BRPI0900614A2 - extrato vegetal neuroativo, composição farmacêutica compreendendo o mesmo e processo para sua produção - Google Patents

extrato vegetal neuroativo, composição farmacêutica compreendendo o mesmo e processo para sua produção Download PDF

Info

Publication number
BRPI0900614A2
BRPI0900614A2 BRPI0900614-1A BRPI0900614A BRPI0900614A2 BR PI0900614 A2 BRPI0900614 A2 BR PI0900614A2 BR PI0900614 A BRPI0900614 A BR PI0900614A BR PI0900614 A2 BRPI0900614 A2 BR PI0900614A2
Authority
BR
Brazil
Prior art keywords
uliginosin
extract
plant
polyanthemum
benzopyran
Prior art date
Application number
BRPI0900614-1A
Other languages
English (en)
Inventor
Alice Fialho Viana
Jean Costentin
Rego Jean Claude Do
Poser Gilsane Lino Von
Original Assignee
Univ Fed Do Rio Grande Do Sul Ufrgs
Univ Rouen
Priority date (The priority date is an assumption and is not a legal conclusion. Google has not performed a legal analysis and makes no representation as to the accuracy of the date listed.)
Filing date
Publication date
Application filed by Univ Fed Do Rio Grande Do Sul Ufrgs, Univ Rouen filed Critical Univ Fed Do Rio Grande Do Sul Ufrgs
Priority to BRPI0900614-1A priority Critical patent/BRPI0900614A2/pt
Priority to PCT/EP2010/051816 priority patent/WO2010092162A1/en
Priority to EP10703879A priority patent/EP2396016A1/en
Priority to US13/148,750 priority patent/US20110313034A1/en
Publication of BRPI0900614A2 publication Critical patent/BRPI0900614A2/pt

Links

Classifications

    • AHUMAN NECESSITIES
    • A61MEDICAL OR VETERINARY SCIENCE; HYGIENE
    • A61KPREPARATIONS FOR MEDICAL, DENTAL OR TOILETRY PURPOSES
    • A61K36/00Medicinal preparations of undetermined constitution containing material from algae, lichens, fungi or plants, or derivatives thereof, e.g. traditional herbal medicines
    • A61K36/18Magnoliophyta (angiosperms)
    • A61K36/185Magnoliopsida (dicotyledons)
    • A61K36/38Clusiaceae, Hypericaceae or Guttiferae (Hypericum or Mangosteen family), e.g. common St. Johnswort
    • AHUMAN NECESSITIES
    • A61MEDICAL OR VETERINARY SCIENCE; HYGIENE
    • A61PSPECIFIC THERAPEUTIC ACTIVITY OF CHEMICAL COMPOUNDS OR MEDICINAL PREPARATIONS
    • A61P25/00Drugs for disorders of the nervous system
    • AHUMAN NECESSITIES
    • A61MEDICAL OR VETERINARY SCIENCE; HYGIENE
    • A61PSPECIFIC THERAPEUTIC ACTIVITY OF CHEMICAL COMPOUNDS OR MEDICINAL PREPARATIONS
    • A61P25/00Drugs for disorders of the nervous system
    • A61P25/24Antidepressants

Landscapes

  • Health & Medical Sciences (AREA)
  • Natural Medicines & Medicinal Plants (AREA)
  • Life Sciences & Earth Sciences (AREA)
  • Pharmacology & Pharmacy (AREA)
  • Engineering & Computer Science (AREA)
  • Veterinary Medicine (AREA)
  • Public Health (AREA)
  • General Health & Medical Sciences (AREA)
  • Chemical & Material Sciences (AREA)
  • Animal Behavior & Ethology (AREA)
  • Medicinal Chemistry (AREA)
  • Chemical Kinetics & Catalysis (AREA)
  • Bioinformatics & Cheminformatics (AREA)
  • Nuclear Medicine, Radiotherapy & Molecular Imaging (AREA)
  • General Chemical & Material Sciences (AREA)
  • Neurosurgery (AREA)
  • Neurology (AREA)
  • Biomedical Technology (AREA)
  • Epidemiology (AREA)
  • Mycology (AREA)
  • Organic Chemistry (AREA)
  • Alternative & Traditional Medicine (AREA)
  • Biotechnology (AREA)
  • Botany (AREA)
  • Medical Informatics (AREA)
  • Microbiology (AREA)
  • Psychiatry (AREA)
  • Pain & Pain Management (AREA)
  • Pharmaceuticals Containing Other Organic And Inorganic Compounds (AREA)
  • Medicines Containing Plant Substances (AREA)

Abstract

EXTRATO VEGETAL NEUROATIVO, COMPOSIçãO FARMACêUTICA COMPREENDENDO O MESMO E PROCESSO PARA SUA PRODUçãO. A presente invenção pertence ao campo dos extratos vegetais com atividade sobre o sistema nervoso central. Especificamente o extrato vegetal da presente invenção é um extrato obtido de Hypericum polyanthemum e compreende o composto uliginosina B e compostos da classe dos benzopiranos. A presente invenção compreende ainda uma composição farmacêutica compreendendo tal extrato que apresenta ação farmacolágica em doenças psiquiátricas, como de distúrbios do humor, especificamente, atividade anti-depressiva.

