BR102020009664A2 - Microemulsão contendo curcumina para aplicação em terapia fotodinâmica intraoral com fins odontológicos - Google Patents

Microemulsão contendo curcumina para aplicação em terapia fotodinâmica intraoral com fins odontológicos Download PDF

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André Luís Morais Ruela
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Abstract

microemulsão contendo curcumina para aplicação em terapia fotodinâmica intraoral com fins odontológicos. na presente invenção a curcumina e/ou curcuminoides foram veiculados em diferentes concentrações (30-150 µg.ml-1) a partir de um sistema microemulsionado do tipo óleo em água, dispersível em água, para aplicação em terapia fotodinâmica intraoral com fins odontológicos. o produto resultante foi denominado de enxaguatório oral e contém o tensoativo polissobrato 80, o co-tensoativo polietilenoglicol 400 e a fase oleosa com óleo de linhaça. o sorbitol foi usado como edulcorante. a caracterização físico-química do formulado mostrou diâmetro em escala nanométrica das gotículas (13-17 nm) e potencial zeta igual a -8 mv, com solubilização completa da curcumina e/ou curcuminoides e fácil espalhamento na cavidade oral. a eficácia terapêutica do formulado foi determinada em experimento in vitro usando aparelho de fotossensibilização (led) com emissão a 450 nm, demonstrando a atividade antimocrobiana sobre biofilmes de candida albicans (atcc 90029), staphylococcus aureus meticilino resistente (atcc 33591) e escherichia coli (atcc 25922). por tratar-se de uma formulação de microemulsão, contendo compostos considerados seguros para saúde humana em baixas concentrações, a via de administração pode ser tópica na mucosa oral. o preparado foi estável após 60 dias de armazenamento a temperatura de 40 °c, com redução de teor de curcumina e/ou curcuminoides inferior a 5% daquele determinado inicialmente após a manipulação.

Description

MICROEMULSÃO CONTENDO CURCUMINA PARA APLICAÇÃO EM TERAPIA FOTODINÂMICA INTRAORAL COM FINS ODONTOLÓGICOS
[1] . O presente pedido de patente de invenção trata de um sistema microemulsionado para uso oral, contendo curcumina e/ou curcuminoides para aplicação em terapia fotodinâmica intraoral com fins odontológicos.
[2] . A presente invenção envolve a produção de um sistema microemulsionado contendo curcumina e/ou curcuminoides, seu método de obtenção e a sua atividade antimicrobiana sobre biofilmes de Candida albicans (ATCC 90029), Staphylococcus aureus meticilino resistente (ATCC 33591) e Escherichia coli (ATCC 25922).
[3] . A curcumina é um componente dos rizomas de Curcuma longa e está comercialmente disponível como uma mistura de três compostos: curcumina, desmetoxicurcumina e bisdesmetoxicurcumina. A atividade anti-inflamatória, antimicrobiana, cicatrizante e digestiva da curcumina é conhecida, bem como sua aplicação como agente fotossensibilizante, ativado pela luz azul em terapia fotodinâmica.
[4] . Doenças orais comuns como cáries, gengivites e doenças periodontais estão relacionadas à colonização bacteriana na superfície dental. Algumas bactérias podem formar biofilmes na cavidade oral. Os biofilmes são caracterizados como estruturas em que as células estão ligadas por uma matriz extracelular polimérica com elevado grau de organização, incluindo estruturação física e coordenação metabólica. A formação dos biofilmes favorece a proliferação microbiana e se agrava em más condições de higiene oral, dificultando os tratamentos odontológicos. O uso de enxaguatórios orais contendo agentes antimicrobianos é uma estratégia para reduzir a formação de placas bacterianas.
