BRPI0814675B1 - asa de aeronave - Google Patents
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Abstract
"asa de aeronave" a invenção se refere a uma asa de aeronave que compreende um corpo central fixo de asa, assim como um postigo móvel de borda de ataque (16) destinado a ser deslocado em rotação em relação ao corpo fixo segundo uma trajetória circular que se inscreve em uma esfera de centro (c). de acordo com a invenção, a asa compreende por outro lado uma corrente portadora de cabos (30) que compreende elos (34) articulados uns nos outros de acordo com eixos de articulação ( 44) convergentes em um ponto único, a corrente sendo conectada em suas duas extremidades ao corpo central fixo e ao postigo móvel. além disso, o dito ponto único é o centro (c) da esfera, situado em um eixo de rotação ( 42) do postigo móvel de borda de ataque em relação ao corpo fixo de asa.
Description
“ASA DE AERONAVE”
DESCRIÇÃO
DOMÍNIO TÉCNICO
A presente invenção se refere de modo geral ao domínio dos meios que permitem portar cabos fixados em duas peças suscetíveis de ser colocadas em movimento uma em relação à outra, segundo uma trajetória circular.
Esses meios que permitem portar cabos, também denominados meios de encaminhamento ou meios de guia dos cabos entre duas peças móveis uma em relação à outra, apresentam uma concepção que permite que eles acompanhem o deslocamento relativo entre as duas peças nas quais os cabos são conectados. Esses últimos podem por exemplo ser cabos elétricos, ou outros.
A invenção se refere mais especificamente ao domínio das asas de aeronave, tais meios portadores de cabos sendo efetivamente previstos entre um corpo central fixo de asa e um postigo móvel de borda de ataque, destinado a ser deslocado em rotação em relação ao corpo central fixo, segundo uma trajetória circular suscetível de se inscrever em uma esfera. A título indicativo, os cabos portados pelos meios previstos com essa finalidade são, por exemplo, cabos elétricos destinados a alimentar um sistema de degelo elétrico integrado ao postigo móvel de borda de ataque.
ESTADO DA TÉCNICA ANTERIOR
Nas aeronaves, cada uma das duas asas do velame é geralmente equipada com postigos móveis hipersustentadores montados na borda de ataque e na borda de fuga da asa.
De modo conhecido, os postigos são estendidos para as fases de aterrissagem e de decolagem a fim de aumentar a sustentação em baixa ou média velocidade. Por outro lado, em vôo de cruzeiro em alta velocidade, os postigos móveis são recolhidos para limitar a resistência ao avanço da aeronave. Além disso, ainda de modo conhecido pelo profissional, o deslocamento de cada postigo é efetuado com o auxílio de mecanismos alojados essencialmente em uma parte dianteira ou traseira de um corpo central fixo de asa, tal como é notadamente conhecido pelo documento EP 0 818 387.
Mais precisamente, esses mecanismos de colocação em movimento permitem deslocar cada postigo móvel de borda de ataque segundo uma trajetória circular em relação ao corpo central fixo de asa, entre uma posição recolhida na qual o postigo se ajusta substancialmente ao corpo fixo, e uma posição estendida na qual esse postigo é deslocado para a frente.
O postigo móvel de borda de ataque integra sistemas que devem ser alimentados em permanência, por exemplo eletricamente, qualquer que seja a posição ocupada por esse postigo. Trata-se, entre outras coisas, de um sistema de degelo integrado ao postigo móvel, alimentado eletricamente por um ou vários cabos fixados no corpo central fixo de asa, cuja função é portanto assegurar a transferência de potência elétrica entre esse mesmo corpo fixo,e o postigo em questão.
Assim, são instalados meios mecânicos que permitem portar os cabos entre o corpo fixo e o postigo móvel de borda de ataque, esses meios apresentando uma concepção adaptada que permite que eles se deformem a fim de acompanhar o deslocamento relativo em rotação do postigo móvel, em relação ao corpo central fixo de asa.
Tais estruturas mecânicas extensíveis de sustentação de cabos são, por exemplo, conhecidas pelos documentos WO 2006/027624 e FR 2 874 370. Apesar de sua utilização difundida, elas apresentam vários inconvenientes entre os quais conta-se um grande volume encontrado por ocasião da extensão das mesmas. Esse inconveniente relativo ao grande volume na direção da envergadura da asa, e/ou naquela de sua corda, é ainda mais restritivo visto que essas estruturas mecânicas são alojadas em uma parte dianteira do corpo central fixo de asa que já é bastante ocupada, notadamente em razão da presença dos mecanismos de colocação em movimento do postigo. Os riscos de interferência mecânica entre os diferentes elementos presentes dentro da parte dianteira do corpo central fixo são portanto não desprezíveis.
