PT2289540E - Alfa-1-antitripsina para usar no tratamento de síndrome de fadiga crónica - Google Patents

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Description

ΡΕ2289540 1
DESCRIÇÃO
"ALFA-l-ANTITRIPSINA PARA USAR NO TRATAMENTO DE SÍNDROME DE FADIGA CRÓNICA" O presente invento relaciona-se com o uso de alfa-l-tripsina para a preparação de fármacos eficazes para o tratamento de sindrome de fadiga crónica.
Antecedentes A sindrome de fadiga crónica (SFC) é um distúrbio complexo, definido pelo critério internacional de Fukuda (Fukuda K, et al., "The chronic fatigue syndrome: a comprehensive approach to its definition and study", Ann Intern Med. 1994; 121: 953-959) sob a supervisão do Atlanta Center for Disease Control (CDC). De acordo com estes critérios, o diagnóstico de SFC é baseado na satisfação de dois critérios principais e na coexistência de um mínimo de quatro critérios menores.
Critérios Principais 1. Fadiga física e mental persistente durante pelo menos seis meses, ou de carácter intermitente, de primeiros sintomas novos ou definidos, que não resulta de esforços recentes, não é aliviado pelo repouso, e se torna 2 ΡΕ2289540 pior com a actividade, e que causa uma redução substancial nos níveis prévios de actividade diária do doente, que em última análise o doente não pode ultrapassar. 2. Exclusão de outros distúrbios que podem potencialmente causar fadiga crónica, tais como distúrbios endócrinos, infecciosos, neoplásicos e/ou psiquiátricos.
Critérios menores
Quatro ou mais dos seguintes critérios menores devem estar concorrentemente presentes, durando todos seis meses ou mais após o aparecimento de fadiga: - Enfraquecimento na concentração ou memória de curto prazo. - Odinofagia - Adenopatias cervicais ou axilares dolorosas - Mialgia - Poliartralgia sem sinais de inflamação. - Dores de cabeça de primeiros sintomas recentes ou com características diferentes do normal. - Sono pouco reparador. 3 ΡΕ2289540 - Doença pós uso de esforços durando mais do que 24 horas.
Dentre os distúrbios que podem ser confundidos com SFC está a fibromialgia (FM), que é um sindrome caracterizado por sintomas de dor musculosquelético crónica generalizada, que não é de origem articular. De acordo com os critérios da classificação do "American College of Rheumatology (The American College of Rheumatology, 1990, "Criteria for the Classification of Fibromyalgia. Report of the Multicenter Criteria Committee, Arthritis Rheum 1990; 33(2): 160-172) as duas caracteristicas básicas para o diagnóstico de FM são: 1) a presença de dor generalizada que se prolonga ao longo de três meses; 2) sensibilidade anormal à pressão digital de aproximadamente 4 kg em pelo menos 11 de 18 pontos específicos, conhecidos como "tender points". Além da dor, os doentes com FM sentem alguns dos sintomas seguintes: distúrbios de sono, sindrome do colón irritável, anquilose e rigidez, dores de cabeça ou cara, doença abdominal, bexiga irritável, parestesia, entorpecimento ou comichão, dores no peito e costocondralgia (dor no músculo onde as costelas se ligam ao esterno), tonturas e náusea, etc. Os sintomas tendem a flutuar e não ocorrem necessariamente simultaneamente. 4 ΡΕ2289540 FM e SFC são dois distúrbios diferentes mas com apresentação e sintomas similares, confundindo frequentemente os não peritos, apesar de poderem coexistir em muitos doentes. Embora 80% dos sofredores de SFC satisfaçam os critérios de classificação de FM, embora 7 a 10% de doentes com FM satisfaçam aqueles para o SFC. O diagnóstico diferencial entre os dois e eliminando outras causas possíveis de dor e fadiga é fundamental para um diagnóstico correcto e abordagem terapêutica. A SFC afecta predominantemente jovens adultos com um pico de primeiros sintomas entre os 20 e os 40 anos. E 2-3- vezes mais comum em mulheres do que em homens (Lloyd AR, et al., "Prevalence of chronic fatigue syndrome in an Australian population", Med J Aug 1990; 153: 522-528), embora esta proporção possa ser devida a mulheres procurando cuidado médico a todos os níveis mais frequentemente (Henderson