(54) Título: DISPOSITIVO DE IMPLANTE (51) Int.CI.: A61F 2/02 (30) Prioridade Unionista: 28/09/2006 FR 06 08535 (73) Titular(es): CORMOVE (72) Inventor(es): MIKOLAJ STYRC; ERIC PEROUSE (85) Data do Início da Fase Nacional: 26/09/2007
1/16 “DISPOSITIVO DE IMPLANTE”
Campo da Invenção [001] A presente invenção refere-se a um dispositivo de implante, destinado a ser colocado em um conduto de circulação do sangue do tipo que compreende:
- uma endoprótese de eixo longitudinal, que pode se desdobrar espontaneamente de modo radial a partir de uma configuração comprimida para uma configuração dilatada, endoprótese essa que delimita uma passagem interna de circulação do sangue e uma superfície externa periférica;
- pelo menos uma sapata de apoio radial que coopera com a endoprótese, sapata essa que compreende uma superfície de separação que se estende radialmente diante da superfície externa, e pelo menos um órgão desdobrável a uma certa distância do eixo longitudinal em relação a superfície de separação.
[002] A presente invenção se aplica em particular à substituição de uma válvula cardíaca nativa por uma endoválvula.
Antecedentes da Invenção [003] O coração possui válvulas que estão presentes na saída do ventrículo direito (válvula pulmonar) e do ventrículo esquerdo (válvula aórtica).
[004] Essas válvulas realizam uma circulação unívoca do fluxo sanguíneo, evitando um refluxo do sangue no final da contração ventricular.
[005] Todavia, as válvulas são afetadas por doenças. Em particular, elas podem sofrer de calcificação permitindo, assim, um refluxo ou uma regurgitação em direção ao ventrículo que expulsou o fluxo sanguíneo. O problema de regurgitação conduz a uma dilatação anormal do ventrículo que produz, com o tempo, uma insuficiência cardíaca.
[006] Para tratar esse tipo de doença de modo cirúrgico, a válvula doente é substituída. Assim, costuma-se implantar uma endovávula entre os
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2/16 folículos que delimitam a válvula doente. Essa endoválvula é constituída de uma endoprótese tubular formada de um reticulado auto-expansível e de um obturador flexível realizado em um tecido de origem animal. O obturador flexível é fixado de modo permanente na endoprótese.
[007] Essas endoválvulas são implantáveis por via endoluminal, o que limita consideravelmente os riscos associados à implantação de uma válvula, em particular em termos de mortalidade.
[008] Em certos casos, as endoválvulas não são inteiramente satisfatórias. De fato, após implantação da endoválvula, os folículos da válvula nativa danificada são aplicados contra a parede do conduto pela superfície externa da endoprótese.
[009] Existe um risco elevado de complicações quando os folículos da válvula a ser substituída se estendem em uma região denominada sinus coronário, onde desembocam as artérias coronárias esquerda e direita. Se essas artérias coronárias desembocarem em um plano que passa pela borda livre dos folículos da válvula, e se esses folículos estiverem fortemente calcificados, os folículos podem obturar as artérias coronárias, o que pode provocar um infarto extenso, e mesmo a morte do paciente.
[010] Para corrigir esse problema, é conhecido através do documento FR-A-2 828 626 a realização de aberturas na parede da endoprótese que suporta a válvula, e colocar essas aberturas diante das artérias coronárias.
[011] Para assegurar o posicionamento axial e angular da endoprótese, a endoprótese é dotada de braços de indexação que são inseridos nos folículos da válvula defeituosa para encontrar a base dos referidos folículos.
[012] Depois de assegurado o posicionamento, a prótese é desdobrada. A força de desdobramento de cada braço a uma certa distância da endoprótese é muito inferior à força de desdobramento da endoprótese. A endoprótese é, portanto, aplicada sobre as paredes do vaso comprimindo os
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3/16 folículos da válvula contra essas paredes.
