PEDIDO DE PATENTE RELACIONADO
[001] Este Pedido de Patente reivindica o benefício do Pedido de Patente Provisória U. S. No. 60/901.732, arquivado em 16 de fevereiro de 2007. O inteiro teor da descrição do pedido de patente acima é incorporado aqui, neste pedido de patente por referência.
ANTECEDENTES DA INVENÇÃO
[002] Uma função principal da glândula tireoide é a de secretar os hormônios da tireoide L-tiroxina (T4) e L-tri-iodotironina (T3). Esses hormônios da tireoide regulam aspectos importantes do metabolismo. Existe um estado de hipotireoidismo quando os níveis de T3 e de T4 no sangue estão anormalmente baixos, e existe um hipertireoidismo quando os níveis dos mesmos estão anormalmente elevados. O hipoti- reoidismo grave, não-tratado, é caracterizado pelo ganho de peso, baixa energia e depressão, intolerância ao frio, e mudanças na pele e no cabelo. O hipertireoidismo grave, não-tratado se apresenta como um estado denominado de tireotoxicose, caracterizado através da perda de peso, nervosismo ou instabilidade emocional, intolerância ao calor, tremor, e um batimento cardíaco rápido, e pode ocasionar fibri- lação cardíaca atrial. Em alguns casos, o hipotireoidismo ou o hiperti- reoidismo podem ocorrer sem nenhum sintoma ou sinais discerníveis a despeito de resultados anormais em testes de laboratório da função da tireoide (como por exemplo, um distúrbio subclínico da tireoide).
[003] Os T3 e T4 são produzidos sob o controle direto através do hormônio da glicoproteína da pituitária anterior tireoitropina (hormônio estimulante da tireoide TSH) que é ele próprio regulado através do hormônio hipotalâmico de liberação da tireoitropina (TRH). O TSH atua através de um receptor ligado a membrana da proteína G (TSH-R) para ativar as funções principais da tireoide. As sínteses do T3 e do T4 exigem a incorporação de iodeto dentro dos seus precursores. A tireoide peroxidase (TPO) é uma enzima glicosilada ligada à membrana contendo heme, que catalisa ambos a iodinização dos resíduos de ti- rosil e o acoplamento dos resíduos do iodotireoisil na tireoiglobnulina para a formação do T3 e do T4. Uma vez sintetizados o T3 e o T4 são armazenados em uma forma de coloide na proteína tireoglobulina (Tg) antes da liberação dos hormônios.
[004] Sob condições patológicas, as proteínas TPO, TSH-R e Tg podem se tornar em autoantígenos, isto é alvos com relação às respostas de autoimunização identificadas com mais facilidade pelos au- toanticorpos que ligam essas proteínas. Historicamente, os anticorpos reativos com a fração microssômica do tecido da tireoide também foram detectados e estudados. Mais tardem a peroxidase da tireoide foi descoberta como sendo o alvo principal com relação a esses anticorpos microssômicos antitireoide. Com esse entendimento, os anticorpos microssômicos antitireoide e os anticorpos da peroxidase da tireoide foram considerados como sendo termos essencialmente equivalentes.
[005] A função de sinalização da proteína TSH-R normalmente se torna ativada somente na ocasião da ligação com a tirotropina. No entanto, alguns anticorpos direcionados contra a TSH-R (a seguir, aqui neste pedido de patente, TSHRA) podem se ligar ao sítio de docagem da tirotropina, e essa classe do anticorpo TSHRA pode atuar como um agonista direto (anticorpo estimulador) ou antagonista (anticorpo blo- queador) da TSH-R. Desse modo, a autoimunidade da tireoide pode estar associada à regulação aberrante da secreção do hormônio da tireoide e ocasionar tanto o hipo-, como o hipertireoidismo.
[006] Um achado diagnóstico comum em pacientes com o distúr- bio conhecido de forma variada como a doença de Graves, bócio tóxico difuso, doença de von Basedow, ou doença de Parry, é a presença de TSHRA no sangue. Os anticorpos direcionados contra a TPO (a seguir, aqui neste pedido de patente, TPOA) podem estar presentes ou ausentes na doença de Grave. Como explicado acima, os pacientes com esse distúrbio podem se apresentar clinicamente tanto com o hipo, como o hipertireoidismo, e um determinado paciente pode, em tempos diferentes manifestar ambas as condições. Além da disfunção da tireoide, o distúrbio pode envolver outros tecidos. Na oftalmopatia de Graves (tecnicamente uma orbitopatia, devido a que as mudanças estão confinadas as estruturas orbitais e não atingem a estrutura interna do olho), dilatação dos feixes de músculos extraoculares e hipertro-fia adiposa ocasionam a protrusão do globo ocular (“exoftalmos” ou proptose) resultando em visão dupla (diplopia) e, em casos graves, perda visual. Alguns pacientes desenvolvem uma dermatopatia caracterizada pelo edema e espessamento da pele, ou espessamento dos ossos dos dedos. A doença hipertireoide de Grave pode quase sempre ser controlada com fármacos orais supressores da tireoide, tais como a metimazola ou propiltiouracila. Os casos refratários podem exigir a ablação da tireoide, com a utilização de iodo radioativo ou uma tireoi- dectomia cirúrgica. Com a supressão da tireoide, o paciente irá necessitar de reposição do hormônio da tireoide. A oftalmopatia grave pode exigir uma terapia de radiação direcionada às órbitas ou uma descompressão cirúrgica da órbita.
[007] A tireoidite autoimune é comumente conhecida entre os en-docrinologistas como a “tireoidite silenciosa” e tireoidite de Hashimoto. As TPOA estão comumente presentes em pacientes com esse distúrbio; níveis elevados de TPOA no contexto da apresentação clínica do hipotireoidismo é quase sempre tomada como a confirmação com relação ao diagnóstico da doença de Hashimoto. As TSHRA estão usu- almente ausentes. Nesse distúrbio, os danos imuno-mediados à glândula tireoide podem levar ao vazamento do hormônio armazenado com a tirotoxicose transitória associada, porém comumente resulta em uma glândula tireoide sub ativa com hipotireoidismo associado. O tratamento envolve usualmente a reposição do hormônio da tireoide.
