PT668077E - Composicoes que contem o fec-g e a proteina de ligacao do fnt - Google Patents

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Description

Descrição “Composições que contêm o FEC-G e a proteína de ligação do FNT” A presente invenção diz respeito a produtos que contêm o factor estimulador das colónias de granulócitos (FEC-G) ou um seu sal faimaceuticamente aceitável e uma proteína de ligação do factor de necrose tumoral (PL-FNT) ou um seu sal farmaceuticamente aceitável, sob a forma de uma preparação combinada, especialmente na profilaxia e/ou terapia do choque séptico. O FEC-G é um factor fundamental na diferenciação e na maturação dos granulócitos [Metcalf, D., Blood 67, 257-267 (1986)]. Comprovou-se já que a terapia com FEC-G tem como resultado uma melhoria rápida do estado imunitário, quer em modelos de neutropenia induzida em animais [Cohen AM. et al, Proc. Natl. Acad. Sei. USA 84, 2484-2488 (1987)] quer em pacientes neutropénicos [Gabrilove, J.L. et al, N. Engl. J. Med. 318. 1414-1422 (1988)]. A par e passo com isto, comprovou-se já que o FEC-G diminui a incidência de episódios febris e de infecções adquiridas nosocomicamente em pacientes com neutropenia e em pacientes cancerosos que estejam a ser objecto de quimioterapia citostática [Crawford, J. et al., N. Engl. J. Med. 325. 164-170 (1991)]. No entanto, os efeitos do FEC-G sobre os neutrófilos não estão limitados à diferenciação e à proliferação. É cada vez mais evidente que esse factor desempenha também um papel importante na regulação de funções em leucócitos maduros [Lopez, A.F. et al, J. Immunol. 131,2983 (1983)].
Recentemente verificou-se que o FEC-G reduzia a letalidade em animais com choque séptico induzido pelos lipopolissacáridos (LPS) [Gõrgen, I. et al, J. Immunol. 149. 918-924 (1992)]. Também se sabe que assim é para os fragmentos solúveis do receptor de FNT (RFNT) ou para os polipeptidos quiméricos que compreendam tais fragmentos solúveis [Lesslauer, W. et d, Eur. J. Immunol. 21,2883-2886 (1991)]. Os modelos de choque induzido pelos LPS foram profúsamente utilizados para a identificação de compostos que pudessem ter algum potencial na profilaxia e na terapia do choque séptico em seres humanos.
No entanto, parece que os modelos de choque séptico induzido pelas infecções estão mais relacionados com a situação clínica do que os choques induzidos pelos LPS [Zanetti, G. et d., J. Immunol. 148, 1890-1897 (1992)]. Assim sendo, investigou-se os FEC-G e esse tipo de polipeptidos quiméricos num modelo em que o fenómeno do choque é suscitado por uma peritonite generalizada desencadeada por Escherichia coli. Apesar de o FEC-G e o poli-peptido quimérico supramencionado por si sós não induzirem um aumento significativo da taxa de sobrevivência, concluiu-se surpreendentemente que ao aplicar-se o FEC-G e o poli-peptido quimérico simultaneamente em modelos numa situação idêntica havia um aumento nítido da protecção conseguida. Assim sendo, constitui um objecto da presente invenção proporcionar produtos que contenham o FEC-G ou um seu sal farmaceuticamente aceitável e uma PL-FNT ou um seu sal farmaceuticamente aceitável, sob a forma de uma preparação combinada para utilização simultânea, separada ou sequencial, na profilaxia e/ou na terapia do choque séptico. O termo FEC-G, no contexto da presente memória descritiva e reivindicações anexas, é utilizado no seu sentido mais amplo à luz da actividade biológica depreendida por um especialista na matéria e compreende polipeptidos (quer sejam naturais ou sintéticos, incluindo os de origem recombinante, modificados ou não) tal como definidos e descritos (incluindo a Sua preparação e utilização) na literatura cientifica e em particular, v.g ? em qualquer das seguintes publicações de patentes de invenção: DE 30 27 404, EP 169 566, EP 215 126, EP 237 545, EP 396 158, EP 220 520, EP 217 404, EP 230 980, EP 231 819, DE 37 23 781, EP 263 490, EP 344 796, EP 355 811, EP 373 679, EP 401 384, EP 456 812, EP 459 630, EP 459 516, EP 459 795, EP 243 153, EP 272 703, EP 331 186, EP 335 423, WO 93/15211. É preferível um FEC-G, tal como descrito no documento EP 237 545 [FEC-G pluripotcntc humano (FEC-Gph)], isto é, uma molécula recombinante que contenha facultativamente um resíduo metionina no seu tenninal N. Considera-se mais particularmente preferido um FEC-G que tenha a sequência específica de aminoácidos e que seja codificado pelas sequências de ADN indicadas no documento EP 237 545.