[5] . A terapia fotodinâmica aplicada na área de saúde é baseada em reações fotoquímicas usando corantes fotossensibilizadores como a curcumina. O corante fotossensibilizante é irradiado com luz ultravioleta ou luz visível em faixas espectrais selecionadas, havendo absorção de fótons com passagem do estado fundamental (So) para o estado excitado singlete (S1). O estado S1 apresenta tendência a retornar ao estado So, e neste processo pode ocorrer a interconversão e cruzamento inter-sistemas, havendo inversão espontânea do spin do elétron excitado. A partir disso, a molécula do corante pode passar do estado S1 para o estado excitado triplete (T1), que apresenta tempo de vida mais longo que o estado S1. Os processos responsáveis pelos efeitos fototerapêuticos são decorrentes da molécula no estado T1 poder transferir sua energia para outras moléculas ou iniciar diretamente a reação a partir do seu estado excitado.
[6] . O conceito de morte não tóxica das células microbianas é oriundo da terapia fotodinâmica envolvendo os mecanismos fotoquímicos dos tipos I e II, em que são formadas as espécies reativas de oxigênio (EROs). Estes processos podem ocorrer simultaneamente e as EROs formadas podem induzir reações em cadeia com componentes celulares como os ácidos nucleicos, proteínas e fosfolipídeos, levando à morte celular. No mecanismo tipo I, o corante no estado S1 ou T1 gera EROs a partir de reações de oxirredução com compostos orgânicos, formando ânions peróxido, superóxido e radical hidroxila. No mecanismo tipo II, a molécula no estado T1 transfere energia para o oxigênio molecular no estado fundamental triplete (3O2), que passa para o estado excitado singlete (1O2).
[7] . A aplicação da curcumina como corante em terapia fotodinâmica intraoral pode ser limitada pela sua estabilidade química e baixa solubilidade em fluidos aquosos, sendo difícil sua incorporação em preparações farmacêuticas na forma solúvel. Para isso, é necessário pesquisar formulações destinadas a aplicação na cavidade oral que permitam incorporar a curcumina na forma solúvel ao mesmo tempo que assegurem a estabilidade química do corante. O preparado a ser delineado deve ser um produto de simples manipulação e de preferência formulado usando componentes de baixo custo e seguros para aplicação na mucosa oral.
[8] . O uso de sistemas estabilizados por tensoativos (por exemplo os sistemas micelares e/ou microemulsões) apresenta resultados promissores para solubilização de compostos bioativos de baixa solubilidade em água. Os sistemas micelares são formados unicamente por água e tensoativo acima da sua concentração micelar crítica. Os tensoativos espontaneamente se autoagregam no meio aquoso formando as micelas que possuem um núcleo hidrofóbico que é um meio para solubilização de compostos de baixa solubilidade em água. As microemulsões são sistemas termodinamicamente estáveis, sendo formadas espontaneamente após a mistura de óleo, água e tensoativo, podendo ainda incluir co-tensoativos. Os sistemas óleo em água estabilizados por tensoativos são amplamente utilizados, obtendo formulações facilmente dispersíveis em fluidos aquosos. Apresentam-se como sistemas coloidais isotrópicos, ou seja, são opticamente transparentes. As gotículas dispersas das microemulsões possuem diâmetro hidrodinâmico com dimensões variáveis de 10 a 100 nm. As microemulsões também são caracterizadas pela sua baixa viscosidade, o que pode contribuir para o desenvolvimento de formulações fluidas, como enxaguatórios orais de fácil aplicação e espalhamento na mucosa oral. Ao contrário das microemulsões, as emulsões convencionais ou macroscópicas são opticamente turvas com aspecto leitoso, com glóbulos de fase dispersa geralmente maiores que 400 nm. Além disso, as emulsões macroscópicas são sistemas termodinamicamente instáveis e dependem da agitação mecânica e aquecimento dos componentes para sua formação e estabilização.
[9] . Vários componentes podem ser usados para obtenção de microemulsões, sendo que a seleção do sistema tensoativo é um fator decisivo ao considerar a via de administração pretendida. No caso de formulações aplicadas na mucosa oral, os tensoativos não iônicos, como os ésteres de sorbitano polietoxilados, tal como o polissorbato 80, são interessantes devido à sua baixa toxicidade. O polissorbato 80 pode formar filmes de tensoativo com alto teor de água adsorvida promovendo a estabilização das gotículas da fase dispersa por um mecanismo estérico, visto que em muitos casos a estabilização promovida por tensoativos iônicos, que possuem geralmente maior toxicidade, envolve a modificação do potencial zeta do sistema e, consequentemente, fenômenos de repulsão eletrostática entre os glóbulos da fase oleosa.