[008] Determinados estados de doença ou de intervenções terapêuticas estão associados a um risco crescente com relação a distúrbios autoimunes da tireoide. Por exemplo, distúrbios da tireoide ocorrem com frequência entre pacientes que recebem terapia de interferon alfa para a infecção por vírus da hepatite C (Preziati, D., et al., Eur J Endocrinol, 132(5)587-93 (1995)). Entre os pacientes com infecção por vírus da hepatite C, os anticorpos de pré-tratamento com relação à TPO ou a fração microssômica da tireoide (uma parte das quais são conhecidas como reconhecendo a TPO) parecem ser um marcador com relação ao risco aumentado dos distúrbios de hiper e hipotireoide entre pacientes os quais subsequentemente receberam r=terapia de interferon-alfa (Marazuela, M., et al., Clin Endocrinol 44:635-42 (1996); Watanabe, U., et al., Am J Gastroenterol, 89(3):399-403 (1994); Fernandez-Soto, L.,et al., Arch Intern Med, 158:1445-1448 (1998)). Similarmente, a TPOA detectada durante a gravidez parece prever o risco com relação a distúrbios de tireoide pós-parto. (Vargas, M.T., et al., J. Clin. Endocrinol. Metab., 67(2):327-33 (1988)).
[009] Os distúrbios autoimunes da tireoide também ocorrem com frequência crescente entre os pacientes que tenhas recebido anteriormente terapias de depleção de linfócitos. Uma de tais terapias é o Alen- tuzumab. O Alentuzumab (Campath®, MabCampath®, Campath-1H®) é um anticorpo monoclônico humanizado que se liga seletivamente com o antígeno de proteína conhecido como CD52. O CD 52 é uma molécula abundante (aproximadamente 5 x 10A5 sítios de ligação de anticorpos por célula) presente em pelo menos 95% de todo os linfócitos e monóci- tos/ macrófagos do sangue periférico humano (Hale G, et al., The CAMPATH-1 antigen (CD52). Tissue Antigens;35:178-327 (1990)), porém está ausente das células-tronco hemopoiéticas. O tratamento de uma pessoa com Alentuzumab com a utilização de uma dosagem e de um regime apropriados irá, entre outros efeitos, resultar em uma depleção pronta e relativamente continuada dos tecidos corporais e sangue de linfócitos neoplásicos e normais, poupando ao mesmo tempo as células-tronco hemopoiéticas, que são necessárias para a repopulação do sistema imune. O Alentuzumab está descrito na Patente U.S. 5.846.534.
[010] O Alentuzumab é aprovado para o tratamento da leucemia linfócita crônica da célula B (B-CLL) em pacientes que tenham sido tratados com agentes de alquilação e que falharam a terapia de fluda- rabina. Estudos clínicos mostraram que o Alentuzumab também é ativo em outras malignidades hematológicas tais como o linfoma que não de Hodgkin e leucemias, e em uma variedade de distúrbios imuno- mediados incluindo a doença de enxerto versus hospedeiro, rejeição ao transplante de órgãos, artrite reumatoide, e de modo notável e esclerose múltipla (Hale G. and Waldmann H., From laboratory to clinic: the story of CAMPATH-1. In: George AJT, Urch CE, eds. Methods in Molecular Medicine: Diagnostic and Therapeutic Antibodies. NJ: Humana Press; 2000; 40:243-266).
[011] Hale e Waldmann foram os primeiros a descrever o uso de Campath-1H para o tratamento da esclerose múltipla (MS) (ver a patente U. S. No. 6.120.766). Desde então, a segurança e a eficácia do Campath-1H tem sido o foco de vários estudos clínicos em pacientes com MS (Ver, por exemplo, T. Moreau et al., Lancet (1994), 344:298-301; T. Moreau et al., Brain (1996), 119:225-237; A. Coles et al., Ann. Neurol. (1999), 46:296-304; A. Coles et al. (Neurology 60 March 2003 (Suppl. 1); A. Coles et al., Clinical Neurology and Neurosurgery (2004), 106:270-274).
[012] Mais recentemente, na Fase 2 do estudo clínico denominado de CAMMS2233, o Alentuzumab foi administrado em dois níveis de dose (um decurso de cinco dias de 12 mg ou de 24 mg/dia para doses cumulativas de 60 ou 120 mg no primeiro ano, seguida por um decurso de três dias de 12 mg ou de 24 mg/dia para doses cumulativas de 36 ou de 72 mg no seguindo ano, com um possível retratamento com a utilização de 36 ou 72 mg no terceiro ano). Em um projeto de comparação ativa, os pacientes no grupo de controle receberam 44 mcg por via subcutânea (SC) de interferon beta-1a (Rebif®; EMD Serono, Inc.) três vezes por semana como indicado no rótulo do produto (O'Donnell, L, et al, Presented at the Consortium of Multiple Sclerosis Centers Annual Meeting, Toronto, Canada, 2 a 6 de junho, 2004; Compston, A., et al., Presented at the 22nd meeting of the European Committee for Treatment and Research in Multiple Sclerosis (ECTRIMS), Madrid, Espanha. 27 a 30 de setembro, 2006; Fox, E., et al.,. Presented at the ECTRIMS, Madrid, Esapanha (2006)).
[013] Resultados provisórios foram derivados a partir de análises provisórias de efetividade pré-especificadas e de segurança realizadas depois de dois ou três anos de tratamento com relação a todos os pacientes no teste planejado de três anos. Eles mostraram que o Alentuzumab foi mais efetivo do que o interferon beta-1a (Rebif®; EMD Serono, Inc.) um tratamento licenciado para MS, na redução do risco de relapso da MS e em tornar mais lento o aumento da incapacidade continuada. Especificamente, os pacientes tratados com um ou outro regime de tratamento com Alentuzumab, experimentaram pelo menos uma redução de 75% no risco com relação à reincidência depois de pelo menos um e dois anos de seguimento quando comparados a pacientes tratados com o interferon beta-1a. Ao pacientes tratados com o Alentuzumab experimentaram alem disso pelo menos uma redução de 60% (com relação aos pacientes tratados com o Rebif®) em risco de acumulação de incapacidade continuada depois de 1 ano, e de pelo menos 65% de redução naquele risco depois de 2 anos.
