BRPI0919901B1 - A stable sterile water-soluble liquid nitrogenous composition, a method for the production of a composition, and the use of a composition - Google Patents

A stable sterile water-soluble liquid nitrogenous composition, a method for the production of a composition, and the use of a composition Download PDF

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Hougee Sander
Joanna Bernadette Molenaar-Groenendaal Marike
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N. V. Nutricia
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Description

“COMPOSIÇÃO NUTRICIONAL LÍQUIDA AQUOSA ESTÉRIL ESTÁVEL EM PRATELEIRA, MÉTODO PARA A PRODUÇÃO DE UMA COMPOSIÇÃO, E, USO DE UMA COMPOSIÇÃO” CAMPO DA INVENÇÃO A invenção se refere a uma composição aquosa líquida nutricional estável para armazenagem que compreende pelo menos caseína não micelar, uma quantidade elevada de gordura, e opcionalmente um sistema de estabilização térmica. Tal composição nutricional é adequada para pessoas com um trato gastrointestinal funcional (parcialmente), que não são dispostas e/ou incapazes de consumir quantidades suficientes de alimentos convencionais para satisfazer as suas necessidades nutricionais. A composição nutricional de acordo com a invenção é especialmente adequada para pessoas desnutridas ou pessoas em risco de desnutrição, e com necessidade de alimentação oral líquida. FUNDAMENTOS DA INVENÇÃO Problema clínico As composições ou suplementos líquidos de alta energia são um último recurso para as pessoas gravemente doentes que dificilmente são capazes de tomar por via oral na nutrição e/ou fluidos para manter um nível nutricional adequado.
Tipicamente, tais pessoas podem ser, por exemplo·, pessoas com vários tipos de câncer esofãgico, acidentes vasculares cerebrais, distrofia neuro museu lar, doença de Parkinson, anorexia, insuficiência renal, pessoas em tratamento de câncer que causa náuseas e vômitos, resultando em uma interrupção mais ou menos longa dc hábitos alimentares normais da pessoa, ou pessoas com uma ingestão restrita de líquidos. Tais pessoas correm o risco de se tornar desnutridas e uso pode ser feito, por exemplo, de nutrição de tubo enteral, nutrição intravenosa ou nutrição oral concentrada, tal como nutrição com alto teor de energia, alto teor de gordura ou alto teor de proteína.
Esta invenção diz respeito a uma composição nutricional aquosa líquida com alto teor de gordura - alto teor de energia estável para armazenagem, de preferência como um suplemento. Além disso, dita composição ou suplemento nutricional aquosa líquida com alto teor de gordura - alto teor de energia estável para armazenagem, também pode se prefigurada para a pessoa metabolicamente estressada, esportistas, idosos, ou qualquer pessoa que necessite para o controle das condições que requerem nutrição com alto teor de energia e/ou alto teor de gordura.
Problema técnico Várias composições líquidas com alto teor de gordura - alto teor de energia têm sido descritas na literatura. A US 2002/0192354 (Fuchs et al., 2002) descreve um suplemento oral líquido caloricamente densa, incluindo caseinato ou caseína ácida e proteína de soja, que fornece pelo menos 15 % do valor calórico total do produto. O produto possui uma densidade calórica de pelo menos 2,25 calorias por ml. A Tabela 1 descreve uma composição contendo 13 g de gordura por 100 ml. A US 4 690 820 (Vlado Simko, 1987) descreve uma fórmula aquosa dietética com alto teor de gordura - alto teor de energia com 3,6 kcal/ml que compreende 30 g/100 ml de gordura (óleo vegetal) e 6 g/100 ml de caseinato de cálcio, adequada para pessoas criticamente doentes. A US 4.921.877 (Cashmere et al., 1990) descreve a fórmula enteral nutricionalmente completa para o controle dietético de pacientes com hiperglicemia, tais como aqueles com diabetes melito ou hiperglicemia induzida pelo estresse. A fórmula compreende cerca de 33 En % de carboidratos, cerca de 50 En % de gordura e cerca de 17 En % de proteína. A DE 43 04 394 descreve uma composição nutricional enteral tendo uma composição específica de ácidos graxos. Ela tipicamente compreende cerca de 40 a 65 En % de gordura. Nos exemplos, as quantidades de gordura são mais baixas do que 9 g por 100 ml. A US 5.470.839 descreve um suplemento nutricional para uma composição de diabético. De acordo com o exemplo, as quantidades de gordura de cerca de 5 g por 100 ml. A US 5.571.553 diz respeito a um produto alimentício compreendido de um lipídeo estruturado parcialmente hidrogenado em uma quantidade de 40 a 80 %, e de 20 a 60 % de componentes sem gordura. O alimento preferido é uma barra de chocolate.
Um produto, semelhante ao descrito na publicação de patente acima, Pro-Cal Shot™ (Vitaflo International Ltd) é comercializado como uma emulsão aquosa líquida com alto teor de gordura e alto teor de calorias 3,34 kcal/ml compreendendo 28,2 g/100 ml de gordura e 6,7 g de proteína. A WO 03/017774 (ISIS Innovation Ltd., 2003) descreve uma emulsão aquosa rica em gordura palatável compreendendo 50 g/100 ml de óleo e menos do que 1 g/100 ml de proteína como parte de um pó de cacau (Exemplo 1), adequada para a fácil ingestão. Dita composição não é esterilizada.
Além disso, vários produtos foram descritos que liberam grandes quantidades de gordura, tais como Calogen (SUS), e Microlipid (Nestlé), ambas uma emulsão com 50 % de gordura e 4,5 kcal/ml, porém estes produtos não contêm substancialmente uma fonte de proteína.
Da mesma forma, Resource Benecalorie (Nestlé) é um suplemento de gordura/proteína caloricamente denso de 7 kcal/ml, contendo 91 % em peso de gordura e 9 % em peso de caseína, porém não contendo qualquer água.
Creme usual, derivado de leite desnatado, possui geralmente um teor de gordura de 40 g/100 ml, mas necessita ser padronizado em um teor de gordura de 15 a 25 g/100 ml antes de serem esterilizado. A adição de gordura adicional, tal como descrito na EP 1 815 748 Al (Campina, 2007), mesmo com um espessante como um auxiliar de processamento, é ainda limitada em um teor máximo de gordura de 30 g/100 ml.
Um dos problemas técnicos associados as composições nutricionais que compreendem proteína e uma quantidade de gordura acima de 30 g/100 ml, é a fraca estabilidade térmica. Para atender e qualificar como um produto nutricional comercial, um produto nutricional, assim como o produto de acordo com a invenção deve ser capaz de suportar a esterilização para garantir uma certa qualidade microbiológica. Para garantir ainda mais uma longa vida de prateleira, o produto deve ser estável para armazenagem, o que significa que nenhuma sedimentação, segregação, agregação, floculação ou geleificação dos componentes individuais deve ocorrer após o tratamento térmico.
