BRPI0905253A2 - processo para o tratamento de emulsões água/óleo - Google Patents

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Bianca Machado Da Silva Ferreira
Santos Maria De Fatima Pereira Dos
Ricardo Andre Guarnieri
Montserrat Fortuny Heredia
Claudio Dariva
Alexandre Ferreira Santos
Rita De Cassia Bomfim Lemos
Lisiane Dos Santos Freitas
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Abstract

PROCESSO PARA O TRATAMENTO DE EMULSõES áGUA/óLEO E descrito um processo para o tratamento de emulsões água/óleo (A/O) que compreende a adição de líquido lónico, sob aquecimento, a uma emulsão água/óleo, contendo entre 0,5% e 85% de água v/v como fase dispersa, até que a concentração de líquido lónico na emulsão fique na faixa de 0,01 <109>L/g até 100 <109>L/g. O liquido iónico empregado é um sal de fórmula geral C^ +^ A^ -^ na forma líquida a temperaturas abaixo de 150<198>C, onde A^ -^ é um anion é C^ +^ é um cátion, o qual possui no mínimo uma cadeia alquílica hidrofóbica ligada a um grupo catiónico a uma emulsão A/O. O modo de aquecimento contempla aquecimento convencional e aquecimento via micro-ondas. No modo de aquecimento via micro-ondas os sais de fórmula geral C^ +^ A apresentam comportamento sinérgico na eficiência de separação em relação ao aquecimento convencional.

Description

PROCESSO PARA O TRATAMENTO DE EMULSÕES ÁGUA/ÓLEOCAMPO DA INVENÇÃO
A presente invenção pertence ao campo dos processos detratamento de emulsões água/óleo (A/O), mais especificamente a umprocesso de tratamento especialmente adequado para emulsões estáveis,com auxíiio de líquidos iônicos e aquecimento. O processo da invençãocontempla ainda o tratamento destas emulsões água/óleo com auxílio delíquidos iônicos onde o aquecimento é efetuado por micro-ondas.
FUNDAMENTOS DA INVENÇÃO
Líquidos iônicos (LIs) constituem uma classe específica de saisfundidos compostos por cátions orgânicos conjugados tanto com ânionsorgânicos ou inorgânicos. Possuem forte semelhança química com os saisinorgânicos fundidos, com a diferença primordial de que são líquidos àtemperatura ambiente, ou convencionalmente, abaixo de 100°C.
A estrutura química dos líquidos iônicos permite muitascombinações de ânions e cátions viabilizando a obtenção de compostoscom propriedades variadas e que podem ser projetadas sob medida parauma dada aplicação.
As diversas combinações entre ânions e cátions ainda influenciamas propriedades físico-químicas dos líquidos iônicos. Em geral, o tipo doânion determina mais fortemente a estabilidade térmica e sua miscibilidadeem água. Como exemplos desta última propriedade podem ser citados osânions hidrofílicos (como cloreto e iodeto), os quais conferem miscibilidadeao Ll em qualquer proporção com água ao passo que o ânion PF6 limita asolubilidade dos Lls em água.
Por outro lado, o cátion influencia principalmente propriedades comoviscosidade, ponto de fusão e densidade, entre outras.
Recentemente, o estudo das propriedades interfaciais dos líquidosiônicos tem recebido bastante atenção. Para uma série de líquidos iônicos,observa-se um comportamento interfacial e de agregação semelhante aosexibidos pelos tensoativos de cadeia catiônica, conforme mencionado nosartigos por Bowlas, C. J., et al. Liquid-crystalline ionic liquids, Chem.Commun., 14, pp. 1625-1626, 1996, Holbrey, J. D., Seddon, K. R. J., ThePhase behaviour of 1-alkyl-3-methylimiazolium tetrafluoroborates, J. Chem.Soc., Dalton Trans., 13, pp. 2133-2139, 1999.
Devido à reconhecida capacidade tensoativa de certos líquidosiônicos, pode-se concluir que os líquidos iônicos são fluidos com potencialpara agirem como desemulsificantes, que nada mais são do quetensoativos desestabilizantes de emulsões, e que a micelização dos líquidos iônicos é um processo combinado, resultado do comprimento dascadeias de hidrocarbonetos do cátion e da natureza e tamanho do ânion.
Agentes químicos desemulsificantes tem sido empregados naquebra de emulsões de petróleo. A eficiência de tal tratamento depende daviscosidade do meio assim como da estabilidade da emulsão, que por sua vez é influenciada pela composição dos tensoativos naturais, teor de águae concentração em sais, pela distribuição de tamanho das gotas de água,assim como pelas condições experimentais como temperatura, idade daemulsão, etc.
Para emulsões geradas a partir de óleos pesados, estes tratamentos têm sido pouco eficientes sendo necessárias condições mais severas,especialmente de temperatura, para desestabilização das emulsões,incorrendo em alto consumo de insumos e de energia.
Uma tecnologia recente e que tem demonstrado ser promissora notratamento de emulsões de petróleo estáveis baseia-se na aplicação de radiação na faixa das micro-ondas. Através da irradiação de micro-ondas,é possível efetuar o aquecimento acelerado de emulsões de petróleo,auxiliando a separação das fases água-óleo por efeitos térmicos. Alémdisso, acredita-se que as micro-ondas interagem com as espécies polaresque constituem o filme interfacial que protege as gotas emulsionadas, promovendo assim efeitos não-térmicos capazes de modificar aconformação dos tensoativos na interface, favorecendo então adesestabilização.
O artigo de Fortuny, M., et al, Effect of salinity, temperature, watercontent, and pH on the microwave demulsificátion of crude oil emulsions,Energy & Fuels, 21, pp. 1358-1364, 2007 constitui uma das poucasinvestigações na área de petróleo que buscam compreender os efeitos dascaracterísticas das emulsões água/óleo (A/O) no desempenho dotratamento via irradiação de energia micro-ondas sob condiçõescontroladas.
O efeito que as micro-ondas ocasionam é baseado na reorganizaçãodas cargas das moléculas polares (polarização) e dos íons livres demateriais dielétricos, induzida pelo campo elétrico das radiações.
Este tipo de efeito é chamado de aquecimento dielétrico, e pode serobtido por dois mecanismos clássicos de interação entre micro-ondas e amatéria: a rotação de dipolos e a condução iônica.