[10] . As microemulsões com reduzido teor de fase oleosa podem encapsular moléculas de baixa solubilidade em água, que passam a ser encapsuladas na forma solúvel nos glóbulos de fase oleosa dispersa. Devido às características hidrofóbicas da curcumina, é esperado que o ativo se mantenha solúvel no filme tensoativo ou nos glóbulos da fase dispersa, estando solúvel de maneira minoritária na fase dispersante aquosa. Ainda mais, a curcumina apresenta menor estabilidade química em meio aquoso, podendo sofrer degradação por hidrólise ou oxidação, enquanto que a sua encapsulação nos glóbulos de fase oleosa pode garantir uma maior estabilidade química.
[11] . A patente PI 1102594-8 A2 descreve soluções aquosas ou contendo solventes orgânicos para solubilização da curcumina e sua aplicação em terapia fotodinâmica intraoral. A patente BR 11 2015 014654 6 A2 descreve a incorporação da curcumina em sistemas micelares contendo tensoativos como polissorbato 80 ou polissorbato 20. A patente BR 10 2015 022081 2 A2 descreve uma formulação baseada em emulsão água em óleo incorporada em um gel hidrofílico e contendo curcumina a ser aplicada no tratamento de onicomicose usando terapia fotodinâmica. Algumas patentes depositadas no Brasil, tais como: BR 10 2017 011715 4 A2, BR 11 2018 011511 8, BR 10 2016 027560 1 A2, BR 10 2016 024495 1 A2, BR 10 2016 015631 9 A2, PI 0915239-3 A2, PI 0621872-5 A2, descrevem métodos, bem como compostos e composições contendo curcumina. Internacionalmente, a patente depositada AR079564 A1 descreve um exaguatório oral (do tipo solução hidroalcoólica contendo tensoativo e outros co-solventes como glicerina), um gel dental e uma pasta de dentes contendo agentes fotossensibilizantes diversos, incluindo a curcumina, para terapia fotodinâmica intraoral. Algumas patentes depositadas internacionalmente, tais como CN108991513 A, WO2019105792 A1, CN106619588 A, IN3800MU2013 A, CN102899924 A, CN102641237 A, CN102266287 A, CN101869692 A, descrevem métodos, bem como compostos e composições de microemulsões contendo curcumina para aplicações diversas, sem incluir a terapia fotodinâmica intraoral.
[12] . O objetivo da presente invenção é obter sistemas microemulsionados estabilizados por tensoativos não-iônicos contendo o agente fotossensibilizante curcumina e/ou curcuminoides na forma solúvel, assegurando a estabilidade química e física por pelo menos 60 dias após a preparação. A invenção prevê uma formulação de enxaguatório oral com atividade antimicrobiana a ser utilizada diretamente como produto final, ou podendo ser diluída usando água, destinado a aplicação em terapia fotodinâmica intraoral com fins odontológicos.
[13] . Exemplo 1 - Solubilidade da curcumina
[14] . A solubilidade da curcumina (10 mg; [1,7-bis (4-hidroxi-3-metoxifenil) -1,6-heptadieno-3,5-diona] - 65% de curcumina e 35% de outros curcuminoides) nos solventes (12 mL) azeite de oliva, óleo de rícino, óleo de abacate, óleo de macadâmia, óleo de linhaça, propilenoglicol e polietilenoglicol 400 (PEG 400) foi avaliada a 25 °C. As amostras foram levadas ao banho ultrassônico por 2 horas, e posteriormente embaladas em papel alumínio para proteção contra a luz e deixadas em repouso por 24h. Após este tempo, as amostras foram visualmente analisadas quanto à precipitação da curcumina e aspecto túrbido ou translúcido. Os solventes PEG 400, propilenoglicol, óleo de linhaça e óleo de rícino apresentaram solubilização completa da curcumina, formando soluções límpidas e translúcidas.
