BRPI0709928A2 - forno e processo de fusão de matérias vitrificáveis - Google Patents

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Philippe Meunier
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Abstract

<B>FORNO E PROCESSO DE FUSãO DE MATéRIAS VITRIFICáVEIS <D>A invenção se refere a um forno de fusão de matérias vitrificáveis que compreende a montante da direção de escoamento das matérias fundidas, uma zona de introdução de matérias vitrificáveis sólidas, e que compreende um queimador imerso e um queimador aéreo dito de superficie, que proporciona uma chama que vem tocar a superficie do vidro no local em que a bolha do queimador imerso emerge. Essa associação de queimador aéreo, notadamente na abóbada, e de queimador imerso reduz a quantidade de infundidos que podem se dirigir para a jusante do forno.

Description

"FORNO E PROCESSO DE FUSÃO DE MATÉRIAS VITRIFICÁVEIS"A invenção se refere a um forno de fusão de matériasvitrificáveis (vidro) que compreende um queimador imerso combinado comum queimador aéreo. O queimador imerso pode notadamente agir comobarragem para as matérias vitrificáveis sólidas. O queimador aéreo,notadamente na abóbada, tem uma chama que impacta a superfície do banhofundido acima da chama do queimador imerso, e contribui para a fusão dasmatérias vitrificáveis.
São conhecidos queimadores imersos para a fusão do vidronotadamente pelas W09935099 e W09937591. São conhecidos queimadoresna abóbada para a fusão do vidro notadamente pelas W002/092521,US6237369, W09931021, W002/090271. Como outros documentos, podemser citados os SU425853, US5139558, EP1236691, JP200284532,US5922097, US2002166343.
As matérias vitrificáveis são introduzidas a montante do forno.Para uma boa qualidade do vidro, é desejada a fusão perfeita das mesmas,quer dizer a ausência de infundidos no vidro final. Ora é difícil impedir quecertas matérias vitrificáveis circulem dentro do forno mais rapidamente doque outras e saiam infundidas, em mistura com vidro fundido, em detrimentoda homogeneidade e da qualidade óptica do vidro final. A presente invençãocontribui para resolver esse problema.
De acordo com a invenção, associa-se pelo menos umqueimador imerso com pelo menos um queimador aéreo, notadamentecolocado na abóbada, cuja chama impacta a superfície do banho fundido(feito de vidro) acima da chama (ou a bolha, considerando-se o fato de quesão geralmente gases de combustão que emergem do vidro fundido e não umachama) do queimador imerso, de modo a produzir uma zona localmente muitoquente na superfície do vidro e eliminar os infundidos conseguindo para issofundi-los. Esse dispositivo pode ser completado por uma barragem dequeimadores imersos para aumentar ainda mais a eficácia do dispositivo econseguir fundir as matérias sólidas. Na seqüência, é pode-se chamar"queimador de superfície" o queimador aéreo do qual a chama impacta asuperfície do vidro acima da chama do queimador imerso. Assim, o forno deacordo com a invenção é equipado com pelo menos um queimador aéreo, odito queimador aéreo sendo associado a pelo menos um queimador imerso, achama do dito queimador aéreo tocando a superfície do banho fundido nolocal onde emerge a bolha do dito queimador imerso. Um tal queimador aéreoé dito "queimador de superfície" no âmbito do presente pedido. De acordocom a invenção, uma barragem que compreende pelo menos um queimadorimerso impede que as matérias vitrificáveis passem a jusante da ditabarragem. As matérias vitrificáveis só podem então atravessar a barragem noestado fundido. A barragem traz além disso calor que contribui para a fusãode qualquer material vitrificável que a atravessa.
O queimador imerso faz subir as matérias (fundidas einfundidas) mais frias, que se encontram naturalmente no fundo do forno,para a superfície, e as envia a jusante do forno depois de tê-las reaquecido. Oqueimador de superfície que lhe é associado, contribui para acelerar a fusão,em associação com o próprio queimador imerso.
Assim a invenção se refere em primeiro lugar a um forno defusão de matérias vitrificáveis que compreende a montante da direção deescoamento das matérias fundidas, uma zona de introdução de matériasvitrificáveis sólidas, o dito forno compreendendo um queimador imerso e umqueimador de superfície que é um queimador aéreo que proporciona umachama que vem tocar a superfície do vidro no local em que a bolha doqueimador imerso emerge.