Além disso, a concepção dessas estruturas mecânicas só é pouco adaptada à natureza rotativa do deslocamento relativo do postigo móvel em relação ao corpo central fixo. Disso resulta um outro inconveniente que é aquele de prever, no corpo central fixo, uma abertura grande para a passagem da estrutura mecânica por ocasião de sua extensão. Uma tal abertura é prejudicial ao rendimento aerodinâmico, e deve ser limitada ou fechada por um obturador e uma junta aerodinâmica. Isso toma complexo e toma pesado significativamente o conceito global do sistema mecânico.
Além disso, o emprego dos meios mecânicos conhecidos, que ligam o postigo móvel de borda de ataque ao corpo central fixo, gera um impacto prejudicial nos desempenhos aerodinâmicos.
EXPOSIÇÃO DA INVENÇÃO
A invenção tem portanto como objetivo corrigir pelo menos parcialmente os inconvenientes mencionados acima, relativos às realizações da arte anterior.
Para fazer isso, a invenção tem como objeto uma asa de aeronave que compreende um corpo central fixo de asa, assim como um postigo móvel de borda de ataque destinado a ser deslocado em rotação em relação ao dito corpo central fixo segundo uma trajetória circular que se inscreve em uma esfera de centro (C), situado em um eixo de rotação do postigo móvel de borda de ataque em relação ao dito corpo central fixo de asa. De acordo com a invenção, a dita asa compreende por outro lado um conjunto que compreende uma corrente assim como pelo menos um cabo levado pela dita corrente conectada fixamente em suas duas extremidades respectivamente ao corpo central fixo e ao postigo móvel de borda de ataque, a dita corrente compreendendo elos articulados uns nos outros de acordo com eixos de articulação que convergem para o centro (C).
A corrente empregada se revela assim absolutamente adaptada para ligar duas peças destinadas a ser deslocadas relativamente uma em relação à outra segundo uma trajetória circular, e mais geralmente segundo uma trajetória qualquer que se inscreve em uma esfera que tem como centro o ponto único na direção do qual convergem os eixos de articulação dos elos. De fato, a cinemática do movimento da corrente, encontrada em conseqüência do movimento da peça móvel em relação à outra, é então próxima da cinemática dessa peça móvel. Devido a isso, o volume associado à corrente portadora de cabos de acordo com a invenção se revela globalmente otimizado.
Com relação a isso, no caso preferido em que os ditos elos articulados são dispostos em uma superfície esférica que tem também como centro o dito ponto único na direção do qual convergem os ditos eixos de articulação, a cinemática do movimento da corrente se inscreve globalmente nessa mesma superfície esférica. A cinemática observada é nesse caso extremamente próxima da cinemática de uma peça móvel em rotação em relação a uma outra, de acordo com um eixo de rotação que passa pelo centro da superfície esférica, que corresponde ao ponto único na direção do qual convergem os eixos de articulação dos elos da corrente.
Com relação a isso, é notado que em um estado estático qualquer dos elos, esses últimos são também dispostos em um cone de vértice que corresponde ao ponto único na direção do qual convergem os ditos eixos de articulação. Além disso, cada elo em movimento se desloca portanto sobre a superfície esférica precitada, mas também em uma superfície cônica de vértice que corresponde ao ponto único na direção do qual convergem os ditos eixos de articulação.
No caso presente em que a trajetória do movimento relativo entre as duas peças é circular, essa trajetória disposta na esfera de centro que corresponde ao ponto único na direção do qual convergem os eixos de articulação dos elos não é necessariamente situada em um plano equador dessa esfera, mas pode ser disposta em qualquer plano que atravessa essa esfera de modo ortogonal ao eixo de rotação da peça móvel em relação à outra. Essa especificidade oferece uma ampla possibilidade de concepção para a corrente de acordo com a invenção, permitindo se adaptar do melhor modo possível às restrições de volume específicas a cada caso.
A corrente empregada permite portanto levar os cabos entre o corpo fixo e o postigo móvel de borda de ataque, com uma concepção especialmente bem adaptada para se deformar com um volume limitado em conseqüência do deslocamento relativo em rotação do postigo móvel, em relação ao corpo central fixo de asa.
Essa diminuição do volume global, na direção da envergadura da asa e naquela de sua corda, se traduz vantajosamente por uma facilidade de implantação dentro da parte dianteira do corpo central fixo de asa, que já é portanto bastante ocupada, notadamente em razão da presença dos mecanismos de colocação em movimento do postigo. Com relação a isso, é notado que os riscos de interferência mecânica com os diferentes elementos já presentes dentro da parte dianteira do corpo central fixo são vantajosamente reduzidos. Em especial, a cinemática da corrente não é de nenhuma forma perturbada pela árvore de acionamento rotativo do postigo, portanto disposta de acordo com a direção de envergadura ao nível da parte dianteira do corpo central fixo de asa, visto que a concepção da corrente própria à presente invenção permite que essa última se desloque em tomo dessa árvore de acionamento, de acordo com a dita superfície esférica precitada.
Por outro lado, é lembrado que o ponto único na direção do qual convergem os eixos de articulação dos elos pode ser fixado de modo livre no eixo de rotação do postigo móvel, o que permite se adaptar do melhor modo possível, de um ponto de vista de volume, à arquitetura interna da asa em questão.
De preferência, cada um dos ditos elos articulados define pelo menos um alojamento de passagem de cabo, que desemboca de um lado e de outro do dito elo. Altemativamente, poderia ser previsto que o/os cabos sejam dispostos exteriormente em relação aos elos, e não interiormente, sem sair do âmbito da invenção.
De preferência, a amplitude de pivotamento relativo entre dois elos quaisquer, e diretamente consecutivos, é limitada por um sistema de batentes, essa amplitude de pivotamento sendo por exemplo inferior ou igual a 30°, e de maneira mais geral fixada de maneira a respeitar o limite em flexão dos cabos em questão.
Naturalmente, e/os cabos do conjunto levados pela corrente são conectados por um lado à primeira peça e por outro lado à segunda peça, entre as quais é procurada uma conexão elétrica, ou outra.
De preferência, a dita corrente apresenta, em vista de cima e qualquer que seja a posição do dito postigo móvel de borda de ataque em relação ao corpo central fixo de asa, uma primeira porção substancialmente retilínea iniciada a partir de um primeiro elo de extremidade de corrente montado fixamente no dito corpo central fixo de asa, uma parte curva, assim como uma segunda porção substancialmente retilínea terminada por um segundo elo de extremidade de corrente montado fixamente no dito postigo móvel de borda de ataque. Em um tal caso, é previsto que a dita parte curva forme substancialmente uma porção de círculo em vista de cima, de preferência um semicírculo, com uma primeira e uma segunda porções retilíneas que permanecem substancialmente paralelas e a igual distância no decorrer do movimento da corrente portadora de cabos, por ocasião da extensão / do recolhimento do postigo móvel.
A dita corrente leva um ou vários cabos elétricos de alimentação de um sistema de degelo integrado do postigo móvel de borda de ataque. Em um tal caso, outros cabos elétricos, conectados a sensores associados ao sistema de degelo e também integrados ao postigo, podem também ser levados pela corrente objeto da presente invenção.
De preferência, é possível proteger os cabos e a própria corrente com o auxílio de um abainha plástica flexível, externa à corrente, que não perturba seu funcionamento. A proteção conferida é prevista em relação a choques em manutenção, e contra a agressão de agentes químicos e fluidos da aeronave. Por outro lado, o primeiro elo da corrente pode eventualmente integrar uma metalização que permite assegurar uma proteção contra os raios.
Outras vantagens e características da invenção aparecerão na descrição detalhada não limitativa abaixo.
BREVE DESCRIÇÃO DOS DESENHOS
Essa descrição será feita em referência aos desenhos anexos entre os quais:
- a figura 1 representa um vista em perspectiva de uma aeronave;
- a figuras 2 representa uma vista esquemática e parcial em corte de uma asa de aeronave de acordo com a presente invenção, munida de um postigo móvel de borda de ataque;
- a figura 3 representa uma vista similar àquela mostrada na figura 2, na qual foi representada uma corrente portadora de cabos, conectada fixamente em suas duas extremidades respectivamente ao corpo central fixo da asa e ao postigo móvel de borda de ataque dessa última;
- a figura 4 representa uma vista em perspectiva daquela mostrada na figura 3;
- a figura 5 representa uma vista em perspectiva que esquematiza uma das particularidades da corrente portadora de cabos, relativa à articulação de seus elos;
- a figura 6 representa uma vista de lado daquela mostrada na figura 5, a corrente sendo mostrada em traços cheios em sua posição tal como ocupada quando o postigo móvel está recolhido, e mostrada em pontilhados em sua posição tal como ocupada quando o postigo móvel está estendido;
- a figura 7 representa uma vista de cima da corrente portadora de cabos, em suas duas posições mostradas na figura 6;
- a figura 8 representa uma vista em perspectiva de um dos elos centrais da corrente portadora de cabos mostrada nas figuras precedentes;
- a figura 9 mostra uma vista em perspectiva de uma pluralidade de elos centrais articulados e m batente uns em relação aos outros;
- a figura 10 mostra uma vista em perspectiva de um ele de extremidade de corrente montado fixamente no corpo central fixo de asa;
- a figura 11 mostra uma vista em perspectiva de um elo de extremidade de corrente mostrado fixamente no postigo móvel de borda de ataque; e
- a figura 12 representa uma vista em perspectiva a partir do interior do postigo móvel de borda de ataque, que mostra sua conexão com o elo de extremidade de corrente mostrado na figura 11.
EXPOSIÇÃO DETALHADA DE MODOS DE REALIZAÇÃO PREFERIDOS
Em referência à figura 1, é vista uma aeronave 1 que dispõe de um velame 2 constituído por uma pluralidade de elementos de velame, também chamados de superfícies aerodinâmicas de sustentação.
Em toda a descrição que vai se seguir, os termos “dianteiro(a)” e “traseiro(a)” devem ser considerados em relação a uma direção de deslocamento da aeronave encontrada em conseqüência do impulso exercido pelos motores da aeronave, essa direção sendo representada esquematicamente pela flecha 3.
Entre os elementos de velame da aeronave 1, conta-se duas asas principais, ditas asas 4, um leme vertical 6, assim como dois estabilizadores horizontais 7 situados na traseira dessa aeronave. Cada uma das duas asas 4 é suscetível de ser equipada com pelo menos um postigo móvel de borda de ataque ligado a um corpo central fixo de asa por uma corrente portadora de cabos de acordo com a invenção, como será exposto de modo detalhado abaixo para uma dessas duas asas.
No que diz respeito às asas 4, como evocado acima, essas últimas compreendem cada uma delas um corpo central fixo de asa 8, também denominado porção central principal, esse corpo constituindo quase a integralidade da asa, e sendo situado atrás de uma borda de ataque 10. Aqui ainda, em toda a descrição que vai se seguir, por convenção, é chamada X a direção longitudinal de borda de ataque, ou ainda direção de envergadura, Y a direção orientada transversalmente em relação à borda de ataque 10 da asa 4, e z a direção vertical, essas três direções sendo ortogonais entre si.
Assim, como o mostra a figura 2, é efetivamente a borda de ataque de cada uma das duas asas 4 que pode ser equipada com pelo menos um postigo móvel de borda de ataque 16, cada um deles destinado a ser ligado aos corpos 8 por uma corrente portadora de cabo de acordo com a invenção, não representada nessa figura. Em contrapartida, nessa figura 2, é possível ver que o postigo móvel de borda de ataque 16, representado unicamente esquematicamente, pode ocupar uma posição retraída/recolhida na qual ele se ajusta à parte dianteira do corpo central fixo 8 da asa 4, como está mostrado em traços cheios. Além disso, os traços em pontilhados representam o postigo móvel 16 em sua posição inteiramente estendida na qual ele está à distância na direção da frente do corpo central fixo 8, essa posição estendida sendo adotada durante as fases de aterrissagem e de decolagem a fim de aumentar a sustentação em baixa ou média velocidade. E notado que para passar de uma para a outra das duas posições extremas representadas, a asa 4 compreende mecanismos de deslocamento 17 integrados essencialmente na parte dianteira do corpo central 8, esses mecanismos 17 sendo bem conhecidos pelo profissional.
Mais precisamente, para cada postigo 16, o mecanismo 17 compreende geralmente um ou vários trilhos curvos 18, de perfil circular, ligado fixamente ao postigo 16 por sua extremidade dianteira. Uma engrenagem ou similar (não representada) comandada por uma árvore ou braço rotativo de acionamento 20 permite deslocar o postigo em rotação em relação ao corpo fixo 8. A título indicativo, a árvore de acionamento 20, que gira de acordo com seu eixo, é alojada na dianteira do corpo fixo de asa 8, de preferência de acordo com a direção de envergadura, ao mesmo tempo em que permanece atrás de uma divisória ou longarina dianteira 22 também orientada de acordo com a direção de envergadura, e que liga as porções intradorso e extradorso do corpo fixo de asa 8.
A título indicativo, o postigo móvel 16 se estende por exemplo em substancialmente todo o comprimento da asa 4 em questão, naturalmente de acordo com a direção de envergadura dessa asa 4, ou então unicamente em uma porção somente dessa asa, como é o mais corrente nas aeronaves.
O postigo 16 compreende um revestimento aerodinâmico que define uma porção intradorso 24 assim como uma porção extradorso 26. Além disso, ele é fechado na direção da traseira por um revestimento de fechamento 28, destinado a se ajustar ao corpo fixo de asa 8 quando ele ocupa a posição recolhida mostrada me traços cheios.
Os revestimentos exteriores 24, 26, 28 definem conjuntamente um compartimento 29 no qual se encontram habitualmente um ou vários sistemas/equipamentos que necessitam ser ligados por cabos ao corpo fixo 8, tal como um sistema de degelo elétrico 27 representado esquematicamente na figura 2.
Assim, para que os canos em questão possam acompanhar corretamente o movimento do postigo 16 por ocasião de sua extensão e de seu recolhimento, é colocada no lugar, entre esse postigo 16 e o corpo fixo 8, uma corrente 30 que permite levar esses mesmos cabos 32 como mostrado nas figuras 3 e 4, essa corrente 30 desempenhando então uma função de encaminhamento / de guia / de sustentação dos cabos entre o postigo móvel 16 e o corpo fixo 8
Como será detalhado abaixo, a corrente 30 apresenta uma concepção perfeitamente adaptada à natureza rotativa do deslocamento relativo do postigo móvel 16 em relação ao corpo fixo 8. Com relação a isso, a corrente 30, que é globalmente constituída por elos centrais 34 substancialmente idênticos, e por dois elos de extremidades de corrente que podem diferir dos elos centrais, atravessa eventualmente uma passagem 35 feita na divisória dianteira 22. Por outro lado, o primeiro elo de extremidade de corrente 36 é solidarizado à borda de ataque do corpo central fixo de asa 8, por exemplo ao nível da divisória dianteira 22, enquanto que o segundo elo de extremidade de corrente 38 é solidarizado ao revestimento de fechamento 28 do postigo. Para fazer isso, esse segundo elo 38 atravessa uma abertura 40 feita no revestimento dianteiro do corpo central fixo 8, a extensão dessa abertura sendo vantajosamente pequena em razão da concepção da corrente perfeitamente adaptada à natureza rotativa do deslocamento do postigo 16. A esse título, é notado que o movimento relativo de rotação do postigo 16 é efetuado de acordo com um eixo de rotação 42 desviado para baixo em relação à asa 4, esse eixo 42 sendo de preferência paralelo à direção de envergadura, e paralelo à árvore rotativa de acionamento 20 alojada no corpo fixo 8.
A concepção da corrente 30 portadora de cabos 32 vai agora ser descrita, em um primeiro tempo em referência às figuras 5 a 7.
Uma das particularidades da presente invenção consiste em prever que os elos centrais 34, de preferência a integralidade deles, sejam articulados uns aos outros de acordo com eixos de articulação 44 convergentes todos para um ponto único C, situado no eixo de rotação 42 do postigo móvel 16. Além disso, o eixo de articulação entre o primeiro elo de extremidade 36 e o primeiro elo central 34 da corrente passa também pelo ponto C, assim como o eixo de articulação entre o segundo elo de extremidade 38 e o último elo central 34.
Como está melhor visível nas figuras 5 e 6, os elos 34, 36, 38 são dispostos em uma superfície esférica 46 que tem como centro o ponto único C na direção do qual convergem os eixos de articulação 44, o que permite globalmente obter uma cinemática do movimento da corrente que se inscreve substancialmente nessa mesma superfície esférica 46. Em outros termos, quando o segundo elo de extremidade 38 é acionado pela colocação em movimento do postigo 16, todos os elos da corrente se deslocam em relação ao corpo fixo 8, ao mesmo tempo em que permanecem dispostos na superfície periférica 46 precitada, com exceção evidentemente do primeiro elo de extremidade 36 que permanece fixado na divisória dianteira 22 do corpo fixo 8. A título indicativo, na figura 6, a linha pontilhada 46 representa a circunferência da superfície esférica em um plano equador dessa última, o que explica em especial a razão pela qual os elos da corrente se situam radialmente na direção do interior em relação a essa linha.
A cinemática da corrente 30 é nesse caso extremamente próxima da cinemática do postigo 16, cuja trajetória de seu movimento em relação ao corpo fixo 8 é um arco de círculo 48, tal como está também mostrado na figura 6. Com relação a isso, é notado que a trajetória circular 48 do postigo 16 se inscreve em uma esfera 50 que dispõe do mesmo centro C que a superfície esférica 46, colocado no eixo de rotação 42. A trajetória 48 é baseada a partir de um ponto P tomado arbitrariamente no postigo 16, e que se encontra aqui na interface entre o revestimento de fechamento 28 do postigo, e o segundo elo de extremidade 38. Naturalmente, na vista tal como mostrada na figura 6, a trajetória de cada um dos pontos do postigo 16 é idêntica, e de qualquer modo inscrita em uma esfera de centro C de raio R2, que, no exemplo representado, é superior ao raio RI da superfície esférica 46 na qual se encontram e se deslocam os elos de corrente.
Assim, como mencionado acima, a trajetória 48 do postigo é disposta sobre a esfera 50 de centro C que corresponde ao ponto único na direção do qual convergem os eixos de articulação 44. No entanto, essa trajetória 48 não está necessariamente situada em um plano equador dessa esfera 50, mas pode ser disposta em qualquer plano que atravessa essa esfera de modo ortogonal ao eixo de rotação 42 que integra o centro C, como é aliás o caso no exemplo representado. De fato, na figura 6, a linha pontilhada 50 representa a circunferência da esfera 50 em um plano equador dessa última. A posição radial na direção do interior da trajetória 48 em relação à linha 50 mostra bem que ela não está situada em um plano equador da esfera, mas sim em um plano paralelo a esse último, e ortogonal ao eixo de rotação 42.
Conseqüentemente, deve ser compreendido que a posição da trajetória 48 sobre a esfera 50, assim como a posição dos elos sobre a superfície esférica 46, depende da posição do centro C no eixo de rotação 42, que pode ser escolhida livremente pelo projetista. Essa especificidade oferece uma ampla possibilidade de concepção para a corrente 30, que permite se adaptar do melhor modo possível às restrições de volume encontradas dentro do corpo fixo de asa 8.
A título indicativo, é notado que o fato de descentrar o ponto C no eixo de rotação 42, em relação à corrente 30, permite inclinar essa corrente em relação à direção da envergadura da asa, o que pode proporcionar uma vantagem notável em função da arquitetura interna encontrada para o corpo 8.
Em referência mais precisamente à figura 7 que mostra uma vista de cima, a corrente 30 em traços cheios representa sua posição tal como ocupada quando o postigo 16 está recolhido. Como será detalhado abaixo, os batentes observados entre os elos permitem obter uma corrente autoestável, que não pode portanto mudar de configuração enquanto seu segundo elo de extremidade 38 não foi posto em movimento pelo postigo 16. Assim, os riscos de entrar em contato com as paredes da passagem 35 que ela atravessa são quase reduzidos a nada.
Nessa posição e em vista de cima, a corrente autoestabilizada 30 que leva os cabos 32 toma substancialmente a forma de um U. Mais precisamente, ela compreende uma primeira porção substancialmente retilínea 54, iniciada a partir do primeiro elo de extremidade 36, e que prossegue por uma pluralidade de elos centrais adjacentes 34, dispostos em uma continuidade linear uns dos outros. Em sua outra extremidade, essa porção retilínea 54 é seguida por uma parte curva 56, constituída por uma pluralidade de elos centrais adjacentes 34, inclinados uns em relação aos outros. A inclinação entre dois elos 34 quaisquer diretamente consecutivos é de preferência regular de maneira a obter a forma curva desejada, essa inclinação sendo por outro lado fixada de maneira a que a solicitação dos cabos 32, alojados dentro desses elos, não seja superior àquela que eles são capazes de suportar, notadamente no que diz respeito a seu limite em flexão.
Com relação a isso, a amplitude de pivotamento relativo entre dois elos quaisquer 34 e diretamente consecutivos, que é limitada por um sistema de batentes que será explicitado abaixo, é de preferência da ordem de 30° ou inferior, a partir de uma posição na qual os dois elos 34 em questão estão no alinhamento um do outro. Além disso, o sentido desse pivotamento é sempre o mesmo quaisquer que sejam os elos considerados, o que permite notadamente obter uma porção curva 56 em forma de semicírculo.
Essa porção 56 é então seguida por uma segunda porção substancialmente retilínea 58 terminada por um segundo elo de extremidade
38, e, no modo de realização preferido representado, constituída unicamente por esse elo de extremidade 38 que dispõe de um comprimento amplamente superior àquele dos outros elos 34, 36, que o toma assimilável a um braço.
Quando o postigo móvel 16 é colocado em rotação em tomo do eixo 42, com o auxílio do mecanismo 17, o elo de extremidade 38 é colocado em movimento de acordo com a mesma trajetória, acionando com ele o conjunto dos elos centrais 34 que se deslocam sobre a superfície esférica 46, mostrada na figura 6. Nessa mesma figura que mostra a corrente 30 vista na direção do eixo de rotação 42, os elos 34, 36, 38 das duas porções retilíneas 54, 58 se confundem parcialmente. Além disso, é possível perceber que a trajetória da corrente, ainda vista sob o ângulo indicado acima, quase pode se sobrepor à trajetória 48 do postigo, o que ilustra efetivamente a grande semelhança entre a cinemática real da corrente 30, e aquela do postigo 16. E essa característica em especial que permite prever uma abertura 40 de pequena extensão na parte dianteira do corpo fixo 8, favorável a um bom rendimento aerodinâmico.
De retomo à figura 7, quando o elo de extremidade 38 é colocado em movimento, o último elo central 34 da primeira porção retilínea 54 é pivotado progressivamente em relação ao penúltimo elo 34 dessa mesma porção retilínea 54, até que a amplitude de pivotamento máxima seja atingida entre esses dois elos centrais 34. A partir desse instante, o último elo central 34 que até então só pivotava em relação ao penúltimo elo 34, e, de maneira mais geral, em relação à superfície esférica 46 considerada fixa em relação ao corpo 8, é em seguida colocado em movimento em relação a essa mesma superfície esférica 64, com os elos seguintes da porção curva 56 que ele acaba de integrar.