[15] . Exemplo 2 - Obtenção da microemulsão
[16] . As proporções de fase, fase aquosa, tensoativo e co-tensoativos foram selecionadas após construção de diagrama de fases pseudoternário por método titulométrico. Os componentes usados foram polissorbato 80 (tensoativo), água, polietilenoglicol 400 e sorbitol 70% na proporção 6:3:1 m/m (fase aquosa contendo co-tensoativo) e óleo de linhaça (fase oleosa). A partir do diagrama de fases pseudoternário, selecionou-se um ponto para caracterização do sistema microemulsionado concentrado, com a seguinte composição: 25 % de polissorbato 80, 72,5 % de água, polietilenoglicol 400 e sorbitol 70% e 2,5 % de óleo de linhaça.
[17] . O tamanho médio das gotículas foi obtido por medidas de espalhamento dinâmico de luz. A microemulsão concentrada apresentou diâmetro hidrodinâmico de gotícula com tamanho médio de 94 nm, e índice de polidispersão 0,487.
[18] . Exemplo 3 - Diluição da microemulsão concentrada
[19] . A diluição da microemulsão concentrada para formulação de enxaguatório microemulsionado foi realizada em água ultrapurificada na proporção de 1:5 v/v.
[20] . Exemplo 4 - Incorporação da curcumina no enxaguatório microemulsionado
[21] . A curcumina foi incorporada na forma solúvel na formulação nas concentrações de 30, 60 e 150 μg/mL. Os parâmetros físico-químicos se encontram na tabela 1.
[22]. Tabela 1 - Caracterização física das formulações de enxaguatório oral (n=3).
Figure img0001
nm, nanômetro; PDI, índice de polidispersividade; DP: Desvio padrão
[23] . Exemplo 5 - Estabilidade física e química do enxaguatório microemulsionado contendo curcumina
[24] . A estabilidade física e química do preparado foi avaliada imediatamente após o preparo e nos intervalos de tempo de 15, 30 e 60 dias após armazenamento a 40 °C em estufa acondicionado em frasco de polipropileno com tampa. As características organolépticas e sensoriais do preparado mantiveram-se inalteradas dentro deste intervalo de tempo, com o preparado apresentando fluidez e aspecto translúcido, o que é um atributo requerido para sua aplicação como enxaguatório oral aplicado em terapia fotodinâmica intraoral. Os ensaios realizados foram determinação do teor de curcumina usando espectrofotometria no ultravioleta-visível a 430 nm, determinação do tamanho de gotícula usando espalhamento de luz dinâmico, medidas de potencial zeta, e determinação do pH. Os resultados indicados na Tabela 2 demonstram que os parâmetros determinados apresentaram pequenas variações, que não foram consideradas indicativas de instabilidade da formulação.
[25]. Tabela 2. Estudo da estabilidade e química.
Figure img0002
ND, não determinado; DP, desvio padrão; PDI, índice de polidispersividade
[26]. A avaliação do perfil reológico usando reômetro para determinação da viscosidade determinou que a tensão de cisalhamento foi diretamente proporcional a taxa de cisalhamento (r>0,999). Os coeficientes de viscosidade dinâmicos foram de 1,64 ± 0,01 cP no tempo inicial e 1,70 ± 0,01 cP após 60 dias de armazenamento a 40 °C, caracterizando a fluidez do preparado, que se apresentou como fluido newtoniano, sem alteração deste comportamento após o armazenamento a 40 °C.
[27] . Exemplo 6 - Atividade antimicrobiana
[28] . Grupos experimentais
[29] . Foram utilizados como corpos-de-prova 270 stops de silicone de utilização odontológica, medindo 1,5 mm de diâmetro e 1 mm de altura, que foram esterilizados e armazenados. Para a realização do experimento, cada grupo foi constituído por 10 corpos de prova divididos de acordo com o microrganismo a ser testado, tipo e concentração do fotossensibilizante além de diferentes tempos de irradiação. Os grupos experimentais foram: controle sem nenhum tratamento (L-C-); somente corante FS (L-C+); somente luz a 430 nm em tempos de irradiação definidos (L+C-) e grupos usando luz a 430 nm e o enxaguatório oral contendo curcumina em diferentes concentrações (L+C+). Os preparados L-C+ e L+C+ foram filtrados através de filtros de membrana com poros de 0,22 μm e armazenadas em condições adequadas até a realização dos ensaios.
