BRPI0720486A2 - Pneumático para veículo pesado - Google Patents
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Description
“PNEUMÁTICO PARA VEÍCULO PESADO” A presente invenção se refere a um pneumático, destinado a equipar um veículo ou equipamento pesado de tipo engenharia civil, o dito pneumático compreendendo pelo menos uma armadura de carcaça radial encimada radialmente por uma banda de rodagem e que apresenta uma largura axial superior a 25 polegadas.
Ainda que não limitada a esse tipo de aplicação, a invenção será mais especialmente descrita em referência a pneumáticos para veículo de tipo carregador que trabalha em minas e que apresentam uma largura axial superior a 37 polegadas. Esse tipo de carregador é utilizado nas minas para enchimento das carrocerias dos veículos de tipo caminhão basculante.
A armadura de reforço ou reforço dos pneumáticos e notadamente dos pneumáticos de equipamento de engenharia civil é atualmente - e na maior parte das vezes - constituída por empilhamento de uma ou várias lonas designadas classicamente “lonas de carcaça”, “lonas de topo”, etc. Esse modo de designar as armaduras de reforço provém do processo de fabricação, que consiste em realizar uma série de produtos semi- acabados em forma de lonas, providas de reforços filares com freqüência longitudinais, que são na seqüência unidas ou empilhadas a fim de confeccionar um esboço de pneumático. As lonas são realizadas planamente, com dimensões grandes, e são na seqüência cortadas em função das dimensões de um produto dado. A união das lonas é também realizada, em um primeiro tempo, substancialmente planamente. O esboço assim realizado é em seguida conformado para adotar o perfil toroidal típico dos pneumáticos. Os produtos semi-acabados ditos “de acabamento” são em seguida aplicados sobre o esboço, para obter um produto pronto para a vulcanização.
Um tal tipo de processo “clássico” implica, em especial para a fase de fabricação do esboço do pneumático, a utilização de um elemento de ancoragem (geralmente um cordonel), utilizado para realizar a ancoragem ou a retenção da armadura de carcaça na zona dos frisos do pneumático. Assim, para esse tipo de processo, é efetuado um reviramento de uma porção de todas as lonas que compõem a armadura de carcaça (ou de uma parte somente) em tomo de um cordonel disposto no friso do pneumático. Cria-se desse modo uma ancoragem da armadura de carcaça no friso.
A generalização na indústria desse tipo de processo clássico, apesar de numerosas variantes no modo de realizar as lonas e as uniões, levou o profissional a utilizar um vocabulário calcado no processo; daí a terminologia geralmente admitida, que compreende notadamente os termos “lonas” “carcaça”, “cordonel”, “conformação” para designar a passagem de um perfil plano para um perfil toroidal, etc.
Existem hoje em dia pneumáticos que não compreendem propriamente falando “lonas” ou “cordonéis” de acordo com as definições precedentes. Por exemplo, o documento EP O 582 196 descreve pneumáticos fabricados sem o auxílio de produtos semi-acabados sob a forma de lonas. Por exemplo, os elementos de reforço das diferentes estruturas de reforço são aplicados diretamente sobre as camadas adjacentes de misturas borrachosas, tudo sendo aplicado por camadas sucessivas sobre um núcleo toroidal do qual a forma permite obter diretamente um perfil que se aparenta ao perfil final do pneumático em decorrer de fabricação. Assim, nesse caso, não são mais encontrados “semi-acabados”, nem “lonas”, nem “cordonel”. Os produtos de base tais como as misturas borrachosas e os elementos de reforço sob a forma de fios ou filamentos, são diretamente aplicados sobre o núcleo. Esse núcleo sendo de forma toroidal, não se tem mais que formar o esboço para passar de um perfil plano a um perfil sob a forma de toro.
Existem também processos de união em um núcleo toroidal que utilizam produtos semi-acabados especialmente adaptadas para uma colocação rápida, eficaz e simples em um núcleo central. Finalmente, é também possível utilizar um misto que compreende ao mesmo tempo certos produtos semi-acabados para realizar certos aspectos arquiteturais (tais como lonas, cordonéis, etc.), enquanto que outros são realizados a partir da aplicação direta de misturas e/ou de elemento de reforço.