Description

Relatório Descritivo de Patente de Invenção
Extrato Vegetal Neuroativo, Composição FarmacêuticaCompreendendo o Mesmo ε Processo para Sua Produção
Campo da Invenção
A presente invenção pertence ao campo dos extratos vegetais comatividade sobre o sistema nervoso central. Especificamente o extrato vegetal dapresente invenção é um extrato obtido de Hypericum polyanthemum ecompreende o composto uliginosina Β. A presente invenção compreende aindauma composição farmacêutica compreendendo tal extrato que apresentaatividades sobre os distúrbios do humor, especificamente, atividade anti-depressiva, bem como um processo para obtenção de tal extrato.
Antecedentes da Invenção
Os psicofármacos constituem uma classe de fármacos com fundamentalnecessidade de desenvolvimento. Foram introduzidos na terapêutica no final dadécada de 50 e propiciaram uma revolução no tratamento das doençaspsiquiátricas e uma própria mudança de atitude diante destas, visto apossibilidade de uma maior compreensão de seu substrato biológico (Feighner,1999). O conhecimento das bases neuroquímicas da depressão eesquizofrenia, por exemplo, está estritamente relacionado com o conhecimentodos mecanismos de ação de antidepressivos e antipsicóticos. No entanto, atotalidade dos fenômenos bioquímicos relacionados com estas doenças estálonge de ser completamente elucidada. Da mesma forma, o mecanismo deação exato de muitos destes fármacos ainda não é totalmente compreendido.Soma-se a isto o fato de que cerca de 35% dos pacientes psiquiátricos nãorespondem adequadamente ao tratamento farmacológico, e de que, mesmo aresposta terapêutica adequada, é acompanhada, na maioria das vezes, porreações adversas importantes (Berton e Nestler, 2006).
Entretanto, a grande maioria das pesquisas é ainda alicerçada naabordagem original da teoria monoaminérgica da gênese dos distúrbiospsiquiátricos, fundamentada na observação dos efeitos da reserpina, dosinibidores da monoaminoxidase e antidepressivos tricíclicos. A manutençãodesta abordagem não resultará em fármacos realmente inovadores e tão poucoauxiliará na evolução do conhecimento sobre as doenças mentais (Nestler eCarlezon, 2006). Este fato torna-se preocupante considerando que distúrbiosdo humor, como a depressão, têm prevalência mundial de aproximadamente18%, sendo considerada uma das doenças mentais mais incapacitantes edispendiosas (Gold e Charney, 2002).
É neste contexto que se insere a pesquisa do gênero Hypericum. Aespécie Hypericum perforatum, conhecida popularmente nos EUA e Inglaterracomo St. John's wort e na Alemanha como Johanniskraut (erva-de-São-João),apresenta-se como alternativa aos antidepressivos sintéticos no tratamento dedepressões leves a moderadas. Estudos clínicos demonstram a eficácia deextratos padronizados de H. perforatum nestas situações (Linde et al., 1996;Kasper et al., 2006) e estudos sobre seu mecanismo de ação indicam queestes extratos atuam de modo diferente dos antidepressivos atuais (Chatterjeeet al., 1998; Kumar et al., 2001). Uma característica interessante de suaatividade é a ação não-específica. O extrato e algumas substâncias isoladasinibem a recaptação sinaptossomal de serotonina, noradrenalina, dopamina,GABA e glutamato (Wonnemann et al., 2000; Roz e Rehavi, 2003). A ligaçãode histamina, de neurocinina, de corticotropina e opiódes aos seus respectivosreceptores também é inibida por extratos de H. perforatum (Simmen et al.,2001).
Dados epidemiológicos sobre a depressão
Os Transtornos Depressivos podem acometer pessoas de qualquergênero, raça e nível sócio-econômico. A OMS estima que atualmente 121milhões de pessoas sofrem de depressão. Aproximadamente 5,8% doshomens e 9,5% das mulheres sofrerão um episódio depressivo em algummomento da vida, estes valores podem variar entre as diferentes populações. Adepressão crônica ou recorrente pode resultar em prejuízos de ordem pessoale profissional. Ela é principal causa de afastamento do trabalho (medido emYLD, do inglês, Years Lived with Disability) e quarta colocada quando seconsideram os anos de potencial vida produtiva perdidos por morte prematuraou doença (DALY, do inglês Disability Adjusted Life Years), sendo que a OMSprojeta que em 2020 a depressão alcançará o segundo lugar como causa deDALY. Além disso, o suicídio permanece uma possível decorrência doTranstorno Depressivo Maior. Os Transtornos Depressivos e a Esquizofreniasão responsáveis por 60% dos suicídios registrados no mundo.
Tratamentos para depressão
A primeira linha de tratamento inclui medicação antidepressiva,psicoterapia ou a combinação de ambos. Outras intervenções efetivas incluema criação de uma rede de apoio para indivíduos, famílias ou gruposvulneráveis. As evidências sobre a prevenção de episódios depressivos sãomenos conclusivas. O tratamento com antidepressivos juntamente compsicoterapia é efetivo em 60 - 80% dos pacientes. Entretanto, menos de 25%dos indivíduos afetados (em alguns países menos de 10%) recebemtratamento, algumas razões são a falta de recursos, de pessoal treinado e oestigma associado às doenças mentais que leva os pacientes a não procurarauxílio.
Na década de 50 antidepressivos de duas classes foram descobertos, ostricíclicos e os inibidores de monoamino oxidase (IMAO). Apesar de atualmenteexistirem mais de 25 substâncias utilizadas para fabricação de medicamentosantideprssivos, desde a descoberta dos ADT e IMAO não ocorreu nenhumagrande inovação no mecanismo de ação destes medicamentos, todos aindaagem via transmissão monoaminérgica, apenas com maior especificidade queos tricíclicos e IMAO. A grande vantagem dos antidepressivos de segundageração e atípicos são efeitos adversos mais brandos e por isso melhortolerado pelos pacientes. A seguir apresentamos um resumo sobre asprincipais características das classes de medicamentos antidepressivosdisponíveis:
Antidepressivos Tricíclicos (ADT)No final da década de 40, Hãflinger e Schindler sintetizaram uma sériede mais de 40 derivados de iminodibenzila para possível uso como anti-histamínico, analgésico, anti-parkinson e/ou sedativo. Entre as substânciasselecionadas em testes pré-clínicos, por suas propriedades sedativas ouhipnóticas, estava a imipramina. Inesperadamente, ela apresentou umamelhora indiscutível em certos pacientes deprimidos (Baldessarini, 1996).
Posteriormente, descobriu-se que todos os antidepressivos tricíclicos ativosclinicamente inibem a recaptação de serotonina e noradrenalina com diferentespotências (Nestler, 1998). Porém, devido a sua origem eles também atuamsobre os receptores de histamina e acetilcolina. Esta última interação causaimportantes efeitos tipo atropina, incluindo boca seca e constipação, tontura,visão borrada, sedação, hipotensão ortostática. Outras reações adversasincluem alterações cardiovasculares, em sobre-dose os ADTs diminuem acondução intraventricular podendo causar falência cardíaca ou arritmiasventriculares. Em sobre-dose estes medicamentos também podem causarataques epiléticos principalmente em pacientes que já apresentaram episódiosanteriores. Alguns exemplos são: imipramina, amitriptilina, clorimipramina,desimipramina.
Inibidores de monoamino oxidases (IMAO)
Foram os primeiros antidepressivos clinicamente ativos e tiveram umgrande impacto no desenvolvimento da moderna psiquiatria biológica(Baldessarini, 1996). Em 1951 a isoniazida e seu derivado isopropila,iproniazida, foram desenvolvidos para o tratamento de tuberculose. Observou-se que a iproniazida melhorava o humor em pacientes tuberculosos comsintomas de depressão. Em 1952, o grupo de Zeller descobriu que aiproniazida possuia atividade inibidora da enzima monoamino oxidase(Baldessarini, 1996). Esta classe de antidepressivos aumenta os níveis decatecolaminas por inibir a ΜΑΟ, uma das enzimas que degradam as aminascerebrais. Os primeiros medicamentos com atividade IMAO (fenelzina,tranilcicloprida) são inibidores irreversíveis da enzima, ou seja, sua atividaderetorna apenas após a síntese de uma nova enzima. Por esta razão, a ingestãode alimentos que contém tiramina, principalmente os produzidos porfermentação (p.ex. queijos, vinhos, cerveja) deve ser evitada, pois a MAOtambém oxida outras feniletilaminas. Esta interação é menos crítica paraIMAOs seletivos para MAO A e reversíveis, como moclobemida. Outrasreações adversas são: hipotensão, ganho de peso e disfunção sexual. Apesardisso, alguns pacientes com depressão respondem melhor a IMAOs que aqualquer outra classe de antidepressivos (Feighner, 1999).
Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS)Estes antidepressivos aumentam a biodisponibilidade de 5-HT na fendasináptica, porque inibem o transportador de serotonina (Stahl, 1998). Esta açãocausa o aumento repentino de serotonina predominantemente na áreasomatodendrítica A administração crônica de ISRS, o aumento persistente deserotonina na área somatodendrítica do neurôrio leva a desensibilização dosauto-receptores somatodendríticos tipo 5-HT-ia. Uma vez que estes auto-receptores fiquem dessensibilizados, o fluxo de impulso neural não é maisrapidamente inibido pela presença de 5-HT. Outro modo de dizer-se é que, aneurotransmissão serotonérgica é desinibida, e mais serotonina é liberada doterminal axônico (Stahl, 1998). Sua eficácia, especialmente em depressãomaior, não é superior aos ADT1 mas o risco de sobredose é menor. Além disso,a maioria dos pacientes parece tolerar as reações adversas, que muitas vezessão transitórias como náusea, tontura, diarréia, agitação ou sedação. O uso deISRS pode ocasionar disfunções sexuais em homens e mulheres, incluindoredução da libido, anorgasmia, retardo ejaculatório, impotência (Papakostas eFava, 2007). Ex: fluxetina, paroxetina, sertralina.