Dito por outras palavras, o termo FEC-G, para além dos FEC-G de origem natural, abrange também todos os FEC-G codificados por uma sequência de ADN que ao ser expressa numa célula hospedeira procariótica ou eucariótica dê origem a um produto polipeptídico que tenha pelo menos uma parte da estrutura primária e uma ou várias das propriedades biológicas do FEC-Gph que ocorre naturalmente, tal como definido no documento EP 237 545, sendo a referida sequência de ADN seleccionada entre as seguintes: (a) a sequência de ADN que consta do quadro VII do documento EP 237 545 ou as suas cadeias complementares; (b) as sequências de ADN que hibridam, em condições adequadas de hibridação, v.g., conforme ilustrado no documento EP 237 545 ou descrito na obra “Molecular Cloning” de Sambrook et al. em 1989, Cold Spring Harbor Laboratoiy Press, Cold Spring Harbor, e (c) as sequências de ADN que possam hibridar, a não ser que haja degeneração do código genético, com as sequências de ADN definidas nas alíneas (a) ou (b) e as quais codificam um polipeptido que possui a mesma sequência de aminoácidos.
As sequências de ADN que hibridam com as que foram definidas supra, designadas por sequências de ADN mutantes, podem ser preparadas por mutagénese aleatória ou dirigida ao local ou por síntese química ou pela tecnologia de reacção em cadeia com polimerase (RCP), utilizando iniciadores definidos com base nas sequências de ADN indicadas no documento EP 237 545, por métodos conhecidos na especialidade e descritos, v.g., por Sambrook et al. (s.a.), ou recorrendo à tecnologia de RCP descrita por Innis et al. [PCR Protocols: A Guide to Methods and Applications, Academic Press, Inc. (1990)]. Assim, utilizando tais sequências de ADN mutantes, é possível preparar os FEC-G mutantes, abrangidos pelo termo “FEC-G”, por métodos conhecidos na especialidade e descritos, v.g., nas publicações das patentes de invenção supramencionadas. Os FEC-G mutantes encontram-se definidos e as suas preparações estão descritas, em especial, nos documentos EP 243 153, WO 90/12874, WO 89/05824, EP 272 703 ou EP 456 200.