Outro problema com uma formulação aquosa com alto teor de gordura é o aumento do risco de inversão da emulsão com concentração de gordura crescente, isto é, de emulsões de óleo em água para água em óleo. O problema técnico é ainda mais complicado quando a composição nutricional de acordo com a invenção é enriquecida com minerais, elementos traço e vitaminas, tais como cálcio e vitamina D, ou deve ter uma relação de Ca:P acima de 1, visto que estes componentes tendem a reagir com os outros ingredientes, levando à sedimentação.
Na técnica anterior, ditos problemas foram contornados, por exemplo, através da provisão de formulações em pó seco compreendendo até 39 % em peso de gordura e aminoácidos livres (EP 925 726 Al (Pellico)). SUMÁRIO DA INVENÇÃO
Foram agora bem sucedidos em fornecer uma composição nutricional aquosa líquida estável para armazenagem compreendendo pelo menos caserna não micelar, tendo mais do que 30 g de gordura por 100 ml de dita composição nutricional líquida aquosa, e opcionalmente um sistema de estabilização térmica.
Em uma forma de realização, a presente invenção fornece composição nutricional aquosa líquida estável para armazenagem que compreende pelo menos caseína não micelar, tendo um teor de gordura entre 35 e 50 g por 100 ml de dita composição nutricional aquosa líquida, dita composição opcionalmente compreendendo um sistema de estabilização térmica.
Em outra forma de realização, a presente invenção fornece uma composição nutricional aquosa líquida estável para armazenagem que compreende pelo menos caseína não micelar, tendo um teor de gordura de cerca de 40 g por 100 ml de dita composição nutricional aquosa líquida, dita composição opcionalmente compreendendo um sistema de estabilização térmica.
Em outra forma de realização, a presente invenção fornece uma composição nutricional aquosa líquida estável para armazenagem que compreende pelo menos caseína não micelar, tendo um teor de gordura de mais do que 30 g por 100 ml, de preferência um teor de gordura entre 35 e 50 g por 100 ml, mais preferivelmente tendo um teor de gordura de cerca de 40 g por 100 ml, em que o teor de caseína não micelar é de pelo menos 1 g por 100 ml, em que todas as concentrações são calculadas com base na composição nutricional aquosa líquida total. A composição opcionalmente compreende um sistema de estabilização térmica.
Em outra forma de realização, a presente invenção fornece uma composição nutricional aquosa líquida estável para armazenagem que compreende pelo menos caseína não micelar, tendo um teor de gordura de mais do que 30 g por 100 ml, de preferência um teor de gordura entre 35 e 50 g por 100 ml, mais preferivelmente tendo um teor de gordura de cerca de 40 g por 100 ml, em que o teor de caseína não micelar varia entre 4 e 10 g por 100 ml, em que todas as concentrações são calculadas com base na composição nutricional aquosa líquida total. A composição opcionalmente compreende um sistema de estabilização térmica.
Em outra forma de realização, a presente invenção fornece uma composição nutricional aquosa líquida estável para armazenagem que compreende pelo menos caseína não micelar, tendo um teor de gordura de cerca de 40 g por 100 ml, em que o teor de caseína não micelar é de cerca de 5 g por 100 ml, em que todas as concentrações são calculadas com base na composição nutricional aquosa líquida total. A composição opcionalmente compreende um sistema de estabilização térmica.
Adicional ou altemativamente, a composição nutricional de acordo com a invenção pode conter carboidratos digeríveis, minerais, elementos traço e vitaminas em quantidades suficientes para satisfazer a porção diária recomendada.
DESCRIÇÃO DETALHADA DA INVENÇÃO A invenção se refere a uma composição nutricional aquosa líquida estável para armazenagem que compreende pelo menos uma caseína não micelar, mais do que 30 g de gordura por 100 ml de dita composição, e opcionalmente compreendendo um sistema de estabilização térmica.
Gordura A composição nutricional aquosa líquida estável para armazenagem de acordo com a invenção é direcionada às composições que compreendem mais do que 30 g de gordura por 100 ml da dita composição. É comumente sabido que 30 g por 100 ml é atualmente um limite prático na produção de ditas composições nutricionais aquosas líquidas estáveis para armazenagem com um alto teor de gordura.
Com relação ao tipo de gordura, uma ampla escolha é possível, contanto que a gordura seja de qualidade alimentícia. A gordura pode incluir triglicerídeos de cadeia média (MCT, principalmente de 8 a 10 átomos de carbono de comprimento), triglicerídeos de cadeia longa (LCT) ou qualquer combinação dos dois tipos.
Os MCTs são benéficos porque eles são facilmente absorvidos e metabolizados. Além disso, o uso dos MCTs irá reduzir o risco de má absorção de nutrientes.
As fontes de LCT, tais como óleo de colza, mais em particular óleo de colza reduzido em ácido erúcico, óleo de girassol, óleo de milho, gordura de palmiste, gordura de coco, óleo de palma, ou misturas destes, são preferíveis porque eles fornecem mais energia por unidade de gordura.
Em uma forma de realização, a gordura é uma gordura líquida, isto é, um óleo.
Em uma forma de realização, a gordura compreende de 30 a 60 % em peso de gordura animal ou algácea, de 40 a 70 % em peso de gordura vegetal e opcionalmente de 0 a 20 % em peso de MCTs com base na gordura total da composição nutricional de acordo com a invenção. A gordura animal preferivelmente compreende uma baixa quantidade de gordura do leite, isto é, mais baixa do que 6 % em peso, especialmente mais baixa do que 3 % em peso. Em particular, uma mistura de óleo de milho, óleo e ovo e/ou óleo de canola e quantidades específicas de óleo de origem marinha são usados. Óleos de ovo, óleos de peixe e óleos de algas são uma fonte preferida de gorduras não vegetais. Os óleos de origem marinha contendo DHA e/ou EPA estão preferivelmente presentes na composição nutricional de acordo com a invenção em uma quantidade mais baixa do que 25 % em peso, preferivelmente mais baixa do que 15 % em peso da gordura para obter um efeito máximo de saúde, tal como, por exemplo, a prevenção dos riscos cardiovasculares. A quantidade de EPA varia preferivelmente entre 4 % em peso e 15 % em peso, mais preferivelmente entre 8 % em peso e 13 % do peso da gordura.
Caseína não micelar A composição nutricional líquida de acordo com a invenção compreende uma caseína não micelar. A descoberta de que uma caseína não micelar é essencial na produção de uma formulação termoestável de acordo r com a invenção é muito surpreendente. E sabido que o caseinato atua como um emulsificante em emulsões aquosas de gordura, tais como o creme. Mas também é sabido e tem sido descrito que a estabilidade térmica do creme se deteriora quando quantidades crescentes de caseína estão cobrindo a interface óleo-água dos glóbulos de gordura. (Walstra et al Daiiy Science and Technology, Second de. CRC Press - Taylor & Francis Group, Boca Raton, 2006, página 448).