Antidepressivos atípicos
Inibidores seletivos da recaptação de serotonina e noradrenaiina(IRSNs) - Os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenaiina são umaclasse recente de antidepressivos, seu primeiro representante foi a velafaxina,mas já é um tratamento de primeira linha para depressão. Eles aumentam aatividade tanto de NA como de 5-HT, além de interagir fracamente comreceptores dopaminérgicos e parecem agir como antagonista não-competitivode receptores nicotínicos (Papakostas e Fava, 2007). Parece haveruma relação dose-resposta com este fármaco, e em altas doses, o efeitoadrenérgico é aumentado (Feighner, 1999). A velafaxina causa uma down-regulation aguda nos receptores β-adrenérgicos, fato que sugere um possívelmecanismo de início de ação agudo, porém não existem estudos. Dependendoda dose empregada, seus efeitos adrenérgicos podem causar aumento dapressão sangüínea, entretanto este efeito não é encontrato em todos osestudos. Nos EUA o órgão de controle FDA (do inglês Food and DrugAdministration) orienta que é necessária a monitorização da pressão sangüínea(Feighner, 1999). Alguns dos efeitos adversos destes antidepressivos, assimcomo dos ISRS, devem-se a ativação não seletiva de múltiplos receptores 5-HT e NA (Yadid et ai, 2000). Outros representantes são, duloxetina emilnacipram (Papakostas e Fava, 2007).
Inibidores da recaptação de serotonina e bloqueador 5-HT2 - A estegrupo pertencem a trazodona e seu análogo, a nefazodona. Elas agem comoinibidores relativamente fracos da serotonina e noradrenalina (Papakostas eFava, 2007) e bloqueiam receptores pós-sinápticos 5-HT2a/5-HT2c (Feighner,1999; Millan, 2006). Por bloquear 5-ΗΪ2Α e inibir a recaptação de serotonina, anefazodona parece possuir um mecanismo dual de ação sobre o sistemaserotonérgico. A trazodona também é um forte bloqueador do receptoradrenérgico <*i, acredita-se que este receptor seja responsável pelo efeitosedativo da trazodona e também pode estar relacionado com a ocorrência depriapismo, efeito menos pronunciado durante o uso de nefazodona(Papakostas e Fava, 2007). Outras reações adversas incluem dificuldade deconcentração e letargia. Ela também não possui ação do tipo quinidina, sendosegura na sobre-dose, e tem uma pequena taxa epileptigênica e de disfunçãosexual, especialmente quando comparado com ISRS, venlafaxina, ADT eIMAO. A nefazodona não possui atividade anti-histamínica nem anti-colinérgica, o que melhora sua tolerabilidade e segurança (Feighner, 1999).
Antidepresivos adrenérgico e serotonérgico específicos (NaSSa) - Oexemplo de antidepressivo que atua em receptores NA e 5-HT específicos é amirtazepina. Ela bloqueia os auto-receptores a2-adrenérgicos e ct2-hetero-receptores serotoninérgicos responsáveis pela regulação na liberação de NA e5-HT. Além disso, bloqueia os receptores pós-sinápticos 5-ΗΪ2Α , 5-HT2C e 5-HT3. Este bloqueio resulta num aumento da atividade noradrenérgica eatividade serotoninérgica específica, o que resulta em menores efeitoscolaterais do tipo ISRS (distúrbios gastrointestinais, insônia e disfunção sexual)e dos ADT (boca seca, tontura e constipação). Entretanto, a mirtazepina temação histaminérgica, o que pode causar sedação e aumento de apetite comaumento de peso (Feighner, 1999).
Inibidores da recaptação de noradrenalina (IRNs)- A reboxetina é o maisespecífico inibidor da recaptação de NA, com fraca afinidade pelo transportadorde serotonina e dopamina e receptor muscarínico. Apesar de ser classificadacomo tricíclico, a desipramina também pode ser incluída nesta classe, devido asua grande especificidade pela transportados de NA. O aumento denoradrenalina parece estar relacionado à ativação de receptores ar e cc2-adrenérgicos pós-sinapticos na região cortico-limbíca. Alguns estudos sugeremque a reboxetina pode se efetiva no tratamento de alterações cognitivas e nofuncionamento psicossocial durante a depressão. As reações adversas incluemcefaléia, insônia, boca seca, hesitação urinária e constipação. Não estáassociada a reações adversas típicas dos ISRS, como disfunção sexual (Yadidet ai, 2000).
Inibidores da recaptação de noradrenalina e dopamina (IRND)- Seuprincipal representante é a bupropiona. Uma grande diferença em relação aosISRS e IRN é a elevação dos níveis de DA no núcleo acumbens, apesar debloquear fracamente a recaptação de dopamina (Millan, 2006). A ativação dereceptores Di que facilitam a liberação de NA podem contribuir para elevaçãode NA no cortex frontal (Feighner, 1999). Além disso, a bupropiona érapidamente metabolizada a derivados que inibem a recaptação de NA. Nãopossui efeito sobre os receptores serotoninérgicos, muscarínicos, histamínicose c12-adrenérgicos. Porém, a bupropiona parece agir como um antagonista não-competitivo de receptores nicotínicos (Millan, 2006), este efeito pode estarrelacionado com seu uso no tratamento do tabagismo (Cordioli et ai, 2005).Uma vantagem em comparação aos ISRS é não estar associada comdisfunções sexuais nem sedação. As reações adversas mais comuns dabupropiona são, agitação, insônia, perda de peso, boca seca, constipação,cefaléia e tremor. Um efeito adverso importante é a convulsão, principalmenteem fórmulas de liberação imediata. Embora possa elevar a pressão sangüínea,este efeito não é muito comum (Papakostas e Fava, 2007).
Tianeptina - Apesar de ainda ser classificada por alguns autores comoum potencializador da recaptação de serotonina (Papakostas e Fava, 2007),este efeito parece ser indireto uma vez que a afinidade da tianeptina pelotransportador de 5-HT é muito baixa e não afeta de maneira importante osníveis extracelulares de 5-HT (Millan, 2006). Ainda que o mecanismo de açãoda tianeptina não esteja elucidado, vários achados experimentais justificam seuefeito antidepressivo. Cronicamente ela aumenta a sensibilidade de receptoresα-1-adrenérgicos, porém não modifica os níveis sinápticos de NA (Rogoz et al.,2001). O sistema dopaminérgico também é alterado pelo tratamento crônicocom tianeptina, foi verificado um aumento na funcionalidade dos receptores D2no núcleo acumbens e na liberação mesolímbica de dopamina. O modo peloqual este antidepressivo aumenta a transmissão dopaminérgica não está claro,pois ela não se liga a transportadores de DA nem aos auto-receptores D2 e D3.Outras alterações induzidas pela tianeptina que podem estar relacionadas comseu efeito antidepressivo são: atenuar a influência inibitória de GABA (ácidogama-amino butírico) e glicina sobre a excitabilidade neuronal; ter efeitoneuroprotetor contra os efeitos do estresse causados pelos glicocorticóides ecitocinas neurotóxicas e modular a transmissão glutamatérgica (Millan, 2006).
Pacientes resistentes aos tratamentos
Um terço ou mais dos pacientes não responde e mais da metade nãoconsegue obter ou manter uma remissão completa com qualquer tratamentofarmacológico isolado. Ao avaliar a resistência de um paciente ao tratamento épreciso considerar os cinco Ds: diagnóstico, droga, dose, duração dotratamento e diferentes tratamentos. O médico deve considerar a mudança detodos eles caso o paciente não responda num período de 6-8 semanas. Emcasos extremos, como em depressões psicóticas, catatônicas, onde o pacientecorre risco de vida, podem ser empregados métodos não farmacológicos comoeletroconvulsoterapia, estimulação transcraniana, privação do sono (Potter eHollister 2006).
O gênero Hypericum
A família Guttiferae (CIusiaceae) é constituída por 50 gêneros eaproximadamente 1000 espécies distribuídas pelas regiões tropicais esubtropicais do planeta (Cronquist, 1981). Entre alguns gêneros importantes dafamília destacam-se Caiophyllum, Garcinia, Vismia e Hypericum. Um grandenúmero de espécies desses gêneros tem sido utilizado na medicina tradicionalpara o tratamento de câncer, doenças de origem viral, bacteriana e fúngica,entre outras. A ampla utilização desses vegetais tem levado à descoberta deinúmeras moléculas com diversas atividades biológicas. Entre estas, destacam-se as substâncias fenólicas. Essas substâncias - em especial as meta-diidroxiladas - freqüentemente apresentam-se substituídas por grupamentosprenila, considerados como interessantes grupos farmacofóricos. A prenilaçãoé facilitada pela influência dos grupos hidroxila, os quais aumentam adensidade eletrônica favorecendo energeticamente as reações enzimáticas desubstituição eletrofílica com pirofosfato de dimetilialila (Zuurbier et ai., 1998).Posteriormente, numa seqüência biossintética, pode ocorrer ciclização dacadeia prenilada originando os derivados dimetil-benzopirânicoscorrespondentes.
Esse padrão de substituição - hidroxilação, prenilação e posteriorciclização do grupo prenila - é verificado nas diversas substâncias fenólicasencontradas em espécies de Guttiferae como calanolídeos, piranocumarinascom importante atividade anti-HIV-1 (Mckee et ai., 1998) e xantonas, as quaistêm mostrado ação antiinflamatória, anti-hepatotóxica, antiviral, antimicrobiana,antioxidante, inibidora de monoaminoxidases (IMAO)1 antiprotozoária eantitumoral (Rocha et ai., 1994; Bennet e Lee, 1989). Outras substânciasimportantes são benzofenonas, precursores de xantonas, que apresentamatividade antiprotozoária e anti-HIV-1 (Bennet e Lee 1989; Fuller et ai, 1999); ederivados de floroglucinol, apresentando atividades antidepressiva,antimicrobiana, cicatrizante, antiproliferativa, entre outras (Rocha et ai, 1994;Ishiguro et ai, 1986; Jayasuriya et ai, 1991; Rocha et ai, 1996).