No presente documento, a fim de levar em consideração as evoluções tecnológicas recentes tanto no domínio da fabricação quanto para a concepção de produtos, os termos clássicos tais como “lonas”, “cordonéis”, etc., são vantajosamente substituídos por termos neutros ou independentes do tipo de processo utilizado. Assim, o termo “reforço de tipo carcaça” ou “reforço de flanco” é válido para designar os elementos de reforço de uma lona de carcaça no processo clássico, e os elementos de reforço correspondentes, em geral aplicados ao nível dos flancos, de um pneumático produzido de acordo com um processo sem semi-acabados. O termo “zona de ancoragem” por sua vez, pode designar tanto o “tradicional” reviramento de lona de carcaça em tomo de um cordonel de um processo clássico, quanto o conjunto formado pelos elementos de reforço circunferenciais, a mistura borrachosa e as porções adjacentes de reforço de flanco de uma zona baixa realizada com um processo com aplicação sobre um núcleo toroidal.
No que diz respeito à concepção habitual dos pneumáticos para equipamento de engenharia civil, a armadura de carcaça radial, ancorada 20 em cada friso, é composta por pelo menos uma camada de elementos de reforço metálicos, os ditos elementos sendo substancialmente paralelos entre si na camada. A armadura de carcaça é habitualmente encimada por uma armadura de topo composta por pelo menos duas camadas de topo de trabalho de elementos de reforço metálicos, mas cruzados de uma camada para a 25 seguinte formando assim com a direção circunferencial ângulos compreendidos entre 15 e 70°. Entre a armadura de carcaça e as camadas de topo de trabalho, são encontradas habitualmente duas camadas de elementos de reforço, cruzados de uma lona para a seguinte e que apresentam ângulos inferiores a 12°; a largura dessas camadas de elementos de reforço é habitualmente inferior àquelas das camadas de trabalho. Radialmente no exterior das camadas de trabalho, são encontradas ainda camadas de proteção das quais os elementos de reforço apresentam ângulos compreendidos entre e 65°. A armadura de topo é ela própria encimada por uma banda de rodagem.
Entende-se por “axial”, uma direção paralela ao eixo de rotação do pneumático e por “radial” uma direção que corta o eixo de rotação do pneumático e que é perpendicular a esse último. O eixo de rotação do pneumático é o eixo em tomo do qual ele gira em utilização normal.
Um plano circunferencial ou plano circunferencial de corte é um plano perpendicular ao eixo de rotação do pneumático. O plano equatorial ou plano mediano circunferencial é o plano circunferencial que passa pelo centro ou topo da banda de rodagem e que divide o pneumático em duas metades.
Um plano radial é um plano que contém o eixo de rotação do
pneumático.
A direção longitudinal do pneumático, ou direção circunferencial, é a direção que corresponde à periferia do pneumático e que é definida pela direção de rodagem do pneumático.
Os pneumáticos para equipamentos de engenharia civil, tais como descritos acima, são habitualmente submetidos a uma pressão compreendida entre 4 e 10 bars para cargas e dimensões usuais.
No caso dos pneumáticos para carregadores descritos precedentemente a armadura de topo do pneumático é especial na medida em que os ditos carregadores são veículos articulados que podem ser equipados com pneumáticos que apresentam rigidezes de desvio muito pequenas. As armaduras de topo assim definidas para esse tipo de pneumáticos, que compreende notadamente camadas de trabalho das quais os elementos de reforço apresentam ângulos com a direção circunferencial superiores a 45°, são especialmente interessantes em termo de desgaste para os usos ligados a esse tipo de veículo.
Em contrapartida, pode aparecer em condições de uso especialmente severas desses pneumáticos uma deterioração das camadas de trabalho da armadura de topo nas zonas de extremidades das camadas de elementos de reforços que apresentam ângulos inferiores a 12°.
Os inventores se deram assim como missão fornecer pneumáticos que apresentam propriedades satisfatórias notadamente em termo de desgaste e que não apresentam deterioração das camadas de trabalho quaisquer que sejam as condições de utilização dos ditos pneumáticos.