Observou-se que uma pequena quantidade de uma caseína não micelar melhora a estabilidade térmica da composição líquida nutricional de acordo com a invenção. A quantidade de caseína não micelar pode ser rotineiramente selecionada pela pessoa versada e depende da quantidade de outros ingredientes. De preferência, a quantidade de caseína não micelar na composição nutricional de acordo com a invenção é pelo menos 1 g por 100 ml de dita composição. Em outra forma de realização a quantidade de caseína não micelar na composição nutricional de acordo com a invenção varia entre 1 e 10 g por 100 ml de referida composição, preferivelmente entre 1 e 6 g por 100 ml de dita composição.
Preferivelmente, a caseína não micelar é caseinato de sódio, caseinato de potássio ou uma mistura dos mesmos. Quando a composição nutricional ainda compreende uma caseína micelar, tal como caseinato de cálcio, a composição deve conter pelo menos de 20 a 40 % em peso, de preferência de 25 a 35 % em peso de caseína não micelar em relação à quantidade total de caseína micelar e não micelar/caseinato na composição nutricional de acordo com a invenção. A composição nutricional de acordo com a invenção pode beneficamente compreender outros emulsificantes. Um exemplo de emulsificantes comumente conhecidos são fosfolipídios. Preferivelmente, a composição nutricional de acordo com a invenção compreende de 0,1 a 50 % em peso de fosfolipídios, com base no peso total de lipídeos, mais preferivelmente de 0,5 a 20 % em peso, mais preferivelmente entre 1 e 5 % em peso, com base no peso total do lipídeos. Preferivelmente, a composição nutricional de acordo com a invenção compreende um fosfolipídio selecionado do grupo de fosfatidil colina, fosfatidil etanolamina, fosfatidil serina e fosfatidil inositol, ou uma mistura dos mesmos. Além da sua função emulsificante, os fosfolipídios podem beneficamente melhorar a função da membrana, permitindo assim um melhor funcionamento das diferentes partes do cérebro que desempenha um papel (principal) na capacidade de executar atividades diárias, tais como em pessoas idosas. Uma fonte comum de fosfolipídios é a lecitina de soja.
Proteína A composição nutricional de acordo com a invenção opcionalmente compreende pelo menos uma segunda proteína diferente da caseína não micelar. Em uma forma de realização, a composição nutricional de acordo com a invenção compreende como a segunda proteína uma proteína de leite, selecionada do grupo de proteínas de soro intactas, hidrolisado de proteína de soro (WPH), caseinato de cálcio, caseína micelar (MCI) e misturas dos mesmos. Em outra forma de realização, a composição nutricional de acordo com a invenção compreende como a segunda proteína uma proteína vegetal, de preferência selecionada do grupo de ervilha, trigo, arroz, batata, soja, milho e misturas destes. Em outra forma de realização, a composição nutricional de acordo com a invenção compreende uma mistura de proteína de leite e proteína vegetal. A segunda proteína pode ser a proteína intacta, proteína hidrolisada, proteína parcialmente hidrolisada ou misturas dos mesmos.
Preferivelmente, a composição nutricional de acordo com a invenção compreende entre 0,1 e 10 g da segunda proteína por 100 ml de dita composição, mais preferivelmente entre 0,1 e 8 g por 100 ml de dita composição, ainda mais preferivelmente entre 0,1 e 6 g por 100 ml em relação ao volume total da composição nutricional de acordo com a invenção. Têm trabalhado e demonstrado a invenção usando dois sistemas de proteína comum, um sistema de proteína compreendendo caseína micelar (MCI), e um sistema de proteína compreendendo hidrolisado protéico de soro (WPH). Preferivelmente, a segunda proteína é selecionada do grupo de hidrolisado protéico de soro (WPH), caseína micelar (MCI) e misturas destes.
Sistema de estabilização térmica A fim de regular a estabilidade térmica, a composição nutricional de acordo com a invenção pode incluir um sistema de estabilização térmica. Com a expressão “sistema de estabilização térmica” entende-se qualquer composto ou mistura de compostos, de natureza orgânica ou inorgânica, que impede a composição nutricional da invenção de sedimentar, segregar, agregar, flocular, gelifícar ou deteriorar de qualquer outra maneira após a esterilização tal que uma composição nutricional estável para armazenagem não pode ser obtida. O sistema de estabilização térmica é particularmente preferido se a composição compreende como uma segunda proteína uma proteína de leite selecionada do grupo de proteína de soro intacta, hidrolisado protéico de soro (WPH), caseinato de cálcio, caseína micelar (MCI), e misturas dos mesmos. Particularmente estas proteínas podem requerer a estabilização térmica quando submetidas a um tratamento térmico, tal como uma etapa de pasteurização e/ou esterilização. O sistema de estabilização térmica também é preferivelmente utilizado quando quantidades de íons de Ca necessitam ser adicionadas à composição nutricional, como pode ser o caso quando uma composição nutricional aquosa líquida estável para armazenagem for obtida com quantidades adicionais de cálcio para atingir uma nutrição (mais) completa. O sistema de estabilização térmica é preferivelmente utilizado quando quantidades de cálcio estão presentes na composição nutricional aquosa líquida estável para armazenagem acima de 10 mg, tal como mais do que 20, 30, 40, 50, 60, 70, 80, 90, 100, 110, 120, 130, 140,150,160,170,180,190 ou mais do que 200 mg de Ca por 100 ml.
Embora muitos sistemas de estabilização térmica possam ser previstos, surpreendentemente verificou-se que um sistema de estabilização térmica compreendendo citrato de potássio (também chamado de citrato de tripotássio), di-hidrogeno fosfato de potássio, ou misturas destes, é uma escolha preferida. Mais em particular, no caso a segunda proteína principalmente compreende caseína micelar, preferivelmente, o sistema de estabilização térmica principalmente compreende citrato de potássio. Mais em particular, no caso a segunda proteína principalmente compreende hidrolisado protéico de soro, de preferência, o sistema de estabilização térmica principalmente compreende di-hidrogeno fosfato de potássio. Surpreendentemente, e embora a necessidade de uma composição nutricional de alto teor de gordura de estabilidade térmica seja uma necessidade há muito sentida, tal sistema de estabilização térmica não foi descrito para uma formulação com um alto teor de gordura. Sem ser limitado pela teoria, foi assumido que o cálcio livre, presente na formulação e responsável, por exemplo, pela geleificação durante o tratamento térmico, é efetivamente ligado pelo fosfato ou citrato adicionado. O fosfato é utilizado de forma mais eficaz no caso de caseína micelar, pois não extrai tais grandes quantidades de Ca das micelas como citrato como faria, tal que as micelas intumescem e dão origem tanto a um aumento da viscosidade quanto da geleificação. Além disso, o complexo de Ca-fosfato se precipita nas micelas e permanece em suspensão, enquanto um complexo de Ca-citrato se precipitaria muito mais facilmente. No contexto desta invenção, com “principalmente” significa mais do que 50 % em peso ou em volume, mais preferivelmente mais do que 60 %, 70 %, 80 %, 90 %, 95 % ou 99 % em peso ou em volume, e o mais preferível cerca de 100 % em peso ou em volume.