Os líquidos iônicos por serem sais fundidos possuem propriedadesdielétricas que favorecem a sua interação com as ondas eletromagnéticas.Os Lls possuem uma elevada capacidade em absorver micro-ondas comconseqüente transformação da energia eletromagnética em calor. De fato,a constante dielétrica dos líquidos iônicos quantifica a capacidade domaterial em armazenar energia eletromagnética. Logo, as substânciascom constantes dielétricas altas tendem a absorver bem as irradiaçõesmicro-ondas.
A literatura de patentes registra um pequeno número de documentosrelativos a aplicações de micro-ondas e líquidos iônicos no campo detratamento de emulsões água/óleo.
Assim, na publicação internacional W02001/012289 é descrito ummétodo para tratar uma emulsão que compreende gotículas de água emum líquido orgânico a fim de separar a água e o líquido orgânico, onde aemulsão é submetida à radiação de micro-ondas na freqüência de 300MHz a 100GHz, de modo a aquecer as gotículas de modo seletivo. Nafreqüência escolhida as gotículas tendem a transformar a radiaçãoeletromagnética em calor.
No pedido publicado norte-americano US 2008/0221226, da mesmarequerente, é descrito um método para o tratamento de emulsões A/O comauxílio de micro-ondas de modo a sistematizar uma série de etapas deprocesso destinadas a prover, para um óleo cru, pelo menos 90% deeficiência de tratamento da emulsão.
Na publicação internacional W02006/111712 é descrita a aplicaçãode líquidos iônicos como surfactantes na estabilização de emulsões emicroemulsões água/óleo (A/O) ou óleo/água (O/A). O líquido iônicoempregado como surfactante é um sal de fórmula geral (I) C+A", que existeno estado líquido a uma temperatura de 150°C e pelo menos um dentre ocátion C+ e o ânion A" compreendem um grupo pendente hidrofóbicoligado a um grupo cabeça iônico, e A" representa um ânion contendofósforo, ou um ânion de sulfato de alquila de fórmula geral ROSO 3" ondeR é um grupo alquila com pelo menos 8 átomos de carbono.
Na publicação internacional W02006/131699 é descrito umprocesso para quebrar uma emulsão de um líquido iônico, que é um sal noestado líquido a uma temperatura inferior a 150°C, e um óleo, o processocompreendendo as etapas de:
a) irradiar a emulsão com radiação microonda;
b) separar a emulsão em uma fase compreendendo líquido iônico euma fase óleo; e
c) recuperar pelo menos uma das fases.
Emulsões compreendendo líquidos iônicos podem ser formadas nosprocessos em que este composto é utilizado como agente extrator decompostos poliaromáticos e sulfurados, ou como catalisador em reaçõesorgânicas. Nestes processos, é de interesse promover a rápida separaçãoda fase compreendendo o líquido iônico para posterior purificação e reutili-zação.
A publicação internacional W02007/138307 apresenta um processode extração de espécies ácidas sulfuradas de matrizes de petróleo cru, oudestilados de petróleo, onde líquidos iônicos básicos são utilizados comoagentes extratores.
A basicidade do líquido iônico pode ser conferida por gruposfuncionais específicos incorporados na porção cátion e/ou ânion damolécula.
Portanto, apesar dos diversos documentos disponíveis na literatura,ainda é necessário um processo para o tratamento de emulsões A/O deforma que a separação seja efetiva e ao mesmo tempo com pequenogasto de energia.
O processo descrito a seguir descreve o tratamento de emulsõesA/O em presença de líquido iônico, que age como desemulsificante, e umafonte de aquecimento, onde o aquecimento para efetuar a quebra daemulsão é efetuado por meios térmicos convencionais, ou por energia deradiofreqüência como micro-ondas. A aplicação de líquidos iônicos comoagentes desemulsificantes é particularmente útil quando combinada airradiação de micro-ondas, permitindo o direcionamento da radiação demicro-ondas para a interface A/O, favorecendo a desestabilização do filmeprotetor responsável pela estabilidade das emulsões.SUMÁRIO DA INVENÇÃO
De modo amplo, o processo da invenção para o tratamento deemulsões A/O estáveis compreende as etapas de:
a) Adicionar, sob agitação, uma proporção eficaz de um sal defórmula geral C+ A" existindo na forma líquida a temperaturasabaixo de 150°C, onde A" é um anion é C+ é um cátion o qualpossui no mínimo uma cadeia alquílica hidrofóbica ligada a umgrupo catiônico, a uma emulsão A/O contendo entre 0,5% e 85%v/v de água como fase dispersa em uma fase oleosa, o sal defórmula C+A" sendo usado como tal ou dissolvido em água ou emum solvente orgânico, obtendo uma mistura sal de fórmula C+ A"e emulsão A/O;
b) Aquecer a mistura obtida em a) por um período entre 5 segundose 120 minutos, sob temperaturas entre 25°C e 270°C, sobpressões entre 0,5 bar e 200 bar para efetuar adesemulsificação; e
c) Separar a mistura aquecida em b), por meio do equipamentoseparador, em duas fases distintas: uma primeira fase contendopredominantemente água e uma segunda fase contendo óleo.
Uma etapa opcional é a recuperação do líquido iônico parareutilização.
Assim, a invenção provê um processo de tratamento de emulsõesA/O por adição de líquido iônico à dita emulsão, aquecimento da mesmasob condições de desemulsificação, separação em separadores e coletados componentes, podendo este processo ocorrer modo batelada oucontinuo.
A invenção provê também um processo de tratamento de emulsõesA/O por adição de líquido iônico à dita emulsão, onde o aquecimento daemulsão que se deseja separar é efetuado com auxílio de energia deradiofreqüência, tal como micro-ondas, de forma que a radiação de micro-ondas seja direcionada para a interface A/O, favorecendo adesestabilização do filme protetor responsável pela estabilidade dasemulsões.
A invenção provê ainda um processo de tratamento de emulsõesA/O por adição de líquido iônico à dita emulsão, o processo sendoaplicável a:
a) emulsões contendo sais em proporção de zero até 280.000 mg/L;
b) emulsões contendo entre 0,5% e 85% v/v de água ec) para tamanhos de gota entre 0,01 prn e 1000 gm.BREVE DESCRIÇÃO DOS DESENHOS
A FIGURA 1 anexa mostra as curvas de aquecimento e potência emfunção do tempo aplicada no Exemplo 1.
A FIGURA 2 anexa mostra curvas de distribuição de tamanho de gotas da emulsão inicial e emulsão amostrada no topo dos frascos 3 e 7após tratamento com micro-ondas (sem adição de LI), para o Exemplo 1.