[013] Essa solução não é, portanto, inteiramente satisfatória quando as artérias coronárias desembocam sob o plano delimitado pela borda livre dos folículos. De fato, nesse caso, os folículos podem obturar as artérias coronárias quando ficam aplicados contra a parede do sinus coroário, durante o desdobramento da endoprótese.
Descrição da Invenção [014] Uma finalidade da presente invenção é, portanto, obter uma endoválvula que reduza o risco de complicações e a mortalidade durante sua implantação em um sinus coronário.
[015] Para esse fim, a presente invenção tem por objetivo um dispositivo de implante do tipo precitado, caracterizado pelo fato da sapata estar disposta para delimitar:
- um alojamento de confinamento que se estende entre a superfície de separação e a superfície externa; e
- um afastador radial formado pela superfície de separação e pelo órgão desdobrável;
e pelo fato de quando o dispositivo de implante é mantido em compressão radial em torno da ou de cada sapata, e a endoprótese ocupa sua configuração dilatada, a largura radial máxima do alojamento é inferior à largura radial máxima do afastador, e o afastador apresenta uma largura radial máxima não nula.
[016] O dispositivo de implante de acordo com a presente invenção pode compreender uma ou mais das seguintes características, considerada(s) isoladamente ou segundo todas as combinações tecnicamente possíveis:
- a força de deslocamento do órgão desdobrável a uma certa distância da superfície de separação é superior à força de deslocamento radial
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4/16 da endoprótese e da força de manutenção a uma certa distância da superfície de separação em relação à superfície externa, quando o implante é mantido em compressão radial em torno da ou de cada sapata;
- a ou cada sapata está montada de modo permanente na endoprotése;
- a ou cada sapata é feita em uma única peça com a endoprótese;
- a endoprótese compreende um reticulado formado por pelo menos um fio elástico, e a ou cada sapata é formada por um prolongamento de pelo menos um fio do reticulado;
- uma borda da superfície de separação é articulada na borda da superfície externa;
- a ou cada sapata é montada de modo amovível na endoprótese;
- a ou cada sapata compreende um suporte tubular rígido aplicado em funcionamento sobre a superfície externa, e o órgão de afastamento pode ser desdobrado radialmente a partir do suporte tubular;
- o órgão desdobrável é articulado na superfície de separação;
- a ou cada sapara apresenta uma seção, considerada em um plano mediano que passa pelo eixo longitudinal, sensivelmente em forma de V;
- a endoprótese compreende um obturador montado de modo permanente na passagem interna, e o obturador apresenta uma seção, considerada em um plano mediano que passa pelo eixo longitudinal, que converge em um sentido oposto à seção em V da ou de cada sapata;
- o afastador é permeável aos líquidos.
Breve Descrição dos Desenhos [017] A presente invenção será mais bem compreendida com a leitura da descrição que será feita a seguir, dada meramente a título de exemplo, e feita em relação às figuras anexas, as quais:
- a Figura 1 é uma vista em corte ao longo de um plano axial
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5/16 mediano de um primeiro dispositivo de implante de acordo com a presente invenção em um estado totalmente desdobrado;
- a Figura 2 é uma vista análoga à Figura 1 em um estado parcialmente contraído radialmente;
- a Figura 3 é uma vista em corte esquemático de um sinus coronário no qual será colocado o dispositivo de implante da Figura 1, o qual é mantido em um estado totalmente retraído;
- a Figura 4 é uma vista análoga à Figura 3, após a colocação do dispositivo de implante;
- a Figura 5 é uma vista análoga à Figura 1 de um segundo dispositivo de implante de acordo com a presente invenção;
- a Figura 6 é uma vista análoga à Figura 1 de um terceiro dispositivo de implante de acordo com a presente invenção;
- a Figura 7 é uma vista análoga à Figura 3 durante uma primeira etapa da implantação do terceiro dispositivo de implante;
- a Figura 8 é uma vista análoga à Figura 7 durante uma segunda etapa da implantação do terceiro dispositivo de implante; e
- a Figura 9 é uma vista análoga à Figura 7 durante uma terceira etapa da implantação do terceiro dispositivo de implante.