Outros estabilizantes Preferivelmente, a composição nutricional de acordo com a invenção ainda compreende um estabilizante de precipitação de modo a evitar que os componentes insolúveis, especialmente minerais insolúveis, se precipitem. Os estabilizantes de precipitação comuns podem ser selecionados do grupo de celulose, goma xantana, goma gelano, alginato, goma guar, goma de alfarroba, goma caraia, goma tragacanto, carragenano e misturas destes. Uma escolha preferida é um estabilizante de precipitação à base de celulose selecionado do grupo de celulose de alta viscosidade e derivados de celulose tais como, por exemplo, hidroxietil celulose, hidroxipropil metil celulose, carboximetil celulose (CMC), celulose microcristalina (MCC) e metil celulose, e misturas dos mesmos. Uma escolha mais preferida é uma mistura de carboximetil celulose e celulose microcristalina (CMC/MCC). Carboidratos digeríveis Vantajosamente, a composição nutricional de acordo com a invenção opcionalmente compreende um carboidrato digerível. Embora a maior parte da energia nutricional seja fornecida pela gordura, um carboidrato de fácil digestão pode ser incluído na composição nutricional de acordo com a invenção para aumentar a energia nutricional, e com um propósito adicional, por exemplo, para melhorar o flavor, ou ter um efeito vantajoso sobre e acima dos efeitos nutricionais da composição nutricional de acordo com a invenção. A composição nutricional de acordo com a invenção pode compreender um teor de carboidrato de fácil digestão entre 1 e 50 gramas por 100 ml, em relação ao volume total da composição nutricional de acordo com a invenção, de preferência entre 1 e 30 g por 100 ml, mais preferivelmente entre 1 e 10 g por 100 ml, o mais preferível entre 1 e 5 g por 100 ml, mais preferivelmente igual a cerca de 5 g por 100 ml, em relação ao volume total da composição nutricional de acordo com a invenção. A composição nutricional de acordo com a invenção pode abranger qualquer fonte de carboidratos que pode ser de ocorrência natural, sintética, ou desenvolvida através da manipulação genética de organismos. Por exemplo, fontes de carboidrato que são adequadas para uso na composição nutricional de acordo com a invenção podem incluir, mas não estão limitados a elas, sólidos de xarope de milho, maltodextrina, açúcares tais como glicose, frutose, dextrose, lactose, galactose, isomaltulose, sacarídeos, sacarose e maltose; alcoóis de açúcar, tais como sorbitol, manitol e xilitol; xaropes tais como maltitol, xarope de milho, xarope de arroz e xarope de milho com alto teor de frutose; e qualquer mistura dos mesmos. Agentes flavorizantes A composição nutricional de acordo com a invenção também pode conter um agente flavorizante, natural, artificial ou uma mistura dos mesmos. A incorporação de um agente flavorizante aumenta a capacidade palatável da composição nutricional de acordo com a invenção, facilitando assim a sua ingestão e concedendo um flavor agradável à composição nutricional. Embora a composição nutricional de acordo com a invenção sem um agente flavorizante já tenha um gosto agradável, em contraste com as composições nutricionais com alto teor de gordura da técnica anterior, a adição de um agente flavorizante para conceder um flavor particular pode melhorar ainda mais a capacidade palatável, aumentando assim o consentimento do paciente. Muitas vezes os flavores utilizados são chocolate, baunilha, café, caramelo, canela, morango, limão, pêssego, laranja, frutas do bosque, e.a. A composição nutricional de acordo com a invenção também pode conter um adoçante artificial, tal como, por exemplo, sacarina, aspartame e outros mais. Outras formas de realização serão claras para aqueles versados na técnica.
Vitaminas, minerais e outros componentes nutricionais A composição nutricional de acordo com a invenção pode conter uma variedade de vitaminas e minerais. Quando a composição nutricional for planejada como nutrição completa, a composição nutricional de acordo com a invenção preferivelmente inclui pelo menos 100 % da United States Recommended Daily Allowance (USRDA) de vitaminas e minerais em uma porção de um litro, mais preferivelmente pelo menos 35 % da United States Recommended Daily Allowance (USRDA) de vitaminas e minerais em uma porção de 100 ml.
Em uma forma de realização da presente invenção, a composição de acordo com a invenção fornece todas as vitaminas e minerais necessários. Por exemplo, a composição de acordo com a invenção preferivelmente fornece 6 mg de zinco por 100 ml da composição que é benéfico para o reparo do tecido em uma pessoa que está se curando. Preferivelmente, a composição de acordo com a invenção (também) fornece 25 mg de vitamina C por 100 ml da composição para ajudar as pessoas com necessidades de cura mais graves. Além disso, de preferência, a composição de acordo com a invenção (também) fornece 2,25 mg de ferro por 100 ml da composição. O ferro é benéfico na manutenção de fluidos corporais assim como as funções do sistema circulatório em uma pessoa idosa.
Em outra forma de realização da presente invenção, a quantidade de íons divalentes na composição nutricional de acordo com a invenção varia entre 170 e 230 mg por 100 ml da dita composição e preferivelmente entre 180 e 220 mg por 100 ml da dita composição. De preferência, a quantidade de cálcio varia entre 155 e 185 mg por 100 ml de dita composição e preferivelmente entre 160 e 180 mg por 100 ml de dita composição. O teor de fósforo pode estar acima de 10 mg por g de proteína, com uma relação de peso de cálcio para fósforo entre 1,0 e 2,0, de preferência entre 1,1 e 1,7. Camitina pode vantajosamente estar presente em uma quantidade de 8 a 1000 mg por 100 ml de dita composição, de preferência em uma quantidade de 10 a 100 mg por 100 ml de dita composição; pode ter a forma de camitina, alquil camitina, acil cartinina ou misturas dos mesmos. Os ácidos orgânicos estão preferivelmente presentes em um nível entre 0,1 a 0,6 g por 100 ml de dita composição, especialmente entre 0,25 g a 0,5 g por 100 ml de dita composição. Estes ácidos incluem ácidos graxos curtos tais como ácido acético, ácidos de hidróxi tais como ácido lático, ácido glucônico e preferivelmente ácidos de hidróxi polivalentes, tais como ácido málico e ácido cítrico. Em uma forma de realização da presente invenção, a presente composição também compreende ácido cítrico.
Em outra forma de realização da presente invenção, a composição nutricional de acordo com a invenção é planejada como um suplemento, portanto, ele pode conter as vitaminas, minerais e outros componentes nutricionais anteriormente mencionados em uma quantidade acima mencionada mais baixa ou ainda mais elevada.
Carboidratos não digeríveis A composição nutricional enteral líquida de acordo com a invenção pode opcionalmente ser fortificada com carboidratos não digeríveis (fibras dietéticas), tais como fruto-oligossacarídeos e inulina.