A FIGURA 3 anexa mostra uma curva de distribuição de tamanho degotas (DTG) da emulsão inicial e emulsão amostrada no topo dos frascos3 e 7 após tratamento (sem adição de aditivo químico) no teste do Exemplo 6.
A FIGURA 4 anexa mostra curvas com a distribuição de tamanho degotas (DTG) da emulsão inicial e emulsão amostrada no topo dos frascos3 e 7 após tratamento (sem adição de aditivo químico) no teste D942 B doExemplo 6.
A FIGURA 5 anexa mostra curvas de aquecimento da água, Ll e
D942 para ensaios de aquecimento conduzidos sob potência constante de1000 W.
A FIGURA 6 anexa mostra curvas de aquecimento da água, Ll eD942 para ensaios de aquecimento conduzidos sob potência constante de500 W.
A FIGURA 7 anexa apresenta de forma gráfica a variação daeficiência de tratamento utilizando omimBF4 e omimPF6 sob distintastemperaturas de processo.
DESCRIÇÃO DETALHADA DA INVENÇÃO
A presente invenção trata de um processo de tratamento deemulsões A/O em presença de líquidos lônicos (Lis), onde o líquido iônicoé adicionado à emulsão A/O, com posterior aquecimento e separação doscomponentes da emulsão, que são então recuperados por qualquer meioconhecido. Opcionalmente o líquido iônico é recuperado para reuso. O processo de acordo com a presente invenção compreende as etapas de:A) Adicionar, sob agitação, uma proporção eficaz de um sal defórmula geral C+ A- existindo na forma líquida a temperaturasabaixo de 150°C, onde A" é um anion é C+ é um cátion o qualpossui no mínimo uma cadeia alquílica hidrofóbica ligada a umgrupo catiônico, a uma emulsão A/O contendo entre 0,5% e 85%v/v de água como fase dispersa em uma fase oleosa, o sal defórmula C+A" sendo usado como tal ou dissolvido em água ou emum solvente orgânico, obtendo uma mistura sal de fórmula C+ A"e emulsão A/O;
B) Aquecer a mistura obtida em a) por um período entre 5 segundose 120 minutos, sob temperaturas entre 25°C e 270°C, sobpressões entre 0,5 bar e 200 bar para efetuar adesemulsificação; e
C) Separar a mistura aquecida em b), por meio do equipamentoseparador, em duas fases distintas: uma primeira fase contendopredominantemente água e uma segunda fase contendo óleo.
Uma etapa opcional é a recuperação do líquido iônico parareutilização.
Dada a afinidade simultânea por fases oleosa e aquosa dos Lis, asemulsões abrangidas pelo escopo da invenção são aquelas quecompreendem uma fase aquosa dispersa em uma fase oleosa contínua, aemulsão sendo sintética ou natural. Como fase aquosa entende-seconforme a invenção desde água destilada até soluções salinas contendoproporções de sais de até 280.000 mg/L.
O processo é especialmente dirigido para emulsões ditas estáveis,com tamanho de gota entre 0,01 m e 200 μm. A proporção de água nasemulsões varia entre 0,5% e 85 % em volume, com valores típicos entre30% e 50% em volume.
A fase oleosa compreende fases oleosas minerais como óleo cru,petróleo e destilados, óleos sintéticos e óleos de origem vegetais, tal comoóleos comestíveis, seja no estado bruto ou refinado, ou quaisquer outrasgraxas como óleos de origem animal. No caso de fases oleosas mineraiscomo o petróleo, são passíveis de tratamento pelo presente processo ospetróleos com grau API na faixa entre 7 e 30.
Os Lls possuem potencial de desemulsificação, sendo consideradosúteis para o processo de tratamento de emulsões A/O da invenção os saiscom fórmula geral: C+A", que existem na forma líquida em temperaturasabaixo de 150°C, onde A" é um ânion e C+ é um cátion o qual possui nomínimo uma cadeia alquílica hidrofóbica ligada a um grupo catiônico.Nestes sais, o caráter anfifílico é dado pelo cátion.
Dentre os Lls úteis para a prática da invenção, embora nãolimitantes, podemos citar os compostos de cátions heteroaromáticos, taiscomo n-alquil-piridínio, 1,3-dialquil-imidazólio, 1,2,3-trialquil-imidazólio, 1,1-dialquil-piperidínio, 1,1-dialquil-pirrolidínio e cátions orgânicos comotrialquil-sulfônio, tetraalquil-amônio ou fosfônio e ânions inorgânicos eorgânicos como Cl", Br", I", BF4", PF6", NO3", (CF3SO2)2N", SbF6", CF3SO3",HSO4", CH3SO3", SCN". Outros ânions orgânicos de interesse podem serbaseados em sulfatos, sulfonatos, fosfatos, acetatos e nitratos. Os gruposalquila presentes possuem entre 1 e 18 átomos de carbono.
Preferencialmente, os líquidos iônicos utilizados são otetrafluoroborato de 1-n-octil-3-metilimidazólio e hexafluorofosfato de 1-n-octil-3-metilimidazólio por apresentarem boa eficiência de separação.
A adição de líquido iônico à emulsão A/O é efetuada até que aconcentração de líquido iônico na emulsão atinja valores na faixa de 0,01μL/g a 100 [lUg.
Os Lls úteis para a invenção podem ser aplicados na forma desistemas mistos, como misturas de Lls e misturas de Ll comdesemulsificante convencional em qualquer proporção, já que tanto os Llscomo os produtos desemulsificantes convencionais possuem mecanismosde atuação semelhantes.Geralmente os líquidos iônicos são empregados dissolvidos em umsolvente, em uma proporção variando de 1:0,01 até 1:100 em volume,sendo o solvente selecionado dentre um solvente orgânico aromático,alifático ou hidroxilado incluindo álcoois e água, onde o solvente aromáticopreferencialmente utilizado é o benzeno. O líquido iônico pode ainda serusado em ausência de solvente.
Embora o processo da invenção tenha sido descrito em linhas geraisno modo batelada, é evidente para os especialistas que o mesmo seaplica, sem nenhuma modificação de maior monta, a processos contínuos.Tais processos são conduzidos em escala de bancada ou na indústria combase em adaptações ao alcance dos técnicos da área.
Quando são usadas micro-ondas como fonte de aquecimento domeio emulsionado, o equipamento de micro-ondas é qualquer dispositivocontendo um emissor de micro-ondas emitindo radiação na freqüênciaentre 1000 MHz e 300.000 MHz.