A invenção se refere ao princípio da combinação de umqueimador imerso e de um queimador de superfície, notadamente colocado naabóbada, o dito queimador imerso podendo ter a função de efeito barreira paraas matérias vitrificáveis. A chama proveniente do queimador de superfícieimpacta o vidro acima da chama (ou da bolha, considerando o fato de que sãogeralmente gases de combustão que emergem do vidro fundido e não umachama) do queimador imerso, de modo a produzir uma zona localmente muitoquente na superfície. Como o queimador imerso faz matérias frias subirempara a superfície, essas matérias são reaquecidas por um lado pela chama doqueimador imerso e por outro lado pela chama do queimador de superfície.Trata-se aí de um meio de trazer diretamente calorias às matérias mais frias.Uma tal eficácia não pode ser atingida se o queimador imerso for substituídopor um borbulhador (gases não inflamados) ou fumaças de combustãorecuperadas, pois esses gases contribuiriam para o resfriamento prévio dasmatérias que subiram o que seria contra-produtivo.
O queimador de superfície (geralmente na abóbada), que édimensionado de modo a que a combustão dos gases se realize ao nível dabolha do queimador imerso, reaquece de modo seletivo o vidro frio que sobepara a superfície. As transferências térmicas que dependem da diferença detemperaturas entre a fonte quente e o ponto frio são portanto bastantemelhoradas. Assim, trabalhando-se com tiragem de vidro constante, ainvenção permite reduzir os consumos energéticos. Conservando-setemperaturas de superestrutura (limite superior de temperatura que osmateriais que constituem o forno suportam) constantes, é também possívelaumentar a tiragem.
O queimador imerso pode também fazer parte de umabarragem de queimadores imersos que produzem cada um deles movimentosde convecção no banho fundido e que impedem as matérias vitrificáveissólidas de irem para a jusante do forno. Notadamente se o forno é largo, épreferido constituir uma barragem para as matérias vitrificáveis por umamultiplicidade de queimadores imersos. Esses queimadores imersos são entãode preferência colocados em linha transversalmente à direção principal deescoamento das matérias fundidas. Essa direção principal corresponde àdireção de a montante para a jusante, de acordo com o eixo do forno. Epossível deslocar ligeiramente os queimadores imersos em relação a umalinha reta, uma vez que o efeito barragem é obtido. As bolhas provenientes doqueimador imerso imprimem um movimento de convecção às matériassólidas e reenvio dessas últimas para a montante do forno. Coloca-se portantotantos queimadores imersos para constituir essa barragem quanto a largura doforno necessitar, sabendo que cada queimador imerso terá um efeito barragemem um raio um pouco superior ao raio de sua bolha emergente. As matériasvitrificáveis não fundidas são reenviadas para a montante. Somente matériafundida pode passar pela barragem. A barragem de queimador imersoreaquece as matérias infundidas, e, se for o caso, termina de fundi-las. Asmatérias infundidas seguem correias de convecção a montante da barragem,tantas vezes quanto for necessário até sua fusão. A eficácia do sistema debarragem é aumentada pelo fato de que um queimador aéreo proporciona umachama que vem impactar a superfície do vidro ("queimador de superfície") nolocal em que a bolha do queimador imerso emerge. Para o caso em que abarragem só compreende um queimador imerso, esse último é geralmentesituado no meio da largura do forno (a meia distância entre as paredes lateraisdo forno). Para o caso em que a barragem compreende vários queimadoresimersos, é possível prever um só queimador de superfície, de preferência doqual a chama toca a superfície do vidro no meio da largura do banho de vidro.De preferência, entretanto, são previstos tantos queimadores de superfíciequantos forem os queimadores imersos, os ditos queimadores de superfíciessendo colocados preferencialmente em frente à vertical de cada queimadorimerso, de modo que a chama de um queimador de superfície toque (em umimpacto pronunciado) o local de emergência da chama (ou bolha) de umqueimador imerso. A barragem compreende então pares de queimador imerso/ queimador de superfície, cada queimador imerso sendo associado a umqueimador de superfície.
O forno de acordo com a invenção pode compreender váriasbarragens sucessivas (2 ou 3 e mesmo mais) no caminho das matériasfundidas, cada barragem compreendendo cada uma delas pelo menos umqueimador imerso.