AS., "Care-eliciting behavior in man, J Nerv Ment Dis 1974; 159: 172-181) . A prevalência de SFC na população está entre 0,4 e 2,5% (White PD, et al., Protocol for the PACE trial: a randomized controlled trial of adpative pacing, cognitive behaviour therapy, and graded exercise, as supplements to standardised specialist medicai care versus standardised specialist medicai care alone for patients with the chronic fatigue syndrome/myalgic encephalomyelitis or encephalopathy, BMC Neurol 2007, 7: 6) . Nos Estados Unidos e Reino Unido, quatro estudos deram uma estimativa de 0,2% a 0,7%, por outras palavras, 200 a 5 ΡΕ2289540 700 casos por 100 000 pessoas. No Japão foi registada a prevalência de 1,5%. Em geral, as estimativas de prevalência de SFC estavam entre 0,5% e 2,5% em centros de cuidados primários, dependendo da intensidade da avaliação médica, psiquiátrica e laboratorial (The Royal Australasian College of Physicians. "Chronic Fatigue Syndrome". Clinicai Practice Guidelines 2002). 0 prognóstico para recuperação do SFC é extremamente pobre e presentemente não há tratamento universal que tenha demonstrado ser uma opção eficaz para tratar SFC (Hill NF, et al., "Natural history of severe chronic fatigue syndrome", Arch Phys Med Rehabil 1999; 80(9): 1090-1094). Portanto, no estado actual das coisas, o objectivo terapêutico principal é baseado no alivio dos sintomas. Alguns dos tratamentos oferecidos incluem: terapia cognitivo-comportamental, terapia de exercício graduado, intervenção farmacológica (tal como antiviral, antidepressivo, sedativo, analgésico, anti-inflamatória e outros fármacos) e suplementos nutricionais. Contudo, estas intervenções não produzem frequentemente o benefício mínimo considerado necessário em muitos doentes com SFC (Afari N, et al., "Chronic fatigue syndrome: a review", Am J Psychiatry, 2003; 160(2): 221-236/ Rimes KA, et al, "Treatments for Chronic Fatigue Syndrome", Occupational Medicine 2005:5(1); 32-39). É portanto claro que existe uma necessidade para medicinas eficazes para o tratamento de SFC. 6 ΡΕ2289540 A SFC é uma doença multisistémica da qual não se conhece a etiologia ou o factor desencadeador, embora existam várias hipóteses quanto aos agentes causais: defeitos genéticos, anormalidades do sistema nervoso central, irregularidades neuromusculares e metabólicas, factores psicológicos, agentes tóxicos, infecções e desequilíbrios imunológicos devido a activação crónica do sistema imune (Afari N, et al., "Chronic fatigue syndrome: a review", Am J. Psychiatry, 2003; 160(2): 221-236). Especificamente, baseado no estado imune cronicamente activado, alguns autores sugeriram que as anormalidades clínicas e imunológicas observadas no SFC podem incluir defeitos na via defensiva 2-5A induzida por interferões (Englebienne P, et al., "Chronic Fatigue Syndrome. A biological Approach", CRC Press LLC, 2002).
Interferões (IFs) são proteínas naturalmente produzidas pelo sistema imunitário em resposta aos agentes externos tais como bactérias, vírus e parasitas, e células cancerígenas. Os dois produtos mais significativos para estimulação de IF são a proteína quinase R (PKR) e ribonuclease L (RNase L) . A PKR inibe a tradução do mRNA virai enquanto a a RNase L desliga o dsRNA. O objectivo último de ambas as proteínas é o de induzir a apoptose dos agentes infecciosos.
Em 1994 Suhadolnik, et al. ("Upregulation of the 2-5A synthetase/RNase L antiviral pathway associated with chronic fatigue syndrome", Clin Infect Dis 1994; 18 (Suppl. 7 ΡΕ2289540 I): S96-S104) descobriu que as células mononucleares sanguíneas periféricas (PBMC) de doentes com SFC tinham uma RNase L hiperactiva com uma massa molar de 37 kDa, produzida pela proteólise da forma nativa da RNase L de 83 kDa. Mais tarde, De Meirleir, et al. ("A37 kDA 2-5A binding protein as a potential biomarker for chronic fatigue syndrome", Am J Med 2000; 108(2): 99-105) observou que a razão entre a concentração da molécula de 37 kDa e da molécula de 83 kDa na PBMC era útil para diferenciar doentes com SFC daqueles sofrendo de FM ou depressão major.
