PT2004558E - Forno de queimador imergido e queimador aéreo - Google Patents

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PT2004558E
PT2004558E PT07731872T PT07731872T PT2004558E PT 2004558 E PT2004558 E PT 2004558E PT 07731872 T PT07731872 T PT 07731872T PT 07731872 T PT07731872 T PT 07731872T PT 2004558 E PT2004558 E PT 2004558E
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Frederic Lopepe
Laurent Pierrot
Laurent Joubaud
Philippe Pedeboscq
Philippe Meunier
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Saint Gobain
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Description

DESCRIÇÃO EPÍGRAFE: "FORNO DE QUEIMADOR IMERGIDO E QUEIMADOR AÉREO" A invenção diz respeito a um forno de fusão de matérias vitrifiçáveis (vidro) compreendendo um queimador imergido combinado com um queimador aéreo. 0 queimador imergido pode nomeadamente atuar como barragem às matérias vitrifiçáveis sólidas. 0 queimador aéreo, nomeadamente em abobada, tem uma chama que impacta com a superfície do banho fundido por cima da chama do queimador imergido, e contribui para a fusão das matérias vitrifiçáveis.
Conhece-se os queimadores imergidos para a fusão do vidro nomeadamente pelas WO9935099 e W09937591. Conhece-se os queimadores em abobada para a fusão do vidro nomeadamente pelas WO02/092521, US6237369, WO9931021, W002/090271. Como outros documentos, pode-se citar os US5139558, EP1236691, JP2002284532, US5922097, US2002166343. O documento SU425853 descreve um forno de fusão do vidro compreendendo uma multiplicidade de queimadores imergidos, a última linha a jusante de queimadores imergidos sendo destinada a bloquear os infundidos. Um queimador aéreo de chama horizontal não tocando 1 na superfície do vidro fundido completa o dispositivo.
As matérias vitrifiçáveis são introduzidas a montante do forno. Para uma boa qualidade do vidro, deseja-se a sua fusão perfeita, quer dizer a ausência de infundidos no vidro final. Ora é difícil impedir que certas matérias vitrifiçáveis não circulem no forno mais rapidamente que outras e não emerjam infundidos, misturados com o vidro fundido, em detrimento da homogeneidade e da qualidade óptica do vidro final. A presente invenção contribui para resolver este problema.
De acordo com a invenção, associa-se pelo menos um queimador imergido com pelo menos um queimador aéreo, nomeadamente colocado em abobada, cuja chama impacta a superfície do banho fundido (em vidro) por cima da chama (ou da bolha, tendo em conta o facto de que são geralmente os gases de combustão que emergem do vidro fundido e não uma chama) do queimador imergido, de maneira a produzir uma zona localmente muito quente em superfície do vidro e eliminar os infundidos em os atingindo para os fundir. Este dispositivo pode ser completado por uma barragem de queimadores imergidos para aumentar ainda a eficácia do dispositivo e conseguir fundir as matérias sólidas. No que segue, pode-se chamar «queimador de superfície» o queimador aéreo cuja chama impacta a superfície do vidro por cima da chama do queimador imergido. Assim, o 2 forno de acordo com a invenção é equipado de pelo menos um queimador aéreo, o dito queimador aéreo sendo associado a pelo menos um queimador imergido, a chama do dito queimador aéreo tocando a superfície do banho fundido no sítio onde emerge a bolha do dito queimador imergido. Um tal queimador aéreo é dito «queimador de superfície» no quadro da presente patente. De acordo com a invenção, uma barragem compreendendo pelo menos um queimador imergido impede as matérias vitrifiçáveis de passar a jusante da dita barragem. As matérias vitrifiçáveis não podem então atravessar a barragem senão no estado fundido, A barragem proporciona mais calor contribuindo para a fusão de toda a matéria vitrificável a atravessando. 0 queimador imergido faz subir as matérias (fundidas e infundidas) mais frias, que se encontram naturalmente no fundo do forno, para a superfície, e reenvia-as para jusante do forno após as ter reaquecido. 0 queimador de superfície que lhe é associado, contribui para acelerar a fusão, em associação com o queimador imergido ele mesmo.