Em uma forma de realização da presente invenção, a composição nutricional de acordo com a invenção compreende de 0,5 g a 12 g de carboidratos não digeríveis por 100 ml de dita composição. As fibras dietéticas podem incluir oligossacarídeos não digeríveis tendo um DP de 2 a 20, de preferência de 2 a 10. No entanto, é preferível que as fibras dietéticas incluam oligossacarídeos não digeríveis tendo um DP de pelo menos 3, que traz a definição das fibras dietéticas em conformidade com a EU Directive 90/496 EEC sobre a rotulagem nutricional dos gêneros alimentícios que enfiou em vigor em 29 de outubro de 2008. Mais preferivelmente, estes oligossacarídeos não contêm quantidades substanciais de sacarídeos fora destas faixas de DP, e eles são solúveis. Estes oligossacarídeos podem compreender fruto-oligossacarídeos (FOS), trans-galacto-oligossacarídeos (TOS), xilo-oligossacarídeos (XOS), oligossacarídeos de soja, e outros mais. Opcionalmente, também os compostos de peso molecular mais elevado tais como inulina, celulose, amido resistente e outros mais podem ser incorporados na composição de acordo com a invenção. A quantidade de carboidratos não digeríveis insolúveis tais como a celulose é preferivelmente mais baixa do que 20 % em peso da fração de fibra dietética da composição de acordo com a invenção, e/ou abaixo de 0,4 g/100 ml. A quantidade de polissacarídeos espessantes tais como carragenanos, xantanas, pectinas, galactomananas e outros polissacarídeos indigestos de peso molecular elevado (DP > 50) é de preferência baixa, isto é, menos do que 20 % do peso da fração de fibra, ou menos do que 1 g por 100 ml de dita composição.
Um componente de fibra preferido é um oligossacarídeo indigesto com um comprimento de cadeia (DP) de 2 a 10, por exemplo, Fibersol® (oligoglicose resistente), em particular Fibersol® hidrogenado, ou uma mistura de oligossacarídeos tendo um DP de 2 a 10, tal como fruto-oligossacarídeos ou galacto-oligossacarídeos, que também pode conter uma pequena quantidade de sacarídeos superiores (isto é, com um DP de 11 a 20). Tais oligossacarídeos preferivelmente compreendem 50 % em peso a 90 % em peso da fração de fibra, ou de 0,5 g/100 ml a 3 g/100 ml da composição de acordo com a invenção. Outros componentes de fibra adequados incluem sacarídeos que possuem apenas capacidade digerível parcial.
Em outra forma de realização da presente invenção, a composição de acordo com a invenção pode compreender uma mistura de oligossacarídeos neutros e ácidos conforme descrito na WO 2005/039597 (N.V. Nutricia), que é aqui incorporada por referência na sua totalidade. Mais em particular, os oligossacarídeos ácidos possuem um grau de polimerização (DP) entre 1 e 5000, de preferência entre 1 e 1000, mais preferivelmente entre 2 e 250, ainda mais preferivelmente entre 2 e 50, o mais preferível entre 2 e 10. Se uma mistura de oligossacarídeos ácidos com diferentes graus de polimerização for usada, o PD médio da mistura de oligossacarídeo ácido está preferivelmente entre 2 e 1000, mais preferivelmente entre 3 e 250, ainda mais preferivelmente entre 3 e 50. 0 oligossacarídeo ácido pode ser um carboidrato homogêneo ou heterogêneo. Os oligossacarídeos ácidos podem ser preparados a partir de pectina, pectato, alginato, condroitina, ácidos hialurônico, heparina, heparano, carboidratos bacterianos, sialoglicanos, fucoidan, fuço-oligossacarídeos ou carragenano, e são preferivelmente preparados de pectina ou alginato. Os oligossacarídeos ácidos podem ser preparados pelos métodos descritos na WO 01/60378, que é por meio desta incorporada por referência. O oligossacarídeo ácido é preferivelmente preparado de pectina submetida a metóxi superior, que é caracterizada por um grau de metoxilação acima de 50 %. Como aqui usado, “grau de metoxilação” (também referido como DE, ou “grau de esterificação”) destina-se a significar até que ponto os grupos de ácido carboxílico livres contidos na cadeia de ácido poligalacturônico foram esterificados (por exemplo, por metilação). Os oligossacarídeos ácidos são de preferência caracterizados por um grau de metoxilação acima de 20 %, preferivelmente acima de 50 %, ainda mais preferivelmente acima de 70 %. Preferivelmente os oligossacarídeos ácidos possuem um grau de metilação acima de 20 %, de preferência acima de 50 %, ainda mais preferivelmente acima de 70 %. O oligossacarídeo ácido é preferivelmente administrado em uma quantidade entre 10 mg e 100 gramas por dia, de preferência entre 100 mg e 50 gramas por dia, ainda mais entre 0,5 e 20 gramas por dia. O termo oligossacarídeos neutros como usado na presente invenção refere-se aos sacarídeos que possuem um grau de polimerização de unidades de manose que excede a 2, mais preferivelmente que excede a 3, ainda mais preferivelmente que excede a 4, o mais preferível que excede a 10, que não são ou apenas parcialmente digeridos no intestino pela ação de ácidos ou de enzimas digestivas presentes no trato digestivo superior humano (intestino delgado e estômago), mas que são fermentados pela flora intestinal humana e de preferência falta grupos ácidos. O oligossacarídeo neutro é estruturalmente (quimicamente) diferente do oligossacarídeo ácido. Os termo oligossacarídeos neutros como usado na presente invenção preferivelmente refere-se aos sacarídeos que possuem um grau de polimerização do oligossacarídeo abaixo de 60 unidades de monose, preferivelmente abaixo de 40, ainda mais preferivelmente abaixo de 20, o mais preferível abaixo de 10. O termo unidades de monose refere-se às unidades tendo uma estrutura de anel fechado, de preferência hexose, por exemplo, as formas de piranose ou furanose. Os oligossacarídeos neutros preferivelmente compreendem pelo menos 90 %, mais preferivelmente pelo menos 95 % de unidades de monose selecionadas do grupo que consiste de manose, arabinose, fiutose, fucose, ramnose, galactose, β-D-galactopiranose, ribose, glicose, xilose e derivados destes, calculado sobre o número total de unidades de monose nele contidas. Os oligossacarídeos neutros adequados são preferivelmente fermentados pela flora intestinal. Preferivelmente o oligossacarídeo é selecionado do grupo consistindo de: celobiose (4-0^-D-glucopiranosil-D-glucose), celodextrinas ((4-0-p-D-glicopiranosil)n-D-glucose), B-ciclodextrinas (moléculas cíclicas de D-glucose α-Ι-4-ligada; a-ciclodextrina-hexâmero, β-ciclodextrina-heptâmero e γ-ciclodextrina-octâmero), dextrina indigestas, gentio-oligossacarídeos (mistura de resíduos de glicose β-1-6 ligados, algumas ligações 1-4), glucooligosacarídeos (mistura de α-D-glicose), isomalto-oligossacarídeos (resíduos de glicose a-1-6 ligados lineares com algumas ligações 1-4), isomaltose (6-O-a-D-glucopiranosil-D-glicose); isomaltriose (6-0-a-D-glicopiranosil-( 1 -6)-a-D-glucopiranosil-D-glucose), panose (6-O-a-D-glicopiranosil-(l-6)-a-D-glicopiranosil-(l -4)-D-glucose), leucrose (5-O-a-D-glicopiranosil-D-fructopiranosídeo), palatinose ou isomaltulose (6-O-a-D-glucopiranosil-D-frutose), teanderose (0-a-D-glicopiranosil-( 1 -6)-0-a-D-glicopiranosil-(l-2)-B-D-fructofuranosídeo), D-agatose, D-lyxo-hexulose, lactosucrose (0-β-D-galactopiranosil-( 1 -4)-0-a-D-glicopiranosil-( 1 -2)-$-D-fructofuranosídeo), α-galacto-oligossacarídeos incluindo rafinose, estaquiose e outros oligossacarídeos da soja (O-a-D-galactopiranosil-(l-ó)-a-D-glicopiranosil^-D-fructofuranosídeo), β-galacto-oligossacarídeos ou transgalacto-oligossacarídeos (P-D-galactopiranosil-(l-6)-[P-D- glicopiranosil]n-(l-4) α-D glicose), lactulose (4-0-P-D-galactopiranosil-D-frutose), 4’-galatosilactose (0-D-galactopiranosil-(l-4)-0-P-D-glicopiranosil-(l-4)-D-glicopiranose), galacto-oligossacarídeo sintético (neogalactobiose, isogalactobiose, galsucrose, isolactosel, II e III), frutanos - tipo Levan (p-D-(2 -» 6)-fructofumosil)n α-D-glicopiranosídeo), frutanos - tipo Inulina (β-ϋ-((2 l)-fiuctofuranosil)n α-D-glicopiranosídeo), 1 f^-fructofuranosilnistose (β-D-((2 l)-íructofuranosil)n B-D-fructofuranosídeo), xilooligossacarídeos (B-D-((l -> 4)-xilose)n, lafmose, lactossucrose e arabinooligossacarídeos.
