BRPI0903438A2 - composição de ligante asfáltico modificado por biodiesel para uso no preparo de concreto betuminoso usinado a quente, de concreto betuminoso morno e de emulsão asfáltica - Google Patents

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COMPOSIçãO DE LIGANTE ASFáLTICO MODIFICADO POR BIODIESEL PARA USO NO PREPARO DE CONCRETO BETUMINOSO USINADO A QUENTE, DE CONCRETO BETUMINOSO MORNO E DE EMULSãO ASFáLTICA. A presente invenção diz respeito à composição de ligante asfáltico modificado por biodiesel para uso no preparo de concreto betuminoso usinado a quente, de concreto betuminoso morno e de emulsão asfáltica, composição esta que faz com que, tanto o concreto betuminoso usinado a quente - CBUQ, quanto o concreto betuminoso morno preparado com a mesma apresentem suscetibilidade térmica e resistência à deformação permanente superiores aos concretos betuminosos preparados com cimentos asfálticos de petróleos (CAP) comuns. Adicionaímente, a composição de ligante asfáltico modificado por biodiesel da presente invenção, também se mostra vantajosa quando utilizada no preparo de emulsões asfálticas, porque intrinsecamente como ligante apresenta melhor susceptibilidade térmica do que o CAP comum.

Description

COMPOSIÇÃO DE LIGANTE ASFÁLTICO MODIFICADO PORBIODIESEL PARA USO NO PREPARO DE CONCRETO BETUMINOSOUSINADO A QUENTE, DE CONCRETO BETUMINOSO MORNO E DE
EMULSÃO ASFÁLTICA
CAMPO DA INVENÇÃO
A presente invenção diz respeito à composição de Iigante asfálticomodificado por biodiesel para uso no preparo de concreto betuminosousinado a quente, de concreto betuminoso morno e de emulsão asfáltica,composição esta que faz com que, tanto o concreto betuminoso usinado aquente - CBUQ, quanto o concreto betuminoso morno, preparados com amesma apresentem suscetibilidade térmica e resistência à deformaçãopermanente superiores aos concretos betuminosos preparados comcimentos asfálticos de petróleos (CAP) comuns.
Adicionalmente, a composição de ligante asfáltico modificado porbiodiesel da presente invenção, também se mostra vantajosa quandoutilizada no preparo de emulsões asfálticas, porque, intrinsecamente comoligante apresenta, melhor susceptibilidade térmica do que o CAP comum.
FUNDAMENTOS DA INVENÇÃO
As misturas betuminosas hoje empregadas na construção deestradas de rodagem seguem, basicamente, duas grandes linhas depreparo. A primeira, denominada linha quente, onde os Iigantes asfálticossão misturados aos agregados pétreos a altas temperaturas, e cujosprodutos finais são conhecidos no Brasil como CBUQ, e,internacionalmente, são chamados de uHot Mix Asphalts (HMA)pavements". A segunda, denominada linha fria, comporta as chamadasemulsões asfálticas, onde os Iigantes asfálticos são misturados aosagregados pétreos à temperatura ambiente.
Essas duas grandes linhas conseguem eliminar praticamente todasas dificuldades técnicas que possam ser encontradas nos locais deconstrução das estradas, mas apresentam algumas desvantagens,particularmente, no que diz respeito ao meio-ambiente
Partilhando de um mesmo conceito, o que se objetiva na prática écolocar o Iigante asfáltico numa forma líquida, para que o mesmo possaestabelecer com os agregados uma forte conexão, que propiciaconsistência ao conjunto, e garante que o mesmo apresente umdesempenho reológico e mecânico compatível com as características deuso da estrada de rodagem.
Inúmeros processos tornam possível esta dita liquefação do Iiganteasfáltico; aquecimento, emulsificação e diluição com solventes.
O processo de aquecimento consiste em elevar a temperatura doligante asfáltico até cerca de 150°C, aproximadamente, e promover amistura do mesmo com os agregados já previamente aquecidos à mesmatemperatura, visando a obter uma mistura suficientemente fluida ehomogênea, pronta para ser aspergida e compactada na superfície darodovia, enquanto a temperatura permanece alta.
Recentemente foram desenvolvidos processos de misturasasfálticas mornas onde as misturas podem ser preparadas a temperaturasda ordem de 110°C a 130°C, reduzindo emissões e consumo decombustível. Estas misturas mornas podem ser feitas em equipamentosconvencionais através da adição de zeolitas ou de areias úmidas ouaditivos que promovem formação de espuma do ligante durante suamistura com agregados, recobrindo melhor os agregados a temperaturas30°C a 40°C abaixo das temperaturas tradicionais.
O processo de emulsionamento consiste em colocar o Iiganteasfáltico numa forma líquida, à temperatura ambiente num estadometaestável, utilizando água. O contato com os agregados promove umbalanço químico que leva à ruptura da emulsão, fazendo com que o Iiganteasfáltico adira à superfície da rodovia, enquanto a água é drenada parafora da mistura.
O processo de diluição consiste em diluir com um solvente o liganteasfáltico para reduzir significativamente a viscosidade do mesmo e assimpermitir uma adequada mistura com os agregados. Após a aplicação narodovia o solvente evapora e o capeamento se dá pelo aumento daconsistência da mistura.
Os cimentos asfálticos de petróleo (CAP) são resíduos dosprocessos de refino de petróleo, de desasfaltação ou de destilação avácuo de alta severidade. Classificados segundo suas característicasfísico-químicas (especificações brasileiras e européias), ou segundopadrões de desempenho (especificação americana), são consideradosligantes suficientemente duráveis e adesivos para suportar os agregados ecom estes, compor os concretos betuminosos usinados a quente (CBUQou HMA) que se destinam a pavimentar estradas de rodagem.
No entanto, em rodovias de grande volume de tráfego, paramelhorar as propriedades mecânicas dos CAP's, são geralmenteempregados aditivos, principalmente, visando influenciar as característicasde flexibilidade do pavimento.
Vários aditivos já foram propostos com esta finalidade, por exemplo,polietileno, borracha natural, borracha sintética (copolímero SBR -borracha estireno-butadieno), copolímero SBS (estireno-butadieno-estireno), copolímero EVA (acetato de vinil-etileno), ácido polifosfórico,entre outros.
Estudos apresentados na literatura técnica ensinam que o CAP secompõe basicamente de asfaltenos e petrolenos, sendo considerado comoum sistema coloidal no qual os asfaltenos são a fase dispersa e ospetrolenos a fase dispersora. Por definição, os asfaltenos são aquelafração do CAP que é solúvel em dissulfeto de carbono e insolúvel em n-pentano, na proporção de 50 volumes de n-pentano para um volume deCAP. Os petrolenos são definidos como sendo a fração do CAP que ésolúvel em 50 volumes de n-pentano por volume de CAP.
Outros autores sugerem que o CAP também pode ser definido comosendo composto por asfaltenos, resinas asfálticas, frações dehidrocarbonetos, com pequenas quantidades de parafinas e ainda outroscomponentes. Neste conceito, os asfaltenos estariam peptizados pelasresinas asfálticas e pelas frações de hidrocarbonetos, ficando dispersos nomeio desta maneira. Neste caso, os petrolenos seriam a fração do CAPque é extraída pelo n-pentano.
De um modo geral, acredita-se que as propriedades da fraçãoasfaltênica do CAP determinam sua adequabilidade do CAP parapavimentação. Consequentemente, esta é a fração a ser modificadaquando se quer melhorar as características do CAP para tal aplicação.
Hardman, Harley F. et al, no documento de patente US 2,877,129,reportaram que a elasticidade do pavimento asfáltico a baixastemperaturas era função das propriedades das frações de petrolenos dosCAP e que estas podiam ser modificadas pela incorporação ao CAP deésteres orgânicos líquidos de ácidos graxos, mono ou policarboxílicos.Tais ésteres, para cumprirem os fins a que se destinam, teriam de serbons solventes para os asfaltenos e suficientemente miscíveis nospetrolenos do CAP.
É sabido que o biodiesel é composto de mono ésteres de ácidosgraxos de cadeia longa, e, particularmente os ésteres metílicos de óleosvegetais ou animais provaram ser bons solventes para resíduos asfálticos.Não são considerados tóxicos nem danosos ao meio-ambiente, têm umponto de fulgor da ordem de 180°C a 200°C, de modo que se apresentamsuficientemente seguros para serem processados nas temperaturas depreparo dos CBUQ.
São obtidos, geralmente, pela transesterificação de óleos vegetaisou animais, que são produtos renováveis, de modo que seu uso contribuipara a redução de gás carbônico na atmosfera, assim como para adiminuição do efeito estufa.
A presente invenção apresenta uma composição de Iigante asfálticoque possui características inovadoras na medida em que vem a ser umacomposição aperfeiçoada de CAP1 a qual propicia vantagens econômicase ganhos ao meio ambiente no preparo do CBUQ1 pois possibilita umausinagem do material asfáltico a temperaturas mais baixas do que ascomumente empregadas. Além disso, a composição da presente invençãoconfere maior elasticidade, menor suscetibilidade térmica e maiorresistência à deformação permanente aos concretos betuminosos mornospreparados com a mesma.
Adicionalmente, como a composição da presente invençãoapresenta melhor suscetibilidade térmica que o CAP comum, as emulsõesasfálticas formuladas com a mesma terão um desempenho aperfeiçoadono campo na medida em que é justamente o Iigante asfáltico que dita aqualidade final do asfalto aplicado desta forma.
TÉCNICA RELACIONADA
A literatura técnica especializada faz referência ao uso de ésteres deácidos graxos, ou de óleos de origem natural, em mistura com resíduosasfáticos para produzir selantes, rejuvenecedores de asfalto e asfaltosdiluídos.
O documento de patente EP 0999237 citado aqui como referênciaensina um processo de mistura de um CAP duro com ésteres de óleo decolza ou girassol, para uso como asfalto diluído. Em tal processo, osagregados são misturados ao CAP duro depois de o mesmo ter sidodiluído com solventes que contenham pelo menos um tipo destesmencionados ésteres.
Segundo o citado documento, tais ésteres têm a propriedade de setransformar quimicamente em contato com o ar, promovendo o aumentode viscosidade do produto que então vai gerar o capeamento asfálticofinal.
O documento de patente US 7,008,670 ensina um processo queemprega composições feitas à base de resíduos asfálticos misturados comésteres metílicos de óleo de soja para uso em selagem erejuvenescimento de superfícies asfálticas. No caso das composiçõesusadas como selantes, além dos ésteres de óleo de soja empregam-setambém solventes terpênicos nas composições. No processo derejuvenescimento de superfícies asfálticas, os Iigantes modificados comésteres de óleo de soja, chegam a triplicar o valor do índice de penetraçãodepois de aspergidos na superfície do pavimento.
O documento de patente brasileira Pl 0900455-6 ensina umprocesso no qual as temperaturas de produção de misturas asfálticassão reduzidas de 30°C a 40°C, sem que haja perda da qualidade dopavimento, garantindo a mesma ou maior durabilidade ao produto final.Esta patente trata de um processo de produção de um concretobetuminoso morno feito com adição de água sem que seja necessária autilização de qualquer aditivo ou de qualquer modificação na usina. Osagregados (graúdos e miúdos) são aquecidos a 135°C e o asfalto émantido na sua temperatura normal (160°C). Contudo, no momento damistura do asfalto aos agregados, adiciona-se, na temperatura ambiente,de 0,5% a 1,0% da fração de pó-de-pedra (arenosa) dos mesmosagregados, porém saturados com água e com a superfície úmida. Comisto, a água contida nesta pequena fração de agregados saturados éaquecida durante a mistura e transforma-se em vapor, gerando o efeitode espumamento no asfalto, o qual reduz a sua viscosidade, facilitando orecobrimento dos agregados e a posterior compactação da mistura napista. A temperatura resultante do material fica em torno de 135°C, naqual ele é transportado, sendo aplicado na pista em temperaturas nafaixa de 110°Ca 120°C.
A composição agora proposta pela presente invenção também fazuso de um tipo especial de ésteres metílicos de óleos de origem naturalcomo agentes modificadores de Iigantes asfálticos - os biodiesel - mas,diferentemente do que se apresenta no atual estado da técnica, o faz demodo isolado, ou seja, sem o emprego de nenhum outro solvente adicionalpara suportar a incorporação dos ditos ésteres. Por outro lado, visa a umaaplicação diferenciada das que se conhece até hoje, que é o uso deligantes asfálticos modificados por biodiesel no preparo de concretobetuminoso a quente e morno e de emulsão asfáltica, com significativasvantagens de desempenho em relação aos preparos que utilizam os CAPcomuns, tanto ecológicas e toxicológicas, quanto econômicas.
SUMÁRIO DA INVENÇÃO
A presente invenção trata de composição de um Iigante asfálticomodificado por biodiesel para uso no preparo de concreto betuminosousinado a quente (CBUQ), de concreto betuminoso morno e de emulsãoasfáltica, onde o referido Iigante contém de 70% a 97% em peso de umresíduo asfáltico de petróleo e de 3% a 30% em peso de um biodiesel. Oconcreto betuminoso usinado a quente, o concreto betuminoso morno e aemulsão asfáltica podem ser preparados segundo processosconvencionais de preparo destes produtos. O resíduo asfáltico de petróleopode ser proveniente de processo de desasfaltação ou de destilação avácuo de alta severidade, e atendem às seguintes especificações:
a) resíduo asfáltico proveniente de processo de desasfaltação:
<table>table see original document page 8</column></row><table>
b) resíduo asfáltico proveniente do processo de destilação a vácuode alta severidade:
<table>table see original document page 8</column></row><table>
Os biodieseis podem ser selecionados como originários de um grupode óleos naturais que compreende: o sebo e os óleos de soja, mamona,colza, girassol, amendoim, dendê, algodão, babaçu, palma e milho, oumistura dos mesmos em qualquer proporção. Preferencialmente, devemser provenientes de óleo de mamona ou de óleo de soja e atender àsespecificações nacionais e internacionais propostas para o dito tipo debiocombustível, a saber: especificação brasileira - Resolução ANP 07/08;ou especificação européia -EN 14214: 2003 (E) "Automotive fuels - Fattyacid methyl esters (FAME) for diesel engines - Requirements and testmethods"·, ou especificação americana ASTM D6751-09 - "StandardSpecification for Biodiesel Fuel Blend Stock (B 100) for Midle DestillateFuels".
DESCRIÇÃO DETALHADA DA INVENÇÃO
Para que possa ser mais bem compreendida e avaliada acomposição do Iigante asfáltico modificado por biodiesel para uso nopreparo de concreto betuminoso usinado a quente, de concretobetuminoso morno e de emulsão asfáltica será agora descrita em detalhe.
Para o preparo do Iigante asfáltico utilizou-se um processoconvencional, onde a modificação do Iigante se dá no estado fundido, atemperaturas da ordem de 100°C a 130°C, com agitação de baixocisalhamento em torno de 300 rpm, por um período de 10 a 30 minutos,depois de o biodiesel ser adicionado, no vaso agitado, sobre o resíduo.
As características das matérias primas usadas no preparo dascomposições da presente invenção constam das Tabelas 1 e 2, a seguir:
TABELA 1
<table>table see original document page 9</column></row><table>TABELA 2
<table>table see original document page 10</column></row><table>
O biodieset metílico de mamona é composto principalmente dericinoleato de metila, derivado da transesterificação de óleo de mamona,que por sua vez é composto de 90% de ácido ricinoléico, que é um ácidograxo constituído por 18 carbonos e que possui uma dupla ligação nocarbono 9 e uma hidroxila no carbono 12.
O biodiesel metílico de soja é composto principalmente de Iinoleatoe oleato de metila, derivado da transesterificação de óleo de soja, que porsua vez é composto de 54,1% de ácido linoléico e de 22,5% de ácidooléico, que são ácidos graxos constituídos por 18 carbonos e quepossuem pelo menos uma dupla ligação.
A característica inovadora da presente invenção é a utilização dobiodiesel como aditivo para modificar resíduos asfálticos de modo a torná-los adequados ao uso no preparo de concretos betuminosos usinados aquente, de concretos betuminosos mornos e de emulsões asfálticas. Taladitivação produz um Iigante asfáltico modificado de boa qualidade, namedida em que apresenta uma melhor susceptibilidade térmica, maiorelasticidade, e ainda, maior resistência à formação de trilhas de roda.
Outra vantagem adicional da presente invenção é o aproveitamentode insumos renováveis em produtos de pavimentação, o que os tornamenos tóxicos ao homem e menos agressivos ao meio ambiente, pois, aopermitirem uma temperatura de usinagem mais baixa do que normal,promovem uma redução no consumo de combustível das usinas, o quesignifica redução na emissão de poliaromáticos para a atmosfera.
Em países da Europa, a aOiI Companies' European Association onEnviroment, Helth and Safety in Refíning Distribution (CONCAWE) -Product Dossier n° 92/104 estabeleceu temperaturas máximas deusinagem como forma de reduzir emissões nas usinas de asfalto assimcomo nos preparos.
Outro efeito positivo da redução da temperatura de usinagem é oaumento da resistência do Iigante asfáltico ao envelhecimento, uma vezque esta temperatura é a variável que mais propicia a oxidação do ligante,enrijecendo-o e tornando-o mais susceptível ao aparecimento de trincaspor fadiga.