[014] Durante os estudos piloto do Alentuzumab como um tratamento para MS, foi observado que uma elevada percentagem de pacientes desenvolveu distúrbios envolvendo a glândula tireoide. O primeiro relatório desse fenômeno (Coles et al. Lancet, 354:1691-95 (1999)) descreveu provas clinicas e de laboratório da doença autoimune da tireoide se desenvolvendo em aproximadamente um terço dos pacientes (9 entre 27) que tinham recebido anteriormente o Alentuzumab como um tratamento para a MS dos mesmos. Especificamente esses pacientes desenvolveram anticorpos contra o receptor tirotropina e hi- pertireoidismo autoimune respondível a carbimazola, e vários dos mesmos também tiveram episódios caracterizados como tireoidite au- toimune. Estudos que se seguiram a partir do mesmo grupo (Coles et al., Neurology, 60 March 2003, Suppl. 1) e outros (Compston, A., et al., Presented at the 22nd meeting of the European Committee for Treatment and Research in Multiple Sclerosis (ECTRIMS), Madrid, Espanha. 27 a 30 de setembro, 2006) confirmaram que os distúrbios glandulares da tireoide ocorrem com frequência crescente em seguida ao tratamento com Alentuzumab em pacientes. O aparecimento dos dis-túrbios da tireoide é tipicamente retardado em vários meses ou anos em seguida a exposição inicial ao Alentuzumab.
[015] O aparecimento retardado dos distúrbios da tireoide também ocorre em outras circunstâncias caracterizadas pela depleção e a repopulação de linfócitos, de modo notável o aparecimento retardado dos distúrbios da tireoide em seguida aos transplantes de medula óssea, sejam autólogos ou alógenos e que sejam para o tratamento de imunodeficiência primaria ou para a reconstituição depois da supressão iatrogênica da medula óssea (Ishiguro H., et al., J Clin Endocrinol Metab, 89(12):5981-6 (2004); Slatter M.A., et al., Bone Marrow Transplant., 33(9):949-53 (2004); Carlson K., et al., Bone Marrow Transplant., 10(2):123-7. (1992); Lee W.Y., et al., Bone Marrow Transplant., 28(1):63-6. (2001)). Os regimes quimioterapêuticos nesses casos variam amplamente. A similaridade principal dos mesmos com os pacientes de MS tratados com Alentuzumab e propensos a doenças da tireoide é a regeneração das populações de linfócitos a partir do um estado inicial de depleção natural ou iatrogênica.
[016] Um entendimento científico da patogênese dos distúrbios autoimunes da tireoide que complicam as terapias de depleção de lin- fócitos e a razão para um retardo no aparecimento desses distúrbios, está correntemente incompleto.
[017] Em resumo, o Alentuzumab parece ser um tratamento efetivo para pacientes com uma variedade de distúrbios, porém o uso do mesmo na MS tem sido associado a complicações autoimunes incluindo os distúrbios glandulares da tireoide. Complicações similares ocorrem com outras terapias de depleção de linfócitos. Em alguns indivíduos, a vantagem a partir de outros regimes terapêuticos que envolvem a depleção de linfócitos pode ser deslocada pelos efeitos adversos. Desse modo, com a finalidade de maximizar a proporção do beneficio para risco que considera o uso de uma terapia de depleção de linfócitos tal como o Alentuzumab em pacientes (por exemplo, pacientes com MS) seria desejável tem um meio para a identificação (como por exemplo, antes do inicio do tratamento com o Alentuzumab) aqueles pacientes que estão em um risco crescente com relação aos distúrbios autoimunes da tireoide. Essa previsão de risco seria útil para sustentar a tomada de decisão médica informada, por exemplo, ser ou não iniciado um tratamento com um regime de depleção de linfócitos em um determinado paciente com base no risco previsto com relação a este efeito adverso.
SUMÁRIO DA INVENÇÃO
[018] A invenção se refere a um método para prever o risco com relação a distúrbios glandulares da tireoide que possam ocorrer em um paciente como uma complicação de regimes terapêuticos que fazem a depleção de linfócitos (um regime de depleção de linfócitos). O método é baseado em detectar a presença ou a ausência de anticorpos no paciente antes de receber ou em seguida ao decorrer do regime de de- pleção de linfócitos (como por exemplo, antes da avaliação dos anticorpos no sangue). Por exemplo, o teste do sangue antes do tratamento com o Alentuzumab permite a previsão do risco com relação aos distúrbios da tireoide que possam ocorrer em seguida ao tratamento com o Alentuzumab.
[019] Mais especificamente, a invenção é baseada em parte sobre a descoberta que pacientes de MS que tem anticorpos direcionados contra a enzima peroxidase da tireoide (TPO) antes, ou na ocasião do tratamento inicial com o Alentuzumab estão em um risco aumentado com relação ao desenvolvimento de distúrbios da tireoide em seguida a esse tratamento.
[020] Desse modo, em uma modalidade, a invenção envolve um método para a determinação de pacientes em um risco relativamente alto com relação ao desenvolvimento de um distúrbio da tireoide em seguida ao tratamento com um regime terapêutico de depleção de lin- fócitos (e também talvez leve a depleção outros tipos de células) que compreende a etapa de analisar uma amostra biológica do paciente com relação a anticorpos direcionados contra a peroxidase da tireoide (TPOA). Os pacientes que testarem positivos com relação aos anticorpos de previsão estão em um risco relativamente aumentado com relação ao desenvolvimento de um distúrbio da tireoide, caso eles recebam um tratamento com tal regime. Os indivíduos que testarem negativos com relação aos anticorpos de previsão estão em um risco relati- vamente mais baixo com relação a um distúrbio da tireoide, caso eles recebam o tratamento.
[021] Em outra modalidade, a invenção envolve um método para determinar os pacientes em um risco relativamente alto com relação ao desenvolvimento de um distúrbio da tireoide em seguida ao tratamento com um regime terapêutico que faça a depleção de células que contenham a CD52 como um marcador de superfície (isto é, células positivas para CD52), que compreende a etapa de analisar uma amostra biológica do paciente com relação a anticorpos direcionados contra a peroxidase da tireoide (TPOA). Os pacientes que testarem positivos com relação aos anticorpos de previsão estão em um risco relativamente aumentado com relação ao desenvolvimento de um distúrbio da tireoide, caso eles recebam esse tratamento com o regime depletivo das células positivas para CD52. Os indivíduos que testem negativos estão em um risco relativamente mais baixo com relação ao desenvolvimento de um distúrbio da tireoide, caso eles recebam esse tratamento.
[022] Na forma usada aqui, neste pedido de patente, um “regime depletivo das células positivas para CD52” inclui qualquer molécula depletiva, parcialmente ou completamente, de células humanas que contenham o marcador CD52. Por exemplo, um agente depletivo de células positivas para CD52 inclui, sem limitação, um anticorpo, um RNA de pequena interferência ou uma molécula pequena que reduza a contagem das células positivas para CD52 a partir da circulação do sangue e/ou dos tecidos corporais. O regime terapêutico depletivo de células positivas para CD52 irá, em modalidades específicas, envolver a administração de um anticorpo que se ligue especificamente a um CD52. Em algumas modalidades, é um anticorpo anti-CD52 humano ou humanizado tal como, ou similar ao Alentuzumab (Campath®, MabCampath®, Campath-1H®).
[023] Em outra modalidade, a invenção se refere a um método para a identificação de um paciente com esclerose múltipla que está em risco com relação ao desenvolvimento de um distúrbio da tireoide em seguida ao tratamento com um regime depletivo de linfócitos (como por exemplo, um tratamento com num agente depletivo células positivas para CD52, tal como o Alentuzumab, que compreende a determinação de se os anticorpos direcionados contra a peroxidase da tireoide estão presentes no paciente, em que, se os anticorpos estiverem presentes no paciente então o paciente está em risco com relação ao desenvolvimento de um distúrbio da tireoide em seguida ao tratamento. Os métodos descritos aqui, neste pedido de patente podem ser aplicados a pacientes com remissão ou reincidência de esclerose múltipla, bem como esclerose múltipla primária e secundária.
[024] Em outra modalidade a invenção envolve um método para a determinação de pacientes em um risco relativamente alto com relação ao desenvolvimento de um distúrbio da tireoide em seguida a um tratamento, quando o tratamento envolve um regime terapêutico que produz a depleção iatrogênica de linfócitos como um acompanhamento do efeito terapêutico desejado. Os exemplos de tais regimes incluem, sem limitação aqueles que envolvem a administração de um ou mais agentes quimioterapêuticos citotóxicos como para o tratamento de neoplasia, autoimunização, ou preparatório para o transplante de medula óssea ou de um órgão sólido; e a administração de globulina antitimócita (como por exemplo, a Thymoglobulin®) destinada à deple- ção dos linfócitos T para a supressão da rejeição de transplante de órgão.
[025] É esperado que os métodos da invenção sejam úteis para a previsão do risco do desenvolvimento de um distúrbio da tireoide em um paciente em seguida ao tratamento com qualquer regime terapêutico depletivo de linfócitos, embora outros tipos de células possam es tar ou não estar sujeitas a depleção através do tratamento. A população total de linfócitos compreende subgrupos, principalmente células T, células B e células NK. Nesta modalidade, o r3egime terapêutico depletivo de linfócitos é um regime objetivado contra os linfócitos T. Em outra modalidade, ele é um regime objetivado contra linfócitos B. Em outra modalidade, ele é um regime objetivado contra células NK. Em outra modalidade, ele é um regime objetivado contra várias combinações de linfócitos T e B e de células NK (por exemplo, T e B e NK; T e B, porém sem NK; etc.)
[026] O conhecimento prévio do risco com relação ao desenvolvimento de distúrbios da tireoide associados à depleção de linfócitos é útil para sustentar a tomada de decisão médica informada, como por exemplo, quando iniciar ou não iniciar o tratamento com um regime depletivo de linfócitos em um determinado paciente com base no risco previsto com relação ao desenvolvimento de um distúrbios da tireoide.
[027] Os testes para determinar se os anticorpos direcionadoscontra a peroxidase da tireoide estão presentes no paciente podem ser realizados antes de, ou depois do tratamento com um regime depletivo de linfócitos. Idealmente, o teste com relação à TPOA é realizado antes de um determinado período de tratamento de tal forma que os riscos potenciais do tratamento possam ser considerados pelo medido e o paciente para tomar as decisões do tratamento. No entanto, o conhecimento da presença de TPOA também é útil em seguida ao tratamento como um indicador precoce com risco em aumento.
[028] Os distúrbios autoimunes da tireoide que podem ocorrer como um resultado do tratamento de um paciente com uma terapia depletiva de linfócitos pode se manifestar tanto como hipotireoidismo ou hipertireoidismo. Os diagnósticos comuns incluem a doença de Graves (também conhecida como bócio tóxico difuso, doença de von Basedow, ou doença de Parry) e tireoidite autoimune (também conhe- cida como a tireoidite silenciosa e tireoidite de Hashimoto) e as combinações das mesmas.
[029] Os anticorpos direcionados contra a peroxidase da tireoide são usualmente procurados em uma amostra de sangue (comumente soro ou plasma) obtida do paciente, porém podem ser detectados em qualquer amostra biológica obtida do paciente, incluindo a linfa, urina e/ou tecido.
[030] Como uma pessoa versada na técnica irá compreender o método específico usado para detectar a presença de anticorpos contra TPO não é uma característica limitativa da invenção. Diversos métodos para a detecção de anticorpos direcionados contra a peroxidase da tireoide são bem-conhecidos daquelas pessoas versadas na técnica. Esses métodos incluem o uso de análises imuno absorventes ligadas à enzima (ELISA), análises de radioimunização (RIA), análises de hemaglutinação e diversas outras técnicas que empregam uma forma ou um fragmento da proteína peroxidase da tireoide como um alvo destinado a atrair e se ligar aos anticorpos a serem medidos, e empregando qualquer método apropriado para detectar e talvez quantificar os anticorpos ligados. Os diversos métodos descritos acima e outros métodos similares também podem ser empregados para detectar os anticorpos reativos com os microssomos da tireoide, uma fração de tecido que está enriquecida na proteína da enzima peroxidase da tireoide, para dar um resultado de diagnostico equivalente. Os anticorpos antimicrossômicos são essencialmente equivalentes da TPOA. Outros métodos envolvem a medição da atividade de enzima da TPOA, com a presença e a concentração de TPOA inferida através da inibição da atividade de enzima da TPOA.