Esse objetivo foi atingido de acordo com a invenção por um pneumático para veículo pesado com armadura de carcaça radial de largura superior a 25 polegadas que compreende uma armadura de topo radialmente intercalada entre a armadura de carcaça e a banda de rodagem, a dita armadura de topo sendo constituída por pelo menos uma armadura de topo de trabalho constituída por pelo menos uma camada de elementos de reforço orientados substancialmente circunferencialmente, radialmente encimada por pelo menos duas camadas ditas de trabalho das quais os elementos de reforço apresentam um ângulo compreendido entre 15 e 70° com a direção circunferencial, paralelos entre si em cada camada e cruzados de uma camada para a outra, as ditas duas camadas de trabalho sendo axialmente mais largas do que a camada de elementos de reforço orientados substancialmente circunferencialmente, cada uma das camadas de trabalho sendo constituída por pelo menos duas partes axialmente separadas, a distância entre a extremidade axialmente interior de cada uma das partes axialmente exteriores de pelo menos a camada de trabalho que está radialmente mais no interior e a extremidade da camada que está radialmente mais no exterior de elementos de reforços orientados substancialmente circunferencialmente sendo inferior a 45 mm, e o intervalo, de acordo com a direção axial, entre duas partes de cada uma das camadas de topo de trabalho sendo superior a 5 mm e de preferência superior a 15 mm.
Vantajosamente, os elementos de reforço orientados substancialmente circunferencialmente apresentam um ângulo com a direção circunferencial inferior a 12°.
De acordo com um modo de realização preferido da invenção, a distância entre a extremidade axialmente interior de cada uma das partes axialmente exteriores de pelo menos a camada de trabalho que está radialmente mais no interior e a extremidade da camada de elementos de reforço orientados substancialmente circunferencialmente é inferior a 25 mm e de preferência inferior a 10 mm.
O pneumático assim descrito de acordo com a invenção compreende camadas de trabalho que apresentam pelo menos uma descontinuidade de acordo com a direção axial, a dita descontinuidade se encontrando na proximidade da extremidade de uma camada de elementos de reforço orientados substancialmente circunferencialmente; a distância entre a extremidade axialmente interior de cada uma das partes axialmente exteriores de pelo menos a camada de trabalho que está radialmente mais no interior e a extremidade da camada que está radialmente mais no exterior de elementos de reforço orientados substancialmente circunferencialmente sendo inferior a 45 mm. Por outro lado, a interrupção ou descontinuidade axial de uma camada de trabalho é superior a 5 mm.
Os ensaios realizados com pneumáticos assim realizados que equipam um carregador utilizado em condições especialmente severas para os pneumáticos mostraram, em comparação com pneumáticos de referência que compreendem uma arquitetura semelhante sem as características de descontinuidade das camadas de trabalho, que não aparece degradação das ditas camadas de trabalho no pneumático de acordo com a invenção enquanto que os pneumáticos de referência são danificados. Os inventores pesam interpretar esses resultados por uma limitação das tensões de compressão dos elementos de reforço das camadas de trabalho que podem aparecer por ocasião das rodagens. As interrupções nas ditas camadas de trabalho parecem efetivamente limitar essas colocações em compressão dos elementos de reforço, pelo menos em zonas sensíveis.
De preferência de acordo com a invenção, a armadura de topo de trabalho compreende duas camadas de elementos de reforço orientados substancialmente circunferencialmente.
De preferência ainda de acordo com a invenção,os elementos de reforço das camadas de trabalho apresentam um ângulo superior a 45°. Tais ângulos das camadas de trabalho são especialmente interessantes no que diz respeito às propriedades de desgaste do pneumático.
De acordo com uma variante vantajosa da invenção, a extremidade axialmente interior de pelo menos uma parte axialmente exterior de pelo menos a camada de trabalho que está radialmente mais no interior, é axialmente interior à extremidade da camada de elementos de reforço orientados substancialmente circunferencialmente, que está radialmente mais no exterior. De acordo com essa variante de realização da invenção, pelo menos uma parte axialmente exterior da camada de trabalho que está radialmente mais no interior apresenta uma zona de recobrimento axial com a camada de elementos de reforço orientados substancialmente circunferencialmente, que lhe é radialmente adjacente. Uma tal configuração da arquitetura de topo pode levar para certos tipos de utilização dos pneumáticos a melhores resultados em termos de desgaste e de resistência do pneumático para uma melhor repartição das tensões entre as diferentes camadas que constituem a armadura de topo.
De acordo com outras variantes de realização da invenção, a extremidade axialmente interior de pelo menos uma parte axialmente exterior de pelo menos a camada de trabalho que está radialmente mais no interior, é axialmente exterior à extremidade de pelo menos a camada de elementos de reforço orientados substancialmente circunferencialmente, que está radialmente mais no exterior. De acordo com algumas dessas variantes de realizações da invenção, a extremidade axialmente interior de pelo menos uma parte axialmente exterior de pelo menos a camada de trabalho que está radialmente mais no interior, é axialmente exterior às extremidades de cada uma das camadas de elementos de reforço orientados substancialmente circunferencialmente; as extremidades axialmente interiores de pelo menos uma parte axialmente exterior de pelo menos a dita camada de trabalho são então vantajosamente axialmente interiores às extremidades de pelo menos uma lona de proteção sobre a qual se voltará ulteriormente.
Uma realização da invenção prevê que as extremidades axialmente interiores das partes axialmente exteriores das duas camadas de trabalho são contíguas. De acordo com essa realização da invenção, as duas camadas de trabalho são interrompidas axialmente na mesma posição. Uma tal realização pode notadamente permitir facilitar o processo de fabricação.
Uma outra realização da invenção, vantajosa notadamente em termos de funcionamento mecânico do pneumático, prevê que as extremidades axialmente interiores das partes axialmente exteriores das duas camadas de trabalho não são contíguas e portanto deslocadas axialmente.
Vantajosamente ainda de acordo com a invenção, os comprimentos axiais das interrupções são idênticos para as duas camadas de trabalho, notadamente quando as extremidades são contíguas. A invenção prevê apesar de tudo de acordo com certas configurações notadamente em função da disposição das diferentes camadas de topo que as interrupções podem apresentar larguras axiais variáveis de uma camada para a outra.
Uma primeira variante da invenção prevê que pelo menos uma das camadas de trabalho é constituída por duas partes axialmente separadas. De acordo com essa primeira variante de realização da invenção, as camadas de trabalho são constituídas por duas partes axialmente superiores separadas axialmente uma da outra em uma distância relativamente grande pelo menos igual à largura axial da camada de elementos de reforço orientados substancialmente circunferencialmente diminuída de 90 mm e de preferência diminuída de 50 mm e de preferência ainda de 20 mm.
Uma tal variante de realização da invenção vai notadamente permitir diminuir as rigidezes no centro da banda de rodagem do pneumático. Vantajosamente ainda, cada uma das camadas de trabalho é constituída por duas partes axialmente separadas.
Uma segunda variante da invenção prevê que pelo menos uma das camadas de trabalho é constituída por três partes axialmente separadas e em conseqüência disso duas zonas axiais de descontinuidade dentro de cada uma das camadas de trabalho. Uma tal variante de realização leva a um resultado semelhante à primeira variante, as camadas de trabalho que ficam permanecendo presentes sob a parte central da banda de rodagem.
De acordo com essa segunda variante de realização da invenção, os ângulos dos elementos de reforço formados com a direção circunferencial podem ser idênticos nas três partes de uma mesma camada de trabalho ou então diferentes e notadamente ser idênticos nas duas partes axiais e diferentes na parte central em relação a essas partes axiais. Vantajosamente ainda, cada uma das camadas de trabalho é constituída por três partes axialmente separadas.
De acordo com uma ou outra dessas variantes de realização da invenção, os ensaios realizados mostraram que os pneumáticos de acordo com a invenção permitem rodagens em distâncias maiores em conduções especialmente severas sem ver aparecer degradação ao nível das camadas de trabalho como é o caso por ocasião da utilização de pneumáticos usuais nas mesmas condições de rodagem.
De acordo com um modo de realização preferido da invenção, a camada de trabalho que está radialmente mais no interior é axialmente a mais larga.
De modo conhecido em si, notadamente para melhorar a resistência do pneumático aos cortes e perfurações, a armadura de topo de trabalho é completada por uma armadura de proteção, que compreende pelo menos uma camada de proteção.
De preferência ainda, a armadura de topo compreende pelo menos duas camadas de proteção, metálicas elásticas, e a camada de proteção que está radialmente mais no interior é axialmente a mais larga.