Assim a invenção diz respeito em primeiro lugar a um forno de fusão de matérias vitrifiçáveis compreendendo a montante da direcção de escoamento matérias fundidas, uma zona de introdução de matérias vitrifiçáveis sólidas, o dito forno compreendendo um queimador imergido e um queimador de 3 superfície que é um queimador aéreo proporcionando uma chama vindo tocar a superfície do vidro no sítio onde a bolha do queimador imergido emerge. A invenção diz respeito ao princípio da combinação de um queimador imergido e de um queimador de superfície, nomeadamente colocado em abobada, o dito queimador imergido podendo ter a função de efeito barreira para as matérias vitrifiçáveis. A chama saída do queimador de superfície impacta o vidro por cima da chama (na bolha, tendo em conta o facto que são geralmente os gases de combustão que emergem do vidro fundido e não uma chama) do queimador imergido, de maneira a produzir uma zona localmente muito quente em superfície. Como o queimador imergido faz subir as matérias mais frias à superfície estas matérias são reaquecidas por um lado pela chama do queimador imergido e por outro por aquela do queimador de superfície. Trata-se aí de um meio de levar directamente as calorias às matérias mais frias. Uma tal eficácia não pode ser atingida se se substitui o queimador imergido por um borbulhador (gás não inflamado) ou fumos de combustão recuperados, porque estes gases contribuiriam para o arrefecimento prévio das matérias emergentes o que seria contra produtivo. 0 queimador de superfície (geralmente em abobada), que é 4 dimensionado de maneira a que a combustão dos gases se realize ao nível da bolha do queimador imergido, reaquece de maneira selectiva o vidro frio que sobe à superfície. As transferências térmicas que dependem da diferença de temperaturas entre a fonte quente e o ponto frio são pois fortemente melhoradas. Assim, trabalhando a tiragem de vidro constante, a invenção permite reduzir os consumos energéticos. Mantendo as temperaturas da superestrutura (limite superior de temperatura que suporta os materiais constituindo o forno) constantes, é igualmente possível aumentar a tiragem. 0 queimador imergido pode igualmente fazer parte de uma barragem de queimadores imergidos produzindo, cada um, movimentos de convecção no banho fundido e impedindo as matérias vitrifiçáveis sólidas de ir para jusante do forno. Nomeadamente se o forno é largo, prefere-se constituir uma barragem às matérias vitrifiçáveis por uma multiplicidade de queimadores imergidos. Estes queimadores imergidos são então de preferência colocados em linha atravessando a direcção principal de escoamento das matérias fundidas. Esta direcção principal corresponde à direcção de montante para jusante, segundo o eixo do forno. Pode-se deslocar ligeiramente os queimadores imergidos em relação a uma linha reta, desde que o efeito barragem seja obtido. As bolhas saídas do queimador imergido imprimem um movimento de convecção às matérias 5 sólidas e reenvia-as para montante do forno. Coloca-se pois tantos queimadores imergidos para constituir esta barragem quantos a largura do forno o necessite, sabendo que cada queimador imergido terá um efeito barragem sobre um raio um pouco superior àquele da sua bolha emergente. As matérias vitrifiçáveis não fundidas são reenviadas a montante. Só a matéria fundida pode passar a barreira. A barreira de queimador imergido reaquece as matérias infundidas, e, no caso presente, acaba de as fundir. As matérias infundidas seguem correntes de convecção a montante da barragem, quantas vezes isso for necessário até à sua fusão. A eficácia do sistema de barragem é aumentado pelo facto de um queimador aéreo proporcionar uma chama que impacta na superfície do vidro («queimador de superfície») no sítio onde a bolha do queimador imergido emerge. Para o caso em que a barragem não compreende senão um só queimador imergido, este é geralmente situado no meio da largura do forno (a meia-distancia entre as paredes laterais do forno) . Para o caso em que a barragem compreende vários queimadores imergidos, pode-se prever apenas um só queimador de superfície, de preferência cuja chama toca a superfície do vidro no meio da largura do banho de vidro. De preferência, contudo, prevê-se tantos queimadores de superfície como queimadores imergidos, os ditos queimadores de superfície sendo colocados preferencialmente em frente na vertical de cada queimador imergido, de maneira que a chama de 6 um queimador de superfície toca (com um impacto pronunciado) o sítio da emergência da chama (ou bolha) de um queimador imergido. A barragem compreende então conjuntos queimador imergido / queimador de superfície, cada queimador imergido sendo associado a um queimador de superfície. 0 forno de acordo com a invenção pode compreender várias barragens sucessivas (2 ou 3 até mais) sobre o caminho das matérias fundidas, cada barragem compreende cada uma pelo menos um queimador imergido.
De preferência, os gases provenientes de cada queimador de superfície chegam com uma velocidade bastante elevada à superfície do vidro, por exemplo com uma velocidade de pelo menos 15 metros por segundo. Esta velocidade pode ser bastante mais importante, e regula-se também em função do risco de envio de materiais para a superfície do banho. Nomeadamente, se a chama do queimador de superfície chega à proximidade de um talude de composição, prefere-se limitar a velocidade dos seus gases para não provocar o envio de matéria proveniente desse talude. Esta velocidade pode por exemplo ir até 150 m/s, e em caso de risco de envio de matérias vitrifiçáveis de preferência até 40 m/s.
Para o caso em que se teria constituído uma barragem de 7 queimadores imergidos, o número de queimadores imergidos a utilizar para constituir a barragem é suficiente para que as matérias infundidas não o atravessem e sejam reenviadas para a montante. Aproximadamente, convêm geralmente colocar um número Nmin de queimadores imergidos através do trajecto das matérias vitrifiçáveis tal que Nmin seja pelo menos igual à parte inteira de (80 % de L/2H), se L é a largura do forno e se H é a altura do banho fundido (vidro fundido) no forno (exemplo: se o forno tem 3 m de largura e se a altura do vidro é de 0,5 m, então L/2H=3 portanto 80 % de L/2H=2,4 cuja parte inteira é 2; tem-se portanto Nmin pelo menos igual a 2). De maneira ainda preferida, coloca-se um número Nmin de queimadores imergidos através do trajecto das matérias vitrifiçáveis tal como Nmin seja pelo menos igual à parte inteira de L/2H (exemplo: se o forno tem 3 m de largura e se a altura do vidro é de 0,5 m, então L/2H=3 portanto Nmin é de preferência pelo menos igual a 3) . Em geral, basta colocar na barragem um número Nsuff de queimadores imergidos tal que Nsuff seja no máximo igual a 1 + a parte inteira de (120 % de L/2R) , se L é a largura do forno e se R é o raio da bolha emergente de um queimador imergido. Mais geralmente ainda, é mesmo suficiente colocar na barragem um número Nsuff de queimadores imergidos tais que Nsuff seja no máximo igual a 1 + a parte inteira de (L/2R). O diâmetro da bolha emergente de um queimador imergido pode-se determinar por observação visual. A título de indicação, o raio R (em metros) da bolha de um queimador imergido (alimentado em oxigénio puro como comburente e em metano como combustível), no momento em que atinge a superfície, é pelo menos igual a:
[ 3 x 0,87 x 3.10'7 xTxPxv10 ]1S R- 4 x 3,14
Na qual - T é a temperatura do vidro em Kelvin,
- P é a potência do queimador em KW - V é a viscosidade cinemática do vidro em m2/segundo.
Na realidade, o seu diâmetro é um pouco superior devido ao efeito de esmagamento à chegada à superfície. 0 diâmetro real é portanto de aproximadamente 10 a 20 % superior àquele que dá a fórmula. A potência de um queimador imergido pode por exemplo ir de 10 a 150 kW. A potência de um queimador aéreo transversal pode por exemplo ir de 100 a 1000 kW. A potência de um queimador aéreo de superfície pode por exemplo ir de 300 a 3000 kw.
Numa barragem de queimadores imergidos, o conjunto dos queimadores imergidos é disposto regularmente, com intervalo regular, através do banho de vidro de maneira a produzir o efeito barragem. Se a barragem compreende vários queimadores imergidos, ela compreende dois queimadores imergidos mais perto, cada um, de uma das paredes transversais do forno. Estes queimadores, colocados nas extremidades da barragem, são distantes de uma distância d da sua parede mais próxima. Neste caso, a distância entre dois queimadores imergidos da mesma barragem é de preferência de 2d. De preferência, 2d corresponde sensivelmente ao diâmetro da bolha emergente do queimador imergido. O forno de acordo com a invenção pode ser equipado de queimadores aéreos transversais.
Para além da combinação do queimador imergido e do queimador de superfície que lhe é associado, assim como da eventual barragem de queimador(es) imergido(s), o forno pode igualmente ser equipado de queimadores transversais aéreos, atravessando as paredes laterais do forno. Os pares de eléctrodos que aquecem directamente o vidro fundido, nomeadamente através da soleira, podem igualmente participar no aquecimento global do 10 forno .
