BRPI0902426B1 - processo de tratamento de tecidos de carbono para obtenção de biocatodo ou bioanodo - Google Patents

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processo de tratamento de tecidos de carbono para obtenção de biocatodo ou biotodo. a presente invenção se refere ao processo de tratamento dos tecidos de carbono (tcs) carboxilados previamente em ácido nítrico em refluxo para a preparação de monocamada de azul de metileno ou seu derivado (azure a, b ou c) adsorvido ou ligado com carbodimida, seguido da deposição da enzima e sua imobilização com glutaraldeido na presença de solvente polar. nesta invenção são utilizados os extratos enzimáticos de lacase do cogumelo shiitake (lentinula edodes), peroxidase (curcubita pepo) e álcool desidrogenase da levedura (saccharomices cerevisae) . a densidade de energia da biocélula a combustível se encontra preferencialmente entre 0,1 e 5,0mw.cm^-2^ e a densidade de corrente elétrica se encontra preferencialmente entre 0,1 e 20,0ma.cm^-2^.

Description

PROCESSO DE TRATAMENTO DE TECIDOS DE CARBONO PARA OBTENÇÃO DE BIOCATODO OU BIOANODO
CAMPO DA INVENÇÃO A presente invenção se refere ao tratamento dos tecidos de carbono (TCs) carboxilados previamente em ácido nítrico sob refluxo, seguido de deposição e imobilização de enzima para a obtenção de biocatodo ou bioanodo de biocélula a combustível.
FUNDAMENTOS DA INVENÇÃO A necessidade mundial de novas fontes renováveis de energia está provocando uma evolução na área de células a combustível com uso de platina ou outros metais raros. Apesar de serem eficientes geradores de energia elétrica a partir de processos químicos, esse tipo de célula a combustível possui alguns problemas dificílimos de resolver que são: 1) alto custo da platina, 2) envenenamento da platina com CO e H2S, 3) a não seletividade da platina e 4) alto custo e baixa quantidade de minério da platina. A biocélula a combustível é uma classe especial de células a combustível onde se usa um biocatalisador, tal como microorganismos ou enzimas, ao invés de metais inorgânicos como catalisador das reações. Neste tipo de biocélula, o biocatalisador está diretamente envolvido na reação de óxido-redução ou na cadeia para geração de eletricidade. Preferivelmente, nos biocatalisadores, as enzimas são imobilizadas em eletrodos para facilitar o uso repetido dos catalisadores. O combustível é oxidado enzimaticamente pelo anodo, produzindo prótons e elétrons. No catodo, o oxidante (geralmente oxigênio ou peróxidos) reage com elétrons e prótons. Um desafio crítico no desenvolvimento deste tipo de biocélula direta é a ineficiente condução de elétrons entre o biocatalisador e eletrodos, e prótons da membrana protônica ao biocatalisador.
As biocélulas a combustível enzimáticas têm as seguintes características: (1) Enzimas são catalisadores totalmente renováveis, e sua produção pode atender uma demanda crescente de biocélulas a combustível; (2) A produção em massa dessas enzimas pode reduzir muito mais que a platina; (3) Eletrodos enzimáticos não podem ser envenenados por contaminantes como monóxido de carbono (CO) e sulfeto de hidrogênio (H2S) presentes em combustíveis baratos; (4) Essas enzimas catalisam somente suas reações específicas, o vazamento inevitável dos gases ou reagentes na parte oposta da biocélula a combustível não reduz sua eficiência; e (5) existem nessas enzimas alguns poucos sítios de entrada ou saída de elétrons, assim como do(s) substrato(s) e do (s) produto(s) para chegar ao centro da reação enzimática. As enzimas ou biocatalisadores preferem principalmente a temperatura ambiente ao passo que reações de catalisadores metálicos numa célula a combustível geralmente requer temperaturas elevadas (>80°C). A transferência direta de elétrons (Direct Electron Transfer, DET) entre uma enzima e o eletrodo pode ser observada em várias enzimas, tais como citocromo c, lacase, hidrogenase e inúmeras peroxidases, incluindo microperoxidases (Varfolomeev et al., 1996; Ghindilis et al., 1997; Schuhmann et al., 2003) . O contato próximo dos sítios ativos da enzima com a superfície do eletrodo é crítico para a DET. Para a lacase catalisar diretamente o oxigênio na eletroredução, a distância crítica entre os sítios ativos da enzima e a superfície do eletrodo deve ser em torno de 20Â (Yaropolov et al. , 1981). Uma separação superior a essa distância crítica atenua a reação global, que é determinada pela taxa de condução eletrônica; ao passo que a uma distância mais próxima, a condução eletrônica se torna tão eficiente que a cinética da reação enzimática torna-se uma medida fundamental. Um fenômeno similar refere-se à peroxidase de rabanete, onde a distância crítica é de 18À (Kulys and Smalius, 1984) .