Conforme se disse anterionnente, o termo ‘FEC-G’ compreende os FEC-G quer sejam de origem natural ou recombinante, também sob uma forma modificada, v.g., quando acoplados a entidades químicas que sem alterarem a actividade biológica básica do FEC-G o modifiquem de uma forma terapeuticamente vantajosa. Uma modificação preferida e bem conhecida de polipeptidos, tais como o FEC-G, é o seu acoplamento a polímeros solúveis em água, v.g. os polietileno-glicóis ou os polipropileno-glicóis, compreendidos num intervalo amplo de pesos moleculares que podem ir, v.g., desde 500 até 20 000 daltons. Isto conduz aos FEC-G protegidos, v.g., os FEC-G PEGilados, que podem ser praticamente não imunogénicos. No actual estado da técnica há diversos modos de efectuar o acoplamento do polímero com os FEC-G por meio de diferentes ligadores, estando isso descrito geralmente, v.g., na obra “Perspectives in Bioconjugate Chemstry”, editada por C.F. Meares, American Chemical
Society, Washington 1993, havendo uma descrição específica, v.g., na patente de invenção norte-americana n° 4 179 337. Os FEC-G modificados e a sua preparação estão descritos, v.g., nos documentos EP 401 384, EP 335 423 e EP 473 268. Os FEC-G modificados também compreendem, v.g., os FEC-G que revelem um padrão de glicosilação diferente daquele que é conhecido para os FEC-G recombinantes ou que ocorrem naturalmente e que se encontram na forma em que há pelo menos mais uma cadeia de poliidratos de carbono, conforme descrito, v.g., no documento EP 370 205. A expressão ‘proteína de ligação do FNT (PL-FNT)’ compreende qualquer proteína ou qualquer fragmento de uma proteína que seja constituída por um número suficiente de aminoácidos, de modo a que possa ser formada uma estrutura que permita a ligação do FNT humano, independentemente da origem e do modo como se obtém. Tal PL-FNT pode ser, v.g., um anticorpo para o FNT, tal como um anticorpo monoclonal, mas também pode ser qualquer tipo de anticorpo quimérico para o FNT humano, conforme descrito, v.g., no documento WO 91/02078. Tal anticorpo quimérico é um anticorpo em que as diferentes partes da molécula têm origem em espécies diferentes, designadamente humana e animais, v.g., murganhos, ratos ou coelhos. De acordo com uma variante preferida, no que diz respeito a esses anticorpos, apenas as regiões determinantes da complementaridade são de origem não humana e, se desejado, outros aminoácidos nas regiões variáveis. Podem ser preparados de acordo com métodos conhecidos na especialidade e conforme descrito, v.g., nos documentos EP 239 400 ou WO 90/07861.
Uma PL-FNT, tal como definida antes, também pode ser um receptor de FNT que ocorra naturalmente ou obtido por via recombinante, ou uma parte sua, de preferência uma proteína que possua uma parte do p55-RFNT ou do p75-RFNT humano ou que seja derivado de uma parte deles, parte essa que ainda se ligue ao FNT tal como, v.g., uma parte solúvel desses receptores ou, v.g., os chamados polipeptidos quiméricos que contenham uma arte solúvel desses receptores e a totalidade ou partes dos domínios constantes, mas em que haja pelo menos um domínio constante, das cadeias leves ou pesadas das imunoglobulmas humanas. São preferíveis os polipeptidos quiméricos em que a parte que se liga ao FNT é uma parte do p55-RFNT ou é uma parte dele derivada. Além disso, são preferíveis os polipeptidos quiméricos em que a parte da imunoglobulina compreende todos os domínios, com excepção do primeiro domínio da região constante de uma imunoglobulina humana, tal como IgG, [gA, IgM ou IgE, em especial a IgG, v.g., IgGl ou IgG3. Um especialista na matéria está ciente do facto de qualquer aminoáddo da parte da imunoglobulina ou da parte de ligação do FNT poder ser suprimido ou substituído por um ou vários aminoácidos, ou de se poder acrescentar um ou vários aminoácidos, desde que a parte de ligação do FNT continue a ligar-se ao FNT e as partes da imunoglobulina revelem uma ou várias das suas propriedades características. O mesmo é válido para uma PL-FNT, tal como definida antes, sem nenhuma parte de imunoglobulina. As PL-FNT, o seu isolamento a partir de fontes naturais ou a sua preparação por métodos recombinantes, incluindo a preparação de estruturas específicas, tais como as que se encontram, v.g., sob a forma de polipeptidos quiméricos que compreendem, para além da parte de ligação do FNT, também uma parte de imunoglobulina, são objecto de descrição, v.g., nas seguintes publicações de patentes de invenção: EP 308 378, EP 422 339, GB 2 218 101, EP 393 438, WO 90/13575, EP 398 327, EP 412 486, WO 91/03553, EP 418 014, JP 127 800/1991, EP 433 900, patente de invenção norte-americana n° 5 136 021, GB 2 246 569, EP 464 533, WO 92/01002, WO 92/13095, WO 92/16221, EP 512 528, EP 526 905, WO 93/07863, EP 568 928, WO 93/21946, WO 93/21946, WO 93/19777 e EP 417 563. São especificamente preferidas as PL-FNT sob a foima de partes solúveis recombinantes do RFNTh, especialmente o p55-RFNT, que ainda se liga ao FNT, ou os polipeptidos quiméricos que compreendam essas partes solúveis e partes de imunoglobulinas, conforme definido antes e conforme descrito no documento EP 417 563. Um especialista na matéria compreende facilmente que a definição da PL-FNT da presente invenção também compreende as PL-FNT que tenham sido modificadas por via química, pela metodologia descrita supra a propósito do FEC-G, v.g, por acoplamento a um polímero solúvel em água, v.g., polietileno-glicol ou pohpropileno-glicol, por métodos descritos na literatura da especialidade, v.g., no documento WO 92/16221.