Em relação aos estudos farmacológicos, o gênero Hyperícum,constituído por cerca de 400 espécies, tem recebido especial atenção devido àatividade antiviral de quinonas policíclicas - hipericina e pseudo-hipericina -sobre vários retrovirus, in vitro e in vivo, em particular sobre o HIV (Awang etai, 1991) e pelo emprego terapêutico de H. perforatum, a espécie maisconhecida do gênero, como antidepressivo (Linde et ai, 1996; Gaster eHolroyd, 2000).
Espécies de Hyperícum nativas do Rio Grande do Sul
Os estudos fitoquímicos, realizados no laboratório de Farmacognosia daFaculdade de Farmácia - UFRGS, mostraram a presença das seguintessubstâncias:
Derivados de floroglucinol: Até o momento, todos os derivados defloroglucinol identificados das espécies nativas apresentam estrutura diméricaconsistindo de um ácido filicínico ligado a um floroglucinol. A partir do extratociclo-hexano das partes aéreas de H. myríanthum, foram isolados osfloroglucinóis já descritos: japonicina A (Dall' Agnol et ai, 2003), presente em H.japonicum (Ishiguro et ai, 1987) e H. brasiliense (Rocha et ai, 1995), euliginosina B (Ferraz et ai, 2002a) também presente em H. carinatum e H.polyanthemum (Nõr et ai, 2004). Hiperbrasilol B, previamente isolado de H.brasiliense (Rocha et ai, 1996), foi identificado em H. carinatum e H.caprifoliatum. A partir de H. caprifoliatum foi também isolado um conjunto detautômeros, cuja análise espectroscópica por ressonância magnética nuclear(RMN) demonstrou tratar-se de um derivado de floroclucinol ligado ao ácidofilicínico (Viana, 2002). A separação e elucidação estrutural destes tautômerosestão ainda em andamento.
Benzopiranos: A partir do extrato clorofórmico das partes aéreas de H.polyanthemum, três benzopiranos de estrutura inédita foram isolados: HP1 (6-isobutiril-5,7-dimetóxi-2,2-dimetil-benzopirano), HP2 (7-hidróxi-6-isobutiril-5-metóxi-2,2-dimetil-benzopirano) e HP3 (5-hidróxi-6-isobutiril-7-metóxi-2,2-dimetil-benzopirano) (Ferraz et ai., 2001). Posteriormente, estes benzopiranostambém foram isolados de H. ternum (Ferraz et ai, 2005c). Utilizando a técnicade micropropagação in vitro, Bernardi e col. (2005a) conseguiram que asplântulas de H. polyanthemum produzissem benzopiranos. Estas plântulasforam aclimatizadas com sucesso e mostraram o mesmo perfil de benzopiranosencontrado na planta selvagem (Bernardi et ai, 2005).
Taninos e flavonóides: A avaliação de taninos demonstrou teores entre5 a 16%; H. myrianthum (5,1%), H. caprifoliatum (6,4%), H. polyantemum(6,7%), H. carinatum (9,1%), H. connatum (11,5%), H. temum (16,7%) (Dall'Agnol et ai, 2003). A fração fenólica não-tanante destas espécies foianalisada quanto à presença de flavonóides glicosilados. Foram encontradosos compostos normalmente citados na literatura: hiperosídeo, quercitrina,isoquercitrina e guaijaverina (Dall' Agnol et al., 2003).
Benzofenonas: A partir das partes aéreas de H. carinatum, foramisoladas duas benzofenonas inéditas, carifenona A e carifenona B (Bernardi etal., 2005).
Óleos voláteis: As espécies de Hypericum não são caracteristicamentearomáticas, nas espécies H. caprifoliatum, H. polyanthemum, H. myrianthum,H. carinatum, H. connatum and H. ternum a quantidade de óleos voláteis variade 0,1% a 0,5%. Nestas espécies, sesquiterpenos estão em maiorconcentração que monoterpenos e todas possuem alcanos, principalmentenonano e undecano (Ferraz et al., 2005a).
Após investigação fitoquímica de oito espécies, H. brasiliense, H.carinatum, H. caprifoliatum, H. connatum, H. cordatum, H. myrianthum, H.polyanthemum e H. piriai, Ferraz et al. (2002b) verificaram a ausência dehipericina em todas as espécies. Este resultado está de acordo com a divisãoquimiotaxonômica proposta por Robson (1990), onde a produção de hipericinaé relacionada com a presença de glândulas negras nas folhas. As espéciesbrasileiras, que pertencem às seções Brathys e Trigynobrathys possuemapenas glândulas pálidas, que não produzem hipericina.
As espécies H. caprifoliatum, H. carinatum, H. connatum, H. myrianthum,H. piriai, H. polyanthemum e H. cordatum, e três benzopiranos isolados de H.polyanthemum (HP1; HP2; e H P3) foram testados quanto à atividade inibidorade monoamino oxidase A e B em preparações de mitocôndrias de cérebro deratos. Entre os extratos que apresentaram inibição significativa apenas paraMAOa, os com maior atividade na concentração de 1,5x10 2 mg/mL foram oextrato clorofórmico de H. caprifoliatum (83%) e de H. polyanthemum (82%) e oextrato éter de petróleo de H. piriai (90%), entre os benzopiranos apenas HP3(IC50 MAOAde 22,2 μΜ) apresentou atividade significativa (Gnerre et al. 2001).As observações in vitro não foram confirmdas in vivo, a única espécie queapresentou redução no tempo de imobilidade dos ratos foi H. caprifoliatum,mas não o extrato clorofórmico, e sim o éter de petróleo (Daudt et al., 2000;Gnerre et al., 2001).
O possível mecanismo de ação da espécie H. caprifoliatum está sendoinvestigado e, até o momento, os dados indicam o envolvimento do sistemadopaminérgico. Verificou-se que o efeito antiimobilidade do extrato lipofílico(270 mg/kg/dia, v.o.) é prevenido pelo pré-tratamento com sulpirida (50 mg/kg,i.p.) (antagonista D2), que este extrato (90 mg/kg, v.o.) potencializa ahipotermia causada por apomorfina (16 mg/kg, s.c.) e os efeitos sobre arecaptação de monoaminas, a ligação aos transportadores, a ligação de [35S]GTPyS estimulada pelos agonistas e sobre o eixo HPA são equivalentes aosapresentados para H. polyanthemum.
Outras atividades farmacológicas verificadas para espécies deHypericum nativas do Rio Grande do Sul foram: antibacteriana para H.brasiliense (Rocha et al., 1995; Rocha et al., 1996), H. caprifoliatum, H.myrianthum, H. polyanthemum e H. ternum (DaH1AgnoI et al., 2003, 2005); H.temum apresentou atividade antifúngica (Fenner et al., 2005); atividadeantiproliferativa foi verificada para H. caprifoliatum, H. myrianthum, H. temum ebenzopiranos isolados de H. polyanthemum (Ferraz et al., 2005 b, c); H.connatum apresentou atividade antiviral (Schmitt et ai, 2001); carifenona Aisolada de H. carinatum demonstrou efeito antioxidante (Bernardi et ai, 2005);H. caprífoliatum, H. polyanthemum (Viana et ai, 2003) e H. brasiliense (Mendeset ai, 2002) apresentaram atividade antinociceptiva.
Hypericum polyanthemum
Esta é uma planta nunca antes estudada. A sua constituição química édiferente de Hypericum perforatum, que é a planta do gênero empregada pelaindústria farmacêutica mundial. H. perforatum apresenta em sua constituiçãoduas substâncias consideradas como principais e que são base para apadronização dos medicamentos: hipericina e hiperforina (Β). A espécie pornós apresentada - H. polyanthemum - não apresenta hipericina e seusderivados floroglucinol (A) têm uma estrutura química bastante diferenciada dahiperforina.
Isto pode representar uma vantagem importante, pois a presença dehipericina e de hiperforina está relacionada à ocorrência de problemasIimitantes da utilização de H. perforatum, como fotossensibilização e interaçõesmedicamentosas, respectivamente.
Os produtos obtidos com H. polyanthemum, especialmente HP4(uliginosina B), parecem ter uma seletividade para inibição de recaptação dadopamina, do que os extratos de H. perforatum, pelo menos no que concerneàs aminas biogênicas serotonina e noradrenalina. O efeito mais potente sobrea ativação do sistema dopaminérgico pode ser interessante para odesenvolvimento de fármacos antidepressivos mais seletivos paradeterminados subtipos de depressão ou pacientes resistentes ao arsenalterapêutico disponível, bem como para o tratamento de doenças queapresentam a depressão como comorbidade (ou vice-versa), p.ex. doença deParkinson. Além disso, o tratamento repetido com o extrato afeta repostasrelacionadas ao estresse, com um mecanismo de ação diferente dos fármacosantidepressivos atuais, o que também poderá ser significativo em relação àpacientes resistentes.
A vantagem principal é a possibilidade de aproveitamento de uma plantanativa do Estado do RS para obtenção de moléculas estruturalmente distintasdas já conhecidas, as quais poderão ser empregadas como fármacos, modelospara obtenção de fármacos ou como ferramentas para estudo do sistemamonoaminérgico; ainda, esta espécie poderá ser utilizada pela indústriafarmacêutica para o desenvolvimento de fitoterápicos com atividadeantidepressiva similar a de Hypericum perforatum, o qual constitui uma matériaprima importada e cara. A proteção do emprego de extratos lipofílicos de H.polyanthemum para obtenção de produtos com ação monoaminérgica podepropiciar um avanço para o desenvolvimento de fitoterápicos e fitofármacos deorigem brasileira.
Os produtos similares existentes no mercado são: antidepressivos cujomecanismo de ação envolve a inibição da recaptação neuronal de monaminase medicamentos antidepressivos a base de extratos padronizados (emhipericina e em hiperforina) de Hypericum perforatum.
In vitro, a uliginosina B (obtida de Hypericum polyanthemum, objetodesta invenção) e a hiperforina (obtida de Hypericum perforatum, tecnologiaatualmente utilizada) inibem a recaptação sinaptosomal de serotonina,noradrenalina, e dopamina. Porém, o efeito da hiperforina sobre a recaptaçãode neurotransmissores parece ser mais inespecífico que o de uliginosina B,que apresenta CI5o para dopamina c.a. de três vezes menor que para NA e 5-HT. Além das monoaminas, a hiperforina inibe ainda a recaptaçãosinaRtossomal de GABA e glutamato, fortalecendo a idéia de uma ação poucoseletiva.
A ocorrência deste padrão molecular é possivelmente exclusiva(marcador taxonômico) para espécies sul americanas. Além disso, em H.polyanthemum não foi detectada a presença de hipericina (ver itemantecedentes). Hiperforina e hipericina têm sido consideradas comoresponsáveis por dois eventos potencialmente Iimitantes do tratamento com H.perforatum: grande número de interações medicamentosas (via indução docitocromo P450) e fotossensibilização, respectivamente.