No entanto, em alguns outros casos, a DET é determinada pela espessura e não pela condutividade da membrana protéica onde se localizam os sítios ativos de uma enzima. Para transpor essa barreira, as enzimas podem ser transformadas para torná-las condutoras através de uma modificação química (Willner et al., 1996; Guiseppi-Elie et al., 2002; Zhao et al., 2002; Cai e Chen, 2004). Outra estratégia conhecida é o uso de mediadores para reação de redução, que facilita o transporte de elétrons por transferências (shuttling) entre os sítios ativos da enzima e a superfície do eletrodo. Essa abordagem tem sido relatada para ambas biocélulas, microbiana e enzimática (Lewis 1966; Govil e Saran, 1982; Palmore e Whitesides 1994; Katz et al., 2003). Apesar dos mediadores introduzirem mais um passo na reação de redução do "combustível" para a geração de elétrons, uma melhor eficiência da biocélula a combustível geralmente pode ser observada. Um dos desafios para o uso de um mediador, que geralmente são pequenos e difusos, é a forma de conservá-lo na biocélula a combustível onde é necessária uma alimentação contínua do sistema. A fraca densidade de carga e o curto tempo de vida são dois problemas adicionais para a real aplicação das biocélulas a combustível. Para solucionar esses problemas, muito esforço e significantes melhoras foram realizados na última década. Por exemplo, a glicose oxidase (GOx) e a microperoxidase-11 foram colocadas em monocamadas em um eletrodo de ouro em discos de 0,4 cm de diâmetro aplicados numa biocélula a combustível de glicose/peróxido de cumeno (Katz et al., 1999). Uma potência de 520 pW foi produzida, que corresponde a 4,1 W/cm2, baseando-se na área projetada do eletrodo. Uma melhora da densidade de carga por volume ou peso foi obtida com a miniaturização da biocélula de Glicose/02 (Heller, 2004). Neste trabalho, enzimas como GOx e bilirubina oxidase (BOd) foram introduzidas no ósmio (Os) -contendo polímeros redutores na superfície de duas fibras de carbono de 7pm. Isto gerou uma potência de 4,3pW, num volume total de fibras de 0,0026 mm3, representando 1,65 pW/mm3. Em outro estudo, verificou-se um aumento do tempo de vida de 45 dias com enzimas introduzidas em uma membrana de Nafion® modificada (Minteer et al., 2004 ; Moore et al. , 2004).
Notavelmente ocorreram melhorias, principalmente através da escolha adequada do material dos eletrodos e nos meios de imobilização enzimática para promover a comunicação entre enzimas e eletrodos. Estudos continuam sendo realizados para desenvolver biocélulas a combustível mais eficientes. Estima-se que o desempenho catalítico de biocatalisadores pode vir a se tornar a questão mais importante para o êxito da aplicação de biocélulas a combustível. A imobilização de enzimas pode ser química ou física. A maioria das biocélulas enzimáticas é construída com imobilização física de enzimas, que é um método comum para adsorver a enzima em partículas condutoras, tais como negro de carbono ou pó de grafite. As hidrogenases e as lacases têm sido adsorvidas fisicamente em partículas de negro de carbono para construir o eletrodo composto (Tarasevich et al., 2002). Pizzarielo et al. (2002) demonstraram uma biocélula a combustível Glicose/H202 usando ferrocianeto - eletrodo modificado. GOx e peroxidase de rabanete (horseradish peroxidase, HRP) foram primeiras adsorvidas em partículas de grafite sintético, e essas enzimas adsorvidas foram suspensas em 2-hexadecano e ferrocianeto, numa solução de clorofórmio. O eletrodo foi preparado por borrifamento de impressão em suspensão no substrato de poliéster. A biocélula ficou trabalhando continuamente durante 30 dias com uma queda desprezível na tensão, ainda que a potência fosse baixa.