DESCRIÇÃO DETALHADA DA INVENÇÃO
[031] CAMMS223 é o nome para a Fase 2 de um teste clínico que investiga a segurança e a efetividade de dois níveis de dose do Alen-tuzumab em comparação ao interferon beta-1a (Rebif®) no tratamento de pacientes com MS precoce, ativa,reincidência e remissão de MS. Os pacientes referidos para a participação no CAMMS223 foram submetidos à triagem com relação aos anticorpos receptores (THS) anti- hormônio estimulante da tireoide (a partir daqui, neste pedido de patente, TSHRA) antes da entrada e excluídos se positivos. Os pacientes também foram testados com relação aos anticorpos antiperoxidase da tireoide (a partir daqui, neste pedido de patente, TPOA), porém isso não influenciou a elegibilidade ou o tratamento dos mesmos. No total, 334 pacientes foram atribuídos aleatoriamente à IFRN-beta-1a (44 mcg SC três vezes por semana), ou à alta dose de Alentuzumab (23 mg/dia intravenoso (IV)) ou dose baixa (12 mg/dia IV). O Alentuzumab foi admi-nistrado diariamente durante 5 dias no mês zero e durante 3 dias no mês 12 e, para alguns pacientes, de novo no mês 24.
[032] Durante os 3 anos seguintes, os eventos adversos relacionados à tireoide foram acompanhados, e todos ao pacientes os anticorpos relacionados aos hormônios da tireoide e autoanticorpos da tireoide testados em intervalos regulares: TSH, L-tiroxina (T3) e L-tri- iodotrionina (T4) e TSHRA foram testados trimestralmente, e o anticorpo da peroxidase da tireoide (TPOA) foram testados duas vezes por ano. Os TPOA foram testados com a utilização de um kit comercialmente disponível, anticorpos Varelisa TPO, fabricados por Sweden Diagnostics e distribuídos por Somagem, número de catálogo 12396 (o protocolo do teste é descrito no Exemplo 1).
[033] Um foco das análises foi a correlação entre as anormalidades de alguns parâmetros de laboratório relacionados à tireoide. As análises provisórias foram realizadas com um seguimento médio de 2,2 anos (1° quartil = 2,0; 3° = 2,5). Os eventos adversos relacionados com a tireoide (os AE) e as anormalidades de laboratório ocorrerem em todos os três grupos de tratamento (ver Compston et al., 2006, op cit.).
[034] De acordo com as análises provisórias citadas acima, a proporção de pacientes tratados com o Alentuzumab com AE clínicos da tireoide foi de 11,1% versus 1,9% nos pacientes que receberam IFN-beta-1a. Mais AEs da tireoide ocorreram no grupo de dose baixa porém essa diferença entre as doses de Alentuzumab não foi significativa. A doença de Grave ou hipertireoidismo foi registrada em 14/216 pacientes tratados com Alentuzumab (6,5%) e em 0/106 pacientes tratados com IFN-beta-1a. (p < 0,0001). Os TSHRA foram encontrados em 47/216 (21,8%) pacientes depois do Alentuzumab e 2/103 (1,9%) depois da IFN-beta-la. Os marcadores de laboratório da autoimunida- de da tireoide (TSHRA e/ou TPOA) ocorreram sem os AEs clínicos da tireoide em 16,7% de pacientes depois do tratamento com o Alen- tuzumab versus 11,3% de pacientes tratados com IFN-beta-1a.
[035] Como descrito aqui, neste pedido de patente, esses eventos relacionados à tireoide foram examinados nas avaliações de laboratório no contexto da linha de base (pré-tratamento) (ver o Exemplo 1). Foi descoberto que os AE clínicos foram registrados com relação à 17/176 pacientes tratados com o Alentuzumab (9,7%) que testaram negativo com relação ao TPOA na linha de base versus 5/16 pacientes (32,1%) que testaram inicialmente positivos (risco relativo = 3,2, p = 0,029), e com relação à 2/87 de pacientes tratados com IFN-beta-1a (2,3%) que testaram negativos com relação à TPOA na linha de base versus 0,3 pacientes (0%) que testaram inicialmente positivos. Surpreendentemente, o TSHRA se desenvolveu em somente 24/176 pacientes tratados com o Alentuzumab (13,6%) que testaram negativo com relação ao TPOA na linha de base versus 9/16 pacientes (56,3%) que inicialmente testaram positivos (risco relativo = 4,1, p = 0,0001), e em 2/87 pacientes tratados com IFN-beta-1a (2,3%) que testaram negativos com relação à TPOA na linha de base versus 0/3 pacientes (0%) que testaram inicialmente positivos.
[036] Desse modo, em uma análise retrospectiva entre os pacientes de MS tratados com o Alentuzumab, os indivíduos que tiveram anticorpos direcionados contra o TPO na ocasião ou antes da exposição inicial dos mesmos ao Alentuzumab estiveram em um risco aumentado de 3 ou 4 vezes com relação aos distúrbios da tireoide em seguida quando comparados aos indivíduos que na linha de base tinham testado negativo com relação aos anticorpos anti-TPO.
[037] Deve ser observado que a maioria dos pacientes quer desenvolveram anormalidades na tireoide no estudo tinham testado negativo para TPOA na entrada. Desse modo, o teste para TOPA parece ter uma especificidade razoavelmente alta porém numa baixa sensibilidade. Isso pode se refletir uma sensibilidade fraca para a análise de TPOA ou pode indicar que alguns pacientes estão em risco de distúrbios da tireoide relacionados ao Alentuzumab a despeito da ausência de TPOA na linha de base.
[038] Em consequência, a invenção engloba métodos para a identificação de um paciente que esteja em risco com relação ao desenvolvimento de um distúrbio da tireoide em seguida ao tratamento com um regime depletivo de linfócitos, que compreende determinar se os anticorpos direcionados contra a peroxidase da tireoide estão presentes no paciente, em que se os anticorpos estiverem presentes no paciente então o paciente está em risco com relação ao desenvolvimento de um distúrbio da tireoide em seguida ao tratamento.
[039] Os linfócitos são células brancas do sangue formadas no tecido linfático de um indivíduo e são divididos em três grupos principais: células T, células B e células NK. Desse modo, em um aspecto o regime exaure as células T. Em outro aspecto, o regime exaure as células B. Em outro aspecto, o regime exaure as células NK. Em ainda outro aspecto, o regime exaure diversas combinações de células T e B e NK. O regime inclui qualquer plano de tratamento que resulte em uma deleção parcial ou completa de linfócitos de um paciente durante ou depois do tratamento. Em uma modalidade, o regime compreende a administração de um ou mais agentes citotóxicos (por exemplo, fár- macos). Em uma modalidade, o regime compreende a administração de um agente que exaure as células que expressem CD52 como um marcador de superfície da célula (isto é, células positivas para CD52).
[040] Assim, em uma modalidade, a invenção engloba métodos para a identificação de um paciente que está em risco de desenvolvimento de um distúrbio da tireoide em seguida ao tratamento com um agente que exaure as células positivas para CD52, que compreende determinar se os anticorpos direcionados contra a peroxidase da tireoide estão presentes no paciente, em que os anticorpos se os anticorpos estão presentes no paciente, então o paciente está em risco de desenvolver um distúrbio da tireoide em seguida ao tratamento.
[041] Em um aspecto específico, a invenção se refere a um método para a identificação de um paciente de MS que esteja em risco de desenvolver um distúrbio da tireoide em seguida ao tratamento com um agente que exaure as células positivas para CD52, que compreende determinar se os anticorpos direcionados contra a peroxidase da tireoide estão presentes no paciente, em que se os anticorpos estiverem presentes no paciente, então o paciente está em risco de desenvolver um distúrbio da tireoide em seguida ao tratamento.
[042] Na forma usada aqui, neste pedido de patente, “regime que exaure as células positivas para o CD52” inclui qualquer regime que exaure parcial ou completamente as células humanas que contenham o marcador CD52. Por exemplo, um regime que exaure as células positivas para o CD52, inclui, sem limitação, a administração de um anticorpo, um RNA de pequena interferência ou uma molécula pequena que reduza a contagem das células positivas para CD52 a partir da circulação do sangue e/ou dos tecidos corporais.
[043] Em uma modalidade específica, um agente depletivo das células positivas para o CD52 é um anticorpo que seja específico para o CD52. Um anticorpo que seja específico para o CD52 é uma molécula que se ligue de modo seletivo ao CD52, mas que não se ligue substancialmente a outras moléculas em uma amostra, como por exemplo, em uma amostra biológica que contenha o CD52. O termo “anticorpo” na forma usada aqui, neste pedido de patente, se refere a uma imuno- globulina ou uma parte da mesma, e que englobe qualquer polipeptídio que compreenda um sítio de ligação com antígeno sem considerar a fonte, método de produção e outras características. O termo inclui porém não está limitado aos anticorpos policlônicos, monoclônicos, mono específicos, poliespecíficos, humanizados, humanos, de cadeia única, quiméricos, sintéticos, recombinantes, híbridos, mudados, conjugados e enxertados com CDR. A expressão “sítio de ligação com o antígeno” se refere à parte da molécula de um anticorpo que compreenda a área que se liga especificamente ou complementarmente a uma parte ou a todo o antígeno. Um sítio de ligação com o antígeno pode compreender uma região variável de uma cadeia leve do anticorpo (Vt) e uma região variável de uma cadeia pesada de um anticorpo (VH). Um sítio de ligação com um antígeno pode ser provido por um ou mais domínios variáveis do anticorpo (como por exemplo, um fragmento Fd de um anticorpo que consista em um domínio VH, um fragmento Fd de um anticorpo que consista em um domínio VH e em um domínio Vt, ou um fragmento scFv de um anticorpo que consista em um domínio VH e de um domínio Vt, juntados através de um ligante). As expressões “anticorpo anti-CD52”, ou “anticorpo contra o CD52” se refere a qualquer anticorpo que se ligue de modo específico a pelo menos um epítopo do CD52.
[044] Os diversos anticorpos e partes dos mesmos podem ser produzidos com a utilização de qualquer uma de uma variedade de técnicas (ver, por exemplo, Kohler e Milstein, Nature 256:495-497 (1975); Current Protocols in Immunology, Coligan et al., (eds.) John Wiley & Sons, Inc., New York, NY (1994); Cabilly et al., Patente U.S. No. 4,816,567; Cabilly et al., Patente Européia No. 0,125,023 B1; Boss et al., Patente U.S. No. 4,816,397; Boss et al., Patente Européia No. 0,120,694 B1; Neuberger, M.S. et al., WO 86/01533; Neuberger, M.S. et al., Patente Europeia No. 0,194,276 B1; Winter, Patente U.S. No. 5,225,539; Winter, Patente Européia No. 0,239,400 B1; Queen et al., Patente Européia No. 0 451 216 B1; e Padlan, E.A. et al., EP 0 519 596 A1; Newman, R. et al., BioTechnology, 10: 1455-1460 (1992); Ladner et al., Patente U.S. No. 4,946,778; Bird, R.E. et al., Science, 242: 423-426 (1988)).
[045] Em uma modalidade especifica, o anticorpo para o CD52 é o Alentuzumab, um anticorpo monoclônico humanizado derivado de DNA recombinante que é direcionado contra o CD52. A sequência do Alentuzumab (Campath-1H®), incluindo a sequência dos três CDR contidos no mesmo, está descrita na Patente U.S. No 5.846.534, em que é descrito um anticorpo humanizado que se liga efetivamente ao antígeno de CD52, bem como um método para o tratamento de um paciente humano que tenha uma malignidade linfoide com esse anticorpo. Os procedimentos para a preparação e o teste desse anticorpo também são descritos.
[046] Além da esclerose múltipla (ambas a de remissão reincidente como a progressiva primaria ou secundária), condições que tenham sido tratadas com o Alentuzumab incluem as malignidades hematológicas tais como a leucemia linfócita crômica das células B (B- CLL), linfomas e leucemias que não de Hodgkin, bem como uma variedade de distúrbios mediados por imunização incluindo a doença do enxerto versus o hospedeiro, rejeição ao transplante de órgãos, vascu- lite, uveíte, esclerodermia, citopenias autoiumunes e artrite reumatoi- de. No entanto, o método da invenção não está limitado a ser executado em pacientes com essas doenças específicas. Preferivelmente é útil à pacientes com qualquer doença, contanto que essa doença seja sensível ao tratamento com um agente depletivo de linfócitos, e que tal tratamento esteja correlacionado com o desenvolvimento , pelo menos em alguns pacientes, de um distúrbio da tireoide.