Em relação aos antidepressivos, todas as substâncias disponíveis nomercado inibem a recaptação de monoaminas pela ligação aos seustransportadores neuronais, enquanto uliginosina inibe a recaptação sem seligar aos transportadores monoaminérgicos, fato que também foi observadopara hiperforina e ad-hiperforina. Assim, floroglucinóis diferem em modo deação dos antidepressivos existentes no mercado. Esta característica pode serexplicada pelo padrão molecular dos derivados de florglucinóis das espéciesavaliadas e os requisitos estruturais para a ligação com os receptores etransportadores monoaminérgicos, os derivados de floroglucinol não possuemátomos de nitrogênio considerados essenciais para essa ligação (Figura 4).
O eixo HPA pode ser um alvo importante para a ação deantidepressivos. A hiperatividade do eixo hipotálamo-pituiária-adrenal (HPA)em pacientes deprimidos pode ser corrigida através do tratamento comantidepressivos. Em animais, os antidepressivos reduzem os níveis corticais eséricos de corticosterona, enquanto os extrato ciclo-hexânico (POL) reduziuapenas os níveis corticais, o que pode representar um mecanismo diferenciadoe mais seletivo.
O modo particular de ação H. polyanthemum e uliginosina B os colocamna perspectiva de uma visão mais abrangente do mecanismo de ação destesfármacos. Há um consenso entre os grupos de pesquisa em depressão queapenas o aumento de monoaminas na fenda sináptica causado pela inibiçãodos seus transportadores não explica toda gama de efeitos dosantidepressivos. Além disso, muitos autores consideram que a manutenção daabordagem me too (substâncias molecularmente diferentes, mas com mesmomecanismo de ação) não resultará em fármacos realmente inovadores e quepossam melhorar algumas limitações do tratamento atual, como, a demora deno mínimo duas semanas para o início do efeito terapêutico enquanto osefeitos adversos ocorrem desde a primeira dose, e os pacientes resistentes adiferentes fármacos antidepressivos.
Os estudos pré-clínicos reálizados por nosso grupo com extratos e/oumoléculas obtidas de espécies de H. polyanthemum demonstram de formainequívoca a potencialidade de uso para o desenvolvimento deantidepressivos. Esta potencialidade é corroborada por outros resultados, jáencontrados e publicados por nosso grupo, com a espécie H. caprífoliatum,espécie também nativa do RS, bem como pela atividade antidepressivareconhecida de H. perforatum, espécie européia. A presente invenção dizrespeito ao uso de extratos lipofílicos de H. polyanthemum para a produção defitomedicamentos antidepressivos. A uliginosina B pode ser utilizada naprodução de fármacos antidepressivos ou com atividade dopaminérgica. Estasubstância também pode ser utilizada como molécula protótipo para síntese defármacos com atividade sobre o sistema monoaminérgico e o eixo hipotálamo-pituitária-adrenal.
A busca na literatura patentária apontou alguns documentos relevantesque serão descritos a seguir.
O documento US 6,346,282 revela uma composição farmacêuticadirecionada ao tratamento de desordens do sistema nervoso tais comodistúrbios de ansiedade, irritabilidade ou depressão que compreende o usosinérgico de extrato de Hypericum com um potenciador como acetil-L-carnitina.A presente invenção difere deste documento pela composição farmacêuticanão compreender o uso de um potenciador.
O documento US 6,472,439 relata uma composição farmacêuticacompreendendo um extrato vegetal e dois carregadores. Especificamente oextrato vegetal é um extrato de Hypericum spp, um dos carregadores éescolhido do grupo que compreende polietileno glicol, álcool polivinílico,polivinil pirolidona dentre outros compostos e o segundo carregador é umcomposto insolúvel em álcool. Especificamente, a parte não volátil destacomposição farmacêutica é ligada numa forma microdispersa. A presente invenção difere deste documento por não utilizar um extrato secomicrodisperso, mas sim um extrato líquido ou dessecado a vácuo.
O documento US 2003/0012824 relata uma composição farmacêuticacompreendendo um agente redutor de ansiedade, um agente anti-ácido, e umcomposto indutor de alerta mental. Especificamente, o agente redutor deansiedade é um extrato vegetal, dentre eles o extrato de Hypericumperforatum, o agente antiácido é escolhido do grupo que compreendecarbonato de alumínio, hidróxido de alumínio dentre outros e o agente indutorde alerta mental é escolhido do grupo que compreende extratos vegetais quepromovem o fluxo sangüíneo. A presente invenção difere deste documentopela composição farmacêutica por não compreender a associação destesdiversos compostos.
O documento US 2006/0167074 descreve uma composiçãofarmacêutica destinada à prevenção, tratamento ou inibição de desordenspsiquiátricas, em particular, da esquizofrenia e distúrbios depressivos. Especificamente, a composição descrita neste documento compreende aassociação de um agente neuroléptico ou antidepressivo com um agenteinibidor da COX-2 ou um pró-fármaco dos mesmos. A presente invenção diferedeste documento por não compreender uma composição farmacêutica queutiliza uma associação de extratos de Hypericum com inibidores da COX-2.
O documento US 2007/0231405 relata uma composição farmacêuticaque compreende uma vitamina, um mineral e uma espécie vegetal.Especificamente, a erva utilizada é Hypericum perforatum. A presente invençãodifere deste documento pela composição farmacêutica por não compreender aassociação destes diversos compostos.
O documento WO 1999/64388 relata uma composição farmacêuticapara uso no tratamento de distúrbios antidepressivos. Especificamente, acomposição farmacêutica deste documento compreende o uso de derivados dehiperforinas. A presente invenção difere deste documento por compreenderderivados diméricos do floroglucinol, e não da hiperforina.
O documento US 2007/0190187 relata uma composição farmacêuticadestinada ao tratamento de desordens psiquiátricas que compreende o uso devários extratos vegetais, dentre eles o extrato de Hypericum polyanthemum. Apresente invenção difere deste documento pelo fato de descrever um extratocontendo uliginosina B.
Portanto, não foi encontrado na literatura nenhum documento queantecipe ou sequer sugira as particularidades da presente invenção.
Sumário da Invenção
É um objeto da presente invenção um extrato vegetal de Hypericumpolyanthemum contendo compostos pertencentes à classe dos floroglucinóise/ou benzopiranos.
Em uma realização preferencial o floroglucinol da presente invenção é auliginosina B e/ou seus derivados.
A parte vegetal de H. polyanthemum é escolhida do grupo quecompreende as folhas, o caule, a raiz, os frutos, as sementes, as flores bemcomo a mistura dos mesmos. Especificamente, a presente invenção utiliza aspartes aéreas de H. polyanthemum.
É ainda um adicional objeto da presente invenção, uma composiçãofarmacêutica compreendendo:
a) pelo menos um extrato vegetal de Hypericum polyanthemumcompreendendo compostos pertencentes à classe dos floroglucinóis; e
b) um veículo farmaceuticamente aceitável.
Especificamente, a composição farmacêutica da presente invençãocompreende um extrato vegetal contendo uliginosina B e/ou seus derivados edestina-se ao tratamento de distúrbios do sistema nervoso, especificamente, aotratamento da depressão.É um adicional objeto da presente invenção um processo de produçãode um extrato de Hypericum polyanthemum compreendendo compostospertencentes à classe dos floroglucinóis compreendendo as etapas demaceração de pelo menos uma parte vegetal de H. polyanthemum emciclohexano, onde a relação massa (g) planta:volume (mL) ciclo-hexano variade 1:1 a 1:50.
Breve Descrição das Figuras
A Figura 1 mostra o efeito do extrato ciclo-hexano de H. polyanthemum(POL) nas doses de 180 e 270 mg/kg/ e imipramina (IMI) 20mg/kg, v.o. sobre otempo de imobilidade de camundongos no teste de natação forçada eantagonismo do efeito de POL270 com SCH 23390 (SCH) 15 pg/kg e sulpirida(SUL) 50 mg/kg. Resultados expressos em média ± E.P. * Diferençasignificativa em relação ao grupo SAL (água + polissorbato 80, 5%, 1mL/kg,v.o.) # diferença significativa em relação a POL270 (ANOVA F(7i79) = 5,9;p<0,001).
A Figura 2 mostra o efeito de uliginosina B (HP4, 90 mg/kg, v.o.) eimipramina (IMI1 20 mg/kg, v.o.) sobre o tempo de imobilidade de camundongosno teste de natação forçada. Resultados expressos em média ± E.P. *Diferença significativa em relação ao grupo SAL (água + polissorbato 80, 5%,1ml_/kg, v.o.) (ANOVA, F 2.29= 15.5; ρ < 0,001).
A Figura 3 mostra o efeito de três dias de tratamento com imipramina(IMI 20 mg/kg), bupropiona (BUP 30 mg/kg), H. polyanthemum (POL 360mg/kg) ou polissorbato 5% em água (SAL) nos níveis plasmáticos (A) e cortical(B) de corticosterona, em camundongos submetidos ou não ao nado forçado.Dados apresentados em média ± EP. *p < 0,01 comparado ao respective gruposem nado; *p < 0,01 comparado a SAL com nado. Legenda: (A) Eixo X -corticosterona plasmática ^g/100 mL plasma); Valores em branco: sem nado;valores hachurados: com nado; (B) Eixo X - Corticosterona cortical (pg/100 mgtecido)Descrição Detalhada da Invenção
Os exemplos descritos a seguir não tem a intenção de limitar o escopoda presente invenção, mas apenas de mostrar uma das formas de concretizála.
Material vegetal
O material vegetal utilizado na presente invenção é qualquer materialvegetal obtido de plantas do gênero Hyperícum, em especial a Hypericumpolyanthemum, tais como raiz, caule, folha, flor, fruto, semente, bem como amistura dos mesmos.
Especificamente, a presente invenção utiliza as partes aéreas deH.polyanthemum.
