BRPI1102880A2 - biossensor, seu uso e mÉtodo para detecÇço de Íons cÁlcio - Google Patents

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BRPI1102880A2
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biosensor
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Valtencir Zucolotto
Araujo Ana Paula Ulian De
Edson Giuliani Ramos Fernandes
Nirton Cristi Silva Vieira
Assuero Faria Garcia
Francisco Eduardo Gontijo Guimarces
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Univ Sao Paulo
Fundacao De Amparo A Pesquisa Do Estado De Sao Paulo Fapesp
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BIOSSENSOR, SEU USO E MÉTODO PARA DETECÇçO DE IONS CÁLCIO. A presente invenção se refere a um biossensor para detecção de íons metálicos, particularmente lons cálcio, utilizando um eletrodo de vidro recoberto de ouro (BK7/Au) cuja superfície foi modificada com tiois por meio da técnica de monocamadas auto-organizadas (SAMs). Sobre estas superfícies preparadas, foram imobilizadas enzimas CaGc por meio de ligação covalente entre os grupos lisinas das mesmas e os grupos terminais ativados presentes na monocamada. A detecção dos lons cálcio é realizada segundo medidas elétricas de potencial elétrico, por meio da excitação elétrica na porta de um dispositivo do tipo SEGFET.

Description

BIOSSENSOR, SEU USO E MÉTODO PARA DETECÇÃO DE ÍONS CÁLCIO
Campo da invenção
A presente invenção se referé a um biossensor utilizado na detecção e quantificação de íons de cálcio, seja na área alimentícia, seja na área médica.
Descrição do estado da técnica
A imobilização de proteínas em filmes de ouro é uma técnica já conhecida que pode ser empregada para a construção de biossensores. Os biossensores possibilitam grandes avanços para a indústria de alimentos e na área ambiental, devido à capacidade de caracterização e quantificação de certos analitos de interesse.
Um biossensor é definido como um dispositivo compacto capaz de fornecer informação analítica, quantitativa ou semiquantitativa, incorporando um elemento de reconhecimento biológico intimamente ligado a um transdutor. O transdutor é capaz,de converter uma resposta-bioquímica em sinal apropriado, podendo este sinal ser: potenciométrico, amperométrico, condutométrico, óptico, piezelétrico ou entalpimétrico, segundo o princípio físico de transdução [1].
~ "Um biossensor consiste essencialmente de dois elementos: um elemento bioseletivo e um transdutor. O elemento bioseletivo pode reconhecer o analito de Jnteresse e, desta maneira, reagir ou-se ligar a ele gerando, por meio de uma" reação bioquímica, um sinal que pode ser um produto da variação de massa, absorção ou emissão de luz, emissão de calor, mudança de estado de oxidação, liberação de gases e etc. Já o elemento transdutor possibilita o controle de um processo ou fenômeno, ou pode realizar uma medição, através da conversão do sinal bioquímico em sinal elétrico.
A força motriz para o desenvolvimento de biossensores surgiu do crescente interesse na miniaturização destes dispositivos, particularmente para aplicação em sistemas de diagnóstico. Biossensores eletroquímicos são uma escolha corrente uma vez que os mesmos apresentam melhor sensibilidade e podem ser nanoestruturados.
A determinação de íons metálicos como o Cálcio é de fundamental interesse em muitos setores industriais. Um exemplo comum é a questão do leite enriquecido, importante medida adotada em programas de combate à desnutrição infantil. O íon Cálcio está presente no organismo humano em concentrações de cerca de 2% (4,5 a 5,4 mg/dL em plasma sangüíneo) sendo um fator importante na formação óssea do organismo. O íon cálcio também está presente em outros processos como coagulação sangüínea e batimento cardíaco. Ele também pode ser encontrado na urina, em concentrações variando entre 50 e 150 mg/24 hs podendo atingir até 300 mg/24 hs em dietas enriquecidas [2-3]. Ainda como íon de sinalização intracelular, o íon Ca2+ está envolvido em muitas funções celulares (como a fertilização, contração, diferenciação celular, proliferação, apoptose e até mesmo no surgimento do câncer, em casos de falta de regulação).
Os métodos usuais para detecção de íons metálicos baseiam-se em medidas de fluorescência.
A patente US 5,154,890 intitulada "Fiber optic-potassium ion sensor" descreve um sensor para detectar a concentração de íons potássio. O referido sensor compreende a molécula 2,2-bis(3,4-(15-crown-5)-2-nitrofenilcarbamoxi métiirtetrãclecánol-l^conhecida como BME-44 que complexa seletivamente os íons potássio. A molécula BME-44 se liga, através do seu sítio de ligação, a um agente fluorescente como Rodamina-B e depois é imobilizada em gel de acrilamida, complexando os íons de potássio de forma que a intensidade da fluorescência aumente. A mudança na intensidade da fluorescência é uma medida direta da concentração de íons potássio.