Descrição de Realizações da Invenção [018] Um primeiro dispositivo de implante 10 de acordo com a presente invenção é representado nas Figuras 1 a 4. Esse implante 10 se destina à substituição de uma válvula nativa 12 deficiente, visível na Figura 3, no sinus coronário 14.
[019] A válvula nativa 12 compreende folículos 16 que apresentam uma borda 17 articulada na parte inferior do sinus coronário 12 e uma borda superior 18 livre.
[020] O sinus coronário 14 é delimitado por uma parede 20 que se
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6/16 alarga. Duas artérias 22, uma das quais é visível na Figura 3, desembocam na parede 20 através de uma abertura 24.
[021] Nesse exemplo, a abertura 24 está situada diante dos folículos 16 quando eles estão aplicados contra a parede 20. Ela é, portanto, suscetível de ser obturada pelos folículos 16.
[022] Como ilustram as Figuras 1 e 2, o implante 10 compreende uma endoválvula 26 de eixo longitudinal X-X'; e as sapatas 28 montadas de modo permanente na endoválvula, em saliência radial a uma certa distância do eixo X-X' da endoválvula 26.
[023] A endoválvula 26 compreende uma endoprótese 30 tubular e um obturador 32 fixado de modo permanente na endoprótese 30.
[024] A endoprótese 30 é formada, por exemplo, por um reticulado tubular 34 de fios entrelaçados, envolto em um filme 36 extensível e estanque aos líquidos, tal como um elastômero.
[025] O reticulado 34 é constituído de aço inoxidável com propriedades elásticas, fazendo com que a endoprótese 30 seja auto-expansível. Essa endoprótese, quando é utilizada sozinha é comumente designada pelo termo inglês “stent”. Como variante, o reticulado 34 é formado na base de metal com memória de forma ou de uma fibra flexível polimérica.
[026] De modo conhecido em si, a endoprótese 30 é suscetível de se deformar espontaneamente de uma configuração comprimida, em que apresenta um pequeno diâmetro, para uma configuração dilatada, na qual apresenta um diâmetro superior, e esse estado dilatado constitui seu estado de repouso. Uma força radial F1, de desdobramento da endoprótese é, portanto, gerada quando a endoprótese 30 ocupa uma posição intermediária entre a configuração comprimida e a configuração dilatada.
[027] A endoprótese 30 define em torno do eixo X-X' uma superfície interna 38 que delimita uma passagem central 40 de circulação do
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7/16 sangue, e uma superfície externa 42 sensivelmente cilíndrica, destinada a ser aplicada em parte contra uma parede 20 de um conduto de circulação do sangue como se poderá ver mais adiante.
[028] De modo clássico, o obturador 32 é formado por membranas flexíveis 44 fixadas em uma parte mediana da superfície de separação 38.
[029] Cada membrana 44 é formada por um filme de polímero ou por uma camada de filme orgânico, tal como pericárdio de bezerro. Ela tem geralmente uma forma retangular. Cada membrana 44 está ligada à superfície interna 38 do filme estanque 36 ao longo de um lado maior que forma a base ao longo da circunferência de ligação dessa superfície 38.
[030] De modo conhecido em si, as bordas longitudinais das membranas 44 estão ligadas à endoprótese tubular 30 ao longo de três geradores dessa endoprótese distribuídos regularmente de modo angular em torno do eixo da endoprótese tubular. Assim, as membranas 44 estão ligadas duas a duas ao longo de suas bordas longitudinais sobre a endoprótese 30.
[031] As membranas 44 são deformáveis entre uma posição de obturação representada na Figura 1, na qual as bordas livres das membranas 44 estão unidas duas a duas pela metade, e uma posição de passagem do fluxo sanguíneo na qual as membranas 44 estão afastadas uma das outras.
[032] Na posição de obturação, as três membranas 44 formam um obturador de seção em forma de V que se abre para baixo em um plano mediano que passa pelo eixo X-X'.