[30] . Formação dos biofilmes
[31] . Para a formação dos biofilmes monoespécies usados experimentalmente, foi realizada primeiramente a ativação das espécies bacterianas Escherichia coli (ATCC 25922) e Staphylococcus aureus meticilino resistente (ATCC 33591) em caldo Brain Heart Infusion - BHI incubado por 24 horas a 35° + 2° C usando estufa B.O.D (Demanda Bioquímica do Oxigênio-SPlabor). A ativação de Candida albicans (ATCC 90029) foi realizada em caldo Sabouraud dextrose usando os mesmos padrões de incubação descritos anteriormente. Após a ativação, alíquotas de 100 μL do caldo de crescimento foram semeadas em placas de Petri contendo ágar BHI para Escherichia coli e Staphylococcus aureus meticilino resistente ou ágar Saboraud para cultivo de Candida albicans. As placas foram incubadas por 24 horas a 35° ± 2° C em estufa B.O.D.
[32] . As culturas de 24h de incubação foram utilizadas para padronização de suspensões contendo 1x106 cél./mL dos microrganismos. As suspensões foram padronizadas em espectrofotômetro, cujos valores de densidade óptica (D.O.) e comprimento de onda (λ) para a quantidade de 1x106 cél./mL foram 0,284 a 530 nm para Candida albicans, 0,324 a 590 nm para Escherichia coli e para 0,374 a 490 nm Staphylococcus aureus meticilino resistente.
[33] . No interior do fluxo laminar, placas estéreis de cultura de células de 24 poços foram preenchidas contendo 3 mL do meio de cultura previamente usado para cada microrganismo avaliado. Após a contaminação dos poços das placas de cultura de células, foram acrescidos os corpos-de-prova estéreis de silicone para formação dos biofilmes. As placas foram vedadas e incubadas a 35° ± 2° C por 7 dias, e durante o período de incubação as condições de cultivo (umidade e nutrição) foram monitoradas diariamente.
[34] . Fonte de luz
[35] . Para a realização dos testes experimentais, utilizou-se o equipamento Biotable® RGB baseado em uma mesa iluminadora de light emitting diodes (LEDs), com emissão dos comprimentos de onda de 430, 530 e 630 nm (azul, verde e vermelho, respectivamente). Os LEDs estão dispostos no equipamento de maneira que cada poço da placa de cultura de células de 24 poços seja iluminado por apenas um dos comprimentos de onda, permitindo produzir iluminação uniforme em toda placa. O sistema possui resfriamento por passagem de água corrente para que o calor gerado seja dissipado. O comprimento de onda utilizado foi 430 nm, com intensidade de 18 mW/cm2.