De preferência, os gases que provêm de cada queimador desuperfície chega com uma velocidade bastante alta na superfície do vidro, porexemplo cóm uma velocidade de pelo menos 15 metros por segundo. Essavelocidade pode ser muito maior, e ela é regulada também em função do riscode decolagem de matérias na superfície do banho. Notadamente, se a chamado queimador de superfície chega na proximidade de um talude decomposição, é preferido limitar a velocidade de seus gases para não provocardecolagem de matéria que provem desse talude. Essa velocidade pode porexemplo ir até 150 m/s, e em caso de risco de decolagem de matériasvitrificáveis de preferência até 40 m/s.
Para o caso em que se teria constituído uma barragem dequeimadores imersos, o número de queimadores imersos a utilizar paraconstituir a barragem é suficiente para que as matérias infundidas não aatravessem e sejam reenviadas para a montante. Aproximadamente, convémgeralmente colocar um número Nmin de queimadores imersos transversalmenteao trajeto das matérias vitrificáveis tal que Nmin seja pelo menos igual à parteinteira de [80 % de L/2H], se L é a largura do forno e se H é a altura do banhofundido (vidro fundido) dentro do forno (exemplo: se o forno tem 3 m delargura e se a altura de vidro é de 0,5 m, então L/2H = 3 portanto 80 % deL/2H = 2,4, cuja parte inteira é 2; tem-se portanto Nmin pelo menos igual a 2).De maneira mais preferida, coloca-se um número Nmin de queimadoresimersos transversalmente ao trajeto das matérias vitrificáveis tal que Nmin sejapelo menos igual à parte inteira de L/2H (exemplo: se o forno tem 3 m delargura e se a altura de vidro é de 0,5 m, então L/2H = 3 portanto Nmin é depreferência pelo menos igual a 3). Em geral, basta colocar na barragem umnúmero Nsuf de queimadores imersos tal que Nsuf seja no máximo igual a 1 + aparte inteira de [120 % de L/2R], se L é a largura do forno e se R é o raio dabolha emergente de um queimador imerso. Mais geralmente ainda, é mesmosuficiente colocar na barragem um número Nsuf de queimadores imersos talque Nsuf seja no máximo igual a 1 + a parte inteira de [L/2R].
O diâmetro da bolha emergente de um queimador imerso podeser determinado por observação visual.
A título de indicação, o raio R (em metros) da bolha de umqueimador imerso (alimentado com oxigênio puro como comburente e commetano como combustível), no momento em que ela atinge a superfície, épelo menos igual a:
<formula>formula see original document page 7</formula>
na qual
- T é a temperatura do vidro em Kelvin,- ρ é a potência do queimador em kW
- V é a viscosidade cinemática do vidro em m /segundo.
Na realidade, seu diâmetro é um pouco superior devido aoefeito de esmagamento na chegada na superfície. O diâmetro real é portantocerca de 10 a 20 % superior ao que dá a fórmula.
A potência de um queimador imerso pode por exemplo ir de10 a 150 kW. A potência de um queimador aéreo transversal pode porexemplo ir de 100 a 1000 kW. A potência de um queimador aéreo desuperfície pode por exemplo ir de 300 a 3000 kW.
Em uma barragem de queimadores imersos, o conjunto dosqueimadores imersos é disposto regularmente, com intervalo regular,transversalmente ao banho de vidro de modo a produzir o efeito barragem. Sea barragem compreende vários queimadores imersos, ela compreende doisqueimadores imersos mais próximos cada um deles de uma das paredestransversais do forno. Esses queimadores, colocados nas extremidades dabarragem, são distantes de uma distância d de sua parede mais próxima. Nessecaso, a distância entre dois queimadores imersos da mesma barragem é depreferência de 2d. De preferência, 2d corresponde substancialmente aodiâmetro da bolha emergente do queimador imerso.
O forno de acordo com a invenção pode portanto ter umabarragem que compreende vários queimadores imersos, um queimador desuperfície diferente sendo associado a cada queimador imerso da barragem.
O forno de acordo com a invenção pode ser equipado comqueimadores aéreos transversais.
Além da combinação do queimador imerso e do queimador desuperfície que é associado a ele, assim como da eventual barragem dequeimador(es) imerso(s), o forno pode também ser equipado comqueimadores transversais aéreos, que atravessam as paredes laterais do forno.Pares de eletrodos que aquecem diretamente o vidro fundido, notadamenteatravés da soleira, podem também participar para o aquecimento global doforno.
Em relação a um forno clássico equipado com queimadoresaéreos (cuja chama não é especialmente dirigida para a superfície do banhofundido), a invenção melhora consideravelmente as transferências térmicaspara o banho de vidro. De fato, o queimador imerso aumenta a convecçãodentro do forno e faz subir em permanência vidro frio para a superfície dobanho de vidro. Esse aumento da convecção é feito sem resfriar a soleira, oque não permitiria um simples borbulhamento de gases frios ou de fumaças.Por outro lado, geralmente, o volume de gás enviado por um borbulhador sórepresenta 10 5 do volume de gás gerado por um queimador imerso. Fumaçasde combustão têm geralmente uma temperatura da ordem de 1500 a 1600°C,enquanto que uma chama de queimador imerso tem uma temperaturasuperior, notadamente superior a 1800°C, da ordem de 2000°C (mais no casode uma combustão ar/gás combustível) a 2500°C (mais no caso de umacombustão oxigênio/gás combustível). Os gases de combustão se resfriamrapidamente uma vez que eles devem ser transportados. Em relação a umborbulhador (mesmo alimentado com gases quentes de combustão), umqueimador imerso traz muito mais energia térmica diretamente para o vidrodevido à combustão que intervém aí diretamente.
As matérias vitrificáveis podem ser introduzidas acima dobanho de vidro, caso no qual elas formam um talude de composição, que podeflutuar (de acordo com sua natureza) sobre as matérias fundidas. Elas podemtambém ser introduzidas embaixo do banho de vidro. O queimador imerso (eportanto também a eventual barragem da qual ele faz parte) é geralmentecolocado entre o fim do talude de composição e a saída do forno, por exemploentre o fim do talude de composição e o meio do forno entre sua entrada e suasaída. De fato, em relação ao talude de composição que se formaria naausência de queimador imerso e na ausência de queimador de superfície, évantajoso colocar o queimador imerso na extremidade do dito talude, de modoa que ele apare (quer dizer encurte) o dito talude. Esse aspecto é maisespecialmente desenvolvido na figura 2. A invenção se refere portantotambém ao processo de acordo com o qual as matérias vitrificáveis sãointroduzidas acima do banho fundido e formam um talude de composição, oqueimador imerso (e portanto também a eventual barragem da qual ele fazparte) sendo colocado na extremidade do dito talude.
As matérias vitrificáveis podem compreender matérias primas,mas também vidro calcinado, e mesmo rejeitos destinados a ser vitrificados.Elas podem compreender também elementos combustíveis (orgânicos): épossível assim reciclar, por exemplo, fibras minerais lubrificadas, com ligante(do tipo daquelas utilizadas no isolamento térmico ou acústico ou daquelasutilizadas no reforço de matéria plástica), vidraças laminadas com folhas depolímero do tipo polivinilbutiral tais como pára-brisas, ou qualquer tipo dematerial "compósito" que associa vidro e materiais plásticos tais como certasgarrafas. E possível também reciclar "compósitos vidro-metal ou compostosmetálicos" tais como vidraças funcionalizadas com revestimentos que contêmmetais, até agora difíceis de reciclar pois isso apresentava o risco de acarretarum enriquecimento progressivo da câmara de fusão em metais que seacumulam na superfície da soleira. Mas a misturação imposta pela fusão peloou elos queimadores imersos permite evitar essa sedimentação, e assimreciclar, por exemplo, vidraças revestidas de camadas de esmalte, de camadasde metal e/ou de diferentes elementos de sistemas de conexão.
E possível prever introduzir a totalidade ou parte das matériasvitrifícáveis na câmara de fusão sob o nível da massa das matériasvitrificáveis em decorrer de fusão. E possível introduzir uma parte dessasmatérias de modo habitual acima da massa em decorrer de liquefação, e oresto embaixo, por exemplo por meios de admissão do tipo parafuso sem fim.
E possível assim introduzir as matérias diretamente na massa em decorrer deliquefação, em um só ponto ou em diferentes pontos repartidos nas paredes dacâmara de fusão. Uma tal introdução diretamente na massa de matérias emdecorrer de liquefação ("banho de vidro") é vantajosa a mais de um título:primeiro, ela diminui consideravelmente todos os riscos de decolagem dasmatérias primas acima do banho de vidro, e portanto reduz ao mínimo a taxade poeiras sólidas emitidas pelo forno. Em seguida, ela permite melhorcontrolar o tempo de permanência mínimo das ditas matérias antes deextração para a zona de refino, e introduzi-las seletivamente lá onde amisturação convectiva é mais forte, de acordo com a disposição dosqueimadores imersos. Esse ou esses pontos de introdução no banho de vidropode (podem) assim se encontrar na proximidade da superfície, ou maisprofundamente no banho de vidro, por exemplo a uma altura do banho devidro compreendida entre 1/5° e 4/5° da profundidade total do banho de vidroa partir do nível da soleira.Cada queimador (imerso ou aéreo, transversal ou desuperfície) é alimentado por um comburente e um combustível. O comburentepode notadamente ser ar ou oxigênio ou ar enriquecido com oxigênio. Ocombustível pode ser do tipo combustível fóssil gasoso ou não tal como gásnatural, o propano, combustível líquido ou qualquer outro combustívelhidrocarbonado. Pode também se tratar de hidrogênio, sobretudo para osqueimadores imersos. Combinar em uma fusão por queimadores imersos autilização de um comburente oxigênio e aquela de um combustível hidrogênioé um bom meio de assegurar uma transferência térmica eficaz da energia dosqueimadores para o vidro em fusão, que leva por outro lado a um processototalmente "limpo", quer dizer sem emissão de óxido de nitrogênio nos, nemde gás com efeito estufa do tipo cós diferente daquele que pode provir dadescarbonação das matérias primas.
De acordo com a invenção, um queimador de superfície éassociado a um queimador imerso, a chama do queimador de superfícietocando com uma velocidade grande o local onde emergem os gases decombustão do queimador imerso. E possível notadamente prever que oqueimador imerso seja sobre-estequiométrico em gás combustível (quer dizerenriquecido em combustível em relação ao que seria suficiente para reagircom todo o comburente que alimenta o queimador de superfície). Dessemodo, uma combustão secundária intervém na superfície do vidro entre porum lado o oxigênio em excesso do queimador imerso e o combustível emexcesso do queimados de superfície, o que vai no sentido de um aquecimentosuplementar bem localizado na superfície do vidro, local pelo qual passam asmatérias infundidas. É possível também realizar o inverso, quer dizeralimentar o queimador imerso de modo sobre-estequiométrico em gáscombustível e o queimador de superfície de modo sobre-estequiométrico emoxigênio para obter essa combustão secundária na superfície do vidro.
Cada queimador imerso provoca por convecção umamisturação intensa das matérias vitrificáveis: laços de convecção se formamassim de um lado e de outro das combustões ou "camadas" ou correntes degás de combustão, misturando em permanência matérias fundidas e ainda nãofundidas de maneira muito eficaz. São encontradas assim as característicasmuito favoráveis de uma fusão "agitada", sem necessariamente recorrer ameios de agitação mecânicos pouco confiáveis e/ou suscetíveis de desgasterápido.
Esse tipo de fusão por queimadores imersos permite reduzirconsideravelmente a emissão de qualquer tipo de poeiras ao nível da câmarade fusão, e de gás tipo NOx pois as trocas térmicas são feitas muitorapidamente, evitando os picos de temperatura suscetíveis de favorecer aformação desses gases. Ele reduz também consideravelmente a emissão dosgases de tipo CO2, o consumo energético total da instalação sendo menor doque com dispositivos convencionais (somente por queimadores aéreos quefuncionam em inversão por exemplo).
E possível opcionalmente prever fazer a fusão ser precedidapor uma etapa de preaquecimento das matérias vitrificáveis, a umatemperatura no entanto nitidamente inferior àquela necessária para liqüefazeras mesmas, por exemplo a no máximo 900°C. Para realizar essepreaquecimento, é possível vantajosamente recuperar a energia térmica dasfumaças. Esgotando-as assim termicamente, é possível globalmente diminuiro consumo energético específico da instalação.
O vidro é geralmente refinado, seja a jusante do mesmo forno,e/ou em um compartimento de refino a jusante do forno. Depois de refino, ovidro pode sair por intermédio de uma garganta mas a invenção se aplicatambém aos fornos sem gargantas. Notadamente, depois de refino, o vidropode alimentar de modo contínuo uma instalação de conformação em vidroplano como um banho de flutuação do vidro.