Compostos pertencentes à classe dos floroglucinóis e/ou benzopiranos
Os compostos pertencentes à classe dos floroglucinóis incluem, masnão se limitam a, hiperbrasilol-A, hiperbrasilol-B, isohiperbrasilol-B,hiperbrasilol-C, isouliginosina B, japonicina, uliginosina A e uliginosina B, assimcomo seus sais, solvatos e/ou hidratos. Os compostos pertencentes a classedos benzopiranos incluem, mas não se limitam a benzopiranos HP1, HP2, HP3assim como seus sais, solvatos e/ou hidratos.
O composto preferido da presente invenção é a uliginosina B, quepossui a fórmula estrutural abaixo.
Processo de Extração
O processo de extração da presente invenção é realizado por qualquerprocesso de extração já descrito no estado da técnica como o uso de aparelhoSoxhlet, maceração, dentre outros. O solvente utilizado é um solvente lipofílicocomo, por exemplo, ciclo-hexano.
Especificamente, a presente invenção utiliza extração com Soxhlet eextração manual com funil de separação.
Em especial as folhas de H. polyanthemum são maceradas por 24h 3vezes, e depois filtradas.
Processo de Purificação
A purificação dos compostos presentes em cada extrato é realizada porqualquer método de purificação já utilizado no estado da técnica tais como acromatografia em camada delgada e a cromatografia em coluna dentre outrospossíveis.
Especificamente, o processo de purificação utilizado na presenteinvenção é a cromatografia em coluna e a cromatografia em camada delgada.
Composição farmacêutica
Para efeitos desta invenção, por "composições farmacêuticas" entende-se toda e qualquer composição que contenha um princípio ativo, com finsprofiláticos, paliativos e/ou curativos, atuando de forma a manter e/ou restaurara homeostase, podendo ser administrada de forma tópica, parenteral, enterale/ou intratecal.
A expressão "farmaceuticamente aceitável" é empregada aqui para sereferir a compostos, materiais, composições, e/ou forma de dosagem que são,dentro do âmbito da medicina, apropriados para uso em contato com os tecidosde humanos e animais sem toxicidade excessiva, irritação, resposta alérgica,ou outro problema ou complicação, proporcional com uma relação razoável debenefício/risco.
A composição da presente invenção pode ser administrada em forma dedosagem oral, como tabletes, cápsulas (cada qual inclui a liberação sustentadaou formulações com tempo de liberação) pílulas, pós, granulados, elixires,tinturas, suspensões, xaropes, e emulsões. Eles podem ser administradossozinhos, mas geralmente serão administrados com um veículo farmacêuticoselecionado na base de rota de administração escolhida e da práticafarmacêutica padrão.
A composição farmacêutica da presente invenção compreende:
a) pelo menos um extrato vegetal de Hypericum polyanthemumcompreendendo compostos pertencentes à classe dos floroglucinóis; e
b) um veículo farmaceuticamente aceitável.
Especificamente, a composição farmacêutica da presente invençãocompreende um extrato vegetal contendo uliginosina B e/ou seus derivados edestina-se ao tratamento de distúrbios do sistema nervoso, especificamente, aotratamento da depressão.
Exemplo 1. Obtenção do extrato vegetal
Exemplo 1.1. Material vegetal e Estudo Químico
As partes aéreas de H. polyanthemum foram coletadas em Caçapava doSul / RS. As exsicatas do material vegetal foram preparadas para identificaçãoe registradas no herbário ICN (Herbário do Departamento de Botânica -Instituto de Biociências - UFRGS) sob o número Bordignon et ai 1429 (H.polyanthemum). O material, imediatamente após a coleta, foi selecionado, secoem ambiente arejado, ao abrigo da luz direta, e rasurado manualmente.
Exemplo 1.2. Obtenção do extrato ciclo-hexano (POL)
As partes aéreas, dessecadas a temperatura ambiente e a sombra erasuradas foram submetidas a uma operação de maceração (3x24h), comciclo-hexano na proporção de 1 g de material vegetal por 10 mL de solvente.Após cada extração, a mistura foi filtrada e a torta vegetal foi submetida àmesma operação duas vezes.
Exemplo 2. Isolamento e identificação dos constituintes químicos
Os principais componentes de POL foram obtidos através decromatografia em coluna usando gradientes de hexano/ acetato de etila,seguido de cromatografia em camada delgada preparativa em sílica gel GF254empregando-se como eluente clorofórmio/hexano (3,5 : 1 V/V). Um doscomponentes majoritários foi analisado por ressonância magnética 1H, 13C(CDCI3, 400 MHz) e caracterizado como uliginosina B (HP4), um derivado deflorogIucinol ligado ao ácido filicínico. Os principais componentes de POL eCLOR (extrato clorofórmico) foram obtidos através cromatografia em camadadelgada preparativa em sílica gel GF254 empregando-se como eluenteclorofórmio e analisados por ressonância magnética 1H1 13C (CDCI3, 400 MHz).Foram identificados três benzopiranos: HP1 (6-isobutiril-5,7-dimetóxi-2,2-dimetil-benzopirano), HP2 (7-hidróxi-6-isobutiril-5-metóxi-2,2-dimetil-benzopirano) e HP3 (5-hidróxi-6-isobutiril-7-metóxi-2,2-dimetil-benzopirano).
Exemplo 3. Estudo Farmacológico- Atividade antidepressiva
POL e seu derivado floroglucinol uliginosina B (HP4) demonstraramatividade em um modelo animal de depressão - Teste da Natação forçada dePorsolt (FST) - em ratos Wistar e camundongos CF1. POL foi ativo em ratos(270 mg/kg/dia, v.o.) e camundongos (180, 270 e 360 mg/kg, v.o). A ação dePOL no FST foi bloqueada pela administração de SCH 23390 (antagonistadopaminérgico Di) 15 Mg/kg, i.p., e sulpirida (antagonista dopaminérgico D2) 50mg/kg, i.p. (Figura 1). HP4 foi ativo na dose de 90 mg/kg, v.o., emcamundongos (Figura 2).
Exemplo 3.1. Efeito sobre os transportadores de monoaminas
Foi avaliado o efeito de HP4 (3x10"4 - 3x10"11 g/mL) sobre a recaptaçãosinaptossomal de dopamina ([3Hj-DA), noradrenalina ([3HJ-NA) e serotonina([3H]-5HT) em sinaptossomos preparados a partir de estriado, hipotálamo ecórtex frontal, respectivamente. HP4 inibiu a recaptação sinaptossomal DA demodo mais potente (Cl50 90 ± 38 nM) do que para 5-HT (Cl50 252 ± 13 nM) eNA (Cl50 280 ± 48). Estes resultados sugerem que o potencial efeitoantidepressivo de H. polyanthemum esteja relacionado ao sistemadopaminérgico. Entretanto, este efeito não parece ser dependente de umaação direta das substâncias sobre o transportador de monoaminas, uma vezque diferentes concentrações de HP4 (3x10"7 - 3x10"11 g/mL) não afetaram aligação de [^Hj-mazindol, [^Hj-nisoxetina e [^Hj-citalopram aos sítios derecaptação de DA, NA e 5-HT, respectivamente, em membranas preparadascom as mesmas estruturas citadas acima. Este perfil difere dos demaisantidepressivos, que inibem a recaptação de monoaminas através decompetição pelo sítio de ligação no transportador.
Exemplo 3.2. Efeito de POL e HP4 sobre ativação de proteínas G
Para avaliação do efeito de POL sobre os receptores de DA1 NA1 5-HT eopióides, foi utilizada a técnica de ligação de [35S] GTPyS estimulada por DA1NA , 5-HT e DAMGO em membranas preparadas a partir estriado, hipotálamo,córtex frontal e tálamo de ratos, respectivamente. O tratamento agudo de ratoscom POL (90 mg/kg e 270 mg/kg, v.o.) aumentou significativamente a ligaçãode [35S] GTPyS estimulada por DA1 NA e 5-HT, enquanto 5 dias de tratamentocom 90 mg/kg, diminui esta ligação. Nenhum dos regimes de tratamento afetoua ligação estimulada por DAMGO, um agonista opióide, o que demonstra umaseletividade de efeito para os receptores monoaminérgicos. Este perfiltemporal de ação coincide com as modernas teorias de que o efeitoantidepressivo está relacionado a processos neuroadaptativos.
A incubação direta de membranas sinaptossomais com HP4 não altera aligação de [35S] GTPyS ao seu sítio. Estes resultados demonstram que ostratamentos com POL resultam em alterações na transmissão monoaminérgica,porém estas não se devem a efeitos diretos de HP4 sobre os receptores. Estasalterações podem ocorrer através de outros mecanismos reguladores ouestarem relacionadas a metabólitos de HP4, produzidos após administração invivo de POL. A tabela 1 apresenta os valores relativos a potência (EC50) e aoefeito máximo (Emax) da ligação de [35S] GTPyS estimulada pelos agonistasapós os diferentes regimes de tratamento com POL e salina.
Tabela 1: Efeito de diferentes regimes de tratamento com POL sobre apotência (EC50) e o efeito máximo (Emax) da ligação de [35S] GTPyS estimulada
<table>table see original document page 25</column></row><table><table>table see original document page 26</column></row><table>
Τ1 - tratamento agudo (90 mg/kg, ν.o.)
T2 - três tratamentos durante 24h (270 mg/kg, v.o.)
T3 - cinco dias de tratamento com 90 mg/kg, v.o.
média ± SEM de 4 experimentos em duplicata. *p < 0.05; **p< 0.01; ***p< 0.001, comparaçõesno mesmo regime de tratamento, diferença significativa em relação a SAL. ap < 0.05; bp< 0.01;cp< 0.001, comparações dentro do mesmo grupo de tratamento, diferença significativa emrelação aos outros regimes de tratamento.
Exemplo 3.3. Efeito sobre os níveis séricos e corticais de corticosterona
Foi avaliada a ação de POL (360 mg/kg, v.o.) sobre os níveis sérico ecortical de corticosterona de camundongos submetidos ou não ao estressecausado pelo nado forçado. A concentração de corticosterona presente nasamostras foi medida por radioimuno ensaio. Os resultados mostraram que trêsdias de tratamento com POL diminui significativamente o aumento do nívelcortical de corticosterona induzido pelo nado forçado, sem afetar o nível sérico(Figura 3), enquanto o tratamento com os antidepressivos imipramina ebupropiona altera tanto os níveis séricos, quanto corticais. Estes resultadosevidenciam que o tratamento repetido com o extrato afeta respostasrelacionadas ao estresse, com um mecanismo de ação diferente dos fármacos atuais.