Outra abordagem para a imobilização física é o aprisionamento de enzimas em matrizes poliméricas, que geralmente retém melhor a enzima do que a adsorção na superfície do eletrodo. O documento US2004/0101741, publicado em 27 de maio de 2004, para Minteer et al., "Enzyme immobilization for use in biofuel cells and sensors, revela um método para aprisionar a enzima na membrana de Nafion®. De acordo com este método, a desidrogenase dependente de NAD+ (tais como, álcool desidrogenase, aldeído desidrogenase, formaldeído desidrogenase, glicose desidrogenase e lacto desidrogenase) foi misturada fisicamente com brometo de tetralquilamônio - solução de Nafion® modificado, ao qual foi então adicionado o verde-metileno e colocado sobre o eletrodo de carbono vítreo. A imobilização da enzima foi feita a 140°C por 25 min. 0 cofator NAD+ foi co-imobilizado através da troca iônica na membrana de Nafion®, modificando o eletrodo de carbono vítreo. Curiosamente, não houve diferença da atividade enzimática antes e depois do tratamento com calor. Uma biocélula a combustível de EtOH/O2 foi construída usando este método gerando uma densidade de carga tão elevada quanto 2,04 pW.cm-2. Medidas de voltametria cíclica indicaram que a transferência de massa, não a cinética de reação, é o fator limitante em tal biocélula a combustível. 0 documento US 2005/0095466, publicado em 05 de Maio de 2005, para Minter et al., "Immobilized enzymes in biocathodes", revela o aprimoramento de uma biocélula a combustível que contém um cátodo compreendendo uma membrana com dupla função, estas compreendendo uma enzima oxigênio oxidoredutase imobilizada em compartimento tamponado da membrana e um mediador de transporte de elétrons a partir de um eletrodo condutor de elétrons para uma reação redox catalisada por uma enzima oxigênio oxidoredutase. Essa biocélula a combustível aprimorada também possui um anodo o qual contém uma enzima oxidoredutase que utiliza um combustível orgânico como, por exemplo, o álcool como substrato.
Diversos fatores regulam o tempo de vida de uma biocélula a combustível, os quais tem sido sempre uma preocupação para a sua aplicação prática. Os mediadores de reação de redução e o tempo de vida também são outras preocupações (Allen e Bennetto, 1993; Barton et al. , 2004) . Em muitos casos, a estabilidade dos biocatalisadores determina o tempo de vida da biocélula. Geralmente a estabilidade enzimática diminui depois de alguns dias (Willner et al., 1998; Katz et al. , 1999; Kang et al., 2004) . A imobilização pode ajudar a estender o tempo de vida das enzimas. Uma miniatura de biocélula a combustível com GOx e BOd imobilizados em ósmio (Os) - contendo polímeros redutores, teve tempo de vida de 20 dias a 37°C (Mano et al., 2002) . Moore et al. (2004) demonstraram resultados promissores usando brometo de tetrabutilamônio, modificando a membrana de Nafion® para aprisionar a desidrogenase. A meia vida de enzimas puras é somente de 7 ~8 h em solução, mas depois de imobilizar a enzima, o tempo de vida aumenta em mais de 45 dias. Além disso, as biocélulas a combustível baseadas na técnica de imobilização não mostraram qualquer redução significativa na energia durante várias semanas de funcionamento contínuo (Winder, 2003) .
Um dos maiores problemas em desenvolver biocélulas é a densidade de carga, que geralmente é medida pela geração de potência com relação à área da superfície do eletrodo, ou por peso ou volume da célula. A alta concentração da enzima é crítica para a alta produção da densidade de corrente. Por exemplo, quando GOx foi aleatoriamente colocada na forma de uma monocamada em uma superfície plana, a carga da enzima foi somente de 1,7x10-12 mol.cm-2 (0,27pg.cm-2), que foi determinada pelo número físico de enzimas. Assumindo que todas as enzimas são tão ativas como em soluções aquosas com um número típico que gira em torno de 600s-l, o limite máximo da densidade de corrente foi calculado para ser somente em torno de 0,2 mA.cm-2 (Willner et al., 1996) . GOx é conhecido como um dos mais eficientes redutores enzimáticos. Para outras enzimas com baixa atividade específica, a densidade de corrente teórica pode ser ainda menor. Desde que as biocélulas a combustível tipicamente trabalham com voltagens abaixo de IV, teoricamente essa densidade de corrente pode somente proporcionar menos de 0,2mW.cm-2.