[033] No exemplo representado nas Figuras 1 a 3, as sapatas 28 são formadas por braços desdobráveis 50 que formam radialmente uma saliência a uma certa distância do eixo X-X', a partir e diante da superfície externa 42. Nesse exemplo, o implante 10 compreende pelo menos dois braços 50 dispostos de cada lado de um plano mediano que passa pelo eixo X-X' da endoprótese 30. Os braços 50 são feitos em uma única peça com os fios que
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8/16 constituem o reticulado 34. Eles são assim formados, por exemplo, por anéis que prolongam os fios do reticulado 34.
[034] Cada braço 50 apresenta uma seção vertical em forma de V que se abre para cima, considerada em um plano axial mediano.
[035] Cada braço 50 compreende um segmento 52 de ligação com a endoprótese 30, e um segmento de afastamento 54, e os segmentos 52, 54 definem um cotovelo 56 orientado para baixo.
[036] O segmento de ligação 52 se estende para baixo a partir da borda superior da superfície externa 42 até o cotovelo 56 situado diante de uma parte mediana da superfície externa 42. O segmento de ligação 52 define uma superfície de separação 60 situada diante da superfície externa 42 da endoprótese 30. A superfície de separação 60 define com a superfície externa 42, um alojamento intermediário 62 de confinamento de um folículo 16.
[037] O segmento de ligação 52 é espontaneamente móvel em relação à superfície externa 42 a partir de uma posição contraída na qual a superfície de separação 60 é aplicada contra a superfície externa 42, em direção a uma posição expandida radialmente, que constitui seu estado de repouso, na qual a superfície de separação 60 está situada radialmente a uma certa distância da superfície externa 42.
[038] Na posição expandida, o segmento de ligação 52 forma um ângulo comprimido entre 10° e 60° com a superfície externa 42, considerado no nível da borda superior. Uma força radial F3 de manutenção da superfície de separação 60 a uma certa distância da superfície externa 42 é gerada, quando o segmento de ligação 52 ocupa uma posição intermediária entre sua posição contraída e sua posição expandida.
[039] O segmento de afastamento 54 se estende para cima e a uma certa distância do eixo X-X' entre o cotovelo 56 e uma extremidade livre 64 destinada a ser aplicada contra uma parede 20 de um conduto de circulação do
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9/16 sangue.
[040] A extremidade livre 64 é dobrada em forma de anel para não perfurar a parede sobre a qual é aplicada.
[041] O segmento de afastamento 54 apresenta sensivelmente o mesmo comprimento que o segmento de ligação 52. Assim, a extremidade livre 64 está sensivelmente situada no mesmo plano que a borda superior 58 da superfície 42.
[042] O segmento de afastamento 54 pode se deslocar espontaneamente a partir de uma posição retraída, na qual ele está colocado entre a superfície de separação 60 do segmento de ligação, para uma posição desdobrada, na qual ele se estende radialmente a uma certa distância da superfície 60. Nessa posição desdobrada, o segmento de afastamento 54 forma com o segmento de ligação 52 um ângulo compreendido entre 20° e 60°.
[043] O segmento de afastamento 54 forma com o segmento de ligação 52 um afastador radial 65 permeável aos líquidos, destinado a manter uma parte da superfície externa 42 da endoprótese 30 e os folículos 16 da válvula nativa a uma certa distância da parede 20.
[044] Quando o segmento de afastamento 54 ocupa uma posição intermediária entre sua posição retraída e sua posição desdobrada, uma força radial F2 de desdobramento do segmento de afastamento 54 a uma certa distância da superfície de separação 60 é gerada.
[045] Como ilustra a Figura 2, a força F2 de desdobramento do segmento de afastamento 54 a uma certa distância da superfície de separação 60 é superior à soma da força F3 de manutenção da superfície de separação 60 a uma certa distância em relação à superfície externa 42, e da força F1 de desdobramento radial da endoprótese 30 a partir de sua configuração contraída para sua configuração dilatada,, quando o implante 10 é mantido em compressão radial em torno de cada sapata 28, por exemplo, em um tubo situado fora do
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10/16 corpo humano.