[047] Os distúrbios autoimunes da tireoide que podem ocorrer como o resultado do tratamento de um paciente com uma terapia de- pletiva de linfócitos podem se manifestar tanto domo hipotireoidismo como hipertireoidismo. Os diagnósticos comuns incluem a doença de Grave (também conhecida como bócio tóxico difuso, doença de von Basedow, ou doença de Parry) e tireoidite autoimune (também conhecida como tireoidite silenciosa ou tireoidite de Hashimoto) e as combinações das mesmas.
[048] Os testes para determinar se os anticorpos direcionados contra a peroxidase da tireoide estão presentes no paciente podem ser executados antes do, ou depois do tratamento com o regime depletivo de linfócitos. Idealmente, a presença de anticorpos é determinada antes de um período inicial de tratamento de tal forma que o conhecimento dos riscos potenciais do tratamento possa ser considerado pelo medido e pelo paciente e confrontado contra os benefícios do tratamento. No entanto, também será útil a execução dos métodos da invenção em seguida ao tratamento inicial de um paciente, como por exemplo, com a finalidade de determinar o risco/benefício de um período subsequente de tratamento ou com a finalidade de monitorar com relação de qualquer aumento do risco de desenvolver um distúrbio da tireoide em qualquer tempo em seguida ao tratamento.
[049] Uma variedade de métodos para detectar anticorpos direcionados contra a peroxidase da tireoide é conhecida daquelas pessoas versadas na técnica. Em uma modalidade específica, pode ser usada uma análise imuno absorvente ligada à enzima (ELISA) (Prema- wardhana, L. et al., J. Clin. Endocrinol. Metab., 85:71-75 (2000); Stag- naro-Green, A., et al., J. Clin. Endocrinol Metab., 74(3):645-653 (1992)). Em uma aplicação comum desse método, um substrato plástico é revestido com uma quantidade padronizada da proteína da enzima peroxidase de tireoide purificada. A amostra de sangue a ser analisada é diluída precisamente e aplicada ao substrato revestido durante um período de tempo, durante o qual os anticorpos de TPOA na amostra do sangue irão se ligar ao plástico devido à interação dos mesmos com o TPO aderente a este substrato. Em seguida a uma etapa de lavagem padronizada para a remoção de todos os componentes do sangue que falham na ligação ao TPO, é adicionado um reagente que irá reconhecer e se colar a qualquer anticorpo ligado, incluindo de modo notável o TPOA. Esse reagente é manipulado para ter uma função dupla: alem de se ligar com os anticorpos, ele pode prover um sinal (usualmente cromogênico ou luminescente químico) em proporção à quantidade ligada. Dessa forma, o sinal indica de forma indireta a quantidade de TPOA na amostra original.
[050] Uma variedade de métodos para a detecção de anticorpos direcionados contra a peroxidase da tireoide é conhecida daquelas pessoas versadas na técnica, e alguns tem sido amplamente usados, tal como a por radio imunidade (Kung, V.T. et al., Clin. Chem., 27(1):39-42(1981); análise de hemaglutinação (Marazuela, et al, supra); e a imuno-análise Immulite 2000 Anti-TPO Ab com a detecção através de luminescência química, comercializado pela Siemens Medical Solutions Diagnostics. Essas e diversas outras técnicas tem em comum que elas empregam uma forma ou um fragmento da proteína peroxidase da tireoide como um alvo destinado a ser atraído e se ligar aos anticorpos a serem medidos, e empregando qualquer método apropriado para a detecção e talvez a quantificação dos anticorpos ligados. Em outra modalidade, os diversos métodos descritos acima e outros métodos similares são empregados para detectar anticorpos reativos com os microssomos da tireoide, uma fração de tecido que esteja enriquecida com a proteína da enzima peroxidase da tireoide.
[051] Nos métodos da presente invenção, a presença de anticorpos direcionados contra a peroxidase da tireoide em um paciente, pode ser determinada através da análise de uma amostra biológica obtida do paciente. Na forma usada aqui, neste pedido de patente, uma “amostra” inclui qualquer amostra biológica adequada que possa incluir anticorpos direcionados contra a peroxidase da tireoide. Por exemplo, uma amostra inclui tecidos, células, fluidos biológicos e extratos dos mesmos obtidos (por exemplo, isolados) a partir de um indivíduo. Os fluidos biológicos incluem o sangue (como por exemplo, o sangue total, células vermelhas do sangue ajuntadas), soro, plasma, linfa, urina e sêmen.
[052] Os métodos descritos aqui, neste pedido de patente, podem também compreender a comparação da quantidade (nível, titulação) dos anticorpos direcionados contra a peroxidase da tireoide (TPOA) presentes no paciente, à quantidade de TPOA em uma amostra de controle adequada. Por exemplo, a amostra de controle pode ser tomada a partir de um indivíduo que não é acreditado como estando em risco com relação ao desenvolvimento de um distúrbio da tireoide (como por exemplo, uma amostra a partir de um indivíduo sadio), Alternativamente, a amostra de controle pode ser tomada a partir de um paciente com a mesma condição de doença ou similar ao qual é administrado um regime de tratamento que não é depletivo de linfóci- tos, cujo regime alternativo não esteja associado a um risco aumentado de distúrbios da tireoide. Alternativamente, a medição do TPOA pode ser comparada a um padrão validado não-baseado em uma amostra biológica de controle, como por exemplo, um diluente ou uma solução não prevista para dar um resultado positivo do teste.
[053] Os Exemplos que se seguem proporcionam modalidades ilustrativas da invenção. Uma pessoa versada na técnica irá reconhecer as numerosas modificações e variações que podem ser executadas sem que alterem o espírito ou o âmbito da presente invenção. Essas modificações e variações estão englobadas dentro do âmbito da invenção. Os Exemplos não limitam de qualquer modo a invenção.
Exemplo 1 - Método para a Análise de Anticorpos Reativos com a Peroxidase da Tireoide.
[054] Foi empregado um método quantitativo envolvendo uma imu-no-análise indireta, não-competitiva, específica para a proteína TPO para as medições da TPOA descritas no Exemplo 2. O método envolveu o uso de um kit comercialmente disponível (Varelisa) teste para anticorpos TPO, fabricado por Phadia GmbH (anteriormente Sweden Diagnostics) e distribuído pela Somagen, número de catálogo 12396. Em resumo, amostras de soro do paciente foram diluídas 1/100 com a utilização do diluente provido, e 100 microlitros da amostra diluída foram colocados em cavidades plásticas previamente revestidas com a proteína TPO purificada. A amostra foi deixada em incubação durante 30 minutos, e em seguida lavada de 3 a 5 vezes com 300 microlitros da solução de lavagem provida. A cada poço foram em seguida adicionados 100 microlitros de um reagente provido que incorpora a enzima peroxidase de rábano silvestre (HRP) ligada de forma covalente a um anticorpo específico para o isótipo da imunoglobulina G (IgG). Em seguida a outra etapa de incubação durante 30 minutos, o conjugado foi lavado de 3 a 5 vezes com 300 microlitros da solução de lavagem provida. A cada poço foram em seguida adicionados 100 microlitros da solução que continha 3,3',5,5'- tetra-metilbenzidina, que é um substrato eficaz para uma reação química catalisada por HRP que gera um sinal calorimétrico visível em proporção com a quantidade do conjugado HRP aderente e a duração da reação. Em seguida a uma etapa de incubação de 10 minutos a reação colorimé- trica foi terminada através da adição de 50 microlitros de uma solução de ácido sulfúrico. O sinal colorimétrico foi medido com a utilização de um espectrofotômetro para a determinação da absorção em um comprimento de onda de 450nm entre de 10 até 30 minutos depois da adição da solução de ácido sulfúrico. Os resultados foram interpretados qualitativamente tanto como negativos (absorção do controle positivo/absorção da amostra < 1), positivo (absorção do controle positivo/absorção da amostra > 1.4), ou equívoco (proporção >1,0 <1,4).
Exemplo 2 - Previsão do Risco por Autoanticorpos com relação a Eventos Adversos na Tireoide depois do Tratamento com o Alentuzu- mab para a Esclerose Múltipla Reincidente Remissiva (RRMS).
[055] O objetivo deste estudo foi o de examinar os anticorpos da peroxidase da tireoide (TPOA) antes do tratamento como um previsor do risco com relação a distúrbios autoimunes da tireoide relacionados com o Alentuzumab, dentro de 2 anos a partir da primeira exposição ao fárma- co. Em conexão com o teste clínico CAMMS223, descrito acima os TSH, T3 livre, T4 livre e o TSHRA foram testados trimestralmente, e a peroxidase antitireoide (TPOA) duas vezes por ano em todos os pacientes, com a utilização do protocolo e do kit de teste descritos no Exemplo 1.
[056] Como mostrado na tabela abaixo, com 2,2 anos em media de seguimento, os AE da tireoide foram registrados para 17/176 pacientes tratados com o Alentuzumab (9,7%) que testaram negativo com relação ao TPOA na linha de base versus 5/16 pacientes (32,1%) que testaram inicialmente positivos (risco relativo = 3,2, p = 0,029), e com relação à 2/87 de pacientes tratados com IFN-beta-1a (2,3%) que testaram negativos com relação à TPOA na linha de base versus 0/3 pacientes (0%) que testaram inicialmente positivos. Surpreendentemen-te, a TSHRA se desenvolveu em somente em 24/176 pacientes tratados com o Alentuzumab (13,6%) que testaram negativo com relação ao TPOA na linha de base versus 9/16 pacientes (56,3%) que inicial- mente testaram positivos (risco relativo = 4,1, p = 0,0001), e em 2/87 pacientes tratados com IFN-beta-1a (2,3%) que testaram negativos com relação à TPOA na linha de base versus 0/3 pacientes (0%) que testaram inicialmente positivos.
[057] É aparente a partir desses dados que a presença de TPOA na linha de base aumentou o risco de distúrbios na tireoide depois do tratamento com o Alentuzumab.
Exemplo 3 - Previsão do Risco por Autoanticorpos com relação a Eventos Adversos na Tireoide depois do Tratamento com o Alentuzu- mab para a Esclerose Múltipla Reincidente Remissiva (RRMS).
[058] A análise preliminar dos dados a partir do CAMMS223, apresentados no Exemplo 2, foi prolongada através da análise dos dados a partir do mesmo teste depois de um seguimento médio de 3 anos. Como mostrado na tabela abaixo, os AE da tireoide que se desenvolveram dentro de 3 anos a partir da primeira exposição ao Alen- tuzumab foram registrados com relação a 35/182 pacientes tratados com o Alentuzumab (19,2%) que testaram negativo com relação ao TPOA na linha de base versus 8/16 pacientes (50%) que testaram inicialmente positivos(RR = 2,60, p = 0,0087), e com relação a 2/93 pacientes tratados com IFN-beta-1a (2,2%) que testaram negativos com relação à TPOA na linha de base versus 0/6 pacientes (0%) que testa- ram inicialmente positivos. Surpreendentemente, a TSHRA se desenvolveu em somente 46/182 pacientes tratados com o Alentuzumab (25,3%) que testaram negativos com relação à TPOA na linha de base versus 10/16 pacientes (62,5%) que inicialmente testaram positivos (RR = 2,47, p <,0,.0031), e em 2/93 pacientes tratados com IFN-beta- 1a (2,2%) que testaram negativos com relação à TPOA na linha de base versus 0/3 pacientes (0%) que testaram inicialmente positivos.

[059] Os dados de tempo mais longo continuam a sustentar a conclusão que a presença de TPOA na linha de base confere provavelmente um risco aumentado com relação a distúrbios na tireoide depois do tratamento com o Alentuzumab.
[060] Todas as publicações, incluindo patentes, citadas nesta descrição são incorporadas por referência em suas totalidades.
[061] Embora esta invenção tenha sido mostrada e descrita es pecificamente com referências às modalidades de exemplo da mesma, será entendido por aquelas pessoas versadas na técnica que diversas mudanças na forma e nos detalhes podem ser feitas na mesma sem que se afastem do âmbito da invenção englobadas pelas reivindicações em anexo.