HASTE ENDOMEDULAR Ξ DISPOSITIVO PARA O TRATAMENTO DE FRATURAS PROXIMAIS DO FÊMUR
Campo de aplicação A presente invenção de forma genérica refere-se a uma haste endomedular para o tratamento de fraturas proximais do fêmur, tais como, por exemplo, fraturas pertrocantéricas cujas fissuras se estendem do trocanter menor para o trocanter maior, fraturas mediais e na base do colo do fêmur, e semelhantes. A haste compreende um corpo alongado apresentando uma parte proximal e uma parte distai. Na sua parte proximal, a haste compreende também um primeiro e um segundo orifícios, cada um apresentando um eixo transversal ao eixo da parte proximal para um parafuso cefálico. A presente invenção refere-se também a um dispositivo para o tratamento de fraturas proximais do fêmur compreendendo a haste mencionada acima e os correspondentes parafusos cefálicos.
Estado da técnica A utilização atualmente difundida de hastes endomedulares como as acima para a osteossíntese de fraturas proximai-s do fêmur é conhecida. A estabilização da fratura é obtida principalmente por meio de dois parafusos cefálicos. Estes últimos são inseridos transversalmente à haste em dois respectivos orifícios circulares da parte proximal de tal forma a cruzar a espongiose do colo do fêmur até alcançar a cabeça do fêmur de maneira a permitir uma compressão mutua entre os cotos. A disposição e orientação dos parafusos cefálicos em relação à haste endomedular dependem substancialmente do tipo de fratura. Em particular, de acordo com a seriedade, a estrutura que compõe o colo do fêmur, a idade do paciente e o tipo de trauma, podem ser formados fragmentos e fissuras, que são diferentes entre si.
Na maioria das hastes conhecidas, os dois orifícios para parafusos cefálicos apresentam eixos paralelos.
Ao contrário, para outros tipos de trauma, principalmente no caso de fraturas pertrocantéricas sérias, onde é necessário assegurar-se uma certa estaticidade da haste e parafuso, os dois orifícios proximais apresentam eixos convergentes. Desta forma, os parafusos cefálicos, uma vez inseridos no colo do fêmur, convergem mutuamente assegurando uma alta estabilização desse e da cabeça. Uma haste com orifícios de eixos convergentes é conhecido, por exemplo, do documento de patente EP 0 853 923 em nome do presente Depositante.
Uma haste femoral intramedular para o tratamento de fraturas é conhecida a partir do documento US 5.549.610 A no nome de RUSSEL et al. A haste inclui três passagens para parafusos de travamento proximais, duas passagens obliquas de forma ascendente paralelas e uma passagem oblíqua de forma descendente única. As duas passagens obliquas de forma ascendente paralelas são adequadas para a inserção de dois parafusos cefálicos na cabeça do fêmur em modo de reconstrução e a passagem oblíqua de forma descendente única é adequada para a inserção de um parafuso transversalmente no colo do fêmur em um modo femoral.
Uma outra haste é conhecida a partir do pedido de patente japonês JP 2002253566 no nome de MIZUHO. Esta haste compreende em sua própria parte proximal fendas opostas onde de 2 a 6 parafusos podem ser inseridos. Os parafusos são inseridos em transversal mútua nas fendas opostas em entrosamento mútuo. É provida uma ponte a qual é inserida na parte frontal da haste e que pressiona os parafusos entre si.
No entanto, as hastes conhecidas, embora assegurem uma estabilização completa da fratura, apresentam desvantagens reconhecidas qpe ainda não foram superadas. A desvantagem principal é que, apenas para assegurar a retenção de um tipo particular de fratura, as configurações da haste e do parafuso cefálico são substancialmente predeterminadas, restringindo e limitando a possibilidade de se trocar a aplicação da haste endomedular em diferentes situações traumáticas.
Isto resulta no fato da utilização de hastes endomedulares conhecidas para a estabilização de fraturas apresentando uma natureza diferente ser consideravelmente limitada, uma vez que inevitavelmente envolvería uma disposição e orientação erradas dos dois parafusos cefálicos.
Esta desvantagem é ainda mais séria quando se considera que, de acordo com o tipo de fratura do fêmur, o cirurgião é obrigado a escolher preliminarmente de forma exclusiva, isto é, antes da intervenção, a haste endomedular a ser utilizada e não pode alterar a orientação dos dois parafusos cefálicos quando a haste já estiver implantada. 0 problema técnico que orienta a presente invenção é, desta forma, prover uma haste endomedular que supera as vantagens mencionadas acima das hastes endomedulares conhecidas, de maneira a apresentar uma versatilidade maior de aplicação e, particularmente, que permita ao cirurgião modificar a configuração do parafuso cefálico quando em operação durante a intervenção cirúrgica, sem a necessidade de remoção da haste da cavidade medular.
Sumário da invenção Este problema técnico é solucionado por uma haste endomedular em que, de acordo com a presente invenção, enquanto o segundo orifício apresenta uma seção transversal circular, o primeiro orifício é dividido em duas passagens dispostas para serem seletivamente engatadas por um parafuso cefálico respectivo e cada uma apresentando uma relação angular predeterminada em relação ao eixo do segundo orifício. 0 dito problema técnico é também solucionado por um dispositivo para o tratamento de fraturas proximais do fêmur de acordo com a reivindicação 9.
As características e vantagens da haste endomedular de acordo com a invenção serão evidentes a partir da descrição que se segue de uma realização da mesma por meio de um exemplo não limitativo com referência aos desenhos em anexo.
Breve descrição dos desenhos A Figura 1 é uma vista frontal da haste de acordo com a presente invenção. A Figura 2 é uma seção transversal em escala expandida ao longo da linha II-II da figura 1. A Figura 2a mostra um detalhe mais expandido da figura 2. A Figura 3 mostra um primeiro parafuso cefálico para a haste endomedular da figura 1. A Figura 4 mostra um segundo parafuso cefálico com uma luva deslizante para a haste endomedular da figura 1. A Figura 5 mostra o parafuso cefálico da figura 4. A Figura 6 mostra em escala expandida a luva da figura 4. A Figura 7 mostra uma seção transversal da luva da figura 6. A Figura 8 mostra a haste da figura 1 em uma primeira configuração. A Figura 9 mostra a haste da figura 1 em uma segunda configuração.
Descrição detalhada Com referência aos desenhos anexos, uma haste endomedular para o tratamento de fraturas proximais do fêmur de acordo com a presente invenção é genericamente indicada com a referência numérica (10). A haste (10) compreende um corpo alongado (12), preferivelmente feito de titânio, apresentando uma parte frontal (15), uma parte proximal (14) e uma parte distai (16). As duas partes (14) e (16), adequadas para inserção no colo e na diáfise femoral respectivamente, preferivelmente formam um ângulo, neste caso um ângulo de cerca de 4-5° de maneira a se ajustarem ao formato anatômico do fêmur. A parte proximal (14) compreende também, em correspondência com a parte frontal (15) da haste (10), um assento (17) (figura 2) para a inserção dos instrumentos correspondentes para a manipulação da haste (10), tal como, por exemplo, o que é descrita no dito documento de patente EP 0 853 923 em nome do presente Depositante.
Neste caso especifico, a parte proxiraal (14) apresenta um diâmetro maior que o da parte distai (16) e é conectada a esta por meio de uma parte de conexão (18) substancialmente no formato de cone.
Na parte distai (16), a haste endomedular (10) compreende um orifício (26) e uma fenda (27) para pinos distais correspondentes (28) (fiq. 8 e 9).
Na parte proximal (14) a haste endomedular (10) compreende, partindo da parte frontal (15), um primeiro e um segundo orifícios (20) e (21) respectivamente para receber e alojar os parafusos cefálicos (22, 23, 24, 25) correspondentes (figuras 3, 4, 5, 8, 9) . Os parafusos cefálicos (22, 23, 24, 25) serão descritos posteriormente.
Um parafuso cefálico é um parafuso especial que é adaptado para ser inserido através da cabeça femoral e da haste, muito embora outros tipos de parafusos possam ser utilizados còm a haste da presente invenção.
Um terceiro orifício é obtido neste caso específico entre o primeiro e o segundo orifícios (20, 21) para a inserção de um fio para controlar a posição e profundidade dos parafusos cefálicos (22, 23, 24, 25).
De acordo com a invenção, enquanto o segundo orifício proximal (21) apresenta uma seção transversal substancialmente circular e se estende com o eixo (C) se inclinando sobre o eixo (X) da parte proximal (14), o primeiro orifício (20) é dividido em duas passagens que são dispostas para serem seletivamente engatadas por um parafuso cefálico respectivo (22, 24) e apresentam um eixo com uma relação angular predeterminada em relação ao segundo orificio (21), de maneira a obter-se uma orientação diferente dos parafusos cefálicos que são inseridos ali.
Em outras palavras, o primeiro orificio é formado a partir de uma fenda definida por duas passagens interferentes.
Preferivelmente o primeiro orificio (20) apresenta uma seção transversal substancialmente na forma de "oito" definida por duas passagens (30) e (31), que são adjacentes e longitudinalmente abertas uma na outra, em outras palavras, as ditas passagens (30) e (31), que compõem o dito primeiro orifício proximal (20), são cada uma substancialmente no formato de um cilindro e longitudinalmente interferentes.
Preferivelmente as duas passagens (30, 31) apresentam respectivos eixos convergentes (A) e (B) com um eixo de convergência predeterminado, e destinados a serem girados na direção da cabeça do fêmur.