Doentes com SFC apresentam muitos sintomas que são característicos de disfunções no transporte de canais iónicos. O potencial para interrupção de canal iónico em doentes com SFC foi tomado em conta quando foi determinado que o inibidor de RNase L (RLI) pertencia à superfamília de transportadores canais iónicos ABC. O RLI desactiva a RNase L combinando os domínios anquirina presentes na RNase L. A eliminação do domínio anquirina durante a fragmentação da RNase L, vista em doentes com SFC, sugeriu que estes fragmentos de anquirina podem ser capazes de interagir e interromper o funcionamento normal dos canais iónicos. Uma disfunção destes transportadores explicaria muitos dos sintomas encontrados em doentes com SFC: suores nocturnos, sarcoidose, hipersensibilidade química, disfunção macrófa-ga, deficiência do sistema imunitário, transporte de monoamina interrompido, sensibilidade à dor aumentada, dominância Th2, anormalidades do sistema nervoso central, prolemas de visão, perda de potássio nos músculos, ΡΕ2289540 hipoglicemia transitória e depressão (Englebienne P, et al., "Interactions between RNase L, ankirin domain and ABC transportes as a possible origino of pain, ion trasport, CNS and immune disorders of chronic fatigue imune dysfunction syndrome", J Chronic Fatigue Syndrome 2001; 8(3/4): 83-102). A elastase, catepsina-G e a m-calpaina são enzimas capazes de causar a proteólise ou fragmentação da Rnase L (Englebienne P, et al., "Interactions between RNase L, ankyrin domais and ABC transportes as a possible origin of pain, ion transport, CNS and immune disorders of chronic fatigue immune dysfunction syndrome", J Chronic Fatigue Syndrome 2001, 8 (3/4): 83-102/ Demetre E, et al. , "Ribonuclease L proteolysis in peripheral blood mononuclear cells of chronic fatigue syndrome patients", J Biol Chem 2002: 20; 277 (38): 35746-35751). Estas três protéases estão envolvidas nos mecanismos de defesa contra agentes patogénicos e nos processos inflamatórios, e são portanto encontrados frequentemente em concentrações anormalmente elevadas durante uma resposta inflamatória. No caso de SFC, verificou-se que os doentes sofrendo de tal distúrbio tinham usualmente concentrações elevadas de elastase (Demetre E, et al., "Ribonuclease L proteolysis in peripheral blood mononuclear cells of chronic fatigue syndrome patients", J Biol Chem 2002: 20; 277(38): 35746-35751/ Nijs J, et al. "Chronic fatigue syndrome: exercice performance related to immune dysfunction, Med Sei Sports Exerc 2005; 37(10): 1647-1654).
Demetre E, et al. demonstraram que a elastase tem 9 ΡΕ2289540 um papel significativo na degradação de RNase L, quando provaram que um inibidor específico da elastase era capaz de inibir, numa grande extensão, a proteólise da RNase L numa cultura PBMC de doentes com SFC.
Confrontados com a necessidade de encontrar fármacos eficazes para o tratamento de SFC, os inventores levaram a cabo investigações e testes extensos, profundos que resultaram no presente invento, o qual se baseia no uso de alfa-l-antitripsina (AAT) para a preparação de fármacos para o tratamento de SFC.
Descrição do Invento
Alfa-l-antitripsina (AAT) é uma glicoproteína segregada em hepatócitos, e está normalmente presente em concentrações elevadas no soro e na maior parte dos tecidos, onde actua como um inibidor da serina protease. Os valores de referência para AAT no soro de doentes saudáveis são 0,83-2,00 g/1 (Kratz A, et al., Laboratory Reference Values, N Engl J Med 2004; 315(15): 1548-1563). À parte a sua actividade como inibidor da protease, a AAT tem sido descrita como tendo possivelmente uma função biológica anti-inflamatória importante, visto que tem uma capacidade significativa de inibir muitos mediadores de inflamação e radicais oxidativos (Brantly M., "Alphal-antitrypsin: not just an antiprotease: extending the half-live of a natural anti-inflammatory molecule by conjugation with polyethylene glycol, Am J Respir Cell Mol Biol 2002; 27(6): 652-654). 10 ΡΕ2289540 A deficiência em AAT é uma doença hereditária que causa primariamente enfisema pulmonar nos primeiros estágios da idade adulta (30-40 anos). A segunda manifestação mais frequente é doença do fígado, a qual pode afectar recém-nascidos, crianças e adultos. Menos frequente é uma doença inflamatória da pele conhecida como paniculite ne-crotizante (American Thoracic Society/European Respiratory Society Statement: "Standards for the diagnosis and management of individuais with alfa-l-antitrypsin deficiency", Am J Respir Crit Care Med 2003; 168: 818-900).
Presentemente, existem concentrados terapêuticos de AAT, preparados pelo fraccionamento do plasma sanguíneo humano, que é usado na terapia de substituição AAT para o tratamento de indivíduos com uma deficiência desta proteína e enfisema pulmonar associado. Estes concentrados mostraram ser bioquimicamente eficazes na elevação da concentração de AAT no soro acima dos níveis mínimos considerados protectores (11 μιηοΐ/ΐ) (Wewers MD, et al., "Replacement therapy for alfal-antitrypsin deficiency associated with emphysema", New Engl J Med 1987; 316: 1055-1062). Além disso, vários estudos clínicos sugerem que a terapia de substituição AAT é clinicamente eficaz ao retardar a progressão do enfisema pulmonar e diminuir a mortalidade (Seersholm N, et al., "Does alfa-l-antitrypsin augmentation therapy slow the anual decline in FEV1 in patients with severe hereditary alphl-antitrypsin deficiency?" Eur Respir J 1997; 10: 2260-2263/ "The Alpha-l-Antitrypsin Deficiency 11 ΡΕ2289540
Registry Study Group, Survival and FEV1 decline in individuais with severe deficiency of alfa-l-antitrypsin", Am J Respir Crit Care Med 1998; 158: 49-59).
