PT679103E - Cartucho de injeccao - Google Patents
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Description
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DESCRIÇÃO "CARTUCHO DE INJECÇÃO A presente invenção refere-se a um cartucho de injecção do tipo câmara dupla. Em mais pormenor, a invenção refere-se a um cartucho de injecção do tipo câmara dupla cujo sistema de comunicação tem uma disposição melhorada para o componente líquido.
Os cartuchos de injecção do tipo de câmara dupla são bem conhecidos e largamente usados. Esses cartuchos destinam-se, principalmente, a serem usados quando a composição farmacêutica liquida a ser injectada não é estável durante um período de tempo alargado. Nesses casos, a composição a ser injectada é fornecida como dois componentes separados, um componente sólido compreendendo o componente farmacêutico activo em seco, e um componente líquido compreendendo um diluente ou agente de dispersão para o componente sólido. Estes dois componentes são encerrados num cartucho de injecção do tipo câmara dupla, de maneira que o componente sólido seja habitualmente encerrado na câmara anterior, enquanto o componente líquido é encerrado numa câmara posterior. (Na descrição e reivindicações que se seguem, as expressões “anterior” e “posterior” devem ser consideradas em relação à direcção em que a composição injectável é transportada quando se administra uma injecção).
Os dois componentes são separados por uma parede móvel que veda contra a parede interna do cartucho. A câmara posterior, que contém o componente líquido, também é fechada na sua extremidade posterior por um pistão que veda contra a parede interna do cartucho.
Na sua extremidade anterior, o cartucho é normalmente fechado por um septo de borracha que é mantido no seu lugar por meio de uma cápsula metálica. Esta cápsula metálica tem uma abertura central que expõe o septo de borracha. Através deste orifício, uma agulha oca pode ser inserida através deste septo para estabelecer uma ligação com o interior do cartucho.
Para conduzir o componente líquido para cima do componente sólido para dissolução ou dispersão, os convencionais cartuchos de injecção de câmara dupla são equipados com pelo menos um canal de derivação na parede do cartucho. Quando a parede móvel que separa as duas câmaras estiver numa posição adequada, o canal de derivação fica exposto de maneira que o componente líquido possa fluir em redor da referida parede móvel e ser misturado com o componente sólido.
Quando o cartucho estiver pronto para administrar uma ou mais injecções, faz-se pressão sobre o pistão posterior para o fazer avançar. Esta pressão será transmitida através da fase líquida, que é grandemente incompressível, de modo a que a parede móvel, que separa as duas câmaras, seja forçada a avançar. Quando a parede móvel anterior se deslocar para a frente num determinado comprimento, ficará situada no canal de derivação, de modo a permitir que um fluxo de líquido passe da câmara posterior para a câmara anterior. Se o pistão posterior for mais pressionado, fará com que o líquido passe da câmara posterior para a câmara anterior, enquanto a parede móvel se mantém essencialmente estacionária.
Quando todo o líquido tiver sido expelido da câmara posterior, o pistão posterior ficará encostado à parede móvel e, ao pressioná-lo mais para a frente far-se-á com que as duas paredes se desloquem em conjunto, agindo como um único pistão. O septo de borracha que fecha a extremidade anterior do cartucho já deverá ter sido perfurado por uma agulha oca que possibilite a expulsão da preparação já misturada a partir da câmara anterior de maneira a ser administrada a um paciente.
Os cartuchos de injecção de câmara dupla atrás descritos apresentam uma série de importantes vantagens e têm sido largamente usados. Uma utilização importante ê em dispositivos de injecção destinados a serem utilizados pelo paciente que administra as injecções a si próprio. É fácil para o paciente preparar a preparação injectável a partir dos dois componentes imediatamente antes de a administrar e o risco de contaminação é altamente reduzido.