[36] . Condições experimentais
[37] . Os corpos-de-prova com o crescimento dos biofilmes monoespécies foram lavados e tiveram o excesso de caldo de cultura removidos usando 1 mL de soro fisiológico estéril. Logo após, os corpos-de-prova foram transferidos para poços de placa de cultura de células contendo 1 mL do enxaguatório nas concentrações 30 ou 60 μg.mL-1, para avaliação dos grupos L-C+ e L+C+. Os mesmos foram deixados em repouso em ambiente escuro pelo período de 5 minutos (período de pré-irradiação). Após este tempo, os corpos-de-prova foram transferidos para novos poços vazios e submetidos à irradiação pelos tempos de 10 e 30 minutos (grupos L+C+ e L+C-). Após a irradiação, os corpos de prova foram introduzidos individualmente em tubos de polipropileno estéreis (de 1,5 mL) contendo 1 mL de soro fisiológico estéril e agitados em aparelho agitador de tubos tipo vortex durante 1 minuto para desprendimento do biofilme, obtendo-se uma suspensão inicial. A partir desta, foram realizadas diluições decimais de 10-1, 10-2 e 10-3. A suspensão inicial e as demais diluições foram semeadas em duplicata, em placas de Petri contendo meio de cultura ágar BHI para Escherichia coli e Staphylococcus aureus meticilino resistente ou ágar Saboraud para cultivo de Candida albicans. As placas foram incubadas a 35° ± 2°C durante 24 horas. Após o período de incubação, foi realizada contagem das unidades formadoras de colônias (UFC.mL-1) com o auxílio de um contador de colônias. Nos grupos controle (L-C-), nenhum tratamento foi realizado, sendo que os corpos-de-prova impregnados pelo biofilme foram apenas submetidos a etapa de lavagem e remoção do excesso e introduzidos diretamente nos tubos de polipropileno contendo soro fisiológico estéril. Em seguida, os corpos-de-prova impregnados pelo biofilme foram agitados para obtenção da suspensão inicial e demais diluições, conforme descrito nos demais grupos experimentais.
[38] . Análise estatística
[39] . A análise estatística foi realizada a partir da transformação dos dados em UFC.mL-1 para log 10. Em seguida, foi aplicado o teste de normalidade Shapiro-Wilk para verificação da aderência aos pressupostos de normalidade. Verificada a normalidade dos dados, o teste de análise de variância (ANOVA) a 5% com teste de médias de Bonferroni para comparação entre os grupos.
[40] . Perfil antimicrobiano do enxaguatório oral contendo curcumina
[41] . Após comparar os dados na figura 1, observou-se que houve diferença estatística entre todos os grupos experimentais (p < 0,0001) em comparativo ao grupo controle (L-C-), com ênfase aos grupos que utilizaram o enxaguatório contendo curcumina L-C+; L+C+ (10 minutos) e L+C+ (30 minutos) a 30 μg.mL-1 e 60 μg.mL-1 (Figuras 1.E e 1.F). Desta forma, houve um indicativo da atividade antimcrobiana nas espécies representativas de microrganismos Gram-positivo (Staphylococcus aureus), Gram-negativo (Escherichia coli) e fungo (Candida albicans) na forma de biofilmes.
[42] . Figura 1. Avaliação da atividade antimicrobiana utilizando enxaguatório microemulsionado contendo curcumina em diferentes concentrações e tempos de irradiação. 1.A: Staphylococcus aureus meticilino resistente com curcumina a 30 pg.mL-1, 1.B: Staphylococcus aureus meticilino resistente com curcumina a 60 μg.mL-1; 1.C: Escherichia coli com curcumina a 30 μg.mL-1; 1.D: Escherichia coli com curcumina a 60 μg.mL-1 1.E: Candida albicans com curcumina a 30 μg.mL-1; 1.F: Candida albicans com curcumina a 60 μg.mL-1. Controle: L-C-; Enxaguatório contendo curcumina: L-C+; Luz 10 minutos: L+C-(10’); Luz 30 minutos: L+C- (30’); PDT 10 minutos: L+C+ (10’); PDT 30 minutos: L+C+ (30’). Análise estatística usando análise de variância.
[43] . Para Staphylococcus aureus meticilino resistente (Figura 1.A e 1.B) foi evidenciada uma redução significativa nos grupos que utilizaram terapia fotodinâmica com 10 e 30 minutos e formulação contendo curcumina a 30 μg.mL-1 (3,497 log 10 UFC.mL-1 e 5,181 log 10 UFC.mL-1, respectivamente). Ao se comparar os protocolos de terapia fotodinâmica, observa-se diferença estatística entre os grupos que receberam radiação de 10 e 30 minutos (p < 0,05), demonstrando que a irradiação de 30 minutos foi mais eficaz na redução microbiana. No entanto, ao se comparar os grupos terapia fotodinâmica com 30 μg.mL-1 e 60 μg.mL-1 e usando o mesmo tempo de irradiação, não houve diferença significativa (p > 0,05), o que evidencia que o efeito antimicrobiano sobre esta espécie depende do tempo de irradiação sem efeito da concentração da curcumina no tratamento.