Além disso, constitui um objecto da presente invenção proporcionar produtos, tais como definidos antes, em que o FEC-G e/ou a PL-FNT se encontram sob a forma de um ou vários sais fannaceuticamente aceitáveis. Tal como aqui utilizada, a expressão “sal farma-ceuticamente aceitável” designa os dois tipos de sais dos produtos da presente invenção. Tais sais de um grupo carboxilo podem ser obtidos por meios conhecidos na especialidade e compreendem os sais inorgânicos, por exemplo, os sais de sódio, cálcio, amónio, férricos ou de zinco e outros que tais e também os sais obtidos com bases orgânicas, tais como os que são formados, por exemplo, com aminas, por exemplo, trietanolamina, arginina ou lisina, piperidina, procaína e não só. Os sais de adição de ácidos compreendem, por exemplo, os sais obtidos com ácidos minerais, por exemplo, obtidos com ácido clorídrico ou ácido sulfurico, e os sais obtidos com ácidos orgânicos tais como, por exemplo, o ácido acético ou o ácido oxálico.
Outros objectos da presente invenção são a utilização do FEC-G ou de um seu sal farmaceuticamente aceitável para a preparação de um medicamento, especialmente para a profilaxia e/ou para o tratamento do choque séptico em pacientes que recebam uma PL-FNT ou um seu sal farmaceuticamente aceitável, tal como definido antes, e também a utilização de uma proteína de ligação do FNT ou de um seu sal farmaceuticamente aceitável, tal como definido antes, para a preparação de um medicamento, em especial para a profilaxia e/ou para o tratamento do choque séptico em pacientes que recebam FEC-G ou um seu sal farma-ceuticamente aceitável.
Os produtos que contêm FEC-G e PL-FNT estão sob a fornia de uma combinação, de preferência sob a forma de um conjunto em “estojo de diversas partes” que contém os ingredientes activos em compartimentos separados para que se possa fazer uma administração simultânea, separada ou sucessiva, em especial na profilaxia e/ou na terapia do choque séptico. Significa isto que se aplica a um paciente o FEC-G e a PL-FNT separadamente e ao mesmo tempo (simultaneamente) ou então separadamente e de uma forma consecutiva, com um efeito sinérgico. No entanto, a preparação compreende também combinações em que o FEC-G e a PL-FNT estão sob a forma de uma mistura no mesmo compartimento.