Contudo, os cartuchos de injecção convencionais do tipo câmara dupla também apresentam certos inconvenientes. Os cartuchos são muitas vezes usados em dispositivos de injecção que, mais ou menos, têm a aparência de uma caneta de tinta permanente, e é desejável que o comprimento ou a espessura desse tipo de dispositivo não seja inadequado. Assim, qualquer medida que possa fazer com que esse tipo de dispositivo seja mais delgado e/ou mais curto é altamente desejável. O canal de derivação na parede dos cartuchos convencionais cria uma nervura longitudinal na parede exterior do cartucho e faz com que seja necessário usar um dispositivo de injecção tendo um tambor indesejavelmente grosso para alojar o cartucho. Além disso, é desejável fazer com que o movimento para a frente da parede móvel seja tão breve quanto possível, pois isto possibilita o uso de um dispositivo de injecção tendo um tambor mais curto.
Os desejáveis melhoramentos atrás referidos são alcançados com a presente invenção. De acordo com a invenção é fornecido um cartucho de injecção do tipo câmara dupla que compreende um tambor tubular fechado na sua extremidade anterior por um vedante que pode ser penetrado por uma conduta de saída para uma preparação líquida proveniente do cartucho, a qual é fechada na sua extremidade posterior por um pistão que pode ser movido para a frente e que compreende uma parede transversal móvel dentro do tambor, sendo o cartucho dividido em duas câmaras separadas pela referida parede móvel, e uma derivação entre as duas câmaras, podendo essa derivação ser aberta pela deslocação da referida parede móvel para permitir um fluxo de derivação de um líquido entre as câmaras. A ligação entre as duas câmaras está concebida como uma modificação da parede interna do referido tambor ao longo de uma área determinada, de maneira que a referida parede móvel não vede completamente contra a parede interna do tambor dentro da referida área. A referida área modificada abrange totalmente o perímetro da circunferência da parede interna do cartucho, de modo a permitir que um fluxo de líquido circunde completamente a circunferência da parede móvel. A modificação da parede interna do cartucho é concebida como uma pluralidade de relevos e sulcos na referida parede interna, tendo os referidos relevos e sulcos uma direcção inclinada relativamente à direcção axial do tambor e prolongando-se ao longo de toda a referida área modificada. O que caracteriza a invenção é o facto de os relevos se projectarem para dentro a partir da parede interna do cartucho, de maneira que o diâmetro interior entre os relevos seja mais pequeno do que o diâmetro interior nominal do cartucho.
Num outro modelo de realização preferido da invenção, os referidos relevos e sulcos axiais são interrompidos por sulcos essencialmente periféricos tendo, essencialmente, a mesma profundidade dos referidos sulcos axiais.
Noutro modelo de realização ainda mais preferido, a área modificada da parede interna do cartucho é dividida em pelo menos duas áreas circunferências que têm o mesmo espaçamento que a distância entre o mesmo número de nervuras circunferências de vedação na parede móvel. A profundidade dos referidos sulcos e a altura das referidas relevos é preferivelmente entre 0,06 e 0,6 mm a partir da parede interna do cartucho.
Assim, o cartucho de câmara dupla já não contém um canal de derivação mas sim uma área de derivação de modificações da parede interna. Esse tipo de área permite um maior número de canais planos, que têm pelo menos a mesma capacidade de fluxo de um grande canal. Contudo, devido à pouca profundidade das modificações, não será necessária uma nervura exterior ou uma maior espessura da parede do cartucho e isto faz com que seja possível usar um dispositivo de injecção tendo um tambor mais delgado. A disposição inclinada das relevos e sulcos relativamente ao eixo longitudinal do cartucho também traz vantagens novas e inesperadas no fabrico do cartucho com a sua área de derivação. O pedido de patente US-A-2 591 046 revela um conjunto de seringa hipodérmica em que o tambor da seringa está dividido numa câmara anterior e uma câmara posterior por meio de um pistão intermediário móvel. Uma secção de derivação é disposta na parede interna do tambor da seringa e, ao deslocar o pistão intermediário até à posição da secção de derivação, pode fazer-se com que um líquido na câmara posterior flua em redor do referido pistão até ser misturado com um componente sólido na câmara anterior. Contudo, nesta referência, a secção de derivação está apenas disposta como sulcos na parede interna do tambor da seringa. Não se revela a existência de relevos que constituam protuberâncias para dentro a partir do diâmetro interior nominal. A presente invenção também se refere a um método de fabricar uma derivação num tambor tubular de um cartucho de injecção, tal como é definido na reivindicação 7.