Simultaneamente, quando o elo de extremidade 38 é colocado em movimento, assimilável a uma translação em vista de cima, o último elo central 34 da porção curva 56 é pivotado progressivamente em relação ao último elo da segunda porção substancialmente retilínea 58, a saber o segundo elo de extremidade 38, até que um alinhamento seja obtido entre os dois elos em questão, inicialmente pivotados um em relação ao outro de acordo com a amplitude máxima. A partir desse instante, o elo central em questão 34 é parte integrante da segunda porção substancialmente retilínea 58, e se encontra portanto acionado segundo uma trajetória circular idêntica àquela do segundo elo de extremidade 38.
A disposição proposta permite portanto apresentar uma primeira e uma segunda porções retilíneas 54, 58 que permanecem substancialmente paralelas e a igual distância no decorrer do movimento da corrente 30, por ocasião da extensão / do recolhimento do postigo móvel 16, de modo que a cinemática da corrente 30 é perfeitamente controlada e autoestabilizada a cada instante.
Em referência agora à figura 8, é possível perceber que um dos elos centrais 34 da corrente 30, esse último definindo a título de exemplo vários alojamentos adjacentes 60 de passagem de cabo, cada um deles desembocando de um lado e de outro do elo 34, na direção da corrente. Assim, cabos que passam por esses alojamentos 60 são protegidos pelas duas placas laterais 62 paralelas e opostas do elo, o que reduz bastante os riscos de dano mecânico desses cabos, e reduz a exposição aos agentes atmosféricos externos. Com uma tal configuração preferida, é considerado que os cabos elétricos 32 são localizados e protegidos “no interior” da corrente de sustentação.
O elo 34 dispõe de uma extremidade macho 64 e de uma extremidade oposta fêmea 66 complementar dessa última, ficando naturalmente entendido que a extremidade macho de um elo qualquer da corrente é destinada a operar junto com a extremidade fêmea do elo direção consecutivo, e inversamente.
A extremidade macho 64 compreende dois piões de articulação 68 (um só estando visível em razão da vista em perspectiva) dispostos de acordo com o eixo 44, o primeiro sendo previsto no alto do elo sendo saliente para cima a partir de um aprofundamento 70, e o segundo sendo previsto na parte de baixo do elo sendo saliente para baixo a partir de um aprofundamento análogo. Cada aprofundamento 70 é limitado por uma primeira superfície de batente 72, e uma segunda superfície de batente 74.
A extremidade fêmea 66 compreende no que lhe diz respeito dois orifícios de articulação 76 dispostos de acordo com o eixo 44, o primeiro sendo previsto na parte de cima do elo em um flanco 78, e o segundo sendo previsto do mesmo modo em um flanco 78, colocado na parte de baixo do elo. Cada flanco 78 apresenta uma primeira superfície de batente 80, e uma segunda superfície de batente 82.
Assim, como está visível na figura 9 que mostra um conjunto 100 que compreende a corrente 30 que aloja os cabos 32, os elos centrais 43 operam juntos dois a dois de maneira a que os piões 68 sejam alojados em seus orifícios correspondentes 76, a fim de definir os eixos de articulações 44. Por outro lado, para obter essa operação conjunta, os flancos 78 são posicionados em seus rasgos respectivos 70.
No que diz respeito aos dois primeiros elos alinhados 34, esses últimos fazem parte da primeira porção retilínea precitada, e são bloqueados em rotação um em relação ao outro por colocação em contato duas a duas das segundas superfícies de batente 74, 82, as primeiras superfícies de batente 72, 80 estando à distância umas das outras.
No que diz respeito aos dois últimos elos 34 pivotados da amplitude máxima um em relação ao outro, esses últimos fazem parte da porção curva precitada, e são bloqueados em rotação um em relação ao outro por colocação em contato duas a duas das primeiras superfícies de batente 72, 80, as segundas superfícies de batente 74, 82 estando à distância umas das outras.
No que diz respeito aos dois elos centrais 34 mostrados na figura 9, esses últimos são representados estando parcialmente pivotados um em relação ao outro, essa posição evolutiva sendo adotada durante a colocação em movimento da corrente 30 que leva a fazer passar o último elo central 34 da primeira porção retilínea, para a porção curva.
Nesse estágio, o contato entre as segundas superfícies de batente 74, 82 foi rompido. No entanto, em razão do fato de que a amplitude máxima de pivotamento entre esses dois elos ainda não foi atingida, as segundas superfícies de batente 74, 82 não estão ainda em contato.
A figura 10 mostra que o primeiro elo central 34 da primeira porção retilínea 54 pode ser montado de modo amovível no primeiro elo de extremidade 36, por exemplo por encaixe por pressão permitido pela presença de um entalhe 86 feito em cada flanco 78 e que desemboca no orifício de articulação associado 76. Assim, o pião de articulação 68 pode ser introduzido ou extraído de seu orifício de articulação associado 76 por deslizamento no entalhe 86 previsto para isso. Essa ligação mecânica é voluntariamente rompida por um operador quando o postigo deve ser desmontado do corpo central fixo de asa, por exemplo por razões de manutenção. Por outro lado, ela é automaticamente rompida depois de um choque em vôo sobre o postigo que leva à perda desse último, e isso com o objetivo de não danificar o corpo central fixo de asa que leva esse postigo.
Finalmente, as figuras 11 e 12 mostram a conexão do segundo elo de extremidade 38 em forma de braço, no revestimento de fechamento 28 do postigo, na proximidade de um alçapão de acesso 90 que permite manipular os cabos 32 provenientes dôo elo 38 e dispostos no compartimento 29 do postigo móvel 16. Na figura 11, como nas figuras 5 e 6, é possível perceber que o braço 38 tem globalmente uma forma curva, e mais especificamente uma forma circular, a fim de poder, ele também, permanecer na superfície esférica 46, por ocasião de sua colocação em movimento provocada pelo movimento do postigo 16.
Naturalmente, diversas modificações podem ser trazidas pelo profissional à invenção que acaba de ser descrita, unicamente a título de exemplos não limitativos. Com relação a isso, é notado que os postigos móveis que acabam de ser descritos fazem referência a postigos do tipo “slat” suscetíveis de ser estendidos com o auxílio de trilhos, mas que a invenção se 5 aplica também a qualquer outro postigo móvel, tal como aqueles do tipo “drop nose” que são simplesmente articulados na porção fixa da asa.
Claims (8)
- REIVINDICAÇÕES1. Asa de aeronave (4) que compreende um corpo central fixo de asa (8), assim como um postigo móvel de borda de ataque (16) destinado a ser deslocado em rotação em relação ao dito corpo central fixo segundo uma trajetória circular (48) que se inscreve em uma esfera (50) de centro (C), situado em um eixo de rotação (42) do postigo móvel de borda de ataque (16) em relação ao dito corpo central fixo de asa (8), a dita asa caracterizada pelo fato de que compreende por outro lado um conjunto (100) que compreende uma corrente (30) assim como pelo menos um cabo (32) levado pela dita corrente conectada fixamente em suas duas extremidades respectivamente ao corpo central fixo (8) e ao postigo móvel de borda de ataque (16), a dita corrente compreendendo elos (34, 36, 38) articulados uns nos outros de acordo com eixos de articulação (44) que convergem para o centro (C).
- 2. Asa (4) de acordo com a reivindicação 1, caracterizada pelo fato de que os ditos elos articulados (34, 36, 38) são dispostos em uma superfície esférica (46) que tem como centro o dito centro (C) na direção do qual convergem os ditos eixos de articulação (44).
- 3. Asa (4) de acordo com a reivindicação 1 ou a reivindicação 2, caracterizada pelo fato de que a amplitude de pivotamento relativo entre dois elos quaisquer (34), e diretamente consecutivos, é limitada por um sistema de batentes.
- 4. Asa (4) de acordo com a reivindicação 3, caracterizada pelo fato de que a amplitude de pivotamento relativo é inferior ou igual a 30°.
- 5. Asa (4) de acordo com uma qualquer das reivindicações precedentes, caracterizada pelo fato de que a dita corrente (30) apresenta, em vista de cima e qualquer que seja a posição do dito postigo móvel de borda de ataque (16) em relação ao corpo central fixo de asa (8), uma primeira porção substancialmente retilínea (54) iniciada a partir de um primeiro elo de extremidade de corrente (36) montado fixamente no dito corpo central fixo de asa (8), uma parte curva (56), assim como uma segunda porção substancialmente retilínea (58) terminada por um segundo elo de extremidade de corrente (38) montado fixamente no dito postigo móvel de borda de ataque (16).5
- 6. Asa (4) de acordo com a reivindicação 5, caracterizada pelo fato de que a dita parte curva (56) forma substancialmente uma porção de círculo em vista de cima.
- 7. Asa (4) de acordo com uma qualquer das reivindicações precedentes, caracterizada pelo fato de que a dita corrente (30) leva um ou10 vários cabos elétricos (32).
- 8. Asa (4) de acordo com uma qualquer das reivindicações precedentes, caracterizada pelo fato de que a dita corrente (30) leva um ou vários cabos elétricos (32) de alimentação de um sistema de degelo (27) integrado do postigo móvel de borda de ataque (16).
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