Em relação a um forno clássico equipado de queimadores aéreos (cuja chama não é especialmente dirigida para a superfície do banho fundido), a invenção melhora consideravelmente as transferências térmicas no banho do vidro. Com efeito, o queimador imergido aumenta a convecção no forno e faz subir em permanência o vidro frio à superfície do banho de vidro. Este aumento da convecção faz-se sem arrefecer a superfície, o que não permite uma simples ebulição de gás frio ou de fumos. Por outro lado, geralmente, o volume de gás enviado por um borbulhador representa apenas 10 % do volume de gás gerado por um queimador imergido. Os fumos de combustão atingem geralmente uma temperatura na ordem de 1500 a 1600° C, enquanto uma chama de queimador imergido tem uma temperatura superior, nomeadamente superior a 1800° C, na ordem de 2000° C (de preferência no caso de uma combustão ar/gás combustível) a 2500° C (de preferência no caso de uma combustão oxigénio/gás combustível). Os gases de combustão arrefecem-se rapidamente desde logo quando eles devam ser transportados. Em relação a um borbulhador (mesmo alimentado em gás quente de combustão), um queimador imergido proporciona bastante mais energia térmica directamente no vidro devido à combustão que aí intervém directamente. 11
As matérias vitrifiçáveis podem ser introduzidas por cima do banho de vidro, neste caso elas formam um talude de composição, podendo flutuar (segundo a sua natureza) sobre as matérias fundidas. Elas podem igualmente ser introduzidas por baixo do banho de vidro. 0 queimador imergido (e pois igualmente a eventual barragem de que ele faz parte) é geralmente colocado entre o fim do talude de composição e a saída do forno, por exemplo entre o fim do talude de composição e o meio do forno entre a sua entrada e a sua saída. Por este facto, em relação ao talude de composição que se formaria na ausência do queimador imergido e na ausência do queimador de superfície, é vantajoso colocar o queimador imergido na extremidade do dito talude, de maneira a que ele se apare (quer dizer reduza) o dito talude. Este aspecto é mais particularmente desenvolvido na figura 2. A invenção diz respeito portanto igualmente ao processo de acordo com o qual as matérias vitrifiçáveis são introduzidas por cima do banho fundido e formam um talude de composição, o queimador imergido (e pois igualmente a eventual barragem de que ele faz parte) sendo colocado na extremidade do dito talude.
As matérias vitrifiçáveis podem compreender matérias-primas, mas também a calcinação, até mesmo resíduos destinados a ser vitrifiçados. Elas podem compreender igualmente elementos combustíveis (orgânicos): pode-se assim reciclar, por exemplo, 12 fibras minerais sem cola, com liga (do tipo daquelas utilizadas no isolamento térmico ou acústico ou daquelas utilizadas como reforço de matéria plástica), vidraças folheadas com folhas de polímero do tipo polivinilbutiral tais como pára-brisas, ou todo tipo de material "compósito" associando o vidro e os materiais plásticos tais como certas garrafas. Pode-se também reciclar os " compósitos vidro-metal ou compostos metálicos" tais como vidraças funcionalizadas com revestimentos contendo metais, até agora difíceis de reciclar porque isso arriscaria implicar um enriquecimento progressivo da câmara de fusão em metais se acumulando na superfície da soleira. Mas a mistura imposta pela fusão pelo ou pelos queimadores imergidos permite evitar esta sedimentação, e assim reciclar, por exemplo, as vidraças revestidas de camadas de esmalte, de camadas de metal e/ou de diferentes elementos de conectividade.
Pode-se prever introduzir toda ou parte das matérias vitrifiçáveis na câmara de fusão sob o nível da massa das matérias vitrifiçáveis no decurso da fusão. Pode-se introduzir uma parte destas matérias de maneira habitual por cima da massa no decurso da liquefacção, e o resto por baixo, por exemplo pelos meios de condução do tipo parafuso sem fim. Pode-se assim introduzir as matérias directamente na massa no decurso da liquefacção, num só ponto ou em diferentes pontos 13 repartidos nas paredes da câmara de fusão. Uma tal introdução directamente na massa de matérias no decurso da liquefacção ("banho de vidro") é vantajosa para mais de um titulo : primeiramente, ela diminui consideravelmente os riscos de envio das matérias-primas por cima do banho de vidro, pois reduz ao mínimo a taxa de poeiras sólidas emitidas pelo forno. De seguida, ela permite melhor controlar o tempo de permanência minino das ditas matérias antes da extracção para a zona de afinação, e de as introduzir selectivamente lá onde a mistura convectiva é a mais forte, segundo a disposição dos queimadores imergidos. Este ou estes pontos de introdução no banho de vidro pode (podem) assim encontrar-se na proximidade da superfície, ou mais profundamente no banho de vidro, por exemplo com uma altura de banho de vidro compreendida entre l/5a e 4/5a da profundidade total do banho de vidro a partir do nível da soleira.