Os sulcos e relevos podem ser embutidos na parede interna do tambor do cartucho por meio de uma ferramenta rotativa de gravar que trabalhe sobre o material do tambor termicamente amolecido. Descobriu-se que, quando os sulcos e relevos são paralelos ao eixo do tambor, a acção de gravar da 6 ferramenta provocará vibrações que podem conduzir a uma distorção do tambor. Se, pelo contrário, os sulcos e relevos forem embutidos num ângulo relativo ao eixo longitudinal esse tipo de vibrações não se produzirá. Esta é uma importante e inesperada vantagem da invenção. O ângulo entre os sulcos e o eixo longitudinal do cartucho pode ser de 5 a 45 graus. Um valor preferido é de 10 a 30 graus, e é especialmente preferido um de cerca de 20 graus. O pedido de patente internacional PCT/SE93/00337, que ainda não foi publicado, revela um cartucho de injecção do tipo câmara dupla, no qual uma zona de derivação está disposta como uma modificação da parede interna do cartucho. Contudo, nada é mencionado acerca de qualquer disposição inclinada de sulcos e relevos. A invenção será agora descrita em mais pormenor, fazendo-se referência aos desenhos em anexo.
Nos desenhos, a Figura 1 mostra um cartucho de injecção de câmara dupla. A Figura 2 mostra uma vista em corte desse cartucho. A Figura 3 mostra outro modelo de realização de um cartucho de injecção de câmara dupla e a Figura 4 mostra o mesmo cartucho na fase em que os dois componentes são misturados. A Figura 5 mostra um cartucho de injecção de acordo com a invenção e a Figura 6 mostra uma vista em corte transversal do mesmo cartucho na posição do pistão. A Figura 7 mostra o mesmo modelo de realização do cartucho com o pistão deslocado da zona de derivação e a Figura 8 mostra uma vista em corte do mesmo cartucho nesta posição do pistão. Nas figuras do desenho, as peças semelhantes têm os mesmos números de referência. Além disso, alguns dos pormenores no desenho estão indicados numa escala exagerada para melhor compreensão. A Figura 1 mostra um cartucho de injecção de câmara dupla tendo um tambor cilíndrico 1 e uma porção de gargalo 2 na abertura anterior 3. Esta abertura é fechada por um septo 4 de borracha ou de qualquer material semelhante que tenha propriedades vedantes, e o septo é mantido no seu lugar por meio de uma cápsula de metal 5 que está presa em redor de uma flange 6 na extremidade anterior da porção de gargalo 2. A cápsula 5 tem uma abertura central 7, onde o septo está exposto e pode ser penetrada por uma agulha oca quando se desejar.
Na sua extremidade posterior, o tambor 1 do cartucho é fechado por um pistão B, que pode ser deslocado para a frente quando o cartucho tiver de ser preparado para uma injecção. O cartucho está dividido numa câmara anterior 9, que habitualmente contém o componente sólido da preparação injectável e uma câmara posterior 10, que habitualmente contém o componente líquido da referida preparação, por meio da parede móvel 11. Na posição apresentada na figura, a parede móvel veda contra a parede interna do cartucho, e nada pode passar entre as duas câmaras.
Em frente da parede móvel 11, a parede interna do tambor 1 do cartucho é provida com as modificações 12, que fazem com que a parede móvel 11 nesta área não vede completamente contra a parede interna. Nas figuras do desenho, estas modificações estão indicadas como sulcos pouco profundos que se prolongam em ângulo na direcção longitudinal do tambor 1. Isto também está apresentado na Figura 2, que é uma vista em corte do tambor 1 ao longo da linha A-A na Figura 1.