Conforme a invenção, aquecimento convencional significa o uso dedispositivos de troca térmica e resistência elétrica baseados nosmecanismos de condução e convecção, incluindo o aquecimento por açãoda eletricidade.
As temperaturas de aplicação do presente processo se estendemdesde 25°C até 270°C, este intervalo abrangendo tanto a aplicação noprocessamento primário como também na dessalgação realizada nopetróleo previamente ao refino.
Os tempos de processo vão de desde 5 segundos a 120 minutos.Assim, englobam-se tanto processos em batelada, como processoscontínuos que envolvem baixos tempos de residência.
O processo aqui descrito para o tratamento de emulsões A/O comlíquidos iônicos pode ser empregado conjuntamente com técnicas decentrifugação, separação gravitacional, ultra-som, hidrociclones,separação eletrostática, filtração, separação por membrana ou combina-cão dessas técnicas.
Embora os testes se refiram apenas em pressões reduzidas, não éesperado que a pressão tenha grande influência no mecanismo dedesemulsificação proposto. Assim, é possível aplicar os Lls mesmo em5 processos com pressão elevada. Por isso, as condições de pressãoabsolutas estão compreendidas entre zero e 20 MPa (0 a 200 bar) e sãoaquelas que incluem valores tipicamente empregados nas unidades deprocessamento primário de petróleo (nas unidades de produção) e nasunidades de dessalgação (nas refinarias).
Assim como os produtos desemulsificantes convencionais sãoempregados conjuntamente com técnicas de centrifugação, separaçãogravitacional, ultra-som, etc., a invenção contempla a adição de Llsconcomitante ao emprego de processos de separação dotados deequipamentos convencionalmente utilizados. Os procedimentos de laboratório apresentados a seguir descrevem
o preparo das emulsões, os testes de desemulsificação e a análise dasemulsões, após adição dos líquidos iônicos e/ou exposição à radiação demicro-ondas, empregados nos exemplos descritos.Preparo das Emulsões
As emulsões são preparadas via homogeneização intensa com umdispersor mecânico, empregando um petróleo pesado de grau API 24,6como fase contínua e água destilada e salmoura (concentração de 50 g/Lde NaCI) como fase dispersa.
As emulsões sintetizadas possuem teor de água variando entre aproximadamente 30% - 50% em volume e diâmetro de gota médio entre 3μm e 4 μm, este diâmetro correspondendo a emulsões muito estáveis. Emconseqüência da estabilidade elevada das emulsões sintetizadas com agranulometria fixada, a formação de água livre no processo de quebra viamicro-ondas unicamente é observada com o auxilio da adição de agentesdesemulsificantes. Estes resultados são observados em testes de quebravia aquecimento dielétrico conduzidos à temperatura constante de 90°C etempo de processo de 30 minutos. Nestas mesmas condições, emulsõescom diâmetro médio entre 10 pm - 30 pm apresentaram separação quasecompleta de fases (teor de água da emulsão residual < 1,5%) no processode quebra via micro-ondas sem adição de desemulsificante.Testes de desemulsificação com micro-ondas
São realizados ensaios de quebra de emulsões em reator micro-ondas em presença e ausência de líquidos iônicos ou desemulsificantetipicamente utilizado pela Requerente.
Os ensaios de quebra via micro-ondas são conduzidos em reatorSynthos 3000 da Anton Paar, sob temperatura constante fixada em valoresentre 65°C e 120°C e tempo de processo entre 13 e 30 minutos. Em todosos ensaios são empregados 4 frascos de quartzo localizados nas posições1, 3, 5 e 7 do reator. Todos os frascos são preenchidos com uma massade emulsão de 30 gramas. Além disso, nos frascos localizados nasposições 1 e 5 é adicionada uma quantidade conhecida de líquido iônicoou desemulsificante comercial segundo metodologia apresentada abaixo.Desta forma e para cada ensaio, em dois dos frascos (1 e 5) é avaliado oefeito sinérgico de agente químico e micro-ondas na eficiência da quebra,ao passo que nos outros dois frascos (posições 3 e 7 do rotor) é avaliadounicamente o efeito das micro-ondas na separação.Testes de desemulsificação convencional
Os ensaios de quebra conduzidos sob aquecimento convencionalsão realizados em banho termostático, empregando água como fluidotérmico e frascos de quartzo tipicamente utilizados no reator micro-ondas.
As condições experimentais nos ensaios com aquecimentoconvencional são: temperatura de 90°C e tempo de processo de 45minutos. Este tempo de processo excede o valor empregado nos testesmicro-ondas devido ao processo convencional ser um modo deaquecimento bem mais lento que o aquecimento dielétrico para este tipode sistema. Em ensaios de aquecimento de emulsões de petróleosintetizados com um petróleo de grau API 24,6 verificou-se que taisemulsões quando inseridas nos frascos de quartzo atingem a temperaturade 90°C após 15 minutos do início da troca térmica. Assim o tempo de 45minutos do processo convencional é estabelecido contemplando 15minutos para o aquecimento da amostra e 30 minutos durante os quais aamostra se manteria a temperatura fixada.Adição dos Líquidos lônicos e Desemulsificante
Nos testes apresentados neste relatório são empregados os líquidosiônicos tetrafluoroborato de 1-n-octil-3-metilimidazólio (omimBF4) ehexafluorofosfato de 1-n-octil-3-metilimidazólio e o desemulsificantecomercial Dissolvan 942 (D942) como controle. É evidente para osespecialistas que muitos outros diferentes líquidos iônicos edesemulsificantes comerciais são igualmente úteis para as práticas dapresente invenção, tais variações estando totalmente compreendidas noescopo da presente invenção, que é limitada unicamente pelo teor dasreivindicações anexas.
Para adição de tais produtos químicos nas emulsões sintetizadassão empregadas três metodologias distintas:
a) Homogeneização do LI na emulsão através de mistura manual emfrascos de centrifugação (sistema equivalente ao empregado nostestes de garrafa). Neste sistema a mistura consiste em 90gramas de emulsão e adição de 100 pL de uma solução de LI embenzeno. Esta solução consiste na mistura de 2,01 g de LI e 1mL de benzeno. Proporções desde 1:0,01 até 1:100 em volumede LI/solvente são aceitáveis.