Cada queimador (imergido ou aéreo, transversal ou de superfície) é alimentado por um comburente e um combustível. 0 comburente pode nomeadamente ser o ar ou o oxigénio ou o ar enriquecido em oxigénio. 0 combustível pode ser do tipo combustível fóssil gasoso ou não tal como o gás natural, o propano, o óleo líquido ou todo outro combustível hidrocarbonado. Pode também tratar-se de hidrogénio, sobretudo para os queimadores imergidos. Combinar numa fusão por 14 queimadores imergidos a utilização de um comburente oxigénio e aquela de um combustível hidrogénio é um bom meio de assegurar uma transferência térmica eficaz da energia dos queimadores ao vidro em fusão, conduzindo por outro lado a um processo totalmente «limpo», quer dizer sem emissão de óxido de azoto NOx, nem de gás com efeito de estufa do tipo COx outro que não aquele podendo provir da descarbonação das matérias-primas.
De acordo com a invenção, um queimador de superfície é associado a um queimador imergido, a chama do queimador de superfície tocando com uma velocidade importante o sítio onde emergem os gases de combustão do queimador imergido. Pode-se nomeadamente prever que o queimador imergido seja sobre estequiométrico em oxigénio (quer dizer enriquecido em oxigénio em relação ao que será suficiente para queimar todo o combustível alimentando o queimador imergido) e que o queimador de superfície que lhe é associado seja sobre estequiométrico em gás combustível (quer dizer enriquecido em combustível em relação àquele que seria suficiente para reagir com todo o comburente alimentando o queimador de superfície). Desta maneira, uma combustão secundária intervém na superfície do vidro entre por um lado o oxigénio em excesso do queimador imergido e o combustível em excesso do queimador de superfície, o que vai no sentido de um aquecimento suplementar bem localizado na superfície do vidro, local pelo qual passam 15 as matérias infundidas. Pode-se também realizar o inverso quer dizer alimentar o queimador imerqido de maneira sobre estequiométrico em gás combustível e o queimador de superfície de maneira sobre estequiométrica em oxigénio para obter esta combustão secundária em superfície do vidro.
Cada queimador imergido provoca por convecção uma mistura intensa das matérias vitrifiçáveis: anéis de convecção formam-se assim de um lado e do outro das combustões ou "chamas" ou correntes de gás de combustão, misturando em permanência matérias fundidas e não ainda fundidas de maneira muito eficaz. Reencontra-se assim as características muito favoráveis de uma fusão "agitada", sem ter necessariamente de recorrer a meios de agitação mecânicos pouco fiáveis e/ou susceptíveis de rápido desgaste.
Este tipo de fusão por queimadores imergidos permite reduzir consideravelmente a emissão de todo tipo de poeiras ao nível da câmara de fusão, e de gás tipo NOx porque as trocas térmicas fazem-se muito rapidamente, evitando os picos de temperatura susceptíveis de favorecer a formação destes gases. Ela reduz igualmente consideravelmente a emissão dos gases do tipo CO2, o consumo energético total da instalação sendo mais fraco que com os dispositivos convencionais (unicamente por queimadores aéreos funcionando em inversão por exemplo). 16
Pode-se opcionalmente prever fazer preceder a fusão por uma etapa de pré-aquecimento das matérias vitrifiçáveis, a uma temperatura entretanto nitidamente inferior àquela necessária para as liquefazer, por exemplo no máximo 900° C. Para realizar este pré-aquecimento, pode-se vantajosamente recuperar a energia térmica dos fumos. Em os esgotando assim termicamente, pode-se globalmente diminuir o consumo energético especifico da instalação. O vidro é geralmente afinado, seja a jusante do mesmo forno, e/ou num compartimento de afinação a jusante do forno. Após afinação, o vidro pode sair por intermédio de uma garganta mas a invenção aplica-se também aos fornos sem gargantas. Nomeadamente, após afinação, o vidro pode alimentar em continuo uma instalação de enformação em vidro plano como um banho de flottagem do vidro. A figura 1 representa um forno 1 de acordo com a invenção visto de lado. Este forno é alimentado em matérias vitrifiçáveis 2 formando um talude de composição a montante do forno, por meio de um dispositivo de enfornamento 3 (parafuso sem fim) desembocando ao cimo do nivel 4 do banho de vidro. Um queimador imergido 10 cria uma chama 13 sob forma de bolhas que sobem para a superfície. Esta subida para a superfície produz movimentos de convecção representados pelas setas. As 17 matérias não fundidas vindo do talude de composição 2 (o fim do talude de composição é em 12) e aproximando-se do local onde emerge a chama do queimador imergido são puxadas para montante devido a estes movimentos de convecção. Um queimador aéreo em abobada 5 produz uma chama 6 que impacta na superfície do vidro fundido, Assim as matérias infundidas são aquecidas pela chama do queimador imergido e pela chama do queimador em abobada. 