Na Figura 2 mostra-se como o tambor 1, que aqui contém a câmara anterior 9, está provido de uma pluralidade de sulcos pouco profundos 13. Para melhor compreensão, a profundidade destes sulcos está exagerada no desenho. Os sulcos pouco profundos são distribuídos com regularidade ao longo da circunferência interna do tambor. Contudo, também é possível fazer com que os sulcos se apresentem apenas em certas áreas discretas. O que é importante é que, no seu conjunto, os sulcos proporcionem uma passagem suficiente para que o componente líquido flua da câmara posterior para a câmara anterior.
Parte-se do princípio de que a área das modificações de superfície deve ter uma extensão na direcção axial que seja um pouco mais longa do que a parede móvel 11, de maneira a permitir que um fluxo de líquido passe através da referida parede móvel.
Ver-se-á também que os sulcos 13 podem ocupar tanto da parede interna que a parede móvel 11 apenas é devidamente guiada por pequenas nervuras. Em geral isto não constitui um problema.
Os sulcos inclinados 13 também podem ser interrompidos por uma série de sulcos periféricos que circundem a circunferência interior do tambor 1. Isto pode melhorar o fluxo do líquido e ajudará a remover o ar do sistema.
Além disto, deve notar-se que não é estritamente necessário que a área de derivação 12 seja formada por sulcos. São também possíveis outras modificações da superfície interior, como pequenas projecções e afins. Num modelo de realização preferido, essas projecções são conformadas como relevos que se prolongam em ângulo na direcção axial. A altura dessas projecções também deverá, preferivelmente, situar-se entre 0,06 e 0,6 mm. A característica importante é o facto de, na referida área 12, a parede móvel 11 não dever vedar completamente contra o tambor mas dever permitir um fluxo de derivação do componente líquido entre as câmaras.
Quando for altura de aprontar o cartuxo para a injecção, é aplicada uma pressão, dirigida para a frente, sobre o pistão 8 na zona posterior do cartucho. Esta pressão é transmitida através do líquido essencialmente incompressível na câmara posterior 10 e actua sobre a parede móvel 11 para o fazer avançar. Quando a parede móvel estiver tão deslocada para a frente que se situe já na área da superfície interna modificada do tambor 1, deixará de vedar completamente contra a parede interna do tambor e o componente líquido poderá fluir da câmara posterior 10 para a câmara anterior 9, para ser misturado com o componente sólido nesta câmara. Se exercer mais pressão sobre o pistão posterior 8 far-se-á com que o líquido seja expelido da câmara posterior 10 até que, por fim, o pistão posterior fique parado contra a superfície posterior da parede móvel 11. Nesta fase, a parede móvel 11 e o pistão posterior 8 actuarão em conjunto como um único pistão.
Antes de se fazer com que o componente líquido flua para dentro da câmara anterior 9, o septo 4 que fecha a câmara anterior 9 terá, usualmente, de ser perfurado com uma agulha oca que está ligada a uma agulha destinada a administrar a injecção ou que, por si mesma, sirva como uma dessas agulhas de injecção por meio da sua extremidade apontada para a frente. Isto evita que se exerça uma sobrepressão excessiva na câmara anterior 9. Depois de se fazer com que todo o componente líquido tenha fluído para dentro da câmara anterior 9 e tenha sido completamente misturado com o componente sólido, se exercer maior pressão sobre o pistão posterior 8 combinado com a parede móvel 11 far-se-á com que a preparação injectável misturada seja expelida através da agulha oca para ser administrada a um paciente.
Antes de o cartucho estar pronto para a injecção, é colocado num dispositivo de suporte adequado. Esses dispositivos são conhecidos por transportarem os dois componente e por administrarem, subsequentemente, a preparação injectável. Em muitos casos, também incluem um sistema para medir quantidades pré-determinadas da preparação a ser injectada. Há um número desses dispositivos disponíveis no comércio que estão concebidos de modo a permitir que um paciente possa, ele mesmo, preparar o cartucho para injecção e administrar as injecções a si próprio por meio desse dispositivo.