[44] . Para a Escherichia coli (Figura 1.C e 1.D), foi evidenciada uma redução significativa nos grupos que utilizaram terapia fotodinâmica e formulação contendo curcumina a 30 pg.mL-1 nos tempos de 10 e 30 minutos (5,6175 log 10 UFC.mL-1 em ambos os tempos), o que equivale a 99,9% de morte microbiana em ambos os tempos de irradiação. O mesmo ocorreu com a curcumina na concentração de 60 μg.mL-1 nos tempos de 10 e 30 minutos (redução de 4,134 log 10 UFC.mL-1 e 3,96 log 10 UFC.mL-1, respectivamente).
[45] . Para a Candida albicans (Figura 1.E e 1.F), observa-se uma redução significativa no grupo terapia fotodinâmica com 30 minutos e formulação contendo curcumina a 60 μg.mL-1 (3,497 log 10 UFC.mL-1, 89,4%). Ao se comparar os protocolos de terapia fotodinâmica deste microrganismo, observa-se diferença estatística (p < 0,05) entre os grupos que receberam radiação de 10 e 30 minutos e mesma concentração (L+C+ 10’; L+C+ 30’), indicando que o efeito antimicrobiano sobre Candida albicans depende tanto da concentração de curcumina quanto do tempo de irradiação, com resultados superiores em maior tempo de irradiação e maior concentração de curcumina.
[46] . Com base nos resultados, demonstra-se que a terapia fotodinâmica pode suprimir de forma considerável a viabilidade de microrganismos Gram-positivos, Gram-negativos e fungos em cavidade oral, independentemente do status de resistência antibiótica que o microrganismo apresente. Entre as estratégias terapêuticas disponíveis, a terapia fotodinâmica tem sido uma das respostas mais bem-sucedidas em pesquisa clínica, pois o efeito antimicrobiano ocorre devido a geração de EROs a partir da terapia fotodinâmica, não causando resistência microbiana.
[47] . Dentre os maiores percentuais de redução microbiana encontrada, a classe de Gram-negativa teve a maior redução de UFC.mL-1, seguido pelo Staphylococcus aureus meticilino resistente (Gram-positiva) e Candida albicans (fungo). A presença de tensoativo não-iônico (polissorbato 80) e das gotículas lipídicas de ordem nanométrica na formulação desenvolvida são fatores determinantes para aumentar a interação do corante fotossensibilizante com os biofilmes, bem como aumentar a interação com as barreiras biológicas das células microbianas, facilitando assim a interação com lipopolissacarídeos presentes na membrana exterior em microrganismos Gram-negativos. Deste modo, as EROs geradas na terapia fotodinâmica podem ter maior efeito nas células microbianas, levando a morte celular não tóxica.
[48] . O enxaguatório microemulsionado desenvolvido pode também ser aplicado para descontaminar cavidades orais em pacientes que sofrem de imunidade comprometida e possuem diversas infecções orais. Além disso, o preparado contendo curcumina é efetivo em baixa intensidade de luz e concentração do corante fotossensibilizante para atingir uma redução mínima de 2-log10 na população microbiana dos três microrganismos testados. A partir disso, protocolos terapêuticos com tempos de irradiação e concentrações menores podem ser adotados em pacientes com maior sensibilidade da mucosa oral sem, no entanto, comprometer a eficiência antimicrobiana. Assim, o encapsulamento da curcumina em gotículas nanométricas no enxaguatório microemulsionado permite contornar obstáculos enfrentados na utilização clínica do corante, aumentando a compatibilidade do preparado com o fluido aquoso da cavidade oral, retardando a degradação química da curcumina no meio aquoso, aumentando o espalhamento do preparado fluido na cavidade oral e melhorando a interação do corante com as barreiras biológicas dos microrganismos devido à presença de tensoativo no preparado.