Experiência clinica extensiva em terapia de substituição AAT confirma que os concentrados terapêuticos de AAT originários do plasma humano têm um perfil de segurança excelente (Wencker M, et al., "Long term treatment of alfa-l-antitrypsin deficiency-related pulmonar emphysema with human alfa-l-antitrypsin", Eur Respir J 1998; 11: 428-433/ American Thoracic Society/European Respiratory Society Statement: "Standards for the diagnosis and management of individuais with alfa -1-anti-trypsin deficiency", Am J Respir Crit Care Med 2003; 168: 818-900).
Para verificar se a inibição de elastase por AAT pode prevenir a degradação da Rnase L, os inventores levaram a cabo vários estudos usando cultura PBMC in vitro de doentes com SFC juntamente com concentrados de AAT. Com base nestes estudos, os inventores estabeleceram que os extractos de PBMC de doentes com SFC mostraram actividade da elastase elevada, muito mais do que a dos extractos PBMC de sujeitos saudáveis. Os extractos de PBMC de seis indivíduos saudáveis mostraram uma actividade média de elastase de 81U/mg de extracto (CV=38,9), com um mínimo-máximo de 51-125 U/mg de extracto, enquanto os extractos de PBMC de oito doentes com SFC apresentaram uma actividade média de elastase de 322 U/mg de extracto (CV=30,5), com um mínimo-máximo de 193-453 U/mg de extracto. 12 ΡΕ2289540
Os inventores também descobriram que a AAT era capaz de inibir substancialmente a actividade intracelular da elastase de culturas de PBMC de doentes com SFC. As PBMCs de 10 doentes com SFC foram cultivadas durante 12 horas na ausência e na presença de duas concentrações diferentes de AAT: 3 g/1 e 6 g/1. Os resultados obtidos para a percentagem de inibição da actividade da elastase relativo ao controle sem AAT foram como se segue: para a cultura de 3 mg/ml de AAT, a actividade intracelular de elastase foi inibida em média de -87,2% (CV=0,09), com um minimo-máximo de -75,3 a -95,4%; para a cultura de 6 mg/ml de AAT, a actividade intracelular foi inibida em média de -91,0% (CV=0,08), com um minimo-máximo de -76,1 a -97,4%.
Além disso, os inventores estabeleceram que a AAT prevenia a degradação da RNase L de 83 kDa, para gerar a forma hiperactiva de RNase L de 37 kDa, em culturas PBMC de doentes com SFC. As PBMC de dois indivíduos saudáveis e as PBMC de dois doentes com SFC foram cultivadas durante 12 horas na ausência e na presença de 3g/l de AAT. Nas culturas de PBMC dos dois indivíduos saudáveis, não foram observadas diferenças significativas na análise de degradação de RNase L entre as duas culturas. Seguindo a cultura de PBMC sem AAT, a razão de RNase L de 37 kDa para Rnase L de 83 kDa foi de 0,3 e 0,4 enquanto seguindo a cultura com AAT, a razão de RNase L de 37 kDa para RNase L de 83 kDa foi de 0,2 e 0,3, respectivamente. Ambos os valores estavam abaixo do limite de 0,5 olhado como 13 ΡΕ2289540 marcando a proteólise da RNase L de 83 kDa. Nas culturas PBMC de doentes com SFC, verificou-se que na presença de AAT, a degradação de RNase L diminuiu de 80%. Seguindo a cultura de PBMC sem AAT dos dois doentes com SFC, a razão de RNase L de 37 kDa para RNase L de 83 kDa foi de 1,4 e 2,4 enquanto seguindo a cultura com AAT, a razão de RNase L de 37 kDa para RNse L de 83 kDa foi de 0,2 e 0,6 respectivamente.
Os inventores verificaram que a AAT activou a expressão de genes envolvidos na via 2-5A sintetase de modo que a administração de AAT exógena pode restabelecer a actividade normal de RNase L e prevenir a sua proteólise nas PBMCs de doentes com SFC. As PBMCs de seis doentes com SFC foram cultivadas na ausência e na presença de duas concentrações diferentes de AAT: 0,5 g/1 e 3,0 g/1. Em
seguida, o RNA foi extraído e analisado com o sistema "Genechips Human Genome U133 Plus 2.0 (Affymetrix"). A expressão de codificação do gene para a 2,5-oligoadenilato sintetase, a enzima responsável pela síntese das moléculas 2-5A, e portanto dos activadores da RNase L, aumentou 2,9 e 3,2 vezes em culturas com 0,5 g/1 e 3,0 g/1 de AAT, respectivamente, comparado com culturas na ausência de AAT. Portanto, estimulação da expressão de 2,5-oligoadenilato sintetase pela AAT, pode restabelecer a actividade da própria RNase e ao mesmo tempo ajudar a prevenir a sua proteólise.