As Figuras 3 e 4 mostram outro modelo de realização. A concepção das extremidades anterior e posterior do cartucho são as mesmas que aqui foram apresentadas na Figura 1.
Contudo, a área de modificação da parede interna do tambor 1 está aqui dividida em pelo menos duas áreas 15 e 16. Estas áreas estão dispostas como bandas espaçadas 15 e 16, contendo cada uma os mesmos tipos de modificações de superfície inclinadas como as que foram referidas relativamente às Figuras 1 e 2. Uma vista em corte ao longo das linhas A-A na Figura 3 mostrará exactamente o mesmo que a Figura 2 em relação à Figura 1. A parede móvel 11 é composta por uma porção central tendo um diâmetro inferior ao diâmetro interno do tambor 1, e pelo menos duas nervuras circunferenciais vedantes 17 e 18 nas extremidades anterior e posterior da parede móvel, respectivamente. Isto produz um espaço 19 que é definido pelas duas nervuras vedantes 17 e 18, tendo a porção da parede móvel um diâmetro inferior, e a parede interna do tambor 1. O espaço entre as duas nervuras vedantes 17 e 18 é o mesmo que o espaço entre as duas bandas 15 e 16 de modificações de superfície da parede interna. De certo modo, estas bandas também têm um comprimento axial superior ao comprimento axial de cada uma das nervuras vedantes 17 e 18, de maneira a possibilitar que o líquido flua em redor das referidas nervuras vedantes.
Na fase inicial, antes de o cartucho ser preparado para a injecção, a parede móvel está posicionada dentro do tambor 1 do cartucho de maneira que a nervura vedante anterior 17 se situe entre as duas bandas de modificação 15 e
16. A nervura vedante posterior 18 deve situar-se atrás da banda posterior 16. Deste modo, assegura-se uma separação completamenle estanque entre as câmaras anterior e posterior.
Quando o cartucho tiver de ser preparado para injecção faz-se pressão sobre o pistão posterior 8, como anteriormente descrito. Isto fará com que a parede móvel 11 seja forçada a avançar, até ficar na posição indicada na Figura 4. Ver-se-á que as duas nervuras vedantes estão agora posicionadas de maneira oposta às bandas de modificação 15 e 16, e que é agora possível fazer fluir um líquido da câmara posterior 10, circundando a nervura vedante posterior 18, para dentro do espaço 19 e, circundando a nervura vedante anterior 17, para dentro da câmara anterior 9. A vantagem deste modelo de realização é que a parede móvel 11 só terá de ser deslocada na curta distância que corresponde aproximadamente a metade do espaço entre as duas bandas 15 e 16. Isto faz com que seja possível usar um cartucho mais pequeno e um dispositivo de injecção mais curto para alojar o cartucho. Para dispositivos de injecção que devam ser transportados pelo próprio paciente, isto pode ter uma importância considerável.
Também é possível usar mais do que duas áreas de modificação de superfície e correspondentes nervuras vedantes da parede móvel. Isto proporciona um vedante mais seguro mas a construção torna-se mais complicada e, portanto, também mais dispendiosa.