Os Exemplos apresentados a seguir têm por objetivo ilustrar umaforma de concretização do invento, assim como comprovar suaaplicabilidade prática, não constituindo qualquer forma de limitação dainvenção.
Exemplo 1
Efetuou-se uma mistura de 5% e outra de 10%, em peso, debiodiesel de soja com resíduo de desasfaltação de penetração 1.
A mistura foi realizada a temperaturas entre 90°C e 135°C, sobagitação de baixo cisalhamento de 300 rpm, por 30 minutos.
O ligante modificado com 5% de biodiesel de soja apresentou ascaracterísticas mostradas na Tabela 3, em comparação com um CAP10/20das especificações européias EN 13924.
O ligante modificado com 10% de biodiesel de soja apresentou ascaracterísticas mostradas na Tabela 4, em comparação com ascaracterísticas (análise típica) de um tradicional CAP 50/60 daespecificação brasileira - Resolução ANP n° 07/08.
Os resultados apresentados na Tabela 3 indicam que o produtoresultante da adição de 5% de biodiesel de soja a resíduos dedesasfaltação se enquadra nas especificações européias de asfaltos durosque são os empregados em rodovias de grande volume de tráfego.
TABELA 3
<table>table see original document page 12</column></row><table>
TABELA 4
<table>table see original document page 12</column></row><table>
Os resultados obtidos e mostrados na Tabela acima indicam que oproduto resultante da adição de 10% de biodiesel de soja a resíduos dedesasfaltação, quando comparado a um CAP de especificação similar,apresenta uma suscetibilidade térmica bem superior e também umaviscosidade bastante elevada para um Iigante asfáltico de penetraçãoacima dos 70 décimos de milímetros.
Tal fato atesta que o Iigante modificado apresenta maior resistênciaà deformação permanente que o seu similar convencional, fato que ératificado pelo seu maior grau de desempenho quando medido segundo aespecificação americana SUPERPAVE - "Superior Performing AsphaltPavement".
Este produto também pode ser usado no preparo de concretosbetuminosos a temperaturas bem mais baixas trazendo vantagens naredução de emissões e consumo de combustíveis, ou ainda no preparo deemulsões asfálticas, que não precisam ser usinadas para serem aplicadas.
Exemplo 2
Efetuou-se uma mistura de 5% em peso de biodiesel de mamonacom resíduo de desasfaltação de penetração 30.
A mistura foi realizada à temperatura de 100°C, sob agitação debaixo cisalhamento de 300 rpm, por 30 minutos.
O ligante modificado com 5% de biodiesel de mamona apresentouas características mostradas na Tabela 5, em comparação com umCAP100/150 das especificações européias EN 13924.
Os resultados apresentados na Tabela abaixo indicam que a adiçãode 5% de biodiesel de mamona a resíduos de desasfaltação depenetração 30 permitiu a obtenção de um Iigante asfáltico de penetração100/150.
Quando comparado às especificações européias para este tipo deproduto, mostra-se perfeitamente enquadrado, apresentando excelentesuscetibilidade térmica e ainda viscosidade e ponto de amolecimentoacima dos limites mínimos especificados, o que atesta sua maiorresistência a deformações permanentes.TABELA 5
<table>table see original document page 14</column></row><table>
Exemplo 3
Efetuaram-se misturas de 7%, 10% e 12%, em peso, de biodiesel demamona com resíduo de desasfaltação de penetração 3. A mistura foirealizada à temperatura de 100°C, sob agitação de baixo cisalhamento a300 rpm, por 30 minutos. O Iigante modificado com 7% de biodiesel demamona apresentou as características mostradas na Tabela 6, emcomparação com um CAP10/20 das especificações européias EN 13924.
Na Tabela 7 são mostrados os resultados obtidos na comparação doligante modificado com 10% de biodiesel de mamona com ascaracterísticas (análise típica) de um tradicional CAP 30/45 daespecificação brasileira - Resolução ANP n° 07/08.