[046] Nessa configuração, a largura radial máxima do alojamento 62, considerada em sua superfície externa 42 e a superfície de separação 60 é inferior à largura radial máxima do afastador 65, considerada entre o segmento de afastamento 54 e a superfície de separação 60 do segmento de ligação. O separador 65 apresenta ainda uma largura radial máxima não nula.
[047] O processo de implantação do dispositivo de implante 10 no sinus coronário 12 vai ser agora descrito em relação às Figuras 3 e 4.
[048] Inicialmente, o implante 10 é carregado em um dispositivo de desdobramento 70 que compreende meios 72, 74 de desdobramento seletivo das sapatas 28 e da endoprótese 30.
[049] Nesse exemplo, o dispositivo de desdobramento 70 é formado por uma bainha interna 72 que assegura a manutenção da endoprótese 30 em sua configuração contraída, e uma bainha externa 74 de manutenção das sapatas 28 em um estado retraído.
[050] A bainha interna 72 se estende em torno da superfície externa 42 da endoprótese 30. Ela apresenta uma extremidade superior inserida entre a endoprótese 30 e a superfície de separação 60 das sapatas 28.
[051] A bainha externa 74 é montada de modo coaxial com a bainha 72 em torno das sapatas 28. Ela mantém o segmento de ligação 52 em sua posição contraída contra a endoprótese 30 e o segmento de afastamento 54 em sua posição retraída contra o segmento de ligação 52.
[052] A seguir, uma guia cirúrgica 76 é introduzida por via endoluminal até o sinus coronário 14. O dispositivo de desdobramento 70, no qual o implante 10 foi carregado, é levado até o sinus coronário 14 por deslizamento da endoprótese 30 em torno da guia 76. O implante 10 é colocado acima dos folículos 16 da válvula nativa 12.
[053] A bainha externa 74 é então retirada por deslizamento ao
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11/16 longo da bainha interna 72. Durante essa retração, as sapatas 28 se desdobram. Para esse fim, o segmento de ligação 52 se afasta da superfície externa 42 sob o efeito da força F3. Da mesma forma, o segmento de afastamento 54 se desdobra a uma certa distância da superfície de separação 60 do segmento de ligação sob o efeito da força F2.
[054] A seguir, o implante 10 e à bainha interna 72 são deslocados para baixo a fim de introduzir os folículos 16 na válvula nativa 12 nos alojamentos 62 situados entre a superfície externa 42 da endoprótese 30 e a superfície de separação 60 das sapatas 28.
[055] Durante esse deslocamento, os segmentos de afastamento 54 dos braços 50 são aplicados contra a parede 20 do sinus coronário 14. O implante 10 fica então calçado em posição no sinus 14.
[056] A seguir, a bainha interna 72 é retirada para extrair a endoprótese 30 da bainha 72.
[057] Durante essa retirada, a endoprótese 30 se desdobra radialmente a uma certa distância de seu eixo X-X. Todavia, como a soma da força F1 de desdobramento radial da endoprótese 30, e da força F3 de manutenção da superfície de separação 60 a uma certa distância da superfície externa 42 é inferior à força F2 de desdobramento do segmento de afastamento 54, o segmento de afastamento fica a uma certa distância do segmento de ligação 52. O ângulo formado entre os segmentos 52, 54 permanece superior a pelo menos 10°.
[058] Assim, a parte superior da superfície externa 42 da endoprótese 30 situada diante das sapatas 28 é mantida a uma certa distância da parede 20 e, portanto, das aberturas 24, quando a parte inferior da superfície 42 situada sob as sapatas 28 é aplicada sobre a parede 20.
[059] Os folículos 16 são confinados nos alojamentos 62, o que elimina o risco de obturação das artérias coronárias 22. Uma perfusão coronária
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12/16 é, portanto, mantida continuamente através dos afastadores 65, mesmo depois do desdobramento da endoprótese.
[060] Foi, portanto, descrito um processo de desdobramento de um dispositivo de implante 10, destinado a ser colocado em um conduto 14 de circulação do sangue, implante esse que é do tipo que compreende:
- uma endoprótese 30 de eixo longitudinal X-X', espontaneamente desdobrável radialmente entre uma configuração comprimida e uma configuração dilatada, e a endoprótese 30 delimita uma passagem interna 40 de circulação do sangue e uma superfície externa 42 periférica;
- pelo menos uma sapata radial 28 que coopera com a endoprótese 30, e o sapata 28 compreende uma superfície de separação 60 que se estende radialmente em relação à superfície externa 42, e pelo menos um órgão 54 de afastamento desdobrável a uma certa distância do eixo longitudinal X-X', em relação à superfície de separação 60.
[061] Nesse processo, o órgão de afastamento 54 de cada lado da sapata 28 é mantido radialmente a uma certa distância da superfície de separação 60 e da superfície externa 42, após desdobramento da endoprótese 30 em sua configuração dilatada no conduto 14.
[062] Uma parte da superfície externa 42 da endoprótese 30 em sua configuração dilatada é assim mantida radialmente a uma certa distância da parede 20 do conduto 14, em particular diante das aberturas 24 em que desembocam as paredes coronárias 22.
[063] Em uma variante, a sapata 28 é periférica. Os segmentos 52 e 54 formam abas que se estendem de modo periférico entorno do eixo X-X'.
[064] Um segundo implante 77 de acordo com a presente invenção é representado na Figura 5. O dispositivo de segundo implante 77 difere do primeiro implante 10 pelo fato das sapatas 28 compreenderem um afastador 65 em forma de anel fechado, em uma seção vertical considerada ao
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13/16 longo de um plano axial que passa pelo eixo X-X' da endoprótese 30.
[065] O afastador 65 e o segmento de ligação 52 são feitos em uma única peça. O segmento 52 se estende, por outro lado, de modo sensivelmente horizontal a partir da borda superior da superfície 42.
[066] Nesse exemplo, o afastador 65 define uma superfície de separação 60 situada diante da superfície externa da endoprótese 42, e uma superfície de apoio situada radialmente em oposição à superfície de separação.
[067] O funcionamento desse implante 77 é análogo ao do primeiro implante 10. Quando o implante 77 é mantido em compressão radial em torno das sapatas 28, a largura radial máxima do alojamento 62 é inferior à largura radial máxima do afastador 65.
[068] Um terceiro dispositivo de implante 80 de acordo com a presente invenção é descrito na Figura 6. Nesse exemplo, a endoválvula 26 é formada por uma endoprótese tubular 30 dotada de um obturador 32, tal como descrito anteriormente.
[069] Diferentemente do implante 10 representado nas Figuras 1 a 5, a sapata 28 não está montada de modo permanente na endoválvula 26. A sapata 28 é formada por um suporte tubular 82 amovível em relação à endoválvula 26.
[070] O suporte 82 compreende um reticulado tubular 84 que possui uma estrutura de fios envoltos por um filme polimérico e pelo menos duas linguetas flexíveis de afastamento 84 situadas de cada lado de um plano mediano que passa pelo eixo X-X' do suporte 82.
[071] O reticulado 84 pode ser desdobrado espontaneamente de modo radial entre uma configuração comprimida e uma configuração dilatada que constitui sua configuração de repouso.
[072] Cada lingueta 86 compreende uma extremidade inferior 88 solidária da borda inferior do suporte 82 e uma extremidade livre 90 situada
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14/16 diante do reticulado 84 do suporte 82.
[073] A flexibilidade axial das linguetas 86 é superior à do reticulado 84.
[074] Como ilustra a Figura 6, as linguetas 86 podem ser deslocadas espontaneamente entre uma posição superior retraída representada por traços mistos na Figura 6, e uma posição inferior desdobrada radialmente representada com pontilhados na Figura 6.
[075] Na posição retraída, cada lingueta 86 é mantida sensivelmente aplicada contra uma superfície externa do reticulado 84, ao longo de um gerador de reticulado 84. A extremidade livre 90 é colocada diante de um ponto superior do reticulado 84. A lingueta 86 apresenta uma forma de I.
[076] Na posição desdobrada, que constitui uma posição de repouso, a extremidade livre 90 é deslocada para baixo e está situada sob o ponto superior diante do reticulado 84. A distância que separa a extremidade livre 90 da extremidade inferior 88 fica então reduzida, e a lingueta apresenta uma forma de C. Ela forma uma saliência a uma certa distância da superfície externa do reticulado 84.
[077] O afastador 65 é assim formado pelo reticulado 84 e pelas linguetas 86. O alojamento 62 de confinamento dos folículos 16 da válvula nativa 12 é definido entre a superfície externa 42 da endoprótese 30 e uma superfície interna do reticulado 84.
[078] O processo de implantação do segundo dispositivo de implante 80 no sinus coronário 14 vai ser agora descrito em relação às Figuras 7 a 9.
[079] Inicialmente, a sapata 28 é carregada em um dispositivo de desdobramento que compreende uma bainha externa (não representada) de manutenção das linguetas 86 em sua posição retraída e uma bainha interna 92 de manutenção do suporte tubular 82 em sua configuração retraída. A bainha
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15/16 interna 92 é situada entre as linguetas 86 e a superfície externa do reticulado 84. A sapata 28 é assim conduzida para o sinus coronário 14 para ser desdobrada em torno da válvula nativa 12.
[080] A sapata 28 é então colocada acima da válvula nativa 12. A bainha externa é retirada por deslizamento, para provocar o desdobramento radial das linguetas 86 para sua posição desdobrada. A seguir, a bainha interna 92 é parcialmente retirada para provocar o desdobramento radial da extremidade interior do reticulado 84, como ilustra a Figura 7.
[081] A sapata 28 é então deslocada em direção à válvula 12. Os folículos 16 da válvula nativa 12 são inseridos no interior do reticulado 84 e a borda inferior do reticulado 84 se apoia contra a parede 20 em torno da válvula nativa 12. As linguetas de afastamento 86 são aplicadas contra a parede 20 do sinus 14 como ilustra a Figura 8.
[082] A seguir, o reticulado 84 é totalmente extraído da bainha interna. Ele ocupa então sua configuração dilatada. A superfície externa do reticulado 84 é mantida a uma certa distância da parede 20 diante das aberturas 24 pelas linguetas 86.
[083] A seguir, a endoválvula 26 é conduzida para sua configuração comprimida no sinus coronário 14 no interior do suporte tubular 82. A endoválvula 26 é inserida através da válvula nativa 12. Os folículos 16 são colocados entre a endoválvula 26 e o suporte tubular 82.
[084] A endoválvula 26 é desdobrada a seguir para sua configuração dilatada. Durante esse desdobramento, a superfície externa 42 da endoprótese 30 é aplicada contra uma superfície interna do reticulado 84, comprimindo os folículos 16. Assim, esses folículos 16 são mantidos no alojamento 62 delimitado entre a superfície interna do suporte 82 e a superfície externa 42 da endoválvula 26.
[085] A força de desdobramento das linguetas 86 a uma certa
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16/16 distância do reticulado 84 é superior à soma da força sensivelmente nula de manutenção do reticulado 84 a uma certa distância da superfície externa 42 da endoprótese 30 e da força de desdobramento radial da endoprótese 30. Nessa configuração, a largura radial máxima do alojamento 62 é inferior à largura radial máxima do afastador 65.
[086] Uma perfusão coronária é, portanto, evitada a todo instante por meio das linguetas de afastamento 86 que impedem a aplicação do reticulado 84 contra a parede 20 do sinus coronário 14 diante de cada artéria coronária 22. Assim, o risco de complicações durante a implantação da endoválvula 26 é reduzido.
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