O primeiro indicador fluorescente de cálcio foi o 2-((2-(bis(carboximetil) amino)-5'-metilfenoxi)metil)-6-metoxi-8-(bis(carboximetil)amino)quinolina, no qual a ligação do cálcio a esta molécula causa um aumento na intensidade do sinal de fluorescência [4].
A patente US 5,496,522 intitulada "Biosensor and chemical sensor probes for calcium and other metal ions" descreve um sensor químico e sondas biosensoras para medir concentrações baixas de metais e íons metálicos em amostras complexas tais como: fluidos biológicos, células vivas e amostras ambientais. Mais especificamente, a invenção se refere a sondas ,sensoras químicas contendo o agente fluorescente lndo-1, Fura-2 e Quin-2 para medir baixas concentrações de cálcio, cádmio, magnésio e outros. Embora sensores baseados em métodos fluorimétricos sejam muito sensíveis podendo distinguir sinais inferiores a 1 μΜ, esta técnica necessita de um fluorímetro e, para uso industrial, se mostra pouco prática.
A proteína Calgranulina C recombinante (CaGC)1 também conhecida como S100A12, é uma proteína que sofre mudanças conformacionais pela ligação de cálcio, dando suporte ao seu potencial envolvimento em eventos celulares de transdução de sinal dependentes de Ca2+. In vitro, essas mudanças conformacionais sofridas pela ligação do cálcio' tomam a CáCG uma atraente' molécula para ser usada em biossensores. A CaGC possui um sítio Iigante adicional de Zn2+, comum para a maioria das proteínas da família S100 da qual
......ela faz parte. A ligação do Zn2+ induz uma profunda variação nas propriedades dá
proteína em se ligar ao Ca2+. Na ausência de Zn2+, a CaGC se liga a um íon Ca2+ por monômero, enquanto que na presença de Zn2+, a proteína se liga a dois íons por monômero, sendo consistente com a presença de dois motivos Iigantes de cálcio ("EF-hands") preditos na sua seqüência primária [5], Sendo os sítios dè -ligação dos íons cálcio e zinco separados, podemos melhorar a eficiência da ligação e, consequentemente, de detecção de cálcio quando trabalhamos na presença de zinco. Ainda é importante salientar que a CaGC não se liga a outros metais bivalentes que não sejam o cálcio, garantindo especificidade para a detecção.
O Transistor de Efeito de Campo íon-seletivo (ISFET) foi apresentado pela primeira vez por P. Bergveld, em 1970 [6]. Um ISFET é um dispositivo eletrônico íon-seletivo usado para medir íons H+ e outros íons, sendo que a troca da camada dielétrica pode melhorar a sensibilidade do dispositivo. Tal dispositivo se baseia em um MOSFET sem a metalização da porta onde a mesma é posta diretamente em contato com uma solução. Uma das desvantagens deste tipo de dispositivo é a isolação entre o dispositivo e o meio químico. Além disso, efeitos ópticos também podem comprometer a sensibilidade dos mesmos [7].
Em 1983, J. Van der Spiegel et ai publicaram o primeiro artigo utilizando üma nova configuração ao sistema proposto por Bergveld onde o FET é isolado do meio químico, o Transistor de Efeito de Campo de Porta Estendida (EGFET) [8],
Chi et ai propuseram uma estrutura de porta estendida separada sensível a íons H+ (SEGFET) onde a estrutura original foi dividida em duas partes: um eletrodo íon-seletivo conectado à porta, por meio de um fio metálico, de um MOSFET comercial [9-10]. Este tipo de estrutura permite uma melhor estabilidade em longo prazo e um custo baixo de produção uma vez que se utilizam dispositivos comerciais já produzidos em larga escala como elemento transdutor.
A publicação internacional WO 88/08972 descreve um instrumento de medição que possui uma proteína imobilizada, de forma reversível de ligação, _ seletiva no transistor IGFET Iocalizado em um sensor. Com o sensor imerso na" solução, a proteína liga-se a um componente selecionado da solução produzindo um efeito sobre uma corrente fluindo através do IGFET. Apesar do objetivo deste documento ser semelhante ao da presente invenção, tal documento descreve um dispositivo FET com arquitetura IGFET, onde o eletrodo está no próprio semicondutor. Já na presente invenção, é proposta * uma arquitetura SEGFET, onde o eletrodo está desacoplado do dispositivo sensor. Nesse caso, há a vantagem de termos o eletrodo livre para ser imerso na solução que se deseja detectar cálcio. Além disso, na referida publicação nâo é mencionada especificamente a proteína que estamos utilizando. Na invenção, usamos especificamente a proteína CaGC, para detecção específica de íons cálcio. Esse analito não é mencionado no referido documento.