Na Tabela 8 são mostrados os resultados obtidos na comparação doIigante modificado com 12% de biodiesel de mamona com ascaracterísticas (análise típica) de um tradicional CAP 50/60 daespecificação brasileira - Resolução ANP n° 07/08.TABELA 6
<table>table see original document page 15</column></row><table>
TABELA 7
<table>table see original document page 15</column></row><table>
Os resultados obtidos e mostrados na Tabela acima indicam que oproduto resultante da adição de 7% de biodiesel de mamona a resíduos dedesasfaltação de penetração 3 se enquadra nas especificações européiasde asfaltos duros (CAP 10/20), os quais são empregados em rodovias degrande tráfego de veículos.
TABELA 8
<table>table see original document page 16</column></row><table>
Os resultados obtidos e mostrados na Tabela acima indicam que osprodutos resultantes da adição de 10% e 12% de biodiesel de mamona aresíduos de desasfaltação de penetração 3, quando comparados a CAPde especificação similar, apresentam suscetibilidade térmicas bemsuperiores e também viscosidades bastante elevadas, atestando que oIigante modificado propicia maior resistência à deformação permanenteque os seus similares convencionais, fato este ratificado pelos seusmaiores graus de desempenho quando medidos segundo a especificaçãoamericana SUPERPAVE.

Claims (6)

1. COMPOSIÇÃO DE LIGANTE ASFÁLTICO MODIFICADO PORBIODIESEL PARA USO NO PREPARO DE CONCRETO BETUMINOSOUSINADO A QUENTE, DE CONCRETO BETUMINOSO MORNO E DEEMULSÃO ASFÁLTICA, caracterizado por o referido Iigante conter de-70% a 97% em peso de um resíduo asfáltico de petróleo e de 3% a 30%,em peso, de um éster metílico de um óleo de origem natural.
2. COMPOSIÇÃO DE LIGANTE ASFÁLTICO MODIFICADO PORBIODIESEL PARA USO NO PREPARO DE CONCRETO BETUMINOSOUSINADO A QUENTE, DE CONCRETO BETUMINOSO MORNO E DEEMULSÃO ASFÁLTICA, de acordo com a reivindicação 1, caracterizadopor o resíduo asfáltico de petróleo ser proveniente de processoselecionado entre desasfaltação e destilação a vácuo de alta severidade.
3. COMPOSIÇÃO DE LIGANTE ASFÁLTICO MODIFICADO PORBIODIESEL PARA USO NO PREPARO DE CONCRETO BETUMINOSOUSINADO A QUENTE, DE CONCRETO BETUMINOSO MORNO E DEEMULSÃO ASFÁLTICA, de acordo com a reivindicação 1, caracterizadopor o resíduo asfáltico proveniente de processo de desasfaltação possuiras seguintes propriedades: penetração, na faixa de 1 a 30 dmm, ponto deamolecimento na faixa de 53°C a 80°C e viscosidade a 60°C na faixa de-4.000 P a 50.000 P.
4. COMPOSIÇÃO DE LIGANTE ASFÁLTICO MODIFICADO PORBIODIESEL PARA USO NO PREPARO DE CONCRETO BETUMINOSOUSINADO A QUENTE, DE CONCRETO BETUMINOSO MORNO E DEEMULSÃOASFÁLTICA, de acordo com a reivindicação 1, caracterizadopor o resíduo asfáltico proveniente do processo de destilação a vácuo dealta severidade possuir as seguintes propriedades: penetração na faixa de-10 a 30 dmm, ponto de amolecimento na faixa de 50°C a 70°C eviscosidade a 60°C na faixa de 3.000 P a 15.000 P.
5.- COMPOSIÇÃO DE LIGANTE ASFÁLTICO MODIFICADO PORBIODIESEL PARA USO NO PREPARO DE CONCRETO BETUMINOSOUSINADO A QUENTE, DE CONCRETO BETUMINOSO MORNO E DEEMULSÃO ASFÁLTICA, de acordo com a reivindicação 1, caracterizadopor os biodiesel poderem ser selecionados de um grupo de óieos naturaisque compreende: o sebo e os óleos de soja, mamona, colza, girassol,amendoim, dendê, algodão, babaçu, palma e milho, mistura dos mesmosem quaisquer proporção.
6.- COMPOSIÇÃO DE LIGANTE ASFÁLTICO MODIFICADO PORBIODIESEL PARA USO NO PREPARO DE CONCRETO BETUMINOSOUSINADO A QUENTE, DE CONCRETO BETUMINOSO MORNO E DEEMULSÃO ASFÁLTICA, de acordo com a reivindicação 1, caracterizadopor os biodiesel serem selecionados, preferencialmente, dentre osprovenientes de óleo de mamona e de óleo de soja.
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