Claims (10)

  1. “MICROEMULSÃO CONTENDO CURCUMINA PARA APLICAÇÃO EM TERAPIA FOTODINÂMICA INTRAORAL COM FINS ODONTOLÓGICOS” caracterizada por ser uma formulação tópica de uso oral para fins odontológicos, do tipo microemulsão óleo em água, contendo teor reduzido de óleo e tensoativo não-iônico e incorporando a curcumina e/ou curcuminoides na forma solúvel.
  2. “MICROEMULSÃO CONTENDO CURCUMINA PARA APLICAÇÃO EM TERAPIA FOTODINÂMICA INTRAORAL COM FINS ODONTOLÓGICOS”, de acordo com a reivindicação 1, caracterizada por conter curcumina e/ou curcuminoides como agente fotossensibilizador para terapia fotodinâmica intraoral usando aparelho de fotossensibilização (LED) com emissão compreendendo o comprimento de onda de 450 nm.
  3. “MICROEMULSÃO CONTENDO CURCUMINA PARA APLICAÇÃO EM TERAPIA FOTODINÂMICA INTRAORAL COM FINS ODONTOLÓGICOS”, de acordo com a reivindicação 1, caracterizada por ser uma formulação de uso como forma farmacêutica final, ou podendo ser diluída em água ou outro solvente, não limitando sua incorporação em outros preparados farmacêuticos.
  4. “MICROEMULSÃO CONTENDO CURCUMINA PARA APLICAÇÃO EM TERAPIA FOTODINÂMICA INTRAORAL COM FINS ODONTOLÓGICOS”, de acordo com a reivindicação 1, caracterizada por solubilizar completamente a curcumina e/ou curcuminoides e assegurar sua incorporação na forma solúvel no produto final.
  5. “MICROEMULSÃO CONTENDO CURCUMINA PARA APLICAÇÃO EM TERAPIA FOTODINÂMICA INTRAORAL COM FINS ODONTOLÓGICOS”, de acordo com as reivindicações 1 e 2, caracterizada por apresentar atividade antimicrobiana quando aplicada em terapia fotodinâmica intraoral sobre biofilmes de Candida albicans (ATCC 90029), Staphylococcus aureus meticilino resistente (ATCC 33591) e Escherichia coli (ATCC 25922).
  6. “MICROEMULSÃO CONTENDO CURCUMINA PARA APLICAÇÃO EM TERAPIA FOTODINÂMICA INTRAORAL COM FINS ODONTOLÓGICOS”, de acordo com a reivindicação 4, caracterizada por apresentar baixa viscosidade e fácil espalhamento na cavidade oral.
  7. “MICROEMULSÃO CONTENDO CURCUMINA PARA APLICAÇÃO EM TERAPIA FOTODINÂMICA INTRAORAL COM FINS ODONTOLÓGICOS”, de acordo com a reivindicação 1, caracterizada por sua estabilidade química, com redução do teor de curcumina e/ou curcuminoides não maior que 5% após 60 dias de armazenamento na temperatura de 40 °C.
  8. “MICROEMULSÃO CONTENDO CURCUMINA PARA APLICAÇÃO EM TERAPIA FOTODINÂMICA INTRAORAL COM FINS ODONTOLÓGICOS” caracterizada por ser uma preparação límpida, de cor amarela e translúcida, sem reduzir significativamente a transmissão da luz em aplicações envolvendo terapia fotodinâmica.
  9. “MICROEMULSÃO CONTENDO CURCUMINA PARA APLICAÇÃO EM TERAPIA FOTODINÂMICA INTRAORAL COM FINS ODONTOLÓGICOS” de acordo com as reivindicações 1 e 5, caracterizada por ser uma preparação de um produto para o tratamento antimicrobiano em terapia fotodinâmica intraoral, contudo, não limitando o uso desse sistema para outros fins.
  10. “MICROEMULSÃO CONTENDO CURCUMINA PARA APLICAÇÃO EM TERAPIA FOTODINÂMICA INTRAORAL COM FINS ODONTOLÓGICOS” de acordo com as reivindicações 1 e 5, caracterizada por ser um preparado isento de álcool etílico em sua composição.
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