O solvente é um solvente aromático, alifático ou hidroxilado,incluindo álcoois e água. O uso de solvente facilita a mistura doLl na emulsão.
b) Homogeneização do LI na emulsão através de mistura empregan-do dispersor mecânico. Neste sistema a mistura consiste em 180g de emulsão e adição de 200 μL da solução de Ll em benzeno,procurando manter a mesma proporção obtida na etapa anterior,c) Homogeneização do Ll isento de solventes adicionados ou do desemulsificante D942 na forma de solução em tolueno (25% v/v)
na emulsão através de mistura empregando dispersor mecânico.Neste sistema a mistura consiste em 90 g de emulsão e adiçãode volume conhecido do Ll ou 90 g de emulsão e 20 μί dasolução desemulsificante à base de D942.
Análise das Emulsões após os Ensaios
Após os ensaios de quebra as amostras são resfriadas durante 10min até atingir a temperatura de 60°C. Na seqüência, as amostras sãocaracterizadas seguindo distintas metodologias em função do grau deavanço do processo de separação:
a) Amostras que não apresentam formação de água livre: são feitasamostragens da parte superior da emulsão não resolvida erealizadas caracterizações do teor de água (método de titulaçãopotenciométrica empregando reagente de Karl Fischer) edistribuição de tamanho de gota (via difração a laser). Estas caracterizações informam sobre o grau de avanço da
coalescência e/ou da sedimentação gravitacional de gotas deágua.
b) Amostras que apresentam formação de água livre: a fase óleoe/ou emulsão não resolvida é completamente amostrada e caracterizada quanto ao teor de água. A partir destacaracterização é calculada a eficiência da separação (EF) a partirda seguinte equação:Onde: TA0 e TAf representam respectivamente o teor de água inicial daemulsão sintetizada e o teor de água da emulsão não resolvida.
A seguir são apresentados Exemplos ilustrativos da invenção.
EXEMPLO 1
Este Exemplo ilustra o emprego de sistema de aquecimento demicro-ondas, com líquido iônico em duas das amostras inseridas em umreator utilizando o líquido iônico omimBF4, como desemulsificante, commistura manual e adição de Ll previamente solubilizado em benzeno,tendo água destilada como fase dispersa da emulsão.A emulsão sintetizada neste teste apresenta as seguintespropriedades iniciais: teor de água= 31,7% e D(0,5)= 3,5 pm. O tempo deprocesso é de 13,5 minutos.
A Figura 1 apresenta a potência aplicada e as curvas deaquecimento dadas pelos sensores infravermelho e expansão a gás doreator micro-ondas ao longo do experimento. Cabe destacar que o sensora gás está imerso no seio da emulsão do frasco de quartzo localizado naposição 1 e o sensor IR fornece a temperatura do fundo exterior de cadafrasco de quartzo. Devido à elevada espessura do frasco de quartzoexistem diferenças significativas entre as medidas de ambos os sensores.Quando o sistema não apresenta formação de água livre a temperatura dosensor a gás é cerca de 30°C maior que a temperatura determinada pelosensor IR.
À medida que a formaçao de água livre acontece no sistema, estaágua se acumula no fundo do frasco absorvendo uma quantidadesignificativa de radiação micro-ondas que será transformada em calor como conseqüente aumento da temperatura da água separada. Assim, aformação de água livre neste tipo de ensaios pode ser facilmenteidentificada através do aumento da temperatura determinada através dosensor IR.
A Figura 1 apresenta este tipo de comportamento para os frascos 1e 5, nos quais foi adicionado o LI. Destaca-se então o distintocomportamento das curvas de aquecimento em função da adição ou nãode LI.
O resultado observado nas curvas de aquecimento é verificado nofinal do experimento através da determinação da eficiência da separaçãoobtida em cada frasco.
Os frascos 3 e 7 não apresentam formação de água livre, nemtampouco é iniciado o processo de sedimentação gravitacional. Já nosfrascos 1 e 5, nos quais é adicionado Ll1 observa-se a formação de águalivre e eficiências de pelo menos 30%.
A Tabela 1 a seguir lista o teor de água inicial e final e eficiência daseparação (EF%) obtidas no Exemplo 1 para os distintos frascos,designados como FR.
<table>table see original document page 17</column></row><table>
A Figura 2 apresenta a Distribuição de Tamanho de Gota (DTG) daemulsão inicial e das emulsões não resolvidas localizadas nos frascos 3 e7 após tratamento via micro-ondas. Observa-se nas amostras 3 e 7 o iníciodo processo de coalescência através da evolução da distribuição nosentido de tamanhos de gotas maiores. Porém esta coalescência érelativamente suave não sendo suficiente para resultar na formação degotas de diâmetros suficientemente elevados para sedimentaremgravitacionalmente durante o processo. Neste sentido, a emulsão pode serconsiderada bastante estável uma vez que mesmo a aplicação de micro-ondas não é efetiva para iniciar a formação de água livre.
Deve-se também notar que a concentração do Ll empregada nestesexperimentos está no limite inferior da faixa de concentrações citadaacima, empregada nas pesquisas que levaram a Requerente aodesenvolvimento do presente processo, tipicamente equivalente à faixadaquela empregada com desemulsificantes. O efeito da adição destasbaixas concentrações de Ll juntamente com as micro-ondas claramentepromove um aumento na eficiência da quebra da emulsão por efeitosinérgico.
EXEMPLO 2
Neste Exemplo é empregado o sistema de aquecimento micro-ondas e convencional assim como o líquido iônico omimBF4, com misturamanual e adição de Ll solubilizado em benzeno, e água destilada comofase dispersa da emulsão.
O líquido iônico é inserido em duas das amostras inseridas no reatormicro-ondas, assim como no sistema de aquecimento convencional. Aemulsão sintetizada neste teste apresenta as seguintes propriedadesiniciais: teor de água= 32,9% e D(0,5)= 3,1 pm. O tempo de processo é de30 minutos.
As curvas de aquecimento dadas pelos sensores infravermelho eexpansão a gas do reator micro-ondas ao longo deste Exemplo sãosimilares àquelas ilustradas na Figura 1, com o aumento na temperaturado sensor IR dos frascos 1 e 5 mostrando o início do processo deformaçao de água livre devido à adição de LI.
Estes resultados são confirmados pelos dados listados na Tabela 2a seguir onde são apresentados o teor de água inicial e as eficiênciasdeterminadas em cada frasco. Para os frascos com adição de Ll observa-se a formação de água livre e os frascos contendo emulsão sem adição deLl não apresentam nem formação de água livre nem início da sedimenta-ção gravitacional.
<table>table see original document page 19</column></row><table>
A Tabela 2 apresenta também os resultados obtidos no teste comaquecimento convencional com adição de Ll nas mesmas concentraçõesque as empregadas nas amostras submetidas ao aquecimento dielétrico. No final do ensaio convencional não é observada a formação de água livreporém a emulsão situada no topo do frasco apresenta um teor de água de4,4% indicando que o processo de sedimentação gravitacional foi iniciado.