OBJETO DA INVENÇÃO
Portanto, é um objetivo da presente invenção realizar o tratamento de tecidos de carbono previamente carboxilados, deposição e imobilização de enzima para a obtenção de biocatodo ou bioanodo. É também objetivo dessa invenção a utilização de extratos enzimáticos de lacase do cogumelo Shiitake (Lentinula edodes) , peroxidase (Curcubita pepo) e álcool desidrogenase de levedura (Saccharomices cerevisae) com o intuito de reduzir o custo de produção de biocélulas.
BREVE DESCRIÇÃO DAS FIGURAS A Figura 1 representa uma biocélula a combustível enzimática. A Figura 2 é a representação esquemática dos componentes de uma célula a combustível unitária de eletrólito polimérico sólido. A Figura 3 é a representação esquemática das etapas tratamento dos tecidos de carbono para a obtenção de um biocatodo ou bioanodo de uma biocélula a combustível. A Figura 4 representa os resultados das curvas de polarização (a), potencial vs. corrente, e de potência de energia vs. corrente (b) do biocatodo contendo lacase imobilizada utilizando bioanodo de Pt obtidas na célula a combustível descrita na Figura 2; A Figura 5 representa as curvas de polarização (a), potencial vs. corrente, e de potência de energia vs. corrente (b) do biocatodo contendo peroxidase imobilizada utilizando bioanodo de Pt obtidas na célula a combustível descrita na Figura 2; A Figura 6 representa as curvas de polarização (a), potencial vs. corrente, e de potência de energia vs. corrente (b) do bioanodo contendo álcool desidrogenase ligada, utilizando biocatodo de Pt obtidas na célula a combustível descrita na Figura 2.
DESCRIÇÃO DA INVENÇÃO A presente invenção será agora descrita com referência aos desenhos em anexo. A Figura 1 representa uma biocélula a combustível enzimática. Nesta Figura 1 tem-se no lado direito a enzima redutora de oxigênio adsorvida ou imobilizada no catodo com enzima redutora CER e no lado esquerdo a enzima oxidante adsorvida ou imobilizada no anodo com enzima oxidante AEO, isolando os dois eletrodos CER e AEO tem-se a membrana polimérica condutora de prótons MP. No anodo com enzima oxidante AEO o combustível C se transforma em resíduo R. No catodo com enzima redutora CER o oxigênio 02 se transforma em água H20. A presente invenção se refere ao tratamento de tecidos de carbono (TCs) carboxilados previamente em ácido nítrico entre 4 e 10 mol.L-1 sob refluxo por 0 - 140h. Após os tecidos de carbono serem lavados com água 3 vezes, os TCs são congelados e liofilizados até suas securas ou apenas secos em estufa a 90°C. Esses tecidos são adicionados em solução de clorofórmio (CHC13), contendo azul de metileno ou seu derivado (azure A, B ou C) a 1,0-2,0% (m/v) e N,N-diciclohexilcarbodiimida a 2,0 - 4 mmol.L-1 por 12 - 24h sob agitação a 25°C. Após este período, os TCs são retirados e secos em fluxo de ar para retirada do CHC13 e lavados 3 vezes com água por 30min. A seguir os TCs são mergulhados em solução de tampão fosfato a pH7,0 e 0,01mol.L-l por 12h e a seguir adicionados extratos de lacase, peroxidase ou álcool desidrogenase a 10,0-100,Omg.mL-Ι nessa solução. Após desaeração até a retirada das pequenas bolhas e agitação por 2h, é adicionado etilenoglicol nas amostras mergulhadas em solução de lacase ou peroxidase na proporção 3:1 (extrato ou enzima:solvente orgânico) sob agitação por 30min sendo deixadas a 4°C sem agitação por 12-24h. No caso das amostras mergulhadas em solução de álcool desidrogenase é adicionada acetona na mesma proporção. A seguir são retirados os TCs, congelados em nitrogênio líquido e liofilizados até ficarem secos. Os TCs secos são mergulhados imediatamente em solução de acetona com glutaraldeído (GA) a 0,5% por 30min, lavados 3 vezes com água e novamente congelados em nitrogênio e liofilizados até secura. Na montagem da célula a combustível, os biocatodos são borrifados com solução de Nafion em isopropanol a 0-30% (m/v). A Figura 2 é a representação esquemática dos componentes de uma célula a combustível unitária de eletrólito polimérico sólido. A célula a combustível representada nesta Figura 2 compreende placa de alumínio 1; entrada para parafuso 2; entrada para aquecedores 3; aquecedores 4; placa de grafite 5; distribuidor do fluxo de gás 6; guia de ajuste 7; espaçadores 8; membrana 9; eletrodo de difusão de gás 10; termopar 11; O-ring 12; tubo de teflon 13; conectores 14. Para as medições eletroquímicas é montada a célula a combustível eletroquímica da Figura 2, obtendo-se valores de potência entre 0,1 e 5,0mW.cm-2 com densidades de corrente elétrica entre 0,1 e 20,0mA.cm-2.