De acordo com uma outra forma de realização preferida o oligossacarídeo neutro é selecionado do grupo consistindo de frutanos, frutooligossacarídeos, dextrinas indigestas, galacto-oligossacarídeos (incluindo transgalacto-oligossacarídeos), xilooligossacarídeos, arabinooligosxacarídeos, glucooligossacarídeos, manooligossacarídeos, fucooligossacarídeos e misturas dos mesmos. Mais preferivelmente, o oligossacarídeo neutro é selecionado do grupo consistindo de fructooligossacarídeos, galacto-oligossacarídeos e transgalacto-oligossacarídeos. Os oligossacarídeos adequados e seus métodos de produção são ainda descritos em Laere K. J. M. (Laere, K. J. M., Degradation of structurally different non-digestible oligosaccharides by intestinal bactéria: glycosylhydrolases of Bi. adolescentis. PhD-thesis (2000), Wageningen Agricultural University, Wageningen, Países Baixos), todo o conteúdo é por meio desta incorporado por referência. Transgalacto-oligossacarídeos (TOS), por exemplo, são vendidos sob a marca Vivinal™ (Borculo Domo Ingredients, Países Baixos). A dextrina indigesta, que pode ser produzida através da pirólise do amido de milho, compreende ligações glicosídicas a(l —> 4) e a(l -> 6), quando estão presentes no amido nativo, e contém ligações 1 —»· 2 e 1 —> 3 e levoglucosan. Devido a estas características estruturais, a dextrina indigesta contém partículas ramificadas bem desenvolvidas que são parcialmente hidrolisadas pelas enzimas digestivas humanas. Numerosas outras fontes comerciais de oligossacarídeos indigestos são prontamente disponíveis e conhecidos da pessoa versada. Por exemplo, o transgalacto-oligossacarídeo está disponível da Yakult Honsha Co., Tokyo, Japão. O oligossacarídeo de feijão de soja é disponível da Calpis Corporation distributed by Ajinomoto U.S.A. Inc., Teaneck, N.J.
Em uma outra forma de realização preferida a composição de acordo com a invenção compreende um oligossacarídeo de ácido com um DP entre 2 e 250, preparado a partir de pectina, alginato e misturas dos mesmos; e um oligossacarídeo neutro, selecionado do grupo de ffutanos, frutooligossacarídeos, dextrinas indigestas, galacto-oligossacarídeos incluindo transgalacto-oligossacarídeos, xilooligossacarídeos, arabinooligossacarídeos, glucooligossacarídeos, manooligossacarídeos, fiicooligossacarídeos, e misturas destes.
Em uma outra forma de realização preferida a composição de acordo com a invenção compreende dois oligossacarídeos neutros quimicamente distintos. Verificou-se que a administração de oligossacarídeos ácidos combinados com dois oligossacarídeos neutros quimicamente distintos fornece um ótimo efeito estimulante imunológico sinérgico. De preferência a composição de acordo com a invenção compreende: - um oligossacarídeo ácido como definido acima; - um oligossacarídeo neutro com base em galactose (dos quais mais do que 50 % das unidades de monose são unidades de galactose), preferivelmente selecionado do grupo consistindo de galacto-oligossacarídeo e transgalacto-oligossacarídeo; e - um oligossacarídeo neutro com base em frutose e/ou glicose (dos quais mais do que 50 % das unidades de monose são frutose e/ou glicose, preferivelmente unidades de frutose), de preferência inulina, frutano e/ou ffuto-oligossacarídeo, mais preferivelmente frato-oligossacarídeo de cadeia longa (com um DP médio de 10 a 60). A mistura de oligossacarídeos ácidos e neutros é preferivelmente administrada em uma quantidade entre 10 mg e 100 gramas por dia, de preferência entre 100 mg e 25 gramas por dia, ainda mais preferivelmente entre 0,5 e 20 gramas por dia.
Viscosidade e osmolarídade Em uma forma de realização da presente invenção, a viscosidade da composição nutricional enteral líquida é mais baixa do que 150 mPa.s, de preferência mais baixa do que 125 mPa.s, mais preferivelmente mais baixa do que 100 mPa.s, determinada a 20 °C em uma taxa de cisalhamento de 100 s'1. A viscosidade pode ser determinada usando um medidor de viscosidade rotacional que utiliza uma geometria de cone/placa.
Em uma forma de realização da presente invenção, a osmolarídade da composição é de preferência mais baixa do que 900 mOsm/1, mais preferivelmente mais baixa do que 800 mOsm/1, mais preferível mais baixa do que 700 mOsm/1, mais preferível mais baixa do que 600 mOsm/1.
Em uma forma de realização, a osmolarídade da composição nutricional de acordo com a invenção é mais baixa do que 500 mOsm/1, que pode ser obtida devido à ausência ou baixos níveis de carboidratos, tais como, por exemplo, mais baixa do que 5 g/100 ml.
Em uma forma de realização da presente invenção, a densidade da composição varia entre 0,90 g/ml e 1,20 g/ml, entre 0,95 g/ml e 1,15 g/ml, especialmente entre 0,95 g/ml e 1,05 g/ml.
Em uma forma de realização da presente invenção, a densidade da composição varia entre 1,05 g/ml e 1,20 g/ml, especialmente entre 1,10 g/ml e 1,18 g/ml.