A partir dos resultados apresentados aqui pode-se inferir que olíquido iônico empregado atua como um agente desemulsificante (com mecanismo de ação ainda desconhecido) nas emulsões A/O. Notar queeste efeito não é trivial, uma vez que a natureza tensoativa do Ll poderiainduzir a um incremento da estabilidade da emulsão A/O.
Outro aspecto que pode ser concluído a partir dos dados da Tabela2 é que o efeito desemulsificante do Ll é intensificado com a radiação micro-ondas, sugerindo que a aplicação combinada de Ll e micro-ondas éaspecto altamente promissor para a quebra de emulsões A/O de petróleo.
EXEMPLO 3
Em vista das diferenças significativas nos valores do teor de águafinal obtida nos frascos 1 e 5 inseridos no reator micro-ondas nos Exemplos 1 e 2, e considerando que estas poderiam ser atribuídas àmetodologia de mistura do Ll com a emulsão ser pouco efetiva (sistema demistura manual), são realizados ensaios onde o líquido iônico éhomogeneizado empregando um dispersor mecânico. Além disso, a fim deminimizar o uso de substâncias tóxicas o Ll é adicionado como tal, semser misturado ao benzeno. Neste ensaio é empregado o sistema deaquecimento micro-ondas assim como o líquido iônico omimBF4, ode a mistura é efetuada com a ajuda de um homogeneizador e a adição de Ll éefetuada em ausência de solvente, e a água destilada é utilizada comofase dispersa da emulsão. O líquido iônico é adicionado em duas dasamostras inseridas no reator micro-ondas. A emulsão sintetizada nesteexperimento apresenta as seguintes propriedades iniciais: teor de água=33,4% e D(0,5)= 3,1 pm. O tempo de processo é de 30 minutos.
A potência aplicada e as curvas de aquecimento dadas pelossensores infravermelho e expansão a gás do reator micro-ondas ao longodo experimento do Exemplo 3 são similares àquelas ilustradas na Figura 1,com aumento na temperatura do sensor IR dos frascos 1 e 5, evidenciando o início do processo de formação de água livre devido àadição de LI.
A Tabela 3 apresenta o teor de água inicial e os resultados deeficiência encontrados nas amostras. Novamente as amostras com adiçãode Ll apresentaram formação de água livre e eficiências de separação de aproximadamente 60%. Observa-se que os dois frascos com adição de Llapresentam resultados bem próximos de eficiência. Além disso, os frascos3 e 7 não apresentam formação de água livre nem início do processo desedimentação gravitacional.
<table>table see original document page 20</column></row><table>EXEMPLO 4
Neste ensaio é empregado o sistema de aquecimento micro-ondas econvencional assim como o líquido iônico omimBF4, a mistura é efetuadacom a ajuda de um homogeneizador e a adição de LI é efetuada emausência de solvente, sendo a água destilada a fase dispersa.
O líquido iônico é adicionado em duas das amostras inseridas noreator micro-ondas, assim como no sistema de aquecimento convencional.A emulsão sintetizada neste teste apresenta as seguintes propriedadesiniciais: teor de água= 33,3% e D(0,5)= 3,2 μm e tempo de processo de 30minutos.
Os resultados deste ensaio estão de acordo com os encontradosnos testes anteriores.
A adição de LI no sistema micro-ondas resulta na quebra daemulsão com eficiências de cerca de 50% e valores próximos nos doisfrascos empregados.
As amostras tratadas sem adição de LI apresentam unicamente umaleve coalescência das gotas de água da fase dispersa.
A distribuição de tamanho de gotas para a emulsão inicial e aemulsão não resolvida dos frascos 3 e 7 é similar àquela ilustrada naFigura 2.
A Tabela 4 abaixo apresenta os dados teor de água inicial eeficiência da separação obtida nestes experimentos.
TABELA 4
<table>table see original document page 21</column></row><table>Observa-se que para o sistema submetido ao aquecimentoconvencional as amostras não apresentam formação de água livre (EF=O)1porém a emulsão já iniciou o processo de sedimentação gravitacional,apresentando teores de água abaixo do inicial na emulsão residual situadano topo do frasco. Novamente, o L1 auxilia na desemulsificação do sistemae o seu efeito é acelerado peia ação das micro-ondas.
EXEMPLO 5
Este Exemplo ilustra o emprego do sistema de aquecimento micro-ondas utilizando o líquido iônico omimBF4 e o desemulsificante D942 emduas das amostras inseridas no reator segundo a metodologia de adiçãoc) detalhada acima no presente relatório.
A concentração de desemulsificante D942 na emulsão é de 0,056µL/g. A fase dispersa empregada nestas emulsões é água destiladaresultando nas seguintes propriedades iniciais:
- experimento com D942: teor de água= 32,2% e D(0,5)= 3,2 μm.
- experimento com omimBF4: teor de água= 34,6% e D(0,5)= 3,5 μm.
No ensaio D942 com adição de desemulsificante é realizado umteste em aquecimento convencional com o intuito de comparar o efeito dosmodos de aquecimento convencional e micro-ondas no desempenho dodesemulsificante.
Como nos outros Exemplos, a potência aplicada e as curvas deaquecimento dadas pelos sensores infravermelho e expansão a gás doreator micro-ondas ao longo do ensaio com o líquido iônico omimBF4 A ecom D942 A (em que A designa que o experimento é efetuado emausência de sais adicionados na emulsão) demonstram a formação deágua livre nos frascos 1 e 5 onde é adicionado aditivo químico através doaumento da temperatura do sensor IR. A adição do aditivo químico éimprescindível para a formação de água livre nas condições praticadasnestes ensaios. O resultado observado nas curvas de aquecimento éverificado no final do ensaio através da determinação da eficiência daseparação obtida em cada frasco. Os frascos 3 e 7 não apresentamformação de água livre em ambos os testes, nem tampouco se inicia oprocesso de sedimentação gravitacional. Já nos frascos 1 e 5, com aditivoquímico adicionado, observa-se a formação de água livre e eficiênciaselevadas para ambos os testes.
A Tabela 5 a seguir lista o teor de água inicial e final e eficiência daseparação para os distintos frascos.