0 aquecimento do forno é completado pelos pares de eléctrodos 7 e pelos queimadores aéreos transversais 11 colocados nas paredes laterais do forno. 0 vidro fundido desliza para jusante do forno, passa por uma garganta 8 e escoa-se em 9 através de um orifício. A figura 2 representa esquematicamente o sítio preferido de colocação do queimador imergido 21 (e portanto igualmente da eventual barragem de que faz parte). Na vertical deste queimador 21 emerge em superfície uma bolha 22 carregada de gás de combustão. 0 queimador é colocado de preferência no fim do talude de composição 23 de maneira que ele contribui para reter o dito talude. A linha a ponteado representa a forma do talude de composição na ausência do queimador imergido e na ausência do queimador de superfície. 0 fim deste talude conduziria ao ponto 24. A barragem do queimador imergido vem reter o fim deste talude, de tal maneira que este fim se situa agora no ponto 25. 0 queimador de superfície 26 é colocado na 18 vertical do queimador imergido e a sua chama 27 vêm tocar a superfície do vidro no sítio da emergência da bolha 22 do queimador imergido 21. 0 queimador de superfície contribui igualmente para reter o fim do talude. Assim, o queimador imergido é colocado sob a extremidade do talude de composição que se formaria na sua ausência (linha em ponteado), de maneira a que finalmente, quando ele funciona, o dito queimador imergido se encontra a jusante (em relação ao sentido do escoamento do vidro) do talude de composição.
Lisboa, 28 de Junho de 2012 19

Claims (1)

  1. REIVINDICAÇÕES Ia - Forno de fusão (1) de matérias vitrifiçáveis (2) compreendendo a montante da direcção de escoamento das matérias fundidas uma zona de introdução de matérias vitrifiçáveis sólidas (2), um queimador imergido (10) e um queimador aéreo (5), caracterizado por a chama (6) do queimador aéreo dito queimador de superfície vir tocar a superfície do vidro (4) no sítio da bolha (13) emergente do queimador imergido. 2a - Forno de acordo com a reivindicação precedente, caracterizado por o queimador imergido (10) fazer parte de uma barragem de queimadores imergidos produzindo movimentos de convenção no banho fundido impedindo as matérias vitrifiçáveis sólidas de ir para jusante do forno. 3a - Forno de acordo com a reivindicação precedente, caracterizado por cada queimador imergido (10) da barragem ser associado a um queimador de superfície (5) diferente. 4a - Forno de acordo com uma das reivindicações 2 ou 3, caracterizado por o número de queimadores imergidos na barragem ser pelo menos igual à parte inteira de (80 % de L/2H), se L é a largura do forno e se H é a altura do banho 1 fundido no forno. 5a - Forno de acordo com uma das reivindicações 2 a 4, caracterizado por ele compreender várias barragens sucessivas de queimadores imergidos sobre o caminho das matérias fundidas. 6a - Processo de fusão de matérias vitrifiçáveis, caracterizado por a fusão ser realizada num forno de uma das reivindicações precedentes. 7a - Processo de acordo com a reivindicação precedente, caracterizado por as matérias vitrifiçáveis serem introduzidas por cima do banho fundido e formarem um talude de composição (23), o queimador imergido sendo colocado na extremidade (25) do dito talude. 8a - Processo de acordo com uma das reivindicações precedentes de processo, caracterizado por os gases do queimador de superfície chegarem à superfície do vidro com uma velocidade de pelo menos 15 metros por segundo. 9a - Processo de acordo com uma das reivindicações precedentes de processo, caracterizado por a chama do queimador imergido ser superior a 1800° C. Lisboa, 28 de Junho de 2012 2
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FR0651258A FR2899577B1 (fr) 2006-04-07 2006-04-07 Four de fusion du verre comprenant un barrage de bruleurs immerges aux matieres vitrifiables

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