Em uma forma de realização da presente invenção, a composição possui um teor de energia de mais do que 270 kcal/100 ml, de preferência mais do que 300 kcal/100 ml, de preferência mais do que 350 kcal/100 ml, o mais preferível 400 kcal/100 ml ou mais.
Unidade de dosagem A composição nutricional enteral líquida pode ter a forma de um suplemento alimentar, um assim chamado tiro nutricional, por exemplo, para ser usada além de um alimento não médico. Em uma forma de realização da presente invenção, uma dosagem unitária compreende qualquer quantidade da composição nutricional enteral líquida de acordo com a invenção entre 10 ml e 250 ml, os valores finais desta faixa incluídos, de preferência qualquer quantidade entre 25 ml e 200 ml, os valores finais desta faixa incluídos, mais preferivelmente qualquer quantidade entre 50 ml e 150 ml, os valores da referida desta faixa incluídos, o mais preferível de cerca de 125 ml. Por exemplo, uma pessoa que recebe doses unitárias de 25 a 50 ml pode ser administrada de 5 a 10 doses unitárias por dia para fornecer suporte nutricional utilizando uma composição nutricional enteral líquida de acordo com a invenção de 400 kcal/100 ml. Altemativamente, uma pessoa que recebe doses unitárias de 125 ml pode ser administrada 4 ou 5 ou 6 ou 7 ou 8 doses unitárias por dia para fornecer suporte nutricional utilizando uma composição nutricional enteral líquida de acordo com a invenção de 400 kcal/100 ml. Tais doses unitárias pequenas são preferidas por causa de uma melhor aceitação. A composição nutricional enteral líquida de acordo com a invenção também podem ter a forma de um alimento completo, isto é, pode satisfazer todas as necessidades nutricionais do usuário. De preferência, é administrada em combinação com quantidades extras de proteínas quando o teor de proteína da composição nutricional de acordo com a invenção for baixa. Como tal, preferivelmente é dosada em 1200 a 2500 kcal por dia. As quantidades de dose diária é fornecidas com respeito a uma fonte de energia diária de 2000 kcal para um adulto saudável tendo um peso corporal de 70 kg.
Para as pessoas de diferentes condições e pesos diferentes, os níveis devem ser adaptados em conformidade. Em geral, aceita-se que o consumo diário médio de energia de um ser humano é de cerca de 2000 kcal. A composição nutricional enteral líquida de acordo com a invenção pode estar na forma de múltiplas unidades de dosagem, por exemplo, de 2 (250 ml/unidade) a 10 (50 ml/unidade) por dia para um abastecimento de energia de 2000 kcal/dia usando uma composição nutricional enteral líquida de acordo com a invenção de 400 kcal/100 ml.
Na forma de realização preferida da presente invenção, a composição é fornecida em uma forma líquida pronta para usar e não requer a reconstituição ou mistura antes do uso. A composição de acordo com a invenção pode ser alimentada por sonda ou por via oral. Por exemplo, a composição de acordo com a invenção pode ser fornecida em uma lata, em um ponto, ou em uma bolsa.
Em uma forma de realização da presente invenção, a composição de acordo com a invenção é acondicionada. O acondicionamento pode ter qualquer forma adequada, por exemplo, uma caixa em forma de bloco (bloco em forma de tijolo), por exemplo, para ser esvaziado com um canudinho; uma caixa ou copo de plástico com tampa removível; uma garrafa de pequeno porte, por exemplo, para a faixa de 80 ml a 200 ml, e copos pequenos, por exemplo, para a faixa de 10 ml a 30 ml. Outro modo de acondicionamento adequado é a inclusão de pequenos volumes de líquido (por exemplo, 10 ml a 20 ml) em cascas ou cápsulas sólidas ou semi-sólidas comestíveis, por exemplo, revestimentos como gelatina e afins. Método de preparação A composição nutricional enteral líquida de acordo com a invenção pode ser preparada em primeiro lugar por preparar uma composição que compreende o estabilizante de precipitação, a fonte de caseína e opcionalmente outras proteínas, o sistema de estabilização térmica opcional, e opcionalmente carboidratos e sais minerais. As proteínas podem ser adicionadas seqüencial ou simultaneamente dissolvendo a caseína micelar na forma de pó e caseinatos na forma de pó em água. Também é possível utilizar a caseína micelar em uma forma úmida, diretamente preparada com leite. Pode até ser vantajoso preparar a caseína micelar como parte de um processo contínuo para preparar a composição de acordo com a invenção. Este último pode ser feito na mesma instalação de produção para preparar a composição de acordo com a invenção.
De acordo com uma forma de realização, uma primeira composição aquosa é preparada mediante a dissolução do estabilizante precipitação opcional na água, e subseqüentemente a adição da fonte de caseína, outras proteínas opcionais, carboidratos e o emulsificante. Se desejável, uma segunda composição aquosa pode ser preparada pela dissolução de um sistema de estabilização térmica e opcionalmente sais minerais na água e as primeiras e segundas composições são subseqüentemente misturadas entre si em uma terceira composição aquosa. Opcionalmente, uma mistura de elementos traço pode ser preparada como uma quarta composição aquosa e subseqüentemente misturada com qualquer uma das outras composições aquosas.
De acordo com outra forma de realização, uma primeira composição aquosa é preparada por dissolver a fonte de caseína, outras proteínas opcionais, carboidratos e o emulsificante em água. A segunda composição aquosa pode ser preparada pela dissolução do sistema de estabilização térmica opcional, estabilizante de precipitação e/ou minerais na água e as primeiras e segundas composições são subseqüentemente misturadas entre si em uma terceira composição aquosa. Opcionalmente, uma mistura de elementos traço pode ser preparada como uma quarta composição aquosa e subseqüentemente misturada com qualquer uma das outras composições aquosas.
Logo depois, o pH da terceira composição aquosa deve ser ajustado para cerca de 6,5 e 7,2, utilizando agentes comuns de ajuste do pH, tais como o ácido cítrico.
Em seguida, a fonte de gordura é adicionada à terceira composição aquosa e a composição resultante é emulsificada e submetida à pasteurização. Os tempos de pasteurização típicos são de 12 a 36 s a 85 °C.
Opcionalmente, outros aditivos tais como corantes, flavorizantes e vitaminas podem ser adicionados à solução pasteurizada.
Depois, o pH da composição resultante é ajustado para um pH final em tomo de 6,5 e 7,2, utilizando agentes comuns, tais como o ácido cítrico, e a composição é esterilizada. Os tempos de esterilização típicos são de 4 a 8 minutos a 124 °C ou de 30 a 120 segundos a 132 °C. Percebe-se que o tempo de esterilização é de preferência relativamente longo, como o transporte de calor através da composição rica em gordura é mais lenta do que através de composições que compreendem quantidades mais baixas de gordura.
Finalmente, o produto resultante pode ser acondicionado.
Os seguintes exemplos não limitativos ilustram a invenção.