Vantajosamente de acordo com a invenção, as camadas de
proteção apresentam larguras inferiores às larguras das camadas de trabalho.
De preferência ainda, os elementos de reforço das camadas de proteção são cruzados entre si.
Variantes de realização da invenção prevêem camadas de proteção constituídas por pequenas tiras que se recobrem parcialmente. Qualquer que seja o tipo de camadas de proteção utilizado, os reforços elásticos utilizados podem ser elementos dispostos de maneira retilínea ou sob a forma sinusoidal.
Outros detalhes e características vantajosas da invenção se destacarão abaixo da descrição de exemplos de realização da invenção em referência às figuras 1 a 5 que representam:
- figura 1, uma representação esquemática de um pneumático de acordo com um primeiro modo de realização da invenção,
- figura 2, uma representação esquemática de um pneumático de acordo com um segundo modo de realização da invenção,
- figura 3, uma representação esquemática de um pneumático de acordo com um terceiro modo de realização da invenção,
- figura 4, uma representação esquemática de um pneumático de acordo com um quarto modo de realização da invenção, - figura 5, uma representação esquemática de um pneumático de acordo com um quinto modo de realização da invenção.
As figuras não estão representadas na escala para simplificar a compreensão das mesmas. As figuras só representam uma meia vista de um pneumático que é prolongado de maneira simétrica em relação ao eixo XX’ que representa o plano mediano circunferencial, ou plano equatorial, de um pneumático.
A Figura 1 representa um esquema visto de acordo com um corte radial de um pneumático 1 realizado de acordo com a invenção. O pneumático 1 de dimensão 45/65 R 45 compreende uma armadura de carcaça
2 ancorada em dois frisos, não representados na figura. Essa armadura de carcaça 2 é guarnecida por uma armadura de topo 3, formada radialmente do interior para o exterior:
- por uma primeira camada 31 formada por cabos metálicos inextensíveis orientados em relação à direção circunferencial de acordo com um ângulo igual a 5o,
- por uma segunda camada 32 formada por cabos metálicos inextensíveis, orientados em relação à direção circunferencial de acordo com um ângulo igual a 5o e cruzados com os cabos metálicos da camada 31; a camada 32 é axialmente menor do que a camada 31,
- por uma camada de trabalho 33 formada por cabos metálicos orientados em relação à direção circunferencial de acordo com um ângulo igual a 60° e cruzados com os cabos metálicos da camada 32. A camada de trabalho 33 é interrompida e formada por três partes (duas somente estão visíveis na figura), duas partes axialmente exteriores 33’ e uma parte central 3”. A largura L da interrupção da camada 33, quer dizer a distância de acordo com a direção axial entre as extremidades das partes 33’ e 33” é igual a 30 mm. A distância D entre a extremidade axialmente interior da parte 33’ e a extremidade da camada 32 é igual a 20 mm, a extremidade axialmente interior da parte 33’ sendo axialmente interior à extremidade da camada 32. - por uma camada de trabalho 34 formada por cabos metálicos orientados em relação à direção circunferencial de acordo com um ângulo igual a 60°, e cruzados com os cabos metálicos da camada 33. A camada de trabalho 34 é interrompida e formada por três partes, duas partes axialmente exteriores 34’ e uma parte central 34”. A camada 34 é interrompida axialmente como a camada 33, a largura axial das partes axialmente exteriores 34’ sendo inferiores à largura axial das partes axialmente exteriores 33’.
- por uma camada de proteção 35 formada por cabos metálicos extensíveis orientados em relação à direção circunferencial de acordo com um ângulo igual a 16°, cruzados com os cabos da camada 34 e de largura axial inferior à largura da camada de trabalho 34.
- por uma camada de proteção 36 formada por cabos metálicos extensíveis orientados em relação à direção circunferencial de acordo com um ângulo igual a 16°, cruzados com os cabos da camada 35 e de largura axial inferior à largura da camada de proteção 35.
A figura 2 ilustra uma segunda variante de realização da invenção. O pneumático 21 difere daquele da figura 1 pelo fato de que as camadas 233 e 234 são interrompidas e são cada uma delas constituída por duas partes 233’ e 234’ cujas extremidades axialmente interiores são axialmente distantes das extremidades da camada 232 de uma distância D igual a 20 mm. Nessa figura, a distância axial entre as extremidades das duas partes 233’ ou 234’ é igual à largura axial da camada 232 diminuída de duas vezes a distância D.
A figura 3 ilustra uma terceira variante de realização da invenção. O pneumático 31 difere daquele da figura 1 pelo fato de que as camadas 333 e 334 são interrompidas de modo que as extremidades axialmente interiores das partes axialmente exteriores 333’ e 334’são axialmente exteriores à extremidade da camada 332. Na representação da figura 3, as camadas de trabalho 333 e 334 são realizadas em três partes 333’, 333” e 334’ e 334” como no caso da figura I. Essas mesmas camadas 33 e 334 poderiam ainda ser realizadas em duas partes como no caso da figura 2. A distância axial entre as extremidades das duas partes 233’ ou 234’ seria nesse 5 caso igual à largura axial da camada 232 aumentada de duas vezes a distância D igual a 10 mm.
A figura 4 ilustra uma quarta variante de realização da invenção. O pneumático 41 difere daquele da figura 1, por um lado como no caso da figura 2 pelo fato de que as camadas 433 e 434 são interrompidas e são cada uma delas constituída por duas partes 433’ e 434’ e por outro lado pelo fato de que as extremidades axialmente interiores das ditas camadas são axialmente deslocadas uma em relação à outra e portanto não contíguas. A extremidade axialmente interior da parte 433’ é distante da extremidade da camada 432 de uma distância D igual a 20 mm. A extremidade axialmente interior da parte 343’ é distante da extremidade da camada 432 de uma distância D’ igual a 50 mm. Nessa figura 4, a distância axial entre as extremidades axialmente interiores das duas partes 433’ é igual à largura axial da camada 432 diminuída de duas vezes a distância D. Do mesmo modo, a distância axial entre as extremidades axialmente interiores das duas partes 434’ é igual à largura axial da camada 432 diminuída de duas vezes a distância D’.
A figura 5 ilustra uma outra variante de realização da invenção. O pneumático 51 representado nessa figura 5 compreende como precedentemente duas camadas de trabalho 533 e 534 interrompidas. A 25 camada de trabalho 534 é constituída por duas partes 534’ das quais as extremidades axialmente interiores estão a uma distância D2 das extremidades da camada 532 igual a 20 mm. A camada de trabalho 533 é também constituída por duas partes 533’ separadas axialmente pela camada 532 da qual as extremidades estão a uma distância D1 das extremidades axialmente interiores das partes 533’ igual a 20 mm.
De acordo com essa representação da figura 5, a combinação da camada de trabalho 433 e da camada 432 se assimila a uma camada feita de três partes, na qual as partes axialmente exteriores 433’ são constituídas por elementos de reforço orientados a 60° e na qual parte central 432 é constituída por elementos de reforço orientados a 5o.
Os diferentes exemplos descritos nessas figuras não devem ser interpretados de maneira limitativa, outras variantes de realização da invenção sendo evidentemente realizáveis.
Primeiramente, nos exemplos, os ângulos dos elementos de
reforço das diferentes camadas da armadura de topo foram considerados como sendo sempre os mesmos. Está claro que esses ângulos podem ser diferentes; os ângulos dos elementos de reforço das camadas de trabalho podem por exemplos ser escolhidos inferiores quando notadamente as camadas de trabalho são realizadas em duas partes.
É notadamente também possível considerar realizar camadas de trabalho interrompidas com três partes nas quais os ângulos dos elementos de reforço não são idênticos; por exemplo, a parte central pode compreender elementos de reforço que apresentam ângulos inferiores àqueles das partes 20 axialmente exteriores e por exemplo próximos daqueles das camadas de proteção.
Um pneumático realizado de acordo com a invenção foi testado em um veículo de tipo carregador CAT 992G.
Ensaios comparativos foram realizados com base no pneumático apresentado na figura 4. A comparação foi feita com um pneumático de referência idêntico que apresenta arquiteturas de topos semelhantes, com exceção de que as camadas de trabalho não são interrompidas.