Claims (24)

Extrato Vegetal Neuroativo1 Composição FarmacêuticaCompreendendo o Mesmo ε Processo para Sua Produção
1. Extrato vegetal neuroativo caracterizado por ser obtido de plantaspertencentes a espécie Hypericum polyanthemum e possuir pelo menos umcomposto pertencente à classe dos floroglucinóis e/ou benzopiranos.
2. Extrato vegetal, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por serobtido de partes vegetais selecionadas do grupo que compreende raiz, caule,folha, flor, fruto, semente e combinações dos mesmos.
3. Extrato vegetal, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado peloscompostos pertencentes à classe dos floroglucinóis serem escolhidos do grupoque compreende iso-uliginosina B, uliginosina A, uliginosina B, seus saissolvatos e/ou hidratos e mistura dos mesmos.
4. Extrato vegetal, de acordo com a reivindicação 3, caracterizado pelocomposto ser a uliginosina B.
5. Extrato, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado pelosbenzopiranos serem escolhidos do grupo que compreende os benzopiranosHP1, HP2, ΗΡ3 e mistura dos mesmos.
6. Extrato vegetal, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado porcompreender o uso das partes aéreas de H. polyanthemum.
7. Processo de produção de extrato vegetal caracterizado por compreenderas etapas de:a. extração de pelo menos um fluoroglucinol e/ou benzipirano de umaplanta pertencente a espécie Hypericum polyanthemum em solventesorgânicos; eb. purificação do extrato obtido.
8. Processo, de acordo com a reivindicação 7, caracterizado pela relaçãomassa de planta (g):volume de solvente (mL) utilizada variar de 1:1 a 1:50.
9. Processo, de acordo com a reivindicação 8, caracterizado pela relaçãoser 1:10.
10. Processo, de acordo com a reivindicação 7, caracterizado por ser obtidode partes vegetais selecionadas do grupo que compreende raiz, caule, folha,flor, fruto, semente e combinações dos mesmos.
11. Processo, de acordo com a reivindicação 7, caracterizado peloscompostos pertencentes à classe dos floroglucinóis serem escolhidos do grupoque compreende iso-uliginosina B, uliginosina A, uliginosina B, seus saissolvatos e/ou hidratos e mistura dos mesmos.
12. Processo, de acordo com a reivindicação 11, caracterizado pelocomposto ser a uliginosina B.
13. Processo, de acordo com a reivindicação 7, caracterizado pelosbenzopiranos serem escolhidos do grupo que compreende os benzopiranosHP1, HP2, HP3 e mistura dos mesmos.
14. Processo, de acordo com as reivindicações 7 ou 10, caracterizado porcompreender o uso das partes aéreas de H. polyanthemum.
15. Processo, de acordo com a reivindicação 7, caracterizado pelo solventeorgânico ser o ciclo-hexano.
16. Processo, de acordo com a reivndicação 7, caracterizado pela etapa depurificação compreender a submissão do extrato obtido em a) a umacromatografia.
17. Processo, de acordo com a reivindicação 16, caracterizado pelacromatografia ser cromatografia em camada delgada e/ou em coluna.
18. Composição farmacêutica caracterizada por compreender:a. um extrato de Hypericum polyanthemum com pelo menos umcomposto pertencente à classe dos floroglucinóis e/ou benzopiranos;eb. um veículo farmaceuticamente aceitável.
19. Composição, de acordo com a reivindicação 18, caracterizado por serobtido de partes vegetais selecionadas do grupo que compreende raiz, caule,folha, flor, fruto, semente e combinações dos mesmos.
20. Composição, de acordo com a reivindicação 18, caracterizado peloscompostos pertencentes à classe dos floroglucinóis serem escolhidos do grupoque compreende iso-uliginosina B1 uliginosina A1 uliginosina B1 seus saissolvatos e/ou hidratos e mistura dos mesmos.
21. Composição, de acordo com a reivindicação 20, caracterizado pelocomposto ser a uliginosina B.
22. Composição, de acordo com a reivindicação 18, caracterizado pelosbenzopiranos serem escolhidos do grupo que compreende os benzopiranosHP1, HP2, HP3 e mistura dos mesmos.
23. Composição, de acordo com as reivindicações 18 a 20, caracterizadopor compreender o uso das partes aéreas de H. polyanthemum.
24. Uso de um extrato de Hyperícum polyanthemum possuindo pelo menosum composto pertencente à classe dos floroglucinóis caracterizado por serpara a fabricação de um medicamento usado no tratamento de distúrbios dohumor e/ou depressão.
BRPI0900614-1A 2009-02-13 2009-02-13 extrato vegetal neuroativo, composição farmacêutica compreendendo o mesmo e processo para sua produção BRPI0900614A2 (pt)