Os inventores também verificaram que a AAT inibiu 14 ΡΕ2289540 a expressão de metalotioninas, e portanto a administração de AAT exógena pode reduzir a activação das vias pró-inflamatórias das PBMCs dos doentes com SFC. As PBMCs de seis doentes com SFC foram cultivadas na ausência e na presença de duas concentrações diferentes de AAT: 0,5 g/1 e 3.0 g/1. A seguir, o RNA foi extraído e analisado com sistema "Genechips Human Genome U133 Plus 2.0 (Affymetrix"). Os resultados foram apresentados como a razão entre a expressão de genes na presença de AAT comparada com a expressão de genes na ausência de AAT. A expressão de vários genes que codificam as metalotioninas reduziu-se seguindo culturas na presença de AAT. Especi-ficamente, a expressão de metalotionina 2A, metalotionina IX, metalotionina 1H, metalotionina 1F e metalotionina 1E diminuiu em média 2,3 e 4,5 vezes em culturas com 0,5 g/1 e 3.0 g/1 de AAT respectivamente comparada com as culturas na ausência de AAT. Como descrito, uma deficiência na metionina reduz a produção de citoquinas pró-inflamatórias (IL lb, IL6, TNFa) (Itoh N, et al., "Cytokine-induced metallothionine expression and modulation of cytokine expression by metallothionine", Yakugaku Zasshi 2007; 127(4): 65-694). Assim, a inibição de expressão causada pela AAT pode produzir o mesmo efeito e reduzir as vias pró-inflamatórias nas PBMCs. Além disso, as metallotioninas também desempenham um papel muito importante na produção de óxido nítrico (NO), um mediador imune presente em concentrações elevadas em doentes com SFC (Kurup, RK et al., "Hypothalamic digoxin, cerebral Chemical dominance and myalgic encephalomyelitis", Int J Neurosci 2003; 113(5): 15 ΡΕ2289540 683-701). Uma queda na produção de NO, devido à redução na expressão de metalotionnas induzida pela AAT pode ser outra acção benéfica desta proteína no contexto de doentes com SFC.
Os inventores também verificaram que a AAT activou a expressão do gene que codifica a AAT, de modo a que a administração de AAT exógena pode promover a sua própria expressão nas PBMCs de doentes com SFC. As PBMCs de seis doentes com SFC foram cultivadas na ausência e na presença de duas concentrações diferentes de AAT: 0,5 g/1 e 3,0 g/1. A seguir, o RNA foi extraído e analisado com sistema "Genechips Human Genome U133 Plus 2.0 (Affymetrix)". Os resultados foram apresentados como a razão entre a expressão de genes na presença de AAT comparada com a expressão de genes na ausência de AAT. A expressão do gene que codifica a AAT (SERPINA 1) aumentou 1,4 a 2,0 vezes em média em culturas com 0,5 g/1 e 3,0 g/1 de AAT respectivamente, comparada com as culturas na ausência de AAT. Embora AAT seja sintetizada principalmente nos hepatócitos, Perlmutter DH, et al. também descreveram a sua expressão em monócitos ("The celular defect in alfa 1-proteinase inhibitor (alfa 1-P1) deficiency is expressed in human monocytes and in Xenopus oocytes injected with human liver mRNA", Proc Natl Acad Sei USA, 1985; 82 (20): 6918-6921). Portanto, a AAT expressa de modo intracelular e induzida pela presença de AAT pode ter um efeito inibidor na elastase das culturas PBMC de doentes com SFC. Além disso, não pode ser descontado que a AAT pode directamente 16 ΡΕ2289540 inibir a elastase intracelular após entrar nas células PBMC, como descrito para outros tipos de células (Zhang B, et al., "Alpha 1-antitrypsin protects beta-cells from apoptosis, Diabetes 2007; 56(5): 1316-1323). Portanto, os dois mecanismos de inibição da elastase em culturas PBMC de doentes com SFC podem co-existir e mesmo produzir um efeito cumulativo.
Estas descobertas são mesmo mais surpreendentes visto que as novas aplicações terapêuticas potenciais de fármacos contendo AAT originárias destas experiências não podem de modo nenhum ser relacionadas com as aplicações desta proteína conhecidas até agora as quais estão estritamente baseadas na compensação da deficiência natural que se apresenta como doenças pulmonares (enfisema pulmonar) ou distúrbios inflamatórios da pele (paniculite).