Nas Figuras 5 a 8 é apresentado um modelo de realização de um cartucho de injecção de acordo com a invenção. Nestas figuras, só está apresentada a porção do cartucho que circunda a área de derivação e o pistão anterior, enquanto que as disposições nas extremidades anterior e posterior do cartucho são as mesmas apresentadas nas figuras anteriores. A Figura 5 mostra o tambor do cartucho 20 com o pistão 21 posicionado na área de derivação 22. A Figura 6 é uma vista em corte ao longo de A-A na figura 5 (em escala maior para melhor compreensão) que mostra a forma da parede do cartucho, na área de derivação, e do pistão aí contido. Ver-se-á que a parede interna do cartucho 20 está provida de relevos inclinados 23 e sulcos 24, e que o pistão 21 foi deformado para se adaptar aos relevos 23 e sulcos 24 na área de derivação. Contudo, esta adaptação não é total e formam-se canais axiais 25 entre os fundos dos sulcos 24 e do pistão deformado 21. Estes canais 25 permitem a derivação do líquido da câmara posterior para a câmara anterior do cartucho. A Figura 7 mostra o cartucho 20 depois de o pistão 21 ter sido deslocado mais adiante da área de derivação 22, e a figura 8 mostra uma vista em corte (numa escala maior) ao longo de A-A na figura 7. Ver-se-á que o pistão 21 se adaptou agora à parede interna lisa do cartucho 20 e que veda completamente contra a referida parede interna. A característica importante do modelo de realização apresentado nas figuras 5 a 8, especialmente então na figura 6, é a de que os relevos inclinadas 23 se projectam para dentro a partir na circunferência nominal interior do cartucho 20, enquando que os sulcos 24 se projectam para fora a partir da referida circunferência nominal. A circunferência nominal interior e o diâmetro interno do cartucho são definidos como circunferência interior e diâmetro interno, respectivamente, da porção de parede lisa do cartucho e a referida circunferência é simbolizada pela linha tracejada 26 na figura 6. A altura das relevos 23 e a profundidade dos sulcos 24, bem como o seu número, devem estar relacionadas entre si de maneira que o pistão 21 tenha a mesma área de corte transversal quer esteja na porção de derivação quer nas porções de parede lisa do cartucho. 13
Quando o pistão 21 está na porção de parede lisa do cartucho, tem de ser comprimido até certo ponto para vedar com segurança contra a parede interna do cartucho. Esta compressão do pistão fará com que, em certa medida, o seu comprimento aumente. A compressão do pistão aumentará também a sua resistência contra o movimento na direcção axial. Pode obter-se um grau de resistência adequado por meio da selecção de um grau de compressão apropriado, bem como por meio de um tratamento adequado da parede interna do cartucho, como com silicone. Um tratamento com silicone, contudo, pode também provocar a contaminação do produto no cartucho.
Quando o pistão 21 tiver sido deslocado para a área de derivação 22, algumas porções serão ainda mais comprimidas pelos relevos 23 que se projectam para dentro a partir da circunferência nominal 26, enquanto se permite que outras porções se expandam para dentro dos sulcos 24, sem preencher completamente os referidos sulcos. É uma característica importante deste modelo de realização da invenção que esta maior compressão e expansão se equilibrem entre si de maneira a fazer com que a área de corte transversal do pistão na porção de derivação seja essencialmente a mesma da área de corte transversal do pistão na porção de parede lisa do cartucho. Significa isto que o comprimento do pistão 21 será essencialmente inalterado em consequência do que a resistência contra a deslocação axial do pistão será também essencialmente inalterada. Esta é uma importante vantagem, uma vez que a resistência constante contribui para uma maior exactidão na mistura e doseamento do produto no cartucho.
Nas áreas de derivação da técnica anterior, o diâmetro é usualmente um pouco maior do que nas porções de parede lisa do cartucho. Assim, a resistência contra a deslocação axial do pistão é inferior na área de derivação e a mudança de resistência pode ser bastante abrupta. Isto pode fazer com que, ao empurrar o pistão para a frente, um utilizador desloque o pistão demasiado depressa na área de derivação, de modo que o pistão passará por cima da área de derivação antes de todo o líquido na câmara posterior ter sido transferido para a câmara anterior. O risco disto ocorrer é maior quando o pistão é deslocado para a frente por pressão manual em vez de se utilizar um mecanismo de rosca.
Assim, a interacção entre o pistão e a parede interna do cartucho na área de derivação é um aspecto crítico para se obter uma mistura correcta e precisa dos componentes líquido e sólido no cartucho. Através deste modelo de realização da presente invenção, o risco de se cometerem erros no processo de mistura é grandemente reduzido.