Em particular, com referência às figuras 2 e 2a, a passagem (30), neste caso a mais próxima à parte frontal (15) da haste (10) , apresenta um eixo (A) formando um ângulo com o eixo (C) do segundo orificio (21), enquanto que a segunda passagem (31), isto é, a mais afastada da parte frontal (15) da haste (10), apresenta um eixo (B) que é substancialmente paralelo ao eixo (C) do segundo orifício (21) .
No caso da solução mostrada, a primeira passagem (30) forma um ângulo α de cerca de 115° com o eixo (X) da parte proximal (14) da haste endomedular (10), enquanto que a segunda passagem (31), e similarmente o segundo orifício proximal (21), forma um ângulo β de cerca de 123° com o eixo (X) da parte proximal (14) da haste (10).
Desta forma, a primeira passagem (30) e a segunda passagem (31) são convergentes na direção da cabeça do fêmur com um ângulo de convergência de cerca de 8o.
No caso específico da solução mostrada nos desenhos, ambas as passagens (30, 31) apresentam um diâmetro de 8,5 mm e a distância (E) entre os eixos correspondentes (A) e (B) , medida ao longo do eixo (X) da parte proximal (14), é de algunsmilímetros, cerca de 2 mm.
Como será melhor visto mais adiante, ambas as passagens (30, 31) e o segundo orifício (21) são equipados com uma rosca para o engate do parafuso cefálico.
Conforme descrito acima, a presença das duas passagens (30, 31) com eixos com inclinações diferentes permite que uma haste endomedular (10) única seja alternadamente configurada de acordo com duas configurações diferentes.
Neste caso específico, em uma primeira configuração (Figura 8), os dois parafusos (22, 23) são inseridos na segunda passagem (31) do primeiro orifício (20) e na segundo orifício (21) respectivamente, de maneira a serem substancialmente paralelos.
Em uma segunda configuração (Figura 9), os dois parafusos (24, 25) são inseridos na primeira passagem (30) do primeiro orifício (20) e no segundo orifício (21) respectivamente, de maneira a convergirem na direção da cabeça do fêmur.
De acordo com um outro aspecto, a presente invenção refere-se também a um dispositivo para o tratamento de fraturas proximais do fêmur compreendendo a haste endomedular (10) descrita acima e os parafusos cefálicos (22, 23, 24, 25) .
Em particular, de acordo com a invenção o dispositivo compreende quatro parafusos cefálicos (22, 23, 24, 25) os quais serão descritos adiante.
Na primeira configuração, isto é, a com eixo paralelo, os dois parafusos cefálicos (22, 23) são do assim chamado tipo dinâmico, isto é, que podem deslizar em relação à haste (10).
Em particular, os parafusos (22, 23) (figuras 4, 5, 6, 7) compreendem uma única rosca auto-roscante (38) autopenetrante na cabeça do fêmur, e um talo no formato cilíndrico (40) equipado, na área frontal, com um hexágono embutido para uma ferramenta conveniente.
Além disto, a parede do hexágono embutido ou a canulação do parafuso são preferivelmente rosqueadas de maneira a permitir que a ferramenta seja eventualmente fixada em uma etapa de extração dos parafusos cefálicos da haste. O dispositivo compreende também uma luva (42) onde o talo (40) do parafuso (22, 23) é inserido de forma deslizante. A luva (42) compreende, em uma área central, uma rosca externa (43) para ser aparafusada nos orifícios proximais (20, 21); além disto, podem ser obtidos perfis pontudos (44) podem ser obtidos em uma primeira extremidade da luva (42) de maneira a permitir seu avanço para dentro do osso e, uma fenda para chave de parafuso (46) para a conexão a um instrumento conveniente.
Neste caso especifico, a rosca (43) da luva (42) apresenta um passo circunferencial aparente correspondendo a metade do passo circunferencial da rosca auto-roscante (38) do parafuso (22, 23) para penetrar no osso. A colocação dos dois parafusos cefálicos (22, 23) e da luva (42) na configuração em eixo paralelo é realizada como se segue.
Após a inserção da haste (10) na cavidade medular, os parafusos, cefálicos. {22, 23) são inseridos na segunda passagem (31) e no segundo orifício respectivamente junto com a luva (42) e aparafusados na cabeça do fêmur. Desta forma, a luva (42) é inserida junto com os parafusos (22, 23) e aparafusada na passagem (31) e no orifício (21).
Deve-se observar que, em assim fazendo, apenas a luva (42) é aparafusada na haste (10), assegurando um certo dinamismo e elasticidade móvel aos parafusos (22, 23) em relação à haste endomedular (10).
Em um segundo ponto, o pino (28) é preferivelmente inserido na fenda (27) de maneira a prevenir a rotação da haste (10).