Os pneumáticos foram testados em um mesmo veículo, esse último circulando no mesmo traçado que simula um percurso bastante prejudicial para os pneumáticos e sendo dirigido pelo mesmo motorista. O percurso, que reproduz a utilização de um carregador com uma caçamba cheia, compreende notadamente fases em distâncias curtas de marcha 5 dianteira e marcha ré, partidas para a frente e para trás que impõem passagens de torque importantes a partir de uma velocidade nula e fase de rodagem em distâncias mais longas que compreendem passagens em curvas.
Os ensaios confirmaram depois de rodagens de uma duração de 300 horas que os pneumáticos de acordo com a invenção não apresentam degradação enquanto que os pneumáticos de referência deixam aparecer uma danificação das lonas de trabalho nas zonas de extremidades das lonas de elementos de reforço orientados substancialmente circunfereNcialmente.
Claims (10)
1. Pneumático para veículo pesado com armadura de carcaça radial de largura superior a 25 polegadas que compreende uma armadura de topo radialmente intercalada entre a armadura de carcaça e a banda de rodagem, a dita armadura de topo sendo constituída por pelo menos uma armadura de topo de trabalho constituída por pelo menos uma camada de elementos de reforço orientados substancialmente circunferencialmente radialmente encimada por pelo menos duas camadas ditas de trabalho das quais os elementos de reforço apresentam um ângulo compreendido entre 15 e 70° com a direção circunferencial, paralelos entre si em cada camada e cruzados de uma camada para a outra, as ditas duas camadas de trabalho sendo axialmente mais largas do que a camada de elementos de reforço orientados substancialmente circunferencialmente, caracterizado pelo fato de que cada uma das camadas de trabalho é constituída por pelo menos duas partes axialmente separadas, pelo fato de que a distância entre a extremidade axialmente interior de cada uma das partes axialmente exteriores de pelo menos a camada de trabalho que está radialmente mais no interior e a extremidade da camada que está radialmente mais no exterior de elementos de reforços orientados substancialmente circunferencialmente é inferior a 45 mm e pelo fato de que o intervalo, de acordo com a direção axial, entre duas partes de cada uma das camadas de topo de trabalho é superior a 5 mm.
2. Pneumático de acordo com a reivindicação 1, caracterizado pelo fato de que os elementos de reforço orientados substancialmente circunferencialmente apresentam um ângulo com a direção circunferencial inferior a 12o.
3. Pneumático de acordo com uma das reivindicações 1 ou 2, caracterizado pelo fato de que os elementos de reforço das camadas de trabalho apresentam um ângulo superior a 45°.
4. Pneumático de acordo com uma das reivindicações 1 a 3, caracterizado pelo fato de que pelo menos a extremidade axialmente interior de uma parte axialmente exterior de pelo menos a camada de trabalho que está radialmente mais no interior, é axialmente interior à extremidade da camada de elementos de reforço orientados substancialmente circunferencialmente, que está radialmente mais no exterior.
5. Pneumático de acordo com uma das reivindicações 1 a 3, caracterizado pelo fato de que pelo menos a extremidade axialmente interior de uma parte axialmente exterior de pelo menos a camada de trabalho que está radialmente mais no interior, é axialmente exterior à extremidade de pelo menos a camada de elementos de reforço orientados substancialmente circunferencialmente, que está radialmente mais no exterior.
6. Pneumático de acordo com uma das reivindicações 1 a 5, caracterizado pelo fato de que as extremidades axialmente interiores das partes axialmente exteriores das duas camadas de trabalho não são axialmente contíguas.
7. Pneumático de acordo com uma das reivindicações precedentes, caracterizado pelo fato de que pelo menos uma das camadas de trabalho é constituída por duas partes separadas.
8. Pneumático de acordo com uma das reivindicações precedentes, caracterizado pelo fato de que a camada de trabalho que está radialmente mais no interior é axialmente a mais larga.
9. Pneumático de acordo com uma das reivindicações precedentes, caracterizado pelo fato de que a armadura de topo compreende pelo menos uma camada de proteção.
10. Pneumático de acordo com a reivindicação 8, caracterizado pelo fato de que a armadura de topo compreende pelo menos duas camadas de proteção e pelo fato de que a camada de proteção que está radialmente mais no interior é axialmente a mais larga.
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