<table>table see original document page 23</column></row><table>
Observa-se na Tabela 5 acima que as eficiências atingidas emambos os testes quando usados aditivos químicos são bastante elevadasprincipalmente quando o aditivo empregado é o desemulsificante D942.Neste sentido o desempenho do desemulsificante é ligeiramente superior.Elevadas eficiências também são encontradas em teste de aquecimentoconvencional empregando o desemulsificante D942 a partir da emulsãosintetizada no ensaio com D942 A.
A eficiência deste teste resultou em valores de 83,4%, portantolevemente inferiores aos encontrados no teste com aquecimento micro-ondas, mostrando o que o modo de aquecimento dielétrico acelera a açãodo desemulsificante.
A distribuição de tamanho de gota (DTG) da emulsão inicial e dasemulsões não resolvidas localizadas nos frascos 3 e 7 após tratamento viamicro-ondas para ambos os testes, líquido iônico e desemulsificanteapresentam formatos muito semelhantes àqueles observados para aFigura 2, com início de coalescência porém insuficiente para resultar naformação de gotas de diâmetros suficientemente elevados parasedimentarem gravitacionalmente durante o processo. Neste sentido, aemulsão pode ser considerada bastante estável uma vez que mesmo aaplicação de micro-ondas não é efetiva para iniciar a formação de águalivre.
EXEMPLO 6
Este Exemplo ilustra o emprego do sistema de aquecimento micro-ondas com o líquido iônico omimBF4 Beo desemulsificante D942 B (emque B designa que o experimento é efetuado com o aditivo em presençade NaCI) em duas das amostras inseridas no reator utilizando ametodologia de adição c) detalhada acima no presente relatório. A fasedispersa empregada nestas emulsões é salmoura com concentração deNaCI de 50 g/L. Em ambos os ensaios é empregada a mesma emulsãocom as seguintes propriedades iniciais: teor de água= 31,5% e D(0,5)= 2,8μm. A concentração de desemulsificante D942 é de 0,056 pL/g.
A potência aplicada e as curvas de aquecimento obtidas pelossensores infravermelho e expansão a gás do reator micro-ondas ao longodos ensaios do Exemplo 6 apresentam formato semelhante àquele daFigura 1 e por isto não são representadas.
Os resultados são confirmados pelos dados da Tabela 6 onde sãoapresentadas as eficiências determinadas em cada frasco. Para os frascoscom adição de Ll observa-se a formação de água livre, ao passo que paraos frascos contendo emulsão sem adição de Ll não são observadas nemformação de água livre nem início da sedimentação gravitacional.
Observa-se na Tabela 6 que ambos os aditivos químicos, o Ll e odesemulsificante, produziram resultados de desemulsificação similares nosensaios realizados. A utilização de salmoura como fase dispersa nasemulsões resulta na formação de uma emulsão mais estável que asemulsões empregadas em testes anteriores isentas de NaCI na fasedispersa.
<table>table see original document page 25</column></row><table>
O aumento de estabilidade pode ser comprovado através das curvasde DTG (Distribuição de Tamanho de Gota) medidas no final do teste dequebra para as amostras inseridas nos frascos 3 e 7 (a este respeito, videas Figuras 3 e 4). Observa-se que as DTGs mensuradas após testes dequebra via micro-ondas não apresentam mudanças relevantes quando comparadas com a distribuição da emulsão inicial o que significa que oprocesso de coalescência ainda não foi iniciado. Note-se que nos testescom emulsões isentas de NaCI na fase dispersa observa-se o início dofenômeno de coalescência nas emulsões isentas de aditivo químico. Como aumento na estabilidade da emulsão o desempenho do desemulsificante D942 B na separação é inferior, resultando em menores eficiências dedesemulsificação quando comparadas ao teste D942 A (emulsão isenta deNaCI na fase dispersa). Por outro lado, para estas emulsões maisestáveis, o ensaio realizado com adição de líquido iônico apresentadesempenho equivalente ao observado no teste omimBF4 A (emulsão isenta de NaCI na fase dispersa), resultando inclusive em eficiênciasuperior no caso específico da amostra adicionada no frasco 1. Estesresultados demonstram desempenho aperfeiçoado do Ll em emulsõesonde a fase aquosa contém uma proporção de sais.
EXEMPLO 7
Este Exemplo ilustra o emprego do sistema de aquecimento micro-ondas convencional, empregando o líquido iônico omimPF6, sendo amistura efetuada com a ajuda de um homogeneizador e a adição de Ll éefetuada em ausência de solvente. O líquido iônico é adicionado em duasdas amostras inseridas no reator micro-ondas, assim como no sistema deaquecimento convencional. A fase dispersa empregada nesta emulsão éágua destilada. A emulsão sintetizada neste teste apresenta as seguintespropriedades iniciais: teor de água= 50,9 e D(0,5)= 2,5 μιτ>. O tempo deprocesso é de 30 minutos.
A adição de Ll no sistema micro-ondas resulta na quebra daemulsão com eficiências de cerca 78% e valores próximos nos doisfrascos empregados.
As amostras tratadas sem adição de Ll não apresentam formaçãode água livre porém mostram diminuição do teor de água no topo do frascoindicando o início da sedimentação gravitacional.
Estes resultados mostram que a emulsão sintetizada é menosestável que as emulsões empregadas nos ensaios anteriores devido aoalto teor de água incorporado na emulsão. O aumento do número de gotasda fase dispersa favorece o contato entre as gotas e sua posteriorcoalescência. Desta maneira, são formadas gotas de diâmetro maiorcapazes de sedimentar pela ação de forças gravitacionais.
A Tabela 7 abaixo apresenta os dados de teor de água inicial e finale a eficiência da separação obtida nestes experimentos.
Observa-se que para o sistema submetido ao aquecimentoconvencional as amostras apresentam formação de água livre e aeficiência do processo é de 70,0%, ligeiramente inferior à eficiênciaencontrada nos testes onde há irradiação por micro-ondas. Novamente, oLl auxilia na desemulsificação do sistema e o seu efeito é acelerado pelaação das micro-ondas.
TABELA 7
<table>table see original document page 27</column></row><table>
(*) Teor de água do topo da emulsão não resolvida.
Curvas de aquecimento dielétrico do desemulsificante D942
A fim de determinar se os desemulsificantes possuem taxas deaquecimento equivalentes às observadas para os líquidos iônicos sãoefetuados testes de aquecimento micro-ondas de amostras dedesemulsificante D942 e comparadas às curvas levantadas em estudosanteriores para a água e líquidos iônicos.
O ensaio de aquecimento consiste na irradiação da cavidade micro-ondas onde se encontra o rotor mantendo a potência constante (1000 W e500 W).