Embora os inventores não desejem sentir-se limitados a qualquer hipótese quanto à forma manifestada por novos fármacos contendo AAT no tratamento de SFC, eles estabeleceram, de modo não limitativo, a hipótese que a AAT tem um papel importante no controle das células imunológicas responsáveis pelos sintomas associados com SFC, e na regulação da expressão de genes relacionada com o sistema imunológico.
A SFC pode ser tratada com concentrados terapêuticos de AAT, purificados a partir do plasma humano ou produzidos por tecnologia recombinante ou transgénica. O 17 ΡΕ2289540 tratamento é também possível com plasma ou outros produtos terapêuticos contendo uma quantidade suficiente de AAT para obter uma dose mínima.
Como ocorre com outras proteínas, não se pensa que a presença da molécula completa de AAT seja necessária para obter o resultado desejado. Assim, moléculas contendo uma sequência parcial de aminoácidos derivados da sequência correspondente da molécula de AAT, podem ser úteis no tratamento de SFC. Estas moléculas podem ser obtidas a partir do plasma humano ou produzidas por métodos sintéticos ou por tecnologia recombinante ou transgénica. 0 presente invento também se relaciona com um método para o tratamento de SFC que compreende a administração de uma quantidade terapeuticamente eficaz de AAT, em combinação com um ou mais veículos farmaceuticamente inertes ou activos, a um doente sofrendo ou em risco de desenvolver SFC. 0 regime de tratamento de acordo com o invento inclui a administração periódica e repetida de AAT para o propósito de reduzir ou eliminar os sintomas de SFC. Uma dose de 6 mg ou mais de AAT por quilograma (kg) de peso corporal infundida a uma frequência de entre 1 e 31 dias é considerada suficiente para o tratamento de SFC. Uma dose preferida de AAT seria entre 15 e 360 mg por kg de peso corporal infundido a uma frequência de entre 1 e 31 dias. Ainda uma dose mais preferida seria entre 25 e 60 mg por kg 18 ΡΕ2289540 de peso corporal todas as semanas ou múltiplos destas quantidades ajustados proporcionalmente dependendo do intervalo de tempo esperado até à próxima dose.
Alternativamente, o presente invento inclui um regime de tratamento estabelecido para atingir um nivel desejado de AAT no soro até oito vezes superior aos níveis base, 24 horas após administração. A AAT pode ser administrada por injecção paren-térica e de acordo com um modelo de realização preferido, a administração tem lugar de forma intravenosa, embora possa também ser administrada por via intramuscular ou intra-dérmica. Alternativamente, a AAT pode ser administrada por inalação. Dependendo da via de administração, a preparação de AAT é feita como uma solução ou suspensão num veículo ou transportador farmaceuticamente aceitável. Exemplos apropriados de tais veículos incluem: água para injecção, água estéril para injecção e outros veículos aquosos (por exemplo, cloreto de sódio injectável, solução de Ringer injectável, dextrose injectável, dextrose e cloreto de sódio injectáveis, lactato de Ringer injectável); veículos que podem ser misturados com água (por exemplo álcool etílico, álcool de polietileno, propilenoglicol) ; veículos não aquosos (por exemplo, óleo de milho, óleo de semente de algodão, óleo de amendoim e óleo de sésamo). A necessidade para e selecção de outros excipientes, conservantes, soluções tampão, biocidas e produtos similares estão dentro do 19 ΡΕ2289540 âmbito de pessoas especialistas na arte e dependerão de vários factores, incluindo o sistema e via de administração, a duração de armazenamento requerida e as condições de transporte e armazenamento. EXEMPLO:
Enquanto se espera pelos resultados obtidos in vitro, os inventores, tendo tido uma autorização para uso compassivo, administraram uma preparação baseada em AAT a um doente diagnosticado com SFC.