Embora filmes finos compostos de materiais de alta impedância sejam apreciáveis a dispositivos íon-seletivos baseados em estruturas FET (ISFETs), filmes com melhor condutividade e sensibilidade se mostram mais adequados aos dispositivos do tipo SEGFET. A imobilização de uma proteína diretamente ao eletrodo de ouro revestido de uma monocamada molecular automontada funcionalizada possibilita um tempo de resposta rápido uma vez*que a resposta - do biossensor eletroquímico depende da transferência de massa do analito até o biorreceptor imobilizado.
Na literatura ainda não foram publicados biossensores específicos para íons metálicos como o Ca2+ baseados em estruturas FET com enzimas imobilizadas. Contudo, este protótipo para o sensoriamento de íons metálicos oferece vantagens, tais como: simplicidade do biossensor, possibilidade de miniaturização, portabilidade, baixo custo e a não necessidade de pessoal treinado para a utilização do mesmo. Portanto, o biossensor desenvolvido se mostra promissor para a quantificação do íon metálico Ca2+ com detecção de até " 30 vézes o valor da concentração dé cálcio nó leite"comercial (cerca de 1,2 g/L).
Sumario da invenção
A presente invenção se refere a um biossensor compreendendo uma proteína CaGC imobilizada em urna monocamada automontada de tiol, como elemento bioseletivo e um transistor de efeito de campo (FET) pelo qual as medições são realizadas, como elemento transdutor. O biossensor é utilizado para detecção específica de íons cálcio em meio aquoso.
Breve descrição das figuras
A figura 1 mostra as etapas de fabricação do biossensor.
20__________A figura 2 mostra o esquema do aparato de medição do biossensor
utilizando configuração SEGFET.
A figura 3 é um gráfico do sinal de saída expresso como uma variação de tensão em relação à quantidade de íons cálcio presentes na solução.
Descrição detalhada da invenção Preparação da proteína
A preparação da proteína é realizada mediante duas etapas principais, conforme mostrado na figura 1. Na etapa A, ocorre a formação de uma monocamada automontada de tiol, enquanto que na etapa B é realizada a imobilização da proteína CaGC por ligação covalente através da imersão do substrato em solução contendo esta proteína. ' " ~ Na etapa-Α, ο eletrodo de-vidro (ΒΚ7) recoberto com ouro,, ou seja, o
substrato de BK7/Au, previamente limpo, é imerso por 24 horas em uma solução etanólica de ácido mercaptoundecanóico a 1,5 mM (11-mercaptoundecanoic acid, MUA). Em seguida, o substrato é lavado com uma solução recém preparada de etanol:água deionizada (75:25 v/v) para a retirada do excesso de material e seco em fluxo de N2. Uma monocamada automontada de MUA é então formada. A monocamada de tiol é incubada em uma solução tampão contendo 100 mM de NHS (N-hydroxysuccinimide) e 100 mM de EDC (N-ethyl-N-(3-diethylaminopropyl) carbodiimide) por aproximadamente 16 horas, durante a noite, para a ativação dos grupos terminais da monocamada do éster de NHS.
* ^ T *
Para a imobilização covalente da CaGC (etapa B), os eletrodos* foram lavados em solução tampão e imediatamente incubados em solução enzimática de CaGC a 2 mg/mL por 3 horas. Os grupos Iisinas presentes na proteína se ligam com o éster formando uma ligação amida. A Figura 1 apresenta o esquema dos passos descritos acima.