Na profilaxia e/ou no tratamento do choque séptico, pelo método supramencionado, é possível administrar o FEC-G a um paciente por qualquer via conhecida na especialidade, v.g., pelas vias intramuscular, intravenosa e subcutânea, v.g., por meio de um implante subcutâneo conforme descrito, v.g., no documento EP 246322, por via arai, sob a forma de uma composição específica para dosagem oral conforme descrito, v.g:, nos documentos EP 459 516 e EP 459 795, por via pemasal, conforme descrito, v.g., no documento EP 565 722, ou por administração pulmonar, conforme descrito, v.g., no documento EP 505 123. O FEC-G pode ser formulado numa forma de dosagem adequada, em conformidade com a via de administração específica seleccionada. Se o FEC-G for obtido como uma solução que contenha FEC-G, por meio de qualquer método conhecido, então mantém-se preferencialmente em solução a uma temperatura de cerca de 4°C, mas também pode ser guardado num estado congelado, dependendo isso do tipo de FEC-G obtido. Em alternativa, a solução pode ser guardada sob uma forma liofilizada, depois de ter sido desidratada por secagem hipobárica ou por bofílização, conforme descrito, v.g., a propósito do PEG-FEC-G no documento EP 335 423. Se desejado, o FEC-G pode ser mantido num tampão adequado, seguindo-se uma filtração asséptica através de um filtro de miliporos ou por meio de qualquer outro sistema conveniente para se formular uma preparação injectável.
Para se formular uma forma de dosagem que seja adequada para administração a um paciente por uma determinada via, o FEC-G que irá ser utilizado no método de tratamento da presente invenção pode conter aditivos adequados seleccionados entre veículos, excipientes, diluentes e estabilizadores conhecidos no campo farmacêutico, v.g. sob a forma de proteínas, v.g., albumina do soro humano, agentes anti-adsorção, agentes conservantes, agentes solubi-lizadores e emulsionantes, conforme descrito, v.g., no documento DE 37 23 781, ou sob a forma de uma solução hidrofóbica estabilizada, conforme descrito, v.g., no documento EP 373 679, ou sob a forma de uma preparação de partículas ínfimas de libertação prolongada, conforme descrito, v.g., nos documentos EP 263 490 ou EP 58 481 ou a propósito do FEC-G PEGilado, conforme descrito, v.g., no documento EP 473 268. O nível de dosagem e a frequência de administração do FEC-G podem ser determinados convenientemente tomando em consideração diversos factores tais como a gravidade do estado de choque que se pretende tratar, o peso corporal, a idade e o sexo do paciente e ainda a via de administração. De uma forma típica, é possível administrar uma dose que contenha entre cerca de 10 pg/kg e 2000 pg/kg, de preferência entre cerca de 50 pg/kg e 1500 pg/kg e mais preferencialmente entre cerca de 10 pg e 1250 pg de FEC-G/kg de peso corporal. A PL-FNT da presente invenção é administrada preferencialmente por injecção parentérica, embora também sejam possíveis outras formas eficazes de administração, tais como a injecção intra-articular, as formulações oralmente activas, a iontoforese transdérmica ou os supositórios. Um dos veículos preferidos é o soluto salino fisiológico, mas também estão aqui contemplados outros veículos fannaceuticamentc aceitáveis que podem ser utilizados. O solvente primário de um tal veículo pode ser de natureza aquosa ou não aquosa. Além disso, o veículo pode conter outros exdpieutes farmacologicamente aceitáveis para modificar ou manter os valores de pH, osmolaridade, viscosidade, transparência, cor, esterilidade, estabilidade, velocidade de dissolução ou o odor da formulação. De igual modo, o veículo pode conter ainda outros excipientes farmacologicamente aceitáveis para modificar ou manter a estabilidade, a velocidade de dissolução, a libertação ou a adsorção do inibidor de FNT. Tais excipientes são as substâncias vulgar e correntemente utilizadas para a formulação de doses para administração parentética, quer sob a forma de doses unitárias quer sob a forma de doses múltiplas.
Uma vez formulada a composição terapêutica, esta pode ser guardada em fiascos estéreis sob a forma de soluções, suspensões, geles, emulsões, sólidos ou pós desidratados ou liofilizados. Tais formulações podem ser guardadas sob uma forma pronta para utilização ou sob uma forma que tenha de ser reconstituída imediatamente antes da sua administração. A armazenagem preferida de tais formulações efectua-se a temperaturas pelo menos da ordem de 4°C e de preferência da ordem de -70°C. Também é preferível que essas formulações que contêm as PL-FNT sejam guardadas e administradas a valores de pH próximos do valor fisiológico.
