é possível através da ativação das célulashospedeiras contra os mecanismos de escape do parasito. Sendo assim, o uso de HMP,na concentração mínima de 50 μg/mL, demonstrou estar envolvido na atividadeleishmanicida, principalmente através da ativação da resposta microbicida da célulahospedeira. Com base nos resultados experimentais obtidos, acredita-se e ressalta-se queo HMP se apresenta como um candidato de grande potencial no combate daleshmaniose cutânea. Os aspectos biotecnológicos de produção e a facilidade de serproduzido através de um substrato de fácil acesso, além da tecnologia disponível para aprodução do HMP e suas características bioquímicas de isenção de reações laterais,permitem apontar para a produção comercial do HMP como um agente no combate daLC de última geração com vantagens muito superiores aos medicamentos já existentesno mercado para o combate da LC.

Claims (8)

1.
A
presente
patente
intitulada
Uso
do
5-hidroxi-2-hidroximetiI-y-pirona como agentede ativação do macrófago no combate da Leishmaniose Cutânea reivindica osseguintes pontos:[1] Uso da estrutura molecular 5-hidroxi,2-hidroximetil-gama-pirona como ativo nocombate a leishmaniose cutânea; [2] Uso da estrutura química, caracterizada no item 1,como núcleo de partida para a transformação de novas moléculas com a atividadereivindicada no item 1; [3] Uso da estrutura, caracterizada pelos itens 1 e 2, incorporadaintegralmente em preparados (pomadas, géis, loções, tônicos ou outros veículos deaplicações tópicas) relativo ao uso reivindicado nos itens 1 e 2; [4] Uso da estruturacaracterizada pelos itens 1-3, dispersa em carreadores que facilitem sua dispersão epenetração na pele e possam atuar com agente de combate à leishmaniose cutânea; [5]Uso da molécula caracterizada pelos itens 1-4, com atuação na resposta microbicidadacélula hospedeira (macrófago); [6] Uso da molécula caracterizada pelos itens 1-5,relativo a potencialização da resposta do macrófago e neutrófilo contra a leishmaniosecutânea; [7] Uso da molécula caracterizada nos itens 1-6, relativo ao uso sinergéticocom outra molécula ativa de modo a potencializar esta ação; [8] Uso da moléculacaracterizada nos itens 1-7, relativo ao mecanismo com atuação no macrófago queelimina o protozoário frente a atividade da molécula descrita como acima.
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