Método de medição de cálcio usando o biossensor
A Figura 2 apresenta o esquema utilizado na transdução do biossensor. O sistema de medida (SEGFET) é constituído de um amplificador operacional de instrumentação comercial, operando como um seguidor de tensão e dé um , 20 eletrodo de referência Ag/AgCI. Assim, a tensão de entrada é igual à tensão de saída. O eletrodo de referência é aterrado e o eletrodo de trabalho é o substrato de ouro contendo a enzima imobilizada (conforme descrito acima). O circuito elétrico é, então, fechado pela imersão de ambos os eletrodos, eletrodo de trabalho e eletrodo de referência, na solução de medida (que pode ser água deionizada ou solução tampão de baixa força iônica). Após estabilização do sistema, para calibração do mesmo, alíquotas sucessivas de uma solução padrão de cloreto de cálcio, de determinada concentração, foram adicionadas à solução de medida sob agitação suave. A agitação serve para homogeneização da solução e pode ser feita por meio de uma barra magnética. As medidas foram realizadas a cada adição de solução contendo íons cálcio, após homogeneização da solução, sendo o sinal de saída expresso como uma variação de tensão que é proporcional à quantidade de íons cálcio presentes na solução (figura 3). Mais especificamente, a detecção dos íons cálcio é realizada segundo medidas elétricas de potencial elétrico, por meio da excitação elétrica na porta do dispositivo SEGFET, sendo o sinal resultante representado por uma curva Diferença de Potencial Elétrico em Relação ao Branco (solução isenta do íon) em relação ao Tempo, onde após adição de amostras do analito, há o aparecimento de picos intensos dos quais podem ser relacionados com as concentrações dos analitos em um simples eixo de coordenadas do tipo AV versus Concentração. Quanto mais íons cálcio são capturados pela proteína, mais alta é a carga elétrica que esses íons geram na superfície do eletrodo e maior o valor da corrente. Embora o sistema apresente sinal após a primeira adição de solução, verificou-se que o sistema pode ser quantitativo apenas para a primeira adição. O sinal de< resposta (VO) foi mêdidópor meio"de uni mültímetro digital conectado à saída do amplificador operacional de instrumentação e foi expresso pela variação de .tensão com o tempo. _ _
Na figura 2 são mostradas as conexões do amplificador operacional de instrumentação e o esquema de medição.
As etapas de medição podem, portanto, ser definidas pela: a) adição de alíquota de solução padrão de cloreto de cálcio; b) homogeneização da solução por agitação mecânica; c) tomada da medida.
Referencias
1. IUPAC: http://old.iupac.org/reports/1999/7112thevenot/, último acesso 19/07/2010.
2. Onifade, K. U., Mohammad, Α. A., Petersen, J. R. and Okorodudu, A.
O. Ionized calcium: indications and advantages of its measurement, J. Lab. Med. 29(4) (2005), pp. 235-240.
3. Heilberg, I. P. and Schor, N. Calculose renal: causas, avaliação e tratamento médico, Arq. Bras. Endocrinol. Metab. 50(4) (2006), pp. 823-831. 4. Tsien1 R. Y. New calcium indicators and buffers with high selectivity against magnesium and protons: design, synthesis, and properties of prototype structures, Biochemistry 19(11) (1980), pp. 2396-2404.
5. EC. DeirAngeIica1 C.H. Schleicher, J.A. Santome, Primary structure and binding proteins of cargranulin C, a novel SIOO-Iike calcium-binding protein
from pig granulocytes, J. Biol. Chem. 269 (1994) 28929-28936.
6. BERGVELD, P. Development of an ion sensitive solid-state device for neurophysiological measurements, IEEE Trans. Biomed. Eng. BME-17, p. 70-71, 1970.
7. Chou, J. C., Chang, J. L., Wu, C. L. pH and procaine characteristics of the extended gate field effect transistor based on ITO glass Jpn. J. Appl. Phys.
44 (2005), pp.4838-4842. · -
8. Van der Spiegel, J.; Lauks, I.; Chan, D. Babic, P. Study on extended gate field effect transistor with tin oxide sensing membrane. Sens. Act. B 4 (1983), pp. 291-298: ---------------------------------
9. Chi, L. L., Yin, L. T., Chou, J. C., Chung, W. Y., Sun, T. P., Hsiung, K.
P., Hsiung, S. K. Study on separative structure of EnFET to detect acetylcholine, Sens. Act. B 71 (2000), pp. 68-72.
10. Chi, L. L., Chou, J. C., Chung, W. Y., Sun, T. P., Hsiung, S. K. Study on extended gate field effect transistor with tin oxide sensing membrane, Mater. Chem. Phys. 63 (2000), pp. 15-23.

Claims (5)

1. Biossensor para detecção de íons cálcio caracterizado por compreender um elemento bioseletivo e um transdutor.
2. Biossensor1 de acordo com a reivindicação 1, caracterizado pelo fato do elemento bioseletivo ser a proteína CaGC imobilizada em monocamada automontada de tiol.
3. Biossensor1 de acordo com a reivindicação 1, caracterizado pelo fato do transdutor ser um dispositivo SEGFET.
4. Método de medição de cálcio utilizando o biossensor, conforme definido em qualquer uma das reivindicações 1, 2 ou 3, caracterizado por compreender as*etapas de: a) adicionar alíquotas de solução padrão de cloreto de cálcio; b) homogeneizar a solução por agitação mecânica; e c) fazer a tomada da medida.
5. Uso do biosensor, conforme definido em qualquer uma das reivindicações 1, 2 ou 3, caracterizado por ser para a medição de cálcio.
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