EXEMPLOS
As seguintes composições de acordo com a invenção foram preparadas (Tabelas ΙΑ, 1B1,1B2,1C, 1D e 2). A composição é produzida de uma forma como descrita acima, é estável para armazenagem, possui propriedades organolépticas desejáveis, possui uma densidade de nutriente muito elevada e é eficaz para uma pessoa com sua necessidade.
Tabela IA: Sem proteína opcional Tabela 1B1: Sem proteína opcional e com fibra dietética * a contribuição de energia das fibras não foi levada em conta.
Tabela 1B2: Com e sem (Ex. B4, B7) o sistema de estabilização térmica * 0 sódio adicional se origina de ascorbato de sódio (Vit C); ** O potássio se origina de citrato de potássio e KOH utilizados para ajuste do pH *** A contribuição de energia das fibras não são levadas em conta.
Tabela 1C: Incluindo uma proteína do leite opcional Tabela 1D: Incluindo uma proteína vegetal opcional Tabela 2: Elementos traço típicos, vitaminas e outros aditivos Deve ficar entendido que várias mudanças e modificações nas formas de realização atualmente preferidas aqui descritas serão evidentes para aqueles versados na técnica. Tais mudanças e modificações podem ser feitas sem se afastar do espírito e escopo da invenção e sem diminuir as suas vantagens. É, portanto, planejado que estas mudanças e modificações sejam cobertas pelas reivindicações anexas.
REIVINDICAÇÕES

Claims (21)

1. Composição nutricional líquida aquosa estéril estável em prateleira, caracterizada pelo fato de que compreende caserna não micelar e mais de 30 g de gordura por 100 ml da dita composição, em que a composição adicionalmente compreende um sistema de estabilização térmica selecionado a partir do grupo consistindo em ci trato, di - h i d rogen o fosfato ou misturas dos mesmos,
2. Composição dc acordo com a reivindicação 1, caracterizada pelo fato de que tem um teor de gordura entre 35 e 50 g por 100 ml da dita composição.
3. Composição de acordo com a reivindicação I ou 2, caracterizada pelo fato de que tem um teor de gordura de cerca de 40 g por i 00 ml da dita composição.
4. Composição de acordo com qualquer uma das reivindicações 1 a 3, caracterizada pelo fato dc que o teor de caserna não micelar é pelo menos 1 g por 100 ml da dita composição.
5. Composição de acordo com qualquer uma das reivindicações 1 a 4, caracterizada pelo fato de que o teor de caserna não micelar varia entre 4 e 10 g por 100 ml da dita composição.
6. Composição de acordo com qualquer uma das reivindicações 1 a 5, caracterizada pelo fato de que a caseína não micelar é selecionada do grupo de easeinato de sódio, caseinato de potássio ou uma mistura dos mesmos.
7. Composição de acordo com qualquer uma das reivindicações 1 a ó, caracterizada pelo fato de que tem um teor de gordura dc cerca de 40 g por 100 ml da dita composição e um teor de caseína não micelar de cerca de 5 g por 100 ml da dita composição.
8. Composição de acordo com qualquer uma das reivindicações 1 a 7, caracterizada pelo fato de que compreende adicionalmente uma segunda proteína que não a caseína não micelar.
9. Composição de acordo com qualquer uma das reivindicações 1 a 8, caracterizada pelo fato de que a segunda proteína é selecionada do grupo de proteínas de soro intacta, hidrolisado de proteína de soro (WPH), caseinato de cálcio, caseína micelar (MCI) e misturas dos mesmos.
10. Composição de acordo com a reivindicação 8, caracterizada pelo fato de que o sistema de estabilização térmica compreende principalmente citrato de potássio, no caso da segunda proteína compreender principalmente caseína micelar.
11. Composição de acordo com a reivindicação 8, caracterizada pelo fato de que o sistema de estabilização térmica compreende principalmente di-hidrogenofosfato de potássio no caso da segunda proteína compreender hidrolisado de proteína de soro.
12. Composição de acordo com qualquer uma das reivindicações 1 a 11, caracterizada pelo fato de que tem ainda um teor de carboidrato digerível variando entre 1 e 10 g por 100 ml da referida composição, de preferência igual a cerca de 5 g por 100 ml da dita composição.
13. Composição de acordo com qualquer uma das reivindicações 1 a 12, caracterizada pelo fato de que compreende adicionalmente vitaminas, minerais e carboidratos não digeríveis, tais como prebióticos.
14. Composição de acordo com qualquer uma das reivindicações 1 a 13, caracterizada pelo fato de que tem um teor de energia de pelo menos 400 kcal/100 ml.
15. Composição de acordo com a reivindicação 1, caracterizada pelo fato de que compreende 4 g de caseína não micelar por 100 ml da dita composição, citrato de potássio, como um sistema de estabilização térmica, e 40,3 g de gordura por 100 ml da dita composição.
16. Composição de acordo com a reivindicação 15, caracterizada pelo fato de que compreende adicionalmente 1 g de hidrolisado de proteína de soro e, opcionalmente, 4,3 g de carboidratos por 100 ml da dita composição.
17. Composição de acordo com qualquer uma das reivindicações 1 a 16, caracterizada pelo fato de que compreende adicionalmente um oligossacarídeo de ácido com um DP entre 2 e 250, preparado a partir de pectina, alginato e misturas dos mesmos, e um oligossacarídeo neutro, selecionado do grupo de frutanos, frutooligossacarídeos, dextrina não digeríveis, galacto-oligossacarídeos incluindo transgalacto-oligossacarídeos, xilooligossacarídeos, arabinooligossacarídeos, glucooligossacarídeos, manooligossacarídeos, fucooligossacarídeos, e misturas dos mesmos.
18. Composição de acordo com qualquer uma das reivindicações 1 a 17, caracterizada pelo fato de que compreende adicionalmente uma mistura de pectina de baixa viscosidade, com um DP médio de 2 a 250, um oligossacarídeo neutro à base de galactose, e um oligossacarídeo à base de frutose de cadeia longa com um DP médio de 10 a 60.
19. Método para a produção de uma composição como definida em qualquer uma das reivindicações 1 a 18, caracterizado pelo fato de que compreende as etapas de: (i) preparar uma composição aquosa, dissolvendo em água a fonte de caseína, o sistema de estabilização térmica e o emulsificante, e opcionalmente outros ingredientes tais como um estabilizador de precipitação, outras proteínas, carboidratos e minerais, (ii) ajustar o pH a entre 6,5 e 7,2, (iii) adicionar a fonte de gordura à composição obtida na etapa (ii), (iv) homogeneizar a composição obtida na etapa (iii) e submetê-la a um ou mais tratamentos térmicos.
20. Uso de uma composição como definida em qualquer uma das reivindicações 1 a 18, caracterizado pelo fato de que é para o gerenciamento de condições que requerem nutrição de alta energia e/ou rica em gorduras.
21. Uso de uma composição como definida na reivindicação 20, caracterizado pelo fato de que é para o tratamento de pessoas desnutridas, pessoas em risco de desnutrição, pessoas metabolicamente estressadas, atletas e idosos.
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