A figura 1 representa um forno 1 de acordo com a invençãovisto de lado. Esse forno é alimentado com matérias vitrificáveis 2 queformam um talude de composição a montante do forno, através de umdispositivo de enfornamento 3 (parafuso sem fim) que desemboca justo acimado nível 4 do banho de vidro. Um queimador imerso 10 gera uma chama 5sob a forma de bolhas que sobem para a superfície. Essa subida para asuperfície produz movimentos de convecção representados por flechas. Asmatérias não fundidas que vêm do talude de composição 2 (o fim do talude decomposição está em 12) e que se aproximam do local onde emerge a chamado queimador imerso são empurradas para a montante devido a essesmovimentos de convecção. Um queimador aéreo na abóbada 5 produz umachama 6 que vem impactar a superfície de vidro fundido. Assim as matériasinfundidas são aquecidas pela chama do queimador imerso e pela chama doqueimador na abóbada. O aquecimento do forno é completado por pares deeletrodos 7 e por queimadores aéreos transversais 11 colocados nas paredeslaterais do forno. O vidro fundido flui para a jusante do forno, passa por umagarganta 8 e escoa em 9 através de um orifício.
A figura 2 representa esquematicamente o local preferido decolocação do queimador imerso 21 (e portanto também da eventual barragemda qual ele faz parte). Na vertical desse queimador 21 emerge na superfícieuma bolha 22 carregada de gás de combustão. O queimador é colocado depreferência na ponta do talude de composição 23 de modo que ele contribuipara aparar o dito talude. A linha em pontilhado representa a forma do taludede composição na ausência de queimador imerso e na ausência de queimadorde superfície. A ponta desse talude chegaria ao ponto 24. A barragem dequeimador imerso vem aparar a ponta desse talude, de modo que essa ponta sesitua agora no ponto 25. O queimador de superfície 26 é colocado na verticaldo queimador imerso e sua chama 27 vem tocar a superfície do vidro no localde emergência da bolha 22 do queimador imerso 21. O queimador desuperfície contribui também para encurtar a ponta do talude. Assim, oqueimador imerso é colocado sob a extremidade do talude de composição quese formaria na sua ausência (linha em pontilhados), de modo a quefinalmente, quando ele funciona, o dito queimador imerso se encontra justo ajusante (em relação ao sentido de escoamento do vidro) do talude decomposição.

Claims (9)

1. Forno de fusão de matérias vitrificáveis que compreende amontante da direção de escoamento das matérias fundidas, uma zona deintrodução de matérias vitrificáveis sólidas, caracterizado pelo fato de que elecompreende um queimador imerso e um queimador aéreo, dito queimador desuperfície, que proporciona uma chama que vem tocar a superfície do vidrono local em que a bolha do queimador imerso emerge.
2. Forno de acordo com a reivindicação precedente,caracterizado pelo fato de que o queimador imerso faz parte de uma barragemde queimadores imersos que produzem movimentos de convecção no banhofundido que impedem as matérias vitrificáveis sólidas de irem para a jusantedo forno.
3. Forno de acordo com a reivindicação precedente,caracterizado pelo fato de que cada queimador imerso da barragem éassociado a um queimador de superfície diferente.
4. Processo de acordo com uma das reivindicações 2 ou 3caracterizado pelo fato de que o número de queimadores imersos na barragemé pelo menos igual à parte inteira de [80 % de L/2H], se L é a largura do fornoe se H é a altura do banho fundido dentro do forno.
5. Forno de acordo com uma das reivindicações 2 a 4,caracterizado pelo fato de que ele compreende várias barragens sucessivas dequeimadores imersos no caminho das matérias fundidas.
6. Processo de fusão de matérias vitrificáveis caracterizadopelo fato de que a fusão é realizada em um forno de uma das reivindicaçõesprecedentes.
7. Processo de acordo com a reivindicação precedente,caracterizado pelo fato de que as matérias vitrificáveis são introduzidas acimado banho fundido e formam um talude de composição, o queimador imersosendo colocado na extremidade do dito talude.
8. Processo de acordo com uma das reivindicações precedentesde processo, caracterizado pelo fato de que os gases do queimador desuperfície chegam na superfície do vidro com uma velocidade de pelo menos-15 metros por segundo.
9. Processo de acordo com uma das reivindicações precedentesde processo, caracterizado pelo fato de que a chama do queimador imerso ésuperior a 1800°C.
BRPI0709928-2A 2006-04-07 2007-04-04 forno e processo de fusão de matérias vitrificáveis BRPI0709928A2 (pt)

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