As relevos e sulcos na parede interna do cartucho podem ser fabricados por tratamento mecânico da parede interna enquando o tambor do cartucho está em estado amolecido. Assim, o tambor do cartucho que habitualmente é feito de vidro ou de matéria termoplástica, é aquecido até um grau de amolecimento adequado e um disco tendo uma forma circunferencial correspondendo ao perfil desejado para a parede interna é inserido no tambor e é rolado em redor da circunferência da parede interna no local da área de derivação. O disco gravará então a parede interna com o padrão pretendido. Verificou-se que a forma ondulada apresentada na figura 6 é vantajosa mas também é possível adoptar outras formas de relevos e sulcos. Uma característica essencial é a de que as dimensões dos relevos e sulcos deveriam ser tais que o pistão, no seu estado deformado na porção de derivação, deveria ter essencialmente a mesma área de corte transversal como na porção de parede lisa do tambor do cartucho, enquando produz canais de derivação no fundo dos sulcos.
Quando os relevos e sulcos são disposto num ângulo em relação ao eixo longitudinal do cartucho, isto significará que as projecções no disco de gravar baterão na parede interna do tambor do cartucho gradualmente, e não abruptamente, como acontece quando os sulcos são gravados numa direcção paralela ao eixo longitudinal. Este processo gradual dará origem a menos
vibrações e a um menor risco de se deformar o tambor do cartucho amolecido termicamente.
Escusado será dizer que o modelo de realização apresentado nas figuras 5 a 8 pode ser combinado com o modelo de realização apresentado nas figuras 3 e 4, onde a modificação da parede interna na área de derivação é dividida em pelo menos duas áreas separadas. O cartucho de injecção da invenção é especialmente vantajoso para ser usado em conjunto com preparações sensíveis, como hormonas de crescimento e outras proteínas. Essas preparações têm de ser reconstituídas sob condições muito suaves, pois, de outro modo, existe o risco de se desnaturarem. Pela presente invenção, onde o risco de deformação foi minimizado, está concebido um fluxo regular de líquido circundando toda a circunferência da parede móvel e isto torna possível misturar os dois componentes sob condições muito suaves. Este tipo de fluxo de líquido também ajuda a remover o ar contido na composição. O fabrico de cartuchos de injecção de acordo com a presente invenção não apresenta quaisquer dificuldades a um especialista na técnica. As modificações de certas áreas da parede interna podem ser efectuadas utilizando uma ferramenta adequada em esmeril ou como atrás descrita para o modelo de realização preferido. Relativamente a todos os outros aspectos, a preparação e enchimento dos cartuchos são efectuados da mesma maneira como para cartuchos de injecção convencionais do tipo câmara dupla. O cartucho de injecção da invenção pode ser fabricado a partir de materiais convencionais, como vidro ou matérias plásticas adequadas. Essas matérias são bem conhecidas dos especialistas na técnica.
Lisboa. * »
Claims (4)
1 REIVINDICAÇÕES 1. Um cartucho de injecção do tipo câmara dupla, compreendendo um tambor tubular (1) que, na sua extremidade anterior, é selado por um vedante (4) que pode ser perfurado por uma conduta de saída para uma preparação líquida a partir do cartucho, é fechado por um pistão (8) na sua extremidade posterior que pode ser deslocado para a frente, e uma parede transversal móvel (11) dentro do referido tambor (1), sendo o cartucho dividido em duas câmaras separadas (9, 10) pela referida parede (11) e uma ligação de derivação (12) entre as duas câmaras (9, 10), podendo a referida ligação ser aberta pela deslocação da referida parede móvel (11) para permitir um fluxo de derivação de líquido entre as duas câmaras, onde a referida ligação de derivação (12) entre as duas câmaras (9, 10) está concebida como uma modificação da superfície interna do tambor (1) ao longo de uma área pré-determinada (12) que se prolonga circundando completamente a circunferência da referida parede interna, de maneira que a referida parede móvel (11) não veda completamente contra a referida parede interna do tambor (1) dentro da referida área, e onde a referida modificação está concebida como uma pluralidade de relevos (23) e sulcos (24) tendo uma direcção inclinada em relação ao eixo longitudinal do referido tambor (1), prolongando-se os referidos relevos e sulcos ao longo da referida área pré-determinada (12) e caracterizado pelo facto de os relevos (23) se projectarem para dentro a partir da circunferência nominal interior do tambor tubular.