Estes biocatodos e bioanodos podem ser utilizados para biossensores e marca-passos cardíacos. A Figura 3 é a representação esquemática das etapas de tratamento dos tecidos de carbono para a obtenção de um biocatodo ou bioanodo de uma biocélula a combustível, onde em A ocorre o tratamento prévio do tecido de carbono com ácido nítrico (HNO3) em refluxo; em B é preparada uma monocamada de azul de metileno ou seu derivado (A, B ou C) adsorvido ou ligado com carbodiimida; em C é depositada enzima sobre a monocamada de azul de metileno e em D é imobilizada a enzima com glutaraldeído na presença de solvente polar.
Para as medições eletroquímicas é montada a célula a combustível unitária, obtendo-se valores de densidades de energia e densidades de corrente elétrica (ver Figuras 4, 5 e 6) - A Figura 4 representa os resultados das curvas de polarização (a), potencial vs. corrente, e de potência de energia vs. corrente (b) do biocatodo contendo lacase imobilizada utilizando bioanodo de Pt obtidas na célula combustível descrita na Figura 2; A Figura 5 representa as curvas de polarização (a) , potencial vs. corrente, e de potência de energia vs. corrente (b) do biocatodo contendo peroxidase imobilizada utilizando bioanodo de Pt obtidas na célula combustível descrita na Figura 2; A Figura 6 representa as curvas de polarização (a), potencial vs. corrente, e de potência de energia vs. corrente (b) do bioanodo contendo álcool desidrogenase ligada, utilizando biocatodo de Pt obtidas na célula combustível descrita na Figura 2.
Todas as preparações são realizadas em temperatura abaixo de 30° C para não desnaturar as proteínas (enzimas).
Exemplo 1: Os tecidos de carbono (TCs) carboxilados previamente em ácido nítrico entre 4,0 e 8,0mol.L-l sobre refluxo por 0 - 140h. Após a lavagem com água 3 vezes, os TCs são congelados e liofilizados até suas securas ou apenas secos em estufa a 90°C. Esses tecidos são adicionados em solução de clorofórmio (CHC13), contendo azul de metileno a 1,0% (m/v) e N,W-diciclohexilcarbodiimida a 2,0 mmol.L-1 por 12h sob agitação a 25°C. Após este período, os TCs são retirados e secos em fluxo de ar para retirada do CHC13 e lavados 3 vezes com água por 30min. A seguir os TCs são mergulhados em solução de tampão fosfato a pH7,0 e 0,01mol.L-1 por 12h e a seguir adicionado o extrato de lacase a 10,0mg.mL-l. Após desaeração para retirada das bolhas e agitação por 30min, são adicionados etilenoglicol para as amostras tratadas com lacase e acetona para as amostras tratadas com álcool desidrogenase na proporção 3:1 (extrato:solvente orgânico) sob agitação por 30min, a seguir deixados a 4°C sem agitação por 12h. Logo depois, os TCs são retirados, congelados em nitrogênio líquido e liofilizados. Os TCs secos são mergulhados imediatamente em solução de acetona com GA a 0,5% por 30min, lavados 3 vezes com água e novamente congelados em nitrogênio e liofilizados.