Na segunda configuração (Figura 9), isto é, na com eixo convergente, o dispositivo de acordo com a invenção compreende dois parafusos cefálicos (24, 25), do assim chamado tipo estático, adequados para serem aparafusados ambos na haste (10) e no osso.
Em particular, são parafusos (24, 25) (Figura 3) que apresentam uma resistência uniforme, cada um equipado com uma primeira rosca auto-roscante (50) autopenetrante na cabeça do fêmur e com uma segunda rosca (51) a ser aparafusada com a haste (10). Deve-se observar também que os parafusos (24, 25) apresentam uma protuberância (55) correspondendo à área de conexão com a haste (10) para permitir seu aparafusamento.
Também neste caso, os parafusos são equipados com um hexágono embutido preferivelmente equipado com a rosca correspondente. A colocação dos dois parafusos cefálicos (24, 25) na configuração em eixo convergente é realizada como se segue.
Após a inserção da hasta (10) na cavidade medular, os dois parafusos cefálicos (24, 25) são diretamente inseridos na primeira passagem (30) e no segundo orifício (21) respectivamente. Após isto, o pino distai (28) é inserido no orifício (26).
Também neste caso, a segunda rosca (51) apresenta um passo circunferencial aparente correspondendo a metade do passo circunferencial da primeira rosca (50) para penetrar no osso, permitindo ao parafuso avançar constantemente no interior do osso e na haste (10). Desta forma é obtida uma fixação firme entre os dois parafusos (24, 25) e a haste (10) . A principal vantagem da haste endomedular de acordo com a presente invenção é o fato de ser utilizada uma única haste endomedular para se obter duas configurações diferentes de parafuso cefálico, por exemplo uma primeira configuração de parafusos com eixos paralelos e uma outra configuração de parafusos com eixos convergentes.
Além disto, uma vez que as duas passagens (30, 31) são interferentes e se abrem uma na direção da outra para formar uma única fenda apresentando uma seção transversal em forma de "oito", isto resulta vantajosamente no fato do parafuso cefálico, quando inserido em uma passagem ou na outra, manter sua posição axial ao longo da parte proximal da haste.
Desta forma, passando-se de uma configuração para a outra, a distância entre os dois parafusos cefálicos, convenientemente adaptada ao tamanho do colo do fêmur, é substancialmente constante.
Isto permite apenas uma alteração na orientação angular do parafuso seja obtida entre as duas configurações. Desta forma, cada parafuso, em ambas as configurações, é mantido em uma posição substancialmente correspondente à posição que deveria apresentar em uma haste tradicional equipada com dois orifícios circulares.
Além disto, devido à integração em uma única fenda, a haste (10) não é enfraquecida excessivamente pela presença de uma passagem dupla.
Uma outra vantagem é o fato de um cirurgião poder escolher diretamente na sala de operação, de acordo com a situação à qual faz face, se o parafuso (22, 24) deve ser inserido em uma passagem ou na outra (30, 31) do primeiro orifício (20), de maneira a alterar a relação angular desse em relação ao outro parafuso (23) e (25) do segundo orifício (21), e sem remover a haste (10) da cavidade medular.
Em particular, a escolha dos dois ângulos de inclinação predeterminados (cerca de 115° e 123° respectivamente) das duas passagens (30, 31) e do segundo orifício (21) para as configurações estática e dinâmica respectivamente, é particularmente adequada para uma completa retenção de uma fratura pertrocantérica.
Uma outra vantagem da presente invenção é o fato, de acordo com a configuração do parafuso, poder ser obtido um dispositivo dinâmico para o tratamento de fraturas proximais do fêmur por meio de uma única haste.
De fato, quando necessário, em resposta a estresses específicos, para se assegurar um certo dinamismo do dispositivo, os parafusos cefálicos deslizantes equipados com a correspondente luva pode ser inserido nos orifícios de eixos paralelos.
Deve ser observado que é possível obter-se também o dinamismo da parte distai da haste. É obtido pela inserção de um pino único na fenda distai. De fato, isto não restringe um movimento da haste, causado, por exemplo, por uma possível tensão axial.
Similarmente, quando é requerida uma rigidez à tensão absoluta, os parafusos de rosca dupla são aparafusados nos orifícios de eixos convergentes.
Deve-se observar neste caso também que, na configuração em eixo convergente, a estaticidade é mantida também ao nível da parte distai (16) da haste (10), uma vez que o pino (28) é inserido apenas no orifício circular (26) .
Desta forma, a escolha entre estabilidade e dinamismo, não apenas para a parte cefálica do fêmur, mas também para a parte central do fêmur, ou diáfise, é feita de acordo com o tipo de fratura e não é restrita pelo dispositivo sendo utilizado.