Uma doente feminina foi diagnosticada com SFC em 2003 tendo satisfeito os critérios de diagnóstico de Fukuda, tendo sido eliminados outros processos médicos induzindo fadiga crónica, tais como distúrbios endócrino, infeccioso, neoplásico e/ou psiquiátrico. Antes de iniciar o tratamento com concentrado de AAT, a doente tinha uma concentração de elastase em PBMC de 1459 U/mg (unidades de actividade por miligrama de extracto de PBMC); no teste de avaliação de reserva funcional, a doente apresentou um consumo máximo de oxigénio de 17,2 ml/kh/min (63,5% do teórico), uma potência máxima de 64 watts (54,0% do teórico), um batimento cardíaco máximo de 149 (87,6% do teórico): e no estudo de disfunção neurocognitiva, mostrou enfraquecimento cognitivo muito sério. A doente foi sujeita a terapia com infusões intravenosas de preparação baseada em AAT (60 mg/kg de peso corporal semanalmente) durante um 20 ΡΕ2289540 período de oito semanas. No final do tratamento, a doente apresentou uma concentração de elastase em PBMC de 134 U/mg (unidades de actividade por miligrama de extracto de PBMC); no teste de avaliação de reserva funcional, a doente apresentou um consumo máximo de oxigénio de 16,4 ml/kg/min (60,6% do teórico), uma potência máxima de 85 watts (71,7% do teórico), um batimento cardíaco máximo de 151 (88,8% do teórico): e no estudo de disfunção neurocognitiva, mostrou enfraquecimento cognitivo sério. Como conclusão geral, após tratamento com a preparação baseada em AAT, a doente mostrou melhoria clínica clara, voltou a trabalhar, sentiu menos fadiga e apresentou tolerância melhorada ao exercício físico e disfunção cognitiva ligeiramente reduzida.
Foi portanto demonstrado que por meio do presente invento, os doentes com SFC podem ser eficazmente tratados com fármacos preparados com base na AAT. Estes doentes seriam afectados por inflamação crónica de células imunológicas e, de acordo com o presente invento, a AAT inibe a elastase a evita assim a degradaçao da RNase L, prevenindo assim a desregulação do canal iónico, que é supostamente responsável pela sintomatologia associada com SFC. Além disso, e de acordo com os resultados obtidos in vitro, a AAT pode regular a expressão de genes particulares associados com o sistema imunológico para restabelecer o funcionamento normal do sistema imunológico e reduzir a activação das vias pró-inflamatórias. 21 ΡΕ2289540
Embora o invento tenha sido descrito relativa mente aos exemplos dos modelos de realização preferidos estes não devem ser considerados como limitando o invento que é definido pela interpretação mais vasta das reivin dicações seguintes.
Lisboa, 19 de Novembro de 2012

Claims (4)

  1. ΡΕ2289540 1 REIVINDICAÇÕES 1. Composição compreendendo alfa-l-antitripsina ou formas terapêuticas desta para utilização no tratamento de sindrome de fadiga crónica, que pode ser administrada a humanos.
  2. 2. Composição compreendendo alfa-l-antitripsina para utilização de acordo com a reivindicação 1, em que a referida composição é administrada num regime de tratamento de 6 mg ou mais de alf a-l-antitripsina por kg de peso corporal a uma frequência de entre 1 e 31 dias.
  3. 3. Composição compreendendo alfa-l-antitripsina para utilização de acordo com a reivindicação 1, em que a alfa-l-antitripsina é purificada a partir do plasma humano.