O rotor é preenchido com uma amostra de 15 mL dedesemulsificante na posição 1 e com amostras de 15 mL de água nasposições 3, 5 e 7. As Figuras 5 e 6 mostram as curvas de aquecimento(temperatura vs tempo) para os três compostos de interesse: água, Ll e D942.
Observa-se nas Figuras 5 e 6 que o composto que apresentamaiores taxas de aquecimento nas faixas de temperaturas estudadas é oLI. Este resultado é principalmente evidenciado através das curvaslevantadas sob potência constante de 500 W.
No que se refere ao aquecimento de desemulsificante, observa-separa ambos os testes uma temperatura limiar de aproximadamente 90°C apartir da qual o sistema atinge taxas de aquecimento nulas. O resultadoobservado nas amostras do desemuisificaníe D942 pode ter sidopromovido por algum dos solventes empregados na solubilização dodesemulsificante.
Outra condição experimental que influencia bastante a eficiência dadesemulsificação é a temperatura do processo.
A Figura 7 apresenta de forma gráfica os resultados dos ensaiospara o omimBF4 e os ensaios para o omimPF6, conduzidos sob distintastemperaturas de processo.
As condições empregadas nestes testes são: tempo de processo de30 minutos, teor de água da emulsão próximo de 30%, fase dispersa águadestilada, diâmetro médio das gotas no entorno de 3 pm e perfil deaquecimento rápido. Cabe destacar que o perfil de aquecimento definidopermite atingir a temperatura desejada em cada ensaio em até 3 minutos,mesmo para os testes conduzidos à maior temperatura de 120°C.
Observa-se a partir da Figura 7 o aumento na eficiência datratamento com a temperatura do processo. Este efeito é particularmenteintensificado para os testes realizados com o omimPF6. A influência datemperatura observada nestes ensaios pode ser explicada pelo fato que astaxas de coalescência e sedimentação das gotas de água assim como aviscosidade da fase óleo e a velocidade de difusão dos líquidos iônicos àinterfase devem ser largamente influenciadas pela temperatura, resultandonuma cinética de desemulsificação mais rápida quando aplicadas maiorestemperaturas.

Claims (21)

1. PROCESSO PARA O TRATAMENTO DE EMULSÕES ÁGUA/ÓLEO,caracterizado por compreender as etapas de:a) Adicionar, sob agitação, uma proporção eficaz de um sal defórmula geral C+ A" existindo na forma líquida a temperaturasabaixo de 150°C, onde A" é um anion é C+ é um cátion o qualpossui no mínimo uma cadeia alquílica hidrofóbica ligada a umgrupo catiônico, a uma emulsão A/O contendo entre 0,5% e 85%v/v de água como fase dispersa em uma fase oleosa, o sal defórmula C+A" sendo usado como tal ou dissolvido em água ou emum solvente orgânico, obtendo uma mistura sal de fórmula C+ A"e emulsão A/O;b) Aquecer a mistura obtida em a) por um período entre 5 segundose 120 minutos, sob temperaturas entre 25°C e 270°C, sobpressões entre 0,5 bar e 200 bar para efetuar adesemulsificação; ec) Separar a mistura aquecida em b), por meio do equipamentoseparador, em duas fases distintas: uma primeira fase contendopredominantemente água e uma segunda fase contendo óleo.
2. Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por otamanho de gota da emulsão A/O ser de pelo menos 0,01 μm e até 1000 μm.
3. Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por a faseoleosa da emulsão A/O ser mineral, incluindo petróleos e destilados.
4. Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por a faseoleosa da emulsão A/O ser óleo cru.
5. Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por a faseoleosa da emulsão A/O ser um óleo sintético.
6. Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por a faseaquosa da emulsão A/O conter de zero até 280.000 mg/L de sais.
7. Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por a faseoleosa da emulsão A/O ser um óleo vegetal ou animal.
8. Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por o sal defórmula geral C+ A" compreender líquidos iônicos de cátionsheteroaromáticos selecionados dentre n-alquil-piridínio, 1,3-dialquil-imidazólio, 1,2,3-trialquil-imidazóiio, 1,1-diaiquil-piperidínio, 1,1-dialquil-pirrolidínio, cátions orgânicos selecionados dentre trialquil-sulfônio,tetraalquil-amônio, fosfônio e ânions inorgânicos e orgânicosselecionados dentre Cl", Br", I", BF4", PF6", NO3", (CF3SO2)2N", SbF6",CF3SO3", HSO4", CH3SO3", SCN, e à base de sulfatos, sulfonatos,fosfatos, acetatos e nitratos, tendo o comprimento da cadeia dosgrupos alquila entre 1 e 18 átomos de carbono.
9. Processo, de acordo com a reivindicação 8, caracterizado por o líquidoiônico ser tetraf Iuoroborato de 1-n-octil-3-metilimidazólio ehexafluorofosfato de 1-n-octil-3-metilimidazólio.
10. Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por aconcentração do sal de fórmula geral C+A" (líquido iônico) na emulsãoser estar na faixa de 0,01 ul/g e até 100 pL/g.
11. Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por olíquido iônico ser usado em mistura com outro(s) líquido(s) iônico(s)e/ou desemulsificante(s) convencional(ais) em qualquer proporção.
12. Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por olíquido iônico ser usado em ausência de solvente adicionado.
13. Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por olíquido iônico ser usado dissolvido em um solvente selecionado dentreum solvente orgânico aromático, alifático ou hidroxilado incluindoálcoois e água.
14. Processo, de acordo com a reivindicação 13, caracterizado por osolvente orgânico aromático ser benzeno.
15. Processo, de acordo com as reivindicações 12, 13 e 14, caracterizadopor a proporção de líquido iônico para solvente ser de 1:0,01 até 1:100 em volume.
16. - Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por olíquido iônico ser recuperado após o processo de separação daemulsão A/O para reutilização.
17. - Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por oaquecimento ser aquecimento convencional incluindo eletricidade.
18. - Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por oaquecimento ser efetuado por aplicação de micro-ondas através deum dispositivo contendo um emissor de micro-ondas emitindoradiação na freqüência entre 1.000 MHz e 300.000 MHz.
19. - Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por serefetuado no modo em batelada.
20. - Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por serefetuado de modo contínuo.
21. - Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado por otratamento da emulsão A/O com líquidos iônicos ser empregadoconjuntamente com técnicas de centrifugação, separaçãogravitacional, ultra-som, hidrociclones, separação eletrostática,filtração, separação por membrana ou combinação dessas técnicas.
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