Exemplo 2: repete-se o procedimento do exemplo 1, com extrato da lacase entre 20,0 e 100,Omg.mL-Ι;
Exemplo 3: repetem-se os procedimentos 1 e 2, sendo que as concentrações de N,N-diciclohexilcarbodiimida ficam entre 0,0 e 4,Ommol.L-l;
Exemplo 4: repetem-se os procedimentos 1, 2 e 3, sendo que as concentrações de GA ficam entre 0,1 e 1,0% (v/v);
Exemplo 5: repetem-se o procedimento 4 acima, sendo utilizando o extrato bruto de peroxidase da abobrinha (Curcubita pepo) no lugar do extrato da lacase;
Exemplo 6: repete-se o procedimento 4 acima, sendo utilizando o extrato bruto de álcool desidrogenase da levedura (Saccharomices cerevisae) e solvente de precipitação, a acetona;
Exemplo 7: é borrifado 0,1 a 0,5mL de uma solução de Nafion® em isopropanol a 1-30% (m/v) por massa (g) de tecido de carbono junto com a enzima imobilizada em todos eles;
Exemplo 8: repetem-se todos os métodos acima utilizando os derivados do azul de metileno, Azure A, B ou C, no lugar do mesmo.
Os materiais obtidos através dos métodos ora propostos mostram-se altamente satisfatórios para produção de energia elétrica em marca-passos cardíacos ou como bioeletrodos em biossensores, sendo que em dimensões micrométricas.
As vantagens introduzidas pela presente invenção estão relacionadas principalmente com o uso de extratos enzimáticos de vegetais ou microrganismos ou de enzimas puras, podendo reduzir o custo de produção das biocélulas sem uso da membrana de Nafion® como membrana de polieletrólito.
REIVINDICAÇÕES

Claims (9)

1. Processo de tratamento de tecidos de carbono para obtenção de biocatodo ou bioanodo, caracterizado pelo fato de compreender as seguintes etapas: - tratar os tecidos de carbono previamente carboxilados em ácido nítrico (8,0mol.L_1) em refluxo; - preparar uma monocamada de azul de metileno ou seu derivado (azure A, B ou C) adsorvido ou ligado com N,N-diciclohexilcarbodiimida; - depositar enzima obtida de extratos enzimáticos de vegetais ou de microorganismos sobre a monocamada de azul de metileno; e - imobilizar a enzima na presença de solvente polar, neste caso a acetona contendo glutaraldeído.
2. Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado pelo fato de que é utilizado clorofórmio (CHC13) contendo N,N-diciclohexilcarbodiimida com concentrações preferencialmente entre 0,5 e ^mmol.L’1 para fazer a ligação covalente amídica entre os grupos carboxílicos dos tecidos de carbono carboxilados e o grupo amínico do azul de metileno ou seus derivados (azure A, B ou C) ou sua adsorção com concentração entre 0,5 e 2mg.mL_1 por massa (g) do TC carboxilado.
3. Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado pelo fato de que as enzimas obtidas de extratos vegetais enzimáticos compreende a lacase e a peroxidase.
4. Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado pelo fato de que as enzimas obtidas de extratos enzimáticos de microorganismo compreende o álcool desidrogenase.
5. Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado pelo fato de que compreende a deposição da lacase ou peroxidase em meio de solvente orgânico etilenoglicol na proporção entre 1:1 e 3:1 (solução da enzima:etilenoglicol).
6. Processo, de acordo com a reivindicação 4, caracterizado pela deposição do álcool desidrogenase em meio de acetona na proporção entre 1:1 e 3:1 (solução da enzima:acetona).
7. Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado pelo uso do glutaraldeído a 0,1 -1,0% (v/v) em acetona por períodos entre 10 e 60min para imobilização da enzima precipitada.
8. Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado pelo fato de utilizar carbono vítreo ou pirolítico, nanopartículas de carbono, carvão ativado e outros materiais carbonáceos em lugar do tecido de carbono.
9. Processo, de acordo com a reivindicação 1, caracterizado pelo borrifamento do Nafion® entre 1,0 e 30,0% (m/v) em isopropanol sobre o biocatodo ou bioanodo final obtido seguido da secagem antes do seu uso na célula a combustível para gerar energia.
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