2. Cartucho de injecção de acordo com a reivindicação 1, caracterizado pelo facto de os sulcos (24) se projectarem para fora a partir da referida circunferência nominal.
3. Cartucho de injecção de acordo com a reivindicação 2, caracterizado pelo facto de a altura dos relevos (23) e a profundidade dos sulcos 2
(24), bem como o seu número, estarem relacionados de maneira que a parede móvel transversal (21) tenha essencialmente a mesma área em corte transversal quando posicionada na área dos referidos relevos e sulcos como quando estiver posicionada numa porção de parede lisa do cartucho. Cartucho de injecção de acordo com qualquer uma das reivindicações 1- 3, caracterizado pelo facto de a referida área modificada da referida superfície de parede interna estar dividida em pelo menos duas áreas circunferenciais espaçadas (15, 16) e pelo facto de a parede móvel (11) estar provida do mesmo número de nervuras vedantes periféricas (17, 18), tendo as referidas nervuras e áreas o mesmo espaçamento. Cartucho de injecção de acordo com qualquer uma das reivindicações 2- 4, caracterizado pelo facto de a profundidade dos referidos sulcos (24) e/ou a altura dos referidos relevos (23) ou projecções se situar entre 0,06 e 0,6 mm. Cartucho de injecção de acordo com qualquer uma das reivindicações 1-5, caracterizado pelo facto de o ângulo entre a direcção dos referidos relevos (23) e sulcos (24) e o eixo longitudinal do tambor do cartucho (1) estar a 5 a 45 graus, preferivelmente entre 10 e 30 graus e, o mais preferivelmente, a cerca de 20 graus. Um método de fabricar uma ligação de derivação num tambor tubular para um cartucho de injecção (1) que esteja selado na sua extremidade anterior por um vedante (4) que pode ser perfurado por uma conduta de saída para uma preparação líquida a partir do cartucho, é fechada na sua extremidade posterior por um pistão (8) que pode ser deslocado para a frente e tem uma parede móvel transversal (11) dentro do referido tambor, sendo o cartucho dividido I
em duas câmaras separadas (9, 10) pela referida parede (11) e uma ligação de derivação (12) entre as duas câmaras (9, 10), podendo a referida ligação ser aberta pela deslocação da referida parede móvel (11) para permitir um fluxo de derivação de líquido entre as duas câmaras, onde a referida ligação de derivação (12) entre as duas câmaras (9, 10) está concebida como uma modificação da superfície interna do tambor ao longo de uma área pré-determinada (12) que se prolonga circundando completamente a circunferência da referida parede interna, de maneira que a referida parede móvel (11) não veda completamente contra a referida parede interna do tambor (1) dentro da referida área, e onde a referida modificação está concebida como uma pluralidade de relevos (23) e sulcos (24) tendo uma direcção inclinada em relação ao eixo longitudinal do referido tambor (1), projectando-se os referidos relevos (23) e sulcos (24) ao longo da referida área pré-determinada (12) e os relevos (23) projectam-se para dentro a partir da circunferência nominal interior do tambor tubular (1), caracterizado pelo facto de compreender os passos de amolecer termicamente o material do tambor (1) e gravar a parede interna do tambor (1), com um perfil de relevos (23) e sulcos (24) dispostos num ângulo relativamente ao eixo longitudinal do tambor, fazendo rodar um disco, tendo uma forma circunferencial correspondendo ao perfil da parede interna, circundando a circunferência da parede interna no local da área de derivação (12), sendo os referidos relevos dispostos de maneira a se projectarem para dentro a partir na circunferência nominal interna do tambor tubular.
8. O método de reivindicação 7, caracterizado no passo de gravar a parede interna com um perfil em forma ondulada. Lisboa, 2 0 MAR. "^01
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