Em determinados casos, a administração é concebida com o intuito de se conseguir um domínio pré-seleccionado de concentrações da PL-FNT na corrente sanguínea do paciente. Admite-se que seja necessário manter na corrente sanguínea concentrações de PL-FNT superiores a 0,01 ng por mL de plasma para que a substância seja eficaz.
Um intervalo possível de dosagens, para o tratamento do choque séptico, pode ser o que está compreendido entre cerca de 0,1 mg e cerca dc 200 mg por kg de peso do corpo do paciente por cada 24 horas, com administração de doses iguais repartidas por cerca de 4 a 15 vezes em cada 24 horas. A frequência de dosagem e a dose óptima irão depender dos parâmetros farmacocinéticos da PL-FNT na formulação utilizada. O tratamento para o choque séptico deve começar, seja qual for o modo de tratamento, tão depressa quanto possível depois de a septicemia ter ocorrido ou logo que tenha sido diagnosticada uma possível septicemia. Por exemplo, o tratamento pode começar imediatamente a seguir a uma intervenção cirúrgica ou a um acidente ou a seguir a qualquer outro episódio em que possa haver um risco de choque séptico.
Independentemente da forma como venha a ser feita a administração, a dose específica é calculada de acordo com o peso aproximado do corpo do paciente. Os cálculos mais apurados necessários para a determinação do regime adequado de dosagem para o tratamento, envolvendo cada uma das preparações supramencionadas, é feito normalmente pelos especialistas na matéria.
Exemplo
Choque séptico induzido por uma peritonite generalizada com E. coli
Foram utilizados murganhos albinos de estirpe suíça (Jbm MoRo, pesando entre 16 g e 20 g) que foram injectados com uma solução aquosa de FEC-G (Neupogen, IIoffmann-La Roche, Basileia, CH; 0,1 mg/kg s.c.) e/ou RTNF/IgG3 (uma PL-FNT, tal como descrito no documento EP 417 563, que é constituída pelos primeiros 182 aminoácidos do p55-RFNT humano fundido com a região de charneira da cadeia pesada da IgG3 humana e que é expressa nas células do mieloma J558L do murganho; 2,5 mg/kg, i.p.), tal como estabelecido no quadro 1.
Induziu-se a peritonite por injecção intraperitoneal de 106 UFC (unidades formadoras de colónias) de uma cultura de estirpe 25922 de E. coli, criada de um dia para o outro, o que representa cerca de 500 vezes o número de organismos necessários para aniquilar em menos de 72 horas 50% dos animais não medicados. Os grupos de contraprova e de tratamento eram constituídos por 5 a 10 murganhos cada um. Intenompeu-se o desenvolvimento da infecção generalizada em todos os animais mediante a administração de ceflriaxona (Hoffinann-La Roche, Basileia, CH; 1 mg/kg, s.c.), 3,8 horas após o estímulo bacteriano. Daqui resultou uma limpeza bacteriana da corrente sanguínea, mas era já muito tarde para evitar o choque séptico letal em mais de 80% dos animais não protegidos. Os murganhos sobreviventes receberam um tratamento adicional com ceflriaxona 24 horas após o estímulo. Determinou-se a taxa de sobrevivência decorridas 24, 48 e 72 horas após a infecção. Os animais que estavam gravemente doentes e incapazes de comer e de beber ao fim de 21 horas ou mais a seguir ao estímulo foram sacrificados e registados como insucessos terapêuticos. Para efeitos de contraprova retirou-se sangue do coração pelo menos de um murganho morto ou sacrificado nos grupos de tratamento e no grupo de contraprova e manteve-se em cultura sobre gelose. Os dados obtidos nas diversas experiências efectuadas com o FEC-G e com a PL-FNT específica supramencionados estão agrupados no quadro 1. Quando administrado como compostos únicos* o FEC-G proporcionou uma taxa de sobrevivência igual a 20% e a PL-FNT específica proporcionou uma taxa de sobrevivência igual a 22%. Estas diferenças relativamente ao grupo de contraprova com soluto salino para o qual se observou uma taxa de sobrevivência igual a 10% não são significativas. Obteve-se uma melhoria nítida na protecção ao combinar o FEC-G e a PL-FNT específica. Todos os murganhos sobreviveram quando o FEC-G foi administrado três vezes, isto é, 48 horas, 24 horas e 2 horas antes da infecção, no regime combinado. Todos estes animais apresentaram sinais visíveis de
começo de choque séptico 3 horas após a infecção, tal como sucedeu com os animais de contraprova. No entanto, os animais não morreram e começaram a recuperar cerca de 24 horas após o estímulo. Nos casos em que foi omitida a última dose de FEC-G que devia ser aplicada 2 horas antes da infecção, no regime combinado, a taxa de protecção diminuiu para 65%. O número de bactérias viáveis decorridas 3,8 horas após o estímulo, quando a septicemia foi interrompida pela administração de ceftriaxona, foi apenas ligeiramente inferior no grupo a que se administrou o FEC-G mais a PL-FNT específica, comparativamente com o grupo tratado com o soluto salino (iespectivamente 2,6 x 10s UFC/mL comparativamente com 3,5 x 108 UFC/mL). Determinou-se o teor em endotoxinas no grupo tratado com FEC-G (25 pg/mL) e no grupo tratado com RFNT/IgG3 (250 pgúnL) por meio de um ensaio com lisado de amebócitos de Limulus (sensibilidade: 0,06 UL/mL), conforme é sabido na especialidade, tendo sido obtido um valor <0,05 UE/mL. Assim sendo, é possível excluir a dessensibilização contra os LPS. A dependência da dose, no caso do FEC-G, no choque induzido por E. coli nos murganhos albinos de estirpe suíça, está ilustrada no quadro 2 (o FEC-G foi administrado em doses variáveis, tal como indicado ao fim de 48 horas, 24 horas e 2 horas antes do estímulo, tendo sido administrados 50 pg de RFNT/IgG3/muiganho 2 horas antes do estímulo). 14
Quadro 1
Composto(s) Regime* Animais utilizados Animais sobreviventes ao fim de 72 horas l axa de sobrevivência (%) FEC-G A 10 2 20** RFNT/IgG3 C 45 11 22** FEC-G+RFNT/IgG3 A+C 10 10 100** FEC-G+RFNT/IgG3 B + C 20 13 65** Soluto salino D 20 2 10**
Regime: A, administração de FfiC-G (0,1 mg/kg s.c.) 48 horas, 24 horas θ 2. horas antes do estímulo, B, administração de FEC-G (0,1 mg/kg s.c.) 48 horas e 24 horas antes do estímulo, C-, administração de RFNT/IgG3 (2,5 mg/kg s.c.) 2 horas antes do estímulo, D, administração de soluto salino fisiológico i.p. 48 horas, 24 horas e 2 horas antes do estímulo.
Significâncias [Teste de Exactidão à Fisher (hipótese nula) (Procd. FREQ. SAS 6.08 hst. Cairy N.C.)]: FEC-G + RFNT/IgG3 (regime A + C) relativamente à contraprova de soluto salino, p < 0,005 FEC-G + RFNT/IgG3 (regime A + C) relativamente ao FEC-G, p < 0,005 FEC-G + RFNT/IgG3 (regime A + C) relativamente ao RFNT/IgG3, p < 0,005 FEC-G + RFNT/IgG3 (regime B + C) relativamente à contraprova de soluto salino, p < 0,005 FEC-G + RFNT/IgG3 (regime B + C) relativamente ao FEC-G, p = 0,05 FEC-G + RFNT/IgG3 (regime B + C) relativamente ao RFNT/IgG3, p < 0,005
Quadro 2
Pretratamento Estímulo E.coli[ATCC 25922] Sobreviventes/total Soluto salino + 1/10 FEC-G (5,00 pg)+RFNT/lgG3 + 8/10 FEC-G (1,00 Mg)+RFNT/IgG3 + 7/10 FEC-G (0,20 Mg)+RFNT/IgG3 + 7/10 FEC-G (0,04 Mg) + RFNT/IgG3 + 3/10
Lisboa, 28 de Setembro de 2001 O Agawíe Qnç\a da Propriedade industriai /jOSÉ
Rua do Salitre, !J>5, r/c-Drt. 1260-063 LISBOA

Claims (15)

  1. >9·
    Reivindicações 1. Produtos que contêm FEC-G ou um seu sal faimaceuticamente aceitável e uma proteína de ligação de FNT ou um seu sal farmaceuticamente aceitável e se desejado um veículo aceitável sob o ponto de vista farmacêutico, sob a forma de uma preparação combinada.
  2. 2. Produtos de acordo com a reivindicação 1 para utilização simultânea, separada ou sequencial na terapia e/ou na profilaxia do choque séptico.
  3. 3. Produtos de acordo com as reivindicações 1 ou 2, em que a proteína de ligação do FNT compreende o receptor de FNT ou uma parte sua que ainda se ligue ao FNT.
  4. 4. Produtos de acordo com uma qualquer das reivindicações 1 a 3, em que a proteína de ligação do FNT compreende uma parte dos receptores p55 ou p75 do FNT, parte essa que ainda se liga ao FNT.
  5. 5. Produtos de acordo com a reivindicação 4, em que a proteína de ligação do FNT é uma parte solúvel dos receptores p55 ou p75 do FNT, parte essa solúvel que ainda se liga ao FNT.
  6. 6. Produtos de acordo com a reivindicação 4, em que a proteína de ligação do FNT é um polipeptido quimérico que compreende uma parte solúvel dos receptores p55 ou p75 do FNT e a totalidade ou partes dos domínios constantes das cadeias pesadas ou leves da imunoglobulina humana.
    2-
  7. 7. Produtos de acordo com a reivindicação 6, em que o polipeptido quimérico compreende todos os domínios, com excepção do primeiro domínio da região constante da cadeia pesada da imunoglobulina humana, tal como IgG, IgA, IgM ou IgE.
  8. 8. Produtos de acordo com a reivindicação 7, em que a imunoglobulina humana é a IgG, em especial a IgGl ou a IgG3.
  9. 9. Produtos de acordo com uma qualquer das reivindicações 1 ou 2, em que a proteína de ligação do FNT é um anticorpo contra o FNT.
  10. 10. Produtos de acordo com uma qualquer das reivindicações 1 a 9, em que o FEC-G é um FEC-G natural ou o produto da sua expressão procariótica ou eucariótica.
  11. 11. Produtos de acordo com a reivindicação 10, em que o FEC-G é o produto de expressão procariótica.
  12. 12. Produtos de acordo com as reivindicações 10 ou 11, em que o FEC-G é modificado.
  13. 13. Produtos de acordo com a reivindicação 12, em que o FEC-G é PEGilado.
  14. 14. Utilização de um FEC-G, tal como definido numa qualquer das reivindicações 10 a 13, ou de um seu sal farmaceuticamente aceitável, para a preparação de um medicamento para a profilaxia e/ου para o tratamento do choque séptico em pacientes que recebam uma proteína de ligação do FNT, tal como definido em qualquer uma das reivindicações 3 a 9, ou um seu sal faimaceulicameutc aceitável.
  15. 15. Utilização de uma proteína de ligação do FNT, tal como definido em qualquer uma das reivindicações 3 a 9, ou um seu sal farmaceuticamente aceitável, para a preparação de um medicamento para a profilaxia e/ou para o tratamento do choque séptico em pacientes que recebam um FEC-G, tal como definido numa qualquer das reivindicações 10 a 13. Lisboa, 28 de Setembro de 2001
    A.O.P.Í. Rua do Salitre, 195, r/c-Drf. 1269-063 LISBOA
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