Priority Applications (4)

Application Number Priority Date Filing Date Title
BRPI0900614-1A BRPI0900614A2 (pt) 2009-02-13 2009-02-13 extrato vegetal neuroativo, composição farmacêutica compreendendo o mesmo e processo para sua produção
PCT/EP2010/051816 WO2010092162A1 (en) 2009-02-13 2010-02-12 Neuroactive plant extract from hypericum polyanthemum
EP10703879A EP2396016A1 (en) 2009-02-13 2010-02-12 Neuroactive plant extract from hypericum polyanthemum
US13/148,750 US20110313034A1 (en) 2009-02-13 2010-02-12 Neuroactive plant extract from hypericum polyanthemum

Applications Claiming Priority (1)

Application Number Priority Date Filing Date Title
BRPI0900614-1A BRPI0900614A2 (pt) 2009-02-13 2009-02-13 extrato vegetal neuroativo, composição farmacêutica compreendendo o mesmo e processo para sua produção

Publications (1)

Publication Number Publication Date
BRPI0900614A2 true BRPI0900614A2 (pt) 2011-06-28

Family

ID=42173305

Family Applications (1)

Application Number Title Priority Date Filing Date
BRPI0900614-1A BRPI0900614A2 (pt) 2009-02-13 2009-02-13 extrato vegetal neuroativo, composição farmacêutica compreendendo o mesmo e processo para sua produção

Country Status (4)

Country Link
US (1) US20110313034A1 (pt)
EP (1) EP2396016A1 (pt)
BR (1) BRPI0900614A2 (pt)
WO (1) WO2010092162A1 (pt)

Family Cites Families (7)

* Cited by examiner, † Cited by third party
Publication number Priority date Publication date Assignee Title
DE19814014A1 (de) 1997-12-19 1999-09-30 Krewel Meuselbach Gmbh Arzneipflanzentrockenextrakte
IT1301679B1 (it) 1998-06-10 2000-07-07 Indena Spa Derivati dell'iperforina, loro uso e formulazioni che licontengono.
IT1299195B1 (it) 1998-06-25 2000-02-29 Sigma Tau Healthscience Spa Composizione ad attivita' neuroprotettiva per la prevenzione ed il trattamento delle alterazioni nervose e comportamentali legate a stati
US20060167074A1 (en) 2001-06-19 2006-07-27 Norbert Muller Methods and compositions for the treatment of psychiatric disorders
US20030012824A1 (en) 2001-07-03 2003-01-16 Ott Dana Beth Orally administered anti-stress composition
IL162288A0 (en) 2004-06-01 2005-11-20 Future Products Man S A Compositions and methods for treating neurodegenerative disorders
US20070190187A1 (en) 2006-09-07 2007-08-16 Kneller Bruce W Formulation for enhanced delivery of phenethylamine

Also Published As

Publication number Publication date
WO2010092162A1 (en) 2010-08-19
EP2396016A1 (en) 2011-12-21
US20110313034A1 (en) 2011-12-22

Similar Documents

Publication Publication Date Title
US11291650B2 (en) Cannabis extracts and methods of preparing and using same
Bilia et al. St. John's wort and depression: efficacy, safety and tolerability-an update
Butterweck Mechanism of action of St John’s wort in depression: what is known?
Singh Potential for interaction of kava and St. John's wort with drugs
Patočka et al. Biomedically relevant chemical constituents of Valeriana officinalis
Chen et al. Behavioral and biochemical studies of total furocoumarins from seeds of Psoralea corylifolia in the forced swimming test in mice
Stulzer et al. Antioedematogenic effect of marrubiin obtained from Marrubium vulgare
Mao et al. Antidepressant-like effect of peony glycosides in mice
KR20210071939A (ko) 통증을 치료하기 위한 조성물 및 방법
Singh Evaluating the therapeutic efficiency and drug targeting ability of alkaloids present in Rauwolfia serpentina
Lanje et al. Medicinal natural drug of Valerian (Valerina Officinalis): an-over review
EP3817734A1 (en) Composition and method for opioid sparing
Rahmati et al. Prevention of morphine dependence and tolerance by Nepeta menthoides was accompanied by attenuation of Nitric oxide overproduction in male mice
Holstege et al. Toxicity and drug interactions associated with herbal products: ephedra and St. John's Wort
BRPI0900614A2 (pt) extrato vegetal neuroativo, composição farmacêutica compreendendo o mesmo e processo para sua produção
Aminabee et al. M. Antidepressant Activity of Chloroform Extract of Indigofera barberi in Experimental Animal Models
US12582630B2 (en) Cannabis extracts and methods of preparing and using same
Wang et al. A classic traditional chinese medicine formula for depression: mechanistic insights from phytochemical constituents and multitarget pathways
Okyere et al. Antidepressant-like effect of picralima nitida total crude alkaloidal fraction in mice
Attia et al. Exploring the antidepressant potential of Ruta chalepensis essential oil in socially isolated rats: Behavioural and neurochemical insights
Vijayabhaskar et al. Evaluation of antidepressant activity of Annona squamosa l. shoot extract using animal models
AMOAKO ANTIDEPRESSANT EFFECT AND THE POSSIBLE MECHANISM (S) OF ACTION OF SECONDARY METABOLITES FROM TRICHILIA MONADELPHA IN MURINE MODELS
Booker Effects of Hypericum Perforatum (St. John's Wort) on the Metabolism and Uptake of Gamma-aminobutyric Acid (GABA).
DE10145129A1 (de) Hemmstoffe für die Monominooxidasen A und/oder B und Verwendung derselben
Rahte Investigating the mode of action and characterisation of active principles-A Salvia officinalis tincture for the amelioration of hot flushes

Legal Events

Date Code Title Description
B03A Publication of a patent application or of a certificate of addition of invention [chapter 3.1 patent gazette]
B07D Technical examination (opinion) related to article 229 of industrial property law [chapter 7.4 patent gazette]
B07E Notification of approval relating to section 229 industrial property law [chapter 7.5 patent gazette]

Free format text: NOTIFICACAO DE ANUENCIA RELACIONADA COM O ART 229 DA LPI

B06F Objections, documents and/or translations needed after an examination request according [chapter 6.6 patent gazette]
B07A Application suspended after technical examination (opinion) [chapter 7.1 patent gazette]
B09B Patent application refused [chapter 9.2 patent gazette]
B09B Patent application refused [chapter 9.2 patent gazette]

Free format text: MANTIDO O INDEFERIMENTO UMA VEZ QUE NAO FOI APRESENTADO RECURSO DENTRO DO PRAZO LEGAL