  4. 4. Composição compreendendo alfa-l-antitripsina para utilização de acordo com a reivindicação 1, em que a alfa-l-antitripsina é produzida por tecnologia sintética, transgénica ou recombinante. Lisboa, 19 de Novembro de 2012 1 ΡΕ2289540 REFERÊNCIAS CITADAS NA DESCRIÇÃO Esta lista de referências citadas pelo requerente é apenas para conveniência do leitor. A mesma não faz parte do documento da patente Europeia. Ainda que tenha sido tomado o devido cuidado ao compilar as referências, podem não estar excluídos erros ou omissões e o IEP declina quaisquer responsabilidades a esse respeito. Literatura que não é de patentes citada na Descrição * FiíKBDA K &ϊ si Tfce dsrsnis fsSgsje spwfeorae:: s •Essmprefosnssve sppresdi ta fts steMto? arta stesV. Mn Mem 1994, voL 121, 953-35S * Drsteia te tae ClassiScsítars a! FIssofnytogis. Reporl of toe Msicerttor Griteis CsrwríiSse.. Artattos RteiffJT 1$8&, 1990, vst 33 {2|, 180-172 * LLO¥D AR et si. Preraitesee of chronic toftgue syn~ diwse ta sfs Aastraiíasi poptasSisrs. Meti J, Mtgusá 13SS, voí. 153, 522-358 - HENDERSOK AS, Care-eiteStag befcavfor in mm. J NervMer,sf£?te 1974, vol. 15®.172-1S1 * WHHE PB et «d, BMC NetsM 2®}7, yaL 7,8 * Chrorac Fatigsje Syratasme. CIMsst Prsctice SiMs- rnm, * HILL RF st sL fcteaS híftoy o-í severe e-tetate &-nçus sysdKsrse. Aidti-Pty& Meti RehsM, 1998, vsi m iB), 1QSS-1S94 « AFARÈ H «S st Gtesrífc tstígae s^rafcorae: s mvhsm. AmJf&yvMiiry; 2Μ>% νβΙ1@ΰ {2% 221-239 « RSMESKA »1 al. T MBlmmfa ferChfssícFs&gue Sysi-sfeome. OrasjpaS&Ktaf Mstôctm, 2035, v«t 5 0), 32-39 * Qraãe FaSgue SyncSrome, ENâUEBSENiiE P«tat A BfotagSSaS Appísadt CRC Ptaas LL€, 2882 * 8MHADOLMÊK «t st UpraguiaítoR ©f toe 2-5A sysi- tostssdRRsse L anSvirai pstowsy sssocásteí vsstt ctrctíss itaSgue syrtorame. CSminfesl £ts< 1884, vot 18 888-8184 * BE «EIRLEiR st sL A 37 kDa 2-SA bmdtag ptesto s$ a potonito btodhettoeaf raraSwsrte steoíiSffiMigss syraftome. Am J Msd, 2ΘΘ0, wd. 108 (2), 88-185: * líiRATZ: A et st LaPsnstesy Re^sretca Vabim1 N Eag JMed 2004, «A. 31S <1S|, 1S48-1S6S * SRANTLY Μ. Aiphísí-sfíEiòypsid:: netsuS síí :$3íp;& tosse: extssidltsg toe hatt-lto df 8 nsámê av&itâasm-matexy mteoâ» &$? ζζφ&&αη wfô» gíycot; Am J RespO· CW M&i 8k$ 2082, vet 27 {8), 652-354 * Ame&at) TtKsradc Sade^Surop^t R^pitadray Soady dto-toe diagoosis arai man&gsssísri? of tadh4d«afe taáto s{ptsa-l: SR8typs,ta deSdgHKy, Am J Reqpr CriÊ Csís AteP,. 2333, vtd.· 168, 818-956 * WEWER6 SiD st ai, R^áscssTisnt toer^f te 1· dsSssKíoy ^soessíedwsBs SRifásyse-ms. Afe1r Big J Meã, 1SS7, «d. 316, «OSS-tSBZ • SEERSHOL8Í R st at- Does dpda-1 -sntSrypsta aag-msntetas ttxsrspy ste» 8» s^raat deetes ta FEV1 ta ps6«f?te wlta sav«m hssedítsry 3$to&-1-aeita3psta d«Sds!>£Y?. SarftoapírJ, 1S97. vot 18, 22SD^283 » T6s Afptaa- 1-Âr$tor$psta DeScierscy Re^síry Sfeáy Group, Sasvlvd rato ftV1 dedta® ta fetovtousto «sta sewre delida^ ísf atpíss-l -asiitrypsisi. AmJ Rssp k cm C&rsMsd, 19S8, woi, 158, 49-53 ♦ WSKCKB1 !B5 et at, Long torra testment «f s4-phs-l-sr&sypsta {t^dera^-r^toeâ ptòmamrf «m-physsma wita tirarast síp8s-1 -arstír/pssa. Ettr Raspir 4 1S88,«s!. 11,428 -433 » ÍTOH :N: st &. C>4skiíí®-5f5d«Ged snetsfe&ítetae «s-prsssiM rato trasàtotoen ef c$totone expressssa tsy raetolítojtonme. Yakuga&sZmsfsi, 21367, voL 127 (4), £85-594 • IRystJP RR st ai, H^ototoarato digosta, ssr-sferal stetiícaa ítosrasíance and myaigic siTc^jMssnyélils. M J m&mcf, 2QQ3, voi. 113 |S), 683-701 » TitooeMsfdefectfo topisa 1-pr^dnaseii:r51taãsr(;si-pts 1-PS) dtokâerw^ ís expratoeto ta Human mofio-cyiss iasto to Xenopcis ees^toe A toansB ilíveF wfím, PracmSAsaÉSei USA, 1885, voi,82 (.20), 89tS-S321 • ZMA14G B st ito, Aiptisl ssitilrypsta: protocto is®-to-teis Scra spoptoato. Diabetes, 2007, voL SS (S), 1315-1323 1 E.R&LEBi£RR:E P st aL interasiions betasse» RRsse L, ssfcyrta doma® arai ABC trsrespsííeís m a passtote csi^Fi sf peta, toe Itanspoti, CRS rato immuaedtsor-de?s ef «teonfe SsíSgye iniraurse t^sfestctai bjíh-drame. J Chrm\ϊο &8gii9 Sjs1tej®e, 2301, vot 8 (3(4),83-102 « 0EM1I8E E st RsttaPitalsss» L pFotsolysfe is pe-tipíira^ bfeod mora»tuciesr caSs o? cO^rss fad^us synetosa p3fients,.>íSfc.f Citem, 2302, vsf. 277 (38), 35745-35751: * NMS ã st aL Cte'mte fetigue sfyratoje; sse? dss per-fesirassK» fdafesd to tounune Sted Sei Sporis Exsrc, 20C35, VSL 37 {43), 1547-1554
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