BRPI0713061A2 - aplicação em alta freqüência de componente neurotóxico de toxina butolìnica - Google Patents

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BRPI0713061A2
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Reiner Benecke
Dirk Dressler
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Abstract

APLICAçãO EM ALTA FREQüêNCIA DE COMPONENTE NEUROTóXICO DE TOXINA BOTULINICA. A presente invenção refere-se a métodos para tratar doenças e distúrbios através de administração de uma composição contendo o componente neurotóxico de um complexo de toxina Clostridium botullnum, em que a composição é desprovida de qualquer outra proteína do complexo de toxina Clostridium botulínum e em que a composição é administrada em pequenos intervalos e/ou em elevadas doses.

Description

Relatório Descritivo da Patente de Invenção para "APLICAÇÃO EM ALTA FREQÜÊNCIA DE COMPONENTE NEUROTÓXICO DE TOXINA BOTULÍNICA".
CAMPO DA INVENÇÃO
A presente invenção refere-se a métodos para tratar doenças e distúrbios através de administração de uma composição contendo o compo- nente neurotóxico de um complexo da toxina de Clostridium botulinum, em que a composição é destituída de qualquer outra proteína do complexo da toxina de Clostridium botulinum e em que a composição é administrada em pequenos intervalos e/ou em elevadas doses.
Mais particularmente, a presente invenção refere-se a um méto- do de tratamento de uma doença ou condição causada por ou associada à inervação colinérgica hiperativa de músculos ou glândulas exócrinas em um paciente, o método compreendendo administração de uma composição com- preendendo uma quantidade eficaz de um componente neurotóxico de um complexo de toxina de Clostridium botulinum, a composição sendo desprovi- da de qualquer outro componente de proteína do complexo de toxina de Clostridium botulinum, em que (a) o paciente é um ser humano, (b) a com- posição é administrada através de injeção e (c) a composição é administrada a intervalos de menos de três meses, o intervalo compreendendo um primei- ro tratamento e um segundo tratamento, em que a quantidade administrada no segundo tratamento pode ser menor, maior ou idêntica à quantidade ad- ministrada no primeiro tratamento.
A presente invenção também refere-se a um método de trata- mento de uma doença ou condição causada por ou associada a uma ativi- dade patológica de um músculo em um paciente, o método compreendendo administração de uma composição compreendendo uma quantidade eficaz de um componente neurotóxico de um complexo de toxina de Clostridium botulinum, a composição sendo desprovida de qualquer outro componente de proteína do complexo de toxina de Clostridium botulinum, em que (a) o paciente é um ser humano com um distúrbio grave de movimento ou espas- ticidade grave; (b) a composição é administrada através de injeção e (c) a quantidade eficaz administrada excede a 500 U de componente neurotóxico em adultos ou excede 15 U/kg de peso corporal em crianças. Finalmente, a presente invenção refere-se também a um método de redução de linhas fa- ciais ou rugas da pele ou de remoção de assimetrias faciais, o método com- preendendo administração, a um indivíduo, de uma composição compreen- dendo uma quantidade eficaz de um componente neurotóxico de um com- plexo de toxina de Clostridium botulinum, a composição sendo desprovida de qualquer outro componente de proteína do complexo de toxina de Clos- tridium botulinum, em que (a) o indivíduo é um ser humano, (b) a composi- ção é administrada através de injeção subcutânea ou intramuscular ou pró- ximo de um ou mais músculos faciais ou músculos envolvidos na formação da ruga ou assimetria da pele e (c) a composição é administrada em um in- tervalo de menos de três meses, o intervalo compreendendo um primeiro tratamento e um segundo tratamento, em que a quantidade administrada no segundo tratamento pode ser menor, maior ou idêntica à quantidade admi- nistrada no primeiro tratamento. ANTECEDENTES DA INVENÇÃO
A toxina botulínica é produzida pela bactéria Clostridium. Exis- tem sete sorotipos antigenicamente distintos de toxina botulínica, isto é, toxi- na botulínica A, B, C, D, E, F e G. As toxinas de botulínicas, quando libera- das de culturas de Clostridium submetidas à lise, estão geralmente associa- das a outras proteínas bacterianas, as quais juntas formam um complexo de toxina. A subunidade neurotóxica desse complexo é referida aqui como o "componente neurotóxico" do complexo da toxina botulínica. Os termos "to- xina botulínica" ou "toxinas botulínicas" refere-sem a um componente neuro- tóxico desprovido de quaisquer outras proteínas clostridiais, mas também ao "complexo de toxina botulínica": ele é usado aqui em casos quando nenhu- ma discriminação entre os dois estados do componente neurotóxico é ne- cessária ou desejada. Este complexo usualmente contém as assim denomi- nadas proteínas adicionais "não-tóxicas", as quais foram referidas como "proteínas de formação de complexo" ou "proteínas bacterianas". O comple- xo de componente neurotóxico e proteínas bacterianas é referido como "Complexo de toxina de Clostridium botulinum " ou "complexo de toxina bo- tulínica ". O peso molecular desse complexo pode variar de cerca 300.000 a cerca de 900.000 Da. As proteínas de formação de complexo são, por e- xempio, várias hemaglutininas. As proteínas desse complexo de toxina não são tóxicas em si, mas proporcionam estabilidade ao componente neurotóxi- co e são responsáveis pela toxicidade oral em intoxicações botulínicas. Dife- rentemente do complexo de toxina, o componente neurotóxico em sua forma isolada e pura, isto é, desprovida de quaisquer proteínas de formação de complexo de Clostridium, é lábil ao ácido e não resiste ao ambiente agressi- vo no trato gastrointestinal.
O componente neurotóxico do complexo de toxina botulínica é inicialmente formado como uma única cadeia polipeptídica tendo, no caso do sorotipo A, um peso molecular de aproximadamente 150 kDa. Em outros sorotipos, foi observado que o componente neurotóxico varia entre cerca de 145 e cerca de 170 kDa, dependendo da fonte bacteriana. No caso do soro- tipo A, por exemplo, processamento proteolítico do polipeptídeo resulta em um polipeptídeo ativado na forma de uma dicadeia polipeptídica, consistindo em uma cadeia pesada e uma cadeia leve, as quais são ligadas por uma ligação de dissulfeto. Em seres humanos, a cadeia pesada medeia a ligação a terminais nervosos colinérgicos pré-sinápticos e internalização da toxina na célula. Acredita-se que a cadeia leve seja responsável pelos efeitos tóxi- cos, atuando como zinco-endopeptidase e clivando proteínas específicas responsáveis pela fusão de membrana (complexo SNARE) (veja, por exem- plo, Montecucco C, Shiavo G., Rosetto O: The mechanism of action of teta- nus and botulinum neurotoxins. Arch Toxico!. 1996; 18 (Supl.): 342-354)). Através de ruptura do processo de fusão de membrana dentro das células, toxinas botulínicas previnem a liberação de acetilcolina na fissura sináptica. O efeito global da toxina botulínica na junção neuromuscular é interromper a transmissão neuromuscular e, na verdade, desenervar músculos. Toxina botulínica também tem atividade em outras sinapses colinérgicas periféricas, provocando uma redução de salivação ou sudorese.
Cada sorotipo de toxina botulínica se liga a sítios receptor de so- rotipo-específicos sobre terminais nervosos pré-sinápticos. A especificidade da toxina botulínica por neurônio colinérgico é baseada na alta afinidade da cadeia pesada pelos sítios de receptor sobre esses terminais nervosos (Ref.: Katsekas S., Gremminloh G., Pich E.M.: Nerve terminal proteins; to fuse to learn. Transneuro Science 1994; 17: 368-379).
A despeito de seus efeitos tóxicos, o complexo de toxina botulí- nica tem sido usado como um agente terapêutico em um grande número de doenças. O sorotipo A de toxina botulínica foi aprovado para uso humano nos Estados Unidos em 1989 para o tratamento de estrabismo, blefaros- pasmo e outros distúrbios. Ele está comercialmente disponível como com- plexo de proteína de toxina botulínica A, por exemplo, sob a marca comercial BOTOX (Allergan Inc.) ou sob a marca comercial DYSPORT (lpsen Ltda). Para aplicação terapêutica, o complexo é diretamente injetado no músculo a ser tratado. Em pH fisiológico, a toxina é liberada do complexo de proteína e o efeito farmacológico desejado acontece. O efeito de toxina botulínica é apenas temporário, a qual é a razão pela qual administração repetida de to- xina botulínica pode ser requerida para manter um efeito terapêutico. Em uma série de casos, resistência à toxina botulínica foi observada após admi- nistração repetida do complexo de proteína de toxina botulínica. Os pacien- tes desenvolveram níveis relevantes de anticorpos de neutralização dirigidos contra o componente neurotóxico e bloquearam sua atividade (Goschel H, Wohlfarth K, Frevert J, Dengler R1 Bi-galke H. (1997) Exp Neurol, Set. de 1997; 47(1): 96-102.). Como um resultado, terapia com complexo de toxina botulínica não é mais eficaz nesses pacientes (usando, por exemplo, Botox ou Dysport). Aplicações subseqüentes de medicamentos de toxina botulínica , tais como Botox ou Dysport, é ineficaz. A titulação de anticorpo pode dimi- nuir se o tratamento com complexos de proteína de toxina botulínica for sus- penso. Contudo, a duração para a qual o tratamento tem de ser suspenso pode ser longa (veja, por exemplo, Dressier D, Bigalke H (2002) Botulinum toxin antibody titres after cessation of botulinum toxin therapy. Mov Disord 17: 170-173).
Inicialmente, a resistência ao complexo de toxina botulínica foi considerada incomum. Relatórios subseqüentes sugeriram uma freqüência de aproximadamente 5% de falha de terapia anticorpo-induzida de terapia com toxina botulínica em pacientes tratados de distonia cervical (Ref: Kess- ler KR1 Skutta M, Benecke R., Long-term treatment of cervical dystonia with botulinum toxin A: efficacy, safety and antibody frequency. German Dystonia Study Group. J NeuroL Abril de 1999; 246(4): 265-74). Essa observação foi baseada em avaliações retrospectivas de pacientes em um único local. Re- centemente, contudo, uma incidência muito mais freqüente tem sido reporta- da, sugerindo que aproximadamente 20 % dos indivíduos tratados são afe- tados (Ref.: The Muscular Nerve, Maio de 2004, página 630). Geralmente, acredita-se que o risco de falha de terapia anticorpo-induzida está fortemen- te correlacionada à dose única administrada da toxina botulínica.
Acredita-se que proteínas contidas no complexo podem reforçar a resposta imune. Outro fator de risco para falha completa de terapia anti- corpo-induzida de terapia com toxina botulínica é o intervalo de interinjeção, isto é, o intervalo entre séries subseqüentes de injeção. Portanto, é prática comum administrar toxina botulínica apenas uma única vez a cada três me- ses para reduzir o risco de formação de anticorpo. Pacientes nos quais o efeito da administração de botulina deixa de existir anteriormente podem ser tratados através de medicamentos orais. A eficácia dessas medicações o- rais, contudo, é limitada.
Outros efeitos desvantajosos dos complexos de proteína de to- xina botulínica é a sua disseminação regional ou sistêmica após injeções nos músculos-alvo. Eletromiografia de uma única fibra (SF-EMG) mostrou titulação aumentada em músculos distantes do local de injeção. Por exem- plo, Alny e outros, 1988 (Alny R.K., Aminoff M.J., Gelb D.J., Lowenstein D.H.: Myomuscular effects distant from the site of botulinum neurotoxin injec- tion. Neurology 1988; 38: 1780-1783) mostrou que pacientes tratados atra- vés de injeção nos músculos do pescoço têm titulação e densidade de fibra aumentadas em músculos distantes do local de injeção. Essas anormalida- des retornam para o normal após aproximadamente três a seis meses. Outra evidência de disseminação sistêmica da toxina botulínica após injeção local é a ocorrência de alterações em reflexos cardiovasculares e pressão san- güínea (Ret: Alny R.K., Aminoff M.J., Gelb D.J., Lowenstein D.H.: Myomus- cular effects distantfrom the site of botulinum neurotoxin injection. Neurology 1988; 38: 1780-1783).
Em alguns pacientes, a administração de complexo de proteína de toxina botulínica em altas doses pode afetar músculos não destinados ao tratamento. Por exemplo, quando de tratando de blefarospasmo com um complexo de proteína de toxina botulínica, a disseminação pode afetar o músculo de abertura da pálpebra, causando ptose.
Portanto, não apenas o risco de formação de anticorpo, mas também o risco de disseminação sistêmica tornam necessário administrar a toxina botulínica em doses comparativamente baixas e, assim, potencial- mente menos eficazes. Conseqüentemente, os médicos são fortemente a- conselhados a administrar BOTOX ou DYSPORT não mais freqüentemente do que uma vez a cada três meses. Isso se aplica, em particular, a pacientes que requerem doses altas de toxina botulínica.
Em vista do acima, é um objetivo da invenção proporcionar um tratamento para pacientes afetados pelos distúrbios mencionados aqui, que permite a administração de uma preparação terapêutica de toxina botulínica em intervalos reduzidos e/ou usando doses comparativamente altas. Uma vez que preparações terapêuticas de toxina botulínica têm de ser aplicadas em tecidos-alvo específicos (por exemplo, músculos ou glândulas específi- cas), é um requisito importante que sua disseminação para o tecido vizinho seja limitada. Um requisito final, mas não menos importante, é uma antigeni- cidade reduzida da preparação terapêutica de toxina botulínica. É também um objetivo da invenção proporcionar métodos para tratamento de uma do- ença associada a um músculo espástico ou distônico com um medicamento adequado em intervalos flexíveis e/ou freqüentes. Outro objetivo da invenção é proporcionar um tratamento cosmético usando o fármaco em intervalos freqüentes com um risco reduzido de formação de anticorpo e/ou dissemina- ção sistêmica reduzida.
Conseqüentemente, a presente invenção refere-se a um método de tratamento de uma doença ou condição causada por ou associada à iner- vação coiinérgica hiperativa de músculos ou glândulas exócrinas em um pa- ciente, o método compreendendo administração de uma composição com- preendendo uma quantidade eficaz de um componente neurotóxico de um complexo de toxina de Clostridium botulinum, a composição sendo desprovi- da de qualquer outro componente de proteína do complexo de toxina de Clostridium botulinum, em que (a) o paciente é um ser humano, (b) a com- posição é administrada através de injeção e (c) a composição é administrada em um intervalo de menos de três meses, o intervalo compreendendo um primeiro tratamento e um segundo tratamento, em que a quantidade admi- nistrada no segundo tratamento pode ser menor, maior ou idêntica à quanti- dade administrada no primeiro tratamento.
É notável que o conceito da presente invenção, que envolve a administração do componente neurotóxico do complexo de toxina botulínica, geralmente permite o tratamento de qualquer condição a qual está associa- da à inervação coiinérgica hiperativa de um músculo ou uma glândula exó- crina, em que o componente neurotóxico bloqueia a secreção de acetilcolina na fissura sináptica. Portanto, o tratamento oferecido pela presente invenção pode ser dirigido a qualquer uma das seguintes indicações, a maioria das quais são descritas em detalhes em Dressier D (2000) (Botulinum Toxin The- rapy. Thieme Verlag, Stuttgart, New York):
distonia distonia craniana blefarospasmo distonia oromandibular do tipo com abertura mandibular do tipo com fechamento mandibular bruxismo
síndrome de Meige distonia Iingual apraxia de abertura da pálpebra distonia cervical antecolo retrocolo Iaterocolo torcicolo
distonia faringeal, distonia Iaringeal
do tipo distonia espasmódica / adutor
do tipo distonia espasmódica/abdutor
distonia de membros
distonia de braço
distonia tarefa-específica
câimbras de escritor
câimbras de músicos
câimbras de golfista
distonia de perna
adução da coxa, abdução da coxa
flexão do joelho, extensão de joelho
flexão do tornozelo, extensão de tornozelo
deformidade equinovarus
distonia dos pés
dedos do pé estriatais,
flexão dos dedos do pé
extensão dos dedos do pé
distonia axial
síndrome de Pisa
distonia de dançarino de balé
distonia segmentária
hemidistonia
distonia generalizada
distonia em lubag
distonia em degeneração córtico-basal distonia em lubag distonia tardia
distonia em ataxia espino-cerebelar
distonia em mal de Parkinson
distonia em doença de Huntington
distonia em doença de Hallervorden Spatz
discinesias dopa-induzidas/distonia dopa-induzida
discinesias tardias/ distonia tardia
discinesias/distonias paroxísmicas
cinesiogênica
não-cinesiogênica
ação-induzida
mioclonus palatal
mioclonus
mioquimia
rigidez
câimbras musculares benignas
tremores de queixo hereditários
atividade muscular paroxísmica da mandíbula
espasmos hemimastigatórios
miopatia branquial hipertrófica
hipertrofia mesentérica
hipertrofia do tibialis anterior
nistagmo
oscilopsia
paralisia de Gaze supranuclear
epilepsia parcial contínua
planejamento de operação de torcicolos espasmódicos
paralisia de corda vocal abdutora
disfonia mutacional recalcitrante
disfunção do esfíncter esofageal superior
granuloma da prega vocal
gaguejamento síndrome de Gilles de Ia Tourette mioclonus da orelha mediana fechamento protetor da Iaringe falha da fala pós-laringectomia ptose protetora dobra interna das pálpebras disfunção do esfíncter de Odii pseudoacalasia
distúrbios motores esofageais sem acalsia vaginismo
imobilização pós-operatória tremor
disfunção da bexiga
dis-sinergia do esfíncter detrusor
espasmo do esfíncter da bexiga
espasmo hemifacial
discinesias de reinervação
uso cosmético
pé em garra
rugas na testa
assimetrias faciais
covas na testa
síndrome da pessoa rígida
tétano
hiperplasia da próstata
tratamento de adipositas
paralisia cerebral infantil
estrabismo
misto
paralítico
concomitante
após cirurgia de descolamento retinal após cirurgia de catarata
em apaquia
estrabismo miosítico
estrabismo miopático
desvio vertical dissociado
como um adjunto em cirurgia de estrabismo
esotropia
exotropia
acalasia
fissuras anais
hiperatividade da glândula exócrina
síndrome de Frey
síndrome de lágrimas de crocodilo
hiperidrose
axilar
palmar
plantar
rinorréia
hipersalivação relativa em derrame em mal de Parkinson em esclerose lateral amiotrófica condições espásticas em encefalite e mielite processos auto-imunes esclerose múltipla mielite transversa síndrome de Devic infecções virais infecções bacterianas infecções parasíticas infecções fúngicas em parapareses espásticas hereditárias síndrome pós-apoplética enfarte hemisférico enfarte do tronco cerebral enfarte do coluna espinhal
em trauma do sistema nervoso central lesões hemisféricas lesões do tronco cerebral lesão do coluna espinhal em hemorragia do sistema nervoso central
hemorragia intracerebral hemorragia subaracnoidal hemorragia subdural hemorragia intra-espinhal em neoplasias
tumores hemisféricos tumores do tronco cerebral tumores do coluna espinhal
A toxina botulínica é obtenível, por exemplo, através de cultura de bactérias Clostridium. A espécie Clostridium preferida da presente inven- ção é Clostridium botulinum. Contudo, é importante notar que o componente neurotóxico pode ser derivado de qualquer outra espécie bacteriana, contan- to que essa seja um homólogo funcional do componente neurotóxico deriva- do de Clostridium botulinum. A composição usada nos métodos da presente invenção sempre conterá o componente neurotóxico desprovido de quais- quer outras proteínas de Clostridium botulinum. Contudo, quando de produ- ção do componente neurotóxico, a toxina pode ser isolada das bactérias como um complexo contendo o componente neurotóxico, isto é, a proteína responsável pelo efeito tóxico em seres humanos e outras proteínas bacteri- anas. Subseqüentemente, o componente neurotóxico pode ser purificado do complexo de toxina. Conforme usado aqui, os termos "complexo de toxina" ou " complexo da toxina botulínica" ou "complexo da neurotoxina botulínica" são permutáveis e refere-sem a um complexo de elevado peso molecular compreendendo o componente neurotóxico de aproximadamente 150 kDa e, além disso, proteínas não-tóxicas de Clostridium botulinum, incluindo hema- glutinina e proteínas de não-hemaglutininas (Sakaguchi 1983; Sugiyama 1980).
A presente invenção considera o tratamento de pacientes carac- terizados por terem uma doença associada à inervação colinérgica hiperati- va de músculos ou glândulas exócrinas. O termo "paciente", conforme usado aqui, refere-se a pacientes que nunca foram expostos à toxina botulínica, mas também a pacientes que foram expostos à toxina botulínica. O último paciente pode ter desenvolvido anticorpos dirigidos contra o complexo da toxina botulínica ou seus componentes. Tais anticorpos podem ser anticor- pos de neutralização. De preferência, os pacientes não têm uma titulação de anticorpo acima de 7 mU, em particular uma titulação de anticorpos de neu- tralização acima de 7 mU. O termo "titulação de anticorpo não acima de ..." significa menos que 7 mU, por exemplo, 1 mU a 6 mU ou 0,01 mU a 1 mU.
O termo "inervação colinérgica hiperativa", conforme usado aqui, refere-se a uma sinapse, a qual é caracterizada por uma quantidade rara- mente alta de liberação de acetilcolina na fissura sináptica. "Raramente alta" refere-se a um aumento de até 25%, até 50% ou mais com relação a uma atividade de referência a qual pode ser obtida, por exemplo, através de comparação da liberação com a liberação em uma sinapse do mesmo tipo, mas a qual não está em um estado hiperativo, em que distonia muscular po- de ser indicativa do estado hiperativo. "Até 25%" significa, por exemplo, cer- ca de 1% a cerca de 25%. Os métodos para realizar as medições requeridas são conhecidos na técnica.
O termo "cerca de", conforme usado no contexto da presente in- venção, significa "aproximadamente" ou "quase". No contexto de valores numéricos, sem estar limitado a uma definição numérica, o termo pode ser construído para estimar um valor que é +/-10% do valor ou faixa indicada.
Os termos "componente neurotóxico" ou "componente de neuro- toxina", conforme usado ao longo da especificação, refere-se à subunidade do complexo de toxina botulínica a qual tem uma atividade neurotóxica e a qual tem um peso molecular de aproximadamente 150kDa no sorotipo A. O termo "componente neurotóxico" também inclui homólogos funcionais encon- trados em outros sorotipos de Clostridium botulinum. Em uma modalidade preferida da presente invenção, o componente neurotóxico é desprovido de qualquer outra proteína de C. botulinum, de preferência também de RNA potencialmente associado ao componente neurotóxico. O componente neu- rotóxico pode ser a proteína precursora de cadeia única de aproximadamen- te 150 kDa ou o componente neurotóxico proteoliticamente processado, compreendendo a cadeia leve (Lc) de aproximadamente 50 kDa e a cadeia pesada (Hc) de aproximadamente 100 kDa, as quais podem ser ligadas por uma ou mais ligações de dissulfeto (para uma revisão, veja, por exemplo, Simpson LL, Ann Rev Pharmacol Toxicol. 2004; 44: 167-93). Aqueles versa- dos na técnica apreciarão que atividade biológica total é obtida somente a- pós ativação proteolítica, mesmo embora seja concebível que o precursor não processado pode exercer algumas funções biológicas ou ser parcial- mente ativo. "Atividade biológica" refere-se a (a) uma ligação a receptor, (b) internalização, (c) translocação através da membrana endossômica no cito- sol e/ou (d) clivagem endoproleolítica de proteínas envolvidas em fusão de membrana da vesícula sináptica. Ensaios in vitro para avaliação de atividade biológica incluem o ensaio de LD50 de rato e o rato de hemidiafragma de camundongo, conforme descrito por Pearce LB, Borodic GE1 First ER, Mac- Callum RD (1994) (Measurement of botulinum toxin activity: evaluation of the lethality assay. Toxicol Appl Pharmacol 128: 69-77) e Dressier D, Lange M, Bigaike H (2005) (The mouse diaphragm assay for detection of antibodies against botulinum toxin type B. Mov Disord 20: 1617-1619).
A atividade biológica é comumente expressa em Unidades de Camundongo (MU). Conforme usado aqui, 1 MU é a quantidade de compo- nente neurotóxico, a qual mata 50% de uma população de camundongo es- pecificada após injeção intraperitoneal, isto é, a LD5O i-P· de camundongo (Schantz & Kauter, 1978). Os termos "MU" e "Unidade" ou "U" são permutá- veis. Alternativamente, a atividade biológica pode ser expressa em Unidades de Dose Letal (LDU)/ng de proteína (isto é, componente neurotóxico). O termo "MU" é usado aqui permutavelmente com os termos "U" ou "LDU".
O termo "quantidade eficaz" significa uma quantidade de com- ponente neurotóxico a qual, após administração, resulta em uma remoção parcial ou completa de sintomas da doença. Quantidades eficazes estão ge- ralmente na faixa de 1 a 2000 MU, mas também doses de até 5000 MU po- dem ser usadas. Quando doses altas de componente neurotóxico têm de ser administradas a um paciente, pode ser benéfico dividir o tratamento em mais de uma sessão de tratamento. O termo "mais de uma sessão de tratamento" significa, por exemplo, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 sessões de tratamento.
De preferência, o componente neurotóxico usado nos métodos da presente invenção é purificado de uma cultura de C. botulinum. Métodos para cultura de C. botulinum e purificação do complexo de toxina do mesmo foram descritos na técnica (Revisto em Schantz & Kauter, 1978. Microbioio- gical methods. Standardized assay for Clostridium botulinum neuro-toxins. J Assoc Of Anal Chem 1978; 61(1): 96-99). O componente neurotóxico pode ser purificado de C. botulinum essencialmente conforme descrito no método de DasGupta & Sathyamoorthy ((DasGupta BR, Sathyamoorthy V. Purificati- on and amino acid composition of type A botulinum neurotoxin. Toxicon. 1984; 22(3): 415-24). Para essa finalidade, Clostridium botulinum do tipo A é cultivado, por exemplo, em um fermentador de 20 L em um meio consistindo em peptona de proteose a 2%, extrato de Ievedo a 1%, glicose a 1% e tiogli- colato de sódio a 0,05%. Após crescimento durante 72 horas, a toxina é pre- cipitada através da adição de ácido sulfúrico a 3 N (pH final = 3,5). A bio- massa precipitada e centrifugada é extraída com tampão de fosfato de sódio a 0,2 M em um pH de 6,0. Após remoção dos ácidos nucleicos através de precipitação com sulfato de protamina, a toxina é precipitada através da adi- ção de sulfato de amônio. O precipitado o qual foi solubilizado e submetido à diálise contra fosfato de sódio a 50 mM em um pH de 6,0 é ligado a uma co- luna DEAE-Sephadex® no mesmo pH e eluído com NaCI a 150 mM. Isso é seguido por uma cromatografia em uma coluna QAE-Sephadex® a qual foi equilibrada com um tampão de Tris/HCI a 50 Mm, pH de 7,9. A toxina é eluí- da via um gradiente de NaCl. Na última etapa, a toxina é cromatografada em SP-Sephadex® em um pH de 7,0. Neste caso, a toxina ligada é eluída da coluna usando um gradiente de NaCl (0-300 mM). A toxina purificada é ana- lisada através de eletroforese em gel de SDS-poliacrilamida (SDS-PAGE) e exibe geralmente uma pureza de 95+/-5%.
Neurotoxinas botulínicas, em particular o complexo de toxina descrito acima, foi anteriormente classificado em sete tipos sorologicamente distintos A, B, C, D, E, F e G. Em anos recentes, populações distintas dos sorotipos A- (A1 e A2) e C- (C1 e C2) foram identificados. Aqui, essas popu- lações são designadas como "subtipos".
O componente neurotóxico do sorotipo A é comercialmente dis- ponível sob a marca comercial XEOMIN da Merz Pharmaceuticals em uma composição que é desprovida de quaisquer outras proteínas do complexo de toxina de Clostridium botulinum.
Alternativamente, o componente neurotóxico usado nos méto- dos da presente invenção pode ser gerado através de expressão de gene recombinante. Para essa finalidade, uma rede de leitura aberta que codifica o componente neurotóxico ou um mutante do mesmo pode ser clonada em um vetor adaptado para expressão de gene em uma célula hospedeira de interesse. Métodos para expressão de gene recombinante e purificação de proteína são conhecidos por aqueles versados na técnica.
A molécula de ácido nucléico recombinante que codifica o com- ponente neurotóxico pode ser derivada de uma seqüência de ácido nucléico conhecida ou pode ser recombinada a partir de duas ou mais seqüências conhecidas através de técnicas recombinantes ou síntese química. Um e- xemplo de um componente neurotóxico quimérico é uma molécula gerada através de fusão, por exemplo, da cadeia leve de um primeiro sorotipo à ca- deia pesada de um segundo sorotipo do componente neurotóxico. Um e- xemplo de síntese química é a síntese química do componente neurotóxico inteiro.
Também incluídos são componentes neurotóxicos geneticamen- te modificados contendo 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10 ou até 20 mutações de aminoácido. Uma mutação pode ser uma substituição, uma inserção ou uma deleção. De preferência, a mutação não compromete qualquer uma das ati- vidades biológicas indicadas acima. Contudo, também é considerado usar mutações para modular a atividade biológica do componente neurotóxico.
Também incluídos são os componentes neurotóxicos de toxinas botulínicas contendo aminoácidos quimicamente modificados, por exemplo, um ou mais aminoácidos os quais são glicosilados, acetilados ou de outro modo modificados, os quais podem ser benéficos para a captação ou estabi- lidade da toxina. Particularmente preferida é a lipidação do componente neu- rotóxico. Modificação de resíduos pode ser adicionada ao componente neu- rotóxico, por exemplo, por meio de uma reação enzimática in vitro ou usando condições de reação química apropriadas. Alternativamente, modificação de funções enzimáticas pode ser proporcionada in trans através de expressão da enzima dentro da célula hospedeira.
Uso do método descrito acima permite aumentar significativa- mente a freqüência de tratamento sem induzir anticorpos de neutralização dirigidos contra o componente neurotóxico. A esse respeito, deverá ser no- tado que, antes da presente invenção, regimes de tratamento conhecidos evitavam vigorosamente a administração de toxina botulínica em intervalos de menos de três meses, uma vez que acredita-se que uma administração mais freqüente da toxina botulínica aumenta a probabilidade de induzir a uma resposta imune no paciente tratado. Os exemplos descritos aqui sus- tentam a noção de que o uso do componente neurotóxico ao invés do com- plexo de toxina botulínica pode evitar tais problemas.
Em uma modalidade preferida da presente invenção, o segundo tratamento é realizado de forma a melhorar o efeito de tratamento do primei- ro tratamento. Isso permitirá a administração de doses apropriadas de toxina botulínica mais eficazmente. Por exemplo, em uma primeira sessão de tra- tamento, uma dose subótima do componente neurotóxico pode ser adminis- trada. Caso os sintomas da doença do paciente não respondam suficiente- mente, mais componente neurotóxico pode ser administrado em um segun- do ou em sessão(ões) de tratamento subseqüente(s). Portanto, em vista do risco reduzido associado aos métodos da presente invenção, uma série de sessões de tratamento podem ser usadas de forma a se aproximar da dose ótima necessária para tratar eficazmente um paciente.
De acordo com a presente invenção, uma primeira e uma se- gunda e uma sessão de tratamento subseqüente podem ser esquematiza- das pelo menos um dia após uma sessão de tratamento precedente. O ter- mo "pelo menos um dia depois" significa, por exemplo, 1,2,3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 ou 10 dias ou 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11 ou 12 semanas. Contudo, tam- bém considera-se, pelo ensinamento da presente invenção, que o segundo tratamento é esquematizado apenas poucas horas após o primeiro tratamen- to, por exemplo, 2, 3, 4, 5, 6, 7 ou 8 horas depois.
Em uma modalidade preferida, o segundo tratamento (subse- qüente) é realizado em um ponto quando a eficácia do primeiro tratamento (anterior) começa a declinar. Com tal regime de tratamento, uma qualidade de vida estável para os pacientes pode ser obtida.
A determinação do parâmetro "qualidade de vida estável" para os pacientes é exemplificativamente descrita aqui abaixo através de referên- cia a uma condição a ser tratada de acordo com a presente invenção, nomi- nalmente blefarospasmo, baseado no chamado, índice de Incapacidade por Blefarospasmo (BSDI). O índice de Incapacidade por Blefarospasmo [BSDI] é uma escala de auto-avaliação para avaliação de deterioração de ativida- des específicas da vida diária causadas por BEB (Go-ertelmeyer R, Brink- mann S, Comes G, Delcker A, The Blepharospasm Disability Index (BSDI) for the Assessment of Functional Health in Focai Dystonia, Gin. Neurophysi- ol. 2002; 113(1): S77-S78).
A escala tem de ver respondida pelo paciente em cada visita. Ela inclui 6 itens a serem avaliados com uma listagem de 5 pontos (isto é, 0- 4 pontos por item), oscilando de "sem deterioração", "deterioração le- ve/moderada/grave" e "não mais possível em virtude de minha enfermidade". Os 6 itens são "Dirigir um veículo".. "Ler", "Assistir TV", "Fazer compras", "Caminhar" e "Fazer atividades todo dia". Diferentemente de outras escalas funcionais, as quais ignoram o aumento no caso de itens não aplicáveis, o BSDI permite responder como 'não aplicáveis 1 para cinco itens, exceto "Fa- zer atividades todo dia".
O escore médio no BSDI para itens que não faltam é calculado somando todos os itens aplicáveis e respondidos e dividindo pelo número de itens respondidos.
Contudo, tais parâmetros são avaliados para muitas outras do- enças e condições a serem tratadas dentro da presente invenção, por e- xemplo, o questionário de distonia crânio-cervical (CCDQ) para distonia cer- vical (Mueller J, Wissel J1 Kemmler G, Bodner T, Poewe W, Quality of Iife in patients with craniocervical dystonia: development of the CCDQ-24, Mov. Disord. 2000; 15 (Supl. 3): 761 e HRQL, pelo Swedish Short Form 36 Health Survey Questionnaire (SF-36) para espasticidade (Welmer AK1 von Arbin M, Widen Holmqvist L, Sommer-feld DK1 Spasticity and its association with func- tioning and health-related quality of Iife 18 months after stroke, Cerebrovasc. Dis. 2006; 21 (4): 247-253).
Em cada um do tratamento de reinjeção ou último tratamento do paciente, a diferença ABSDI entre a observação real de BSDI e o valor de BSDI na linha de base será calculada:
<formula>formula see original document page 20</formula>
O BSDIünha de base é determinado durante a primeira visita do pa- ciente a ser tratado e antes da primeira injeção do medicamento. O BSDIreai é determinado após a respectiva (re)-injeção do medicamento e 3 semanas depois, respectivamente.
Com base no valor de ABSDI registrado no primeiro tratamento, cada paciente será alocado a um de três grupos da seguinte forma:
• 1°C grupo (melhora moderada) -1,00 ≤ ΔBSDI ≤ -0,65
• 2°C grupo (melhora acentuada) -1,35 ≤ ΔBSDI ≤ -1,00
• 3°C grupo (eliminação dos sinais e sintomas) ΔBSDI < -1,35
Um paciente é classificado como um respondedor, isto é, o pa- ciente demonstra um nível estável de qualidade da vida, se nenhum dos va- lores de ABSDI calculados excede um Ac limítrofe. O valor de Ac limítrofe depende do grupo ao qual o paciente pertence. Os valores limítrofes são: <table>table see original document page 21</column></row><table>
Respondedores mostram uma redução de seu valor BSDI|inha de base e, portanto, uma melhora de seu estado de qualidade de vida. A magni- tude mínima da melhora é fornecida pelo Ac limítrofe. Os valores de Ac dimi- nuem com o número do grupo porque pacientes no grupo 2 mostram uma resposta mais forte à injeção inicial do que pacientes no grupo 1 (resultando em menores diferenças no BSDI) e pacientes no grupo 3 reagem ainda mais forte do que pacientes no grupo 2.
Finalmente, as diferenças observadas entre o nível de BSDI no dia de um tratamento de reinjeção e o nível de BSDI linha de base será ana- lisado para investigar se houve qualquer melhora com o passar do tempo no nível de qualidade de vida no momento de reinjeção (tempo esperado para passar o efeito do tratamento).
Os modos de administração acima especificados (e reivindica- dos) do medicamento, conforme usado dentro da presente invenção, usual- mente ficam a critério dos médicos que tratam os pacientes. Contudo, o mo- do de administração pode ser também parte da fabricação do medicamento pelo fato de que, por exemplo, a embalagem do medicamento contém um folheto especificamente adaptado com instruções para o médico e/ou o pa- ciente e/ou a embalagem é especificamente adaptada para permitir o modo de administração de acordo com a presente invenção.
Conforme usado por toda a especificação da presente invenção, o termo "quantidade total injetada por tratamento" refere-se à dosagem total e significa a soma de neurotoxina aplicada a um paciente durante um único tratamento. Um único tratamento pode envolver uma ou mais injeções. Por exemplo, o tratamento de M. sternocleidomastoideus, M. splenius capitis, M. semispinalis capitis e M. trapezius pode envolver 1, 2, 3, 4 ou 5 injeções, enquanto que o tratamento de M. Ievator scapulae ou M. scaleni pode envol- ver apenas 1 a 3 injeções. Conforme destacado aqui antes, a quantidade usada para tratamento é dependente de vários parâmetros os quais são co- nhecidos na técnica. Tais parâmetros incluem, por exemplo, o sorotipo do componente neurotóxico, o tecido-alvo a ser injetado e vários fatores especí- ficos do paciente. Considera-se, através do ensinamento da presente inven- ção, que um único tratamento pode ser dividido em duas ou mais sessões de tratamento, durante as quais a quantidade total mencionada acima de componente neurotóxico é administrada. Esse será particularmente o caso se grandes quantidades de componentes neurotóxicos têm de ser adminis- tradas.
Além disso, baseado nessa modalidade do método da presente invenção, será agora possível tratar mais eficazmente um paciente que pre- cisa de uma administração adicional do componente neurotóxico. Esse pode ser o caso, por exemplo, quando, após um primeiro ou tratamento prévio, é estabelecido que músculos adicionais contribuem para os sintomas da do- ença ou quando músculos tiverem sido esquecidos.
Em outra modalidade preferida da presente invenção, o paciente é um paciente que requer altas doses de componente neurotóxico. Em outra modalidade preferida da presente invenção, (a) o paciente é um paciente com um distúrbio grave de movimento ou espasticidade grave e (b) a quanti- dade eficaz administrada excede a 500 U de componente neurotóxico em adultos ou excede o peso corporal de 15 U/Kg em crianças.
Baseado na modalidade da presente invenção, é agora possível tratar pacientes com quantidades muito maiores de componente neurotóxico. Em pacientes adultos, tais quantidades podem, por exemplo, exceder a 500 U de componente neurotóxico.
Conforme usado por toda a presente invenção, uma quantidade excedendo a 500 U é, por exemplo, uma quantidade de mais de 500 U e até 550 U, até 600 U, até 700 U, até 800 U, até 900 U, até 1000 U, até 1100 U, até 1200 U, até 1300 U, até 1400 U, até 1500 U, até 1600 U, até 1700 U, até 1800 U, até 1900 U, ou até 2000 U. De preferência, a dose administrada es- tá na faixa de 500 a 900 U, mais preferível mente aproximadamente 850 U. Em crianças, "altas quantidades" significa quantidades excedendo a 15 U/kg e até 16 U/kg, até 17 U/kg, até 18 U/kg5 até 19 U/kg, até 20 U/kg. Em uma modalidade mais preferida da presente invenção, a quantidade que excede a 500 U é uma quantidade total em adultos ou peso corporal de 15 U/kg em crianças e a quantidade é administrada através de (a) injeção de uma primeira fração dessa quantidade durante uma primeira sessão de tratamento e (b) injeção da fração restante durante uma ou mais sessões de tratamento subseqüentes, em que a sessão de tratamento sub- seqüente é esquematizada pelo menos um dia após a primeira sessão de tratamento. A quantidade eficaz total de componente neurotóxico pode ser administrada no mesmo dia ou em dias diferentes, isto é, em sessões de tratamento diferentes. De preferência, quando altas quantidade altas de componente neurotóxico têm de ser administradas, a quantidade total a ser administrada pode ser dividida e administrada em duas ou mais sessões de tratamento. Dessa forma, grandes quantidades as quais, de outro não seri- am aceitas quando administradas em uma única sessão de tratamento, po- dem ser administradas a um paciente sem observar efeitos adversos signifi- cativos.
Em outra modalidade preferida da presente invenção, o paciente é um ser humano, que tenha sido tratado com toxina de Botulinum, mas que requer uma diminuição do efeito do tratamento e que requer tratamento an- tes de expirar os 3 meses após o tratamento.
Tais diminuições do efeito terapêutico podem ser monitoradas por calendários de tratamento nos quais o paciente registra a gravidade de seu distúrbio em uma base diária (tais calendários de tratamento são, por exemplo, distribuídos pela Merz Pharmaceuticals).
Em ainda outra modalidade preferida da presente invenção, a glândula hiperativa é uma glândula exócrina autonômica e a composição é injetada em ou próximo dessa glândula.
Em uma modalidade preferida, a glândula exócrina autônoma é (a) selecionada do grupo consistindo na glândula sudorípara, glândula Iacri- mal, glândula salivai e glândula mucosal; ou (b) uma glândula hiperativa que está associada a uma doença ou condição selecionada do grupo consistindo em síndrome de Frei, síndrome de Lágrimas de Crocodilo, hiperidrose axilar, hiperidrose palmar, hiperidrose plantar, hiperidrose da cabeça e pescoço, hiperidrose do corpo, rinorréia, ou hipersalivação relativa em pacientes com derrame, mal de Parkinson ou Esclerose Lateral Amiotrófica. Contudo, deve ser notado que o tecido-alvo de terapia do componente neurotóxico abrange qualquer glândula exócrina com hiperatividade. Conseqüentemente, consi- dera-se que a presente invenção pode ser aplicada ao tratamento envolven- do qualquer uma das glândulas mencionadas em Sobotta, Johannes: (Atlas der Anatomie des Menschen. 22. Auflage. Band 1 und 2. Urban & Fischer, 2005), o qual é incorporado aqui por referência.
A presente invenção também refere-se a um método de trata- mento de uma doença ou condição causada por ou associada à atividade patológica de um músculo em um paciente, o método compreendendo admi- nistração de uma composição compreendendo uma quantidade eficaz de um componente neurotóxico de um complexo de toxina de Clostridium botuli- num, a composição sendo desprovida de qualquer outro componente de pro- teína do complexo de toxina de Clostridium botulinum, em que (a) o paciente é ser humano com um distúrbio grave do movimento ou espasticidade grave; (b) a composição é administrada através de injeção; e (c) a quantidade efi- caz administrada excede a 500 U de componente neurotóxico em adultos ou excede a 15 U/Kg de peso corporal em crianças.
Em uma modalidade preferida da presente invenção, a quanti- dade a qual excede a 500 U é uma quantidade total em adultos ou 15 U/kg de peso de corpo em crianças e em que a quantidade é administrada atra- vés de (a) injeção de uma primeira fração dessa quantidade durante uma primeira sessão de tratamento e (b) injeção da fração restante durante uma ou mais sessões de tratamento subseqüentes, em que a sessão de trata- mento subseqüente é esquematizada pelo menos um dia após a primeira sessão de tratamento.
Em outra modalidade preferida da presente invenção, a compo- sição é administrada em um intervalo de menos de 3 meses, o intervalo compreendendo um primeiro tratamento e um segundo tratamento, em que a quantidade administrada no segundo tratamento pode ser menor, maior ou idêntica à quantidade administrada no primeiro tratamento.
Em ainda outra modalidade preferida da presente invenção, a doença ou condição é ou envolve distonia de um músculo. O termo "doença ou condição que é ou envolve distonia ou distonia de um músculo" refere-se a uma condição envolvendo um músculo distônico. De preferência, a condi- ção é selecionada do grupo consistindo em distonia generalizada, distonia segmentária, distonia focai, distonia multifocal e hemidistonia. Distonia focai é, de preferência, selecionada do grupo consistindo em distonia craniana, distonia cervical, distonia dos membros, distonia do tronco e disfonia espas- módica. Distonia cervical, também denominada torcicolo espasmódico, é caracterizada por hiperatividade muscular inapropriada involuntária em mús- culos do pescoço e o ombro, levando a movimentos e posturas anormais da cabeça, puxões ou tremor (Fahn S. Assessment of the Primary Dystonias. em: Munsat TL, editor. Quantification of Neurologic Déficit. Boston: Butter- worths; 1989. páginas 241-270. (ID 1760137)). Injeção do componente neu- rotóxico nos músculos afetados do pescoço e ombro leva a um alívio signifi- cativo dos sintomas na maioria dos pacientes.
Em uma modalidade mais preferida da presente invenção, a dis- tonia é (a) selecionada do grupo consistindo em (1) distonia craniana, inclu- indo blefarospasmo, distonia oromandibular do tipo com abertura da mandí- bula ou fechamento da mandíbula, bruxismo, síndrome de Meige, distonia lingual, apraxia de abertura da pálpebra, (2) distonia cervical, incluindo ante- colo, retrocolo, laterocolo, torcicolo, (3) distonia faringeal, (4) distonia Iarin- geal, incluindo disfonia espasmódica do tipo adutor ou do tipo abdutor, disp- néia espasmódica, (5) distonia de membros, incluindo distonia do braço, tais como distonias tarefa-específicos, incluindo câimbra do escritor, câimbras de músicos ou câimbras de golfista, distonia da perna envolvendo adução da coxa, abdução da coxa, flexão de joelho, extensão de joelho, flexão de tor- nozelo, extensão de tornozelo ou deformidade equinovarus, distonia dos pés envolvendo dedo estriatal, flexão de dedos ou extensão de dedos, distonia axial, tal como síndrome de Pisa ou distonia do dançarino de balé, distonia segmentária, hemidistonia ou distonia generalizada, (6) distonia em Lubag, (7) distonia em degeneração córtico-basal, (8) distonia tardia, (9) distonia em ataxia espino-cerebelar, (10) distonia em mal de Parkinson, (11) distonia em doença de Huntington, (12) distonia em doença de Hallervorden Spatz, (13) discinesias dopa-induzidas/distonia dopa-induzida, (14) discinesias tardi- as/distonia tardia, (15) discinesias /distonias paroxísmicas (cinesiogênicas, não cinesiogênicas, ação-induzidas); ou (b) envolve um padrão clínico sele- cionado do grupo consistindo em torcicolo, laterocolo, retrocolo, anterocolo, cotovelo flexionado, antebraço protonado, pulso flexionado, polegar-na- palma ou punho apertado.
A tabela a seguir fornece uma lista não Iimitativa de padrões clí- nicos e os músculos potencialmente envolvidos, os músculos sendo múscu- los-alvo preferidos de acordo com o ensinamento da presente invenção.
<table>table see original document page 26</column></row><table>
"Disfonia espasmódica" é um distúrbio da voz causado por mo- vimentos involuntários de um ou mais músculos da laringe. Os pacientes afetados por disfonia espasmódica têm dificuldade de falar. Disfonia espas- módica faz com que a voz falhe ou tenha uma qualidade difícil, cansada, estrangulada ou que requer esforço. Conforme divulgado aqui, a injeção do componente neurotóxico nos músculos afetados da laringe geralmente me- lhora a voz.
Blefarospasmo é uma doença progressiva caracterizada por contrações espontâneas, bilaterais, intermitentes ou persistentes involuntá- rias dos músculos orbicular oculi (Grandas F, Elston J, Quinn N, Marsden CD. Blepharospasm: A review of 264 patients. J Neurol Neurosurg Psychia- try 1988; 51(6): 767-772. (ID 1759120); Jankovic J, Orman J. Blepharos- pasm: Demographic and clinicai survey of 250 patients. Ann Ophthalmol 1984; 16(4): 371-376. (ID 1761786); Mauriello JA, Leone T, Dhillon S1 Pake- man B, Mostafavi R, Yepez MC. Treatment choices of 119 patients with he- mifacial spasm over 11 years. Clin Neurol Neurosurg 1996; 98(3): 213-216.
(ID 1777068)). Fornecida como uma injeção local nos músculos orbicular oculi, com base nos métodos da presente invenção, a toxina Botulina é um tratamento altamente eficaz e bem tolerado de blefarospasmo.
Em outra modalidade preferida, pacientes com blefarospasmo essencial benigno que são pré-tratados com toxina botulínica do tipo A que mostram uma curta duração de eficácia, são tratados com neurotoxina botu- línica isenta de proteínas de formação de complexo através de administra- ção da referida neurotoxina botulínica em intervalos de injeção reduzidos, isto é, em intervalos de menos de três meses. De preferência, a neurotoxina botulínica isenta de proteínas de formação de complexo é neurotoxina botu- línica do tipo A altamente purificada. Uma nova injeção com neurotoxina bo- tulínica é indicada quando o paciente reporta um declínio no efeito de trata- mento. Em virtude do referido regime de tratamento, os referidos pacientes podem alcançar uma qualidade de vida estável, conforme discutido aqui an- tes, a qual é, de preferência, determinada conforme discutido aqui antes.
Em uma modalidade mais preferida da presente invenção, o músculo é selecionado do grupo consistindo em splenius ipsilateral, esterno- cleidomastóide contralateral, esternocleidomastóide ipsilateral, splenius capi- tis, complexo do escaleno, elevador da escápula, postvertebralis, trapézio ipsilateral, elevador da escápula, splenius capitis bilateral, trapézio superior, postvertebralis inferior, esternocleidomastóide bilateral, complexo do escale- no, complexo submental, brachioradialis, bicepsbrachialis, pronator quadra- tus, pronator teres, flexor carpi radialis, flexor carpi ulnarís, flexor pollicis Ion- gus adductor pollicis, flexor pollicis brevis / opponens, flexor digitorum super- ficialis, flexor digitorum profundus.
Em uma modalidade preferida da presente invenção, a doença ou condição é ou envolve espasticidade de um músculo.
Em uma modalidade mais preferida da presente invenção, a es- pasticidade é ou está associada a (a) espasticidade pós-derrame, espastici- dade causada por paralisia cerebral; ou (b) (1) uma condição espástica em encefalite e mielite relativa a (a) processos auto-imunes, incluindo com rela- ção à esclerose múltipla, mielite transversal, síndrome de Devic, (b) infec- ções virais, (c) infecções bacterianas, (d) infecções parasitárias ou (e) infec- ções fúngicas, (2) paraparesia espástica hereditária, (3) síndrome pós- apoplética resultante de enfarte hemisférico, enfarte do tronco cerebral ou enfarte da coluna espinhal, (4) um trauma no sistema nervoso central envol- vendo, por exemplo, uma lesão hemisférica, uma lesão no tronco cerebral, uma lesão na coluna espinhal, (5) uma hemorragia no sistema nervoso cen- tral, tal como um hemorragia intracerebral, uma hemorragia subaracnoidal, uma hemorragia subdural ou uma hemorragia intra-espinal ou (6) uma neo- plasia, por exemplo, um tumor hemisférico, tumores no tronco cerebral ou um tumor na coluna espinhal. Outros tratamentos podem ser o tratamento de bexiga urinária, bexiga espástica, incontinência, esfíncter espástico, espasti- cidade causada por paralisia cerebral ou hiperplasia prostática.
O termo "espasticidade pós-derrame" refere-se à espasticidade que ocorre após um acidente vascular. O derrame é uma causa que leva à incapacidade a longo prazo, com espasticidade ocorrendo em 19% (2) a 38% dos pacientes (Watkins CL, Leathley MJ, Gregson JM, Moore AP, Smith TL, Sharma AK. Prevalence of spasticity post stroke. Clin Rehabil 2002; 16(5): 515-522, (ID 1915001)). Espasticidade é definida como um distúrbio motor caracterizado por um aumento velocidade-dependente em reflexos de estiramento tônico (tônus muscular) com contrações exageradas de tendão, resultante de hiperexcitabilidade do reflexo de estiramento, como um com- ponente da síndrome de neurônio motor superior (4). Em alguns pacientes, a espasticidade pode ser benéfica, conforme no caso de espasticidade do ex- tensor de quadril e joelho, a qual pode permitir sustentar peso, com o mem- bro afetado atuando como uma tala (5). Contudo, na maioria dos pacientes, a espasticidade causa dificuldades nas atividades da vida diária, tais como se vestir e limpar a palma da mão contraída (6). De acordo com o ensina- mento da presente invenção, padrões clínicos comuns de deformidade as- sociada à espasticidade nos grupos de músculos correspondentes são trata- dos com o componente neurotóxico.
O termo "bexiga urinária" refere-se a um distúrbio da bexiga fre- qüentemente, mas não necessariamente, resultante de uma lesão na corda espinhal ou esclerose múltipla ou trauma que resulta em incontinência e uri- nação deficiente. De preferência, o músculo-alvo de administração de neuro- toxina é o músculo esfíncter estriado na uretra, conforme descrito por outros (Schurch B. The role of botulinum toxin in neurourology). Drugs Today 2004; 40(3): 205-212. (ID 3097145); Schurch B, De Seze M, Denys P, Chartier- Kastler E, Haab F, Everaert K, e outros. Botulinum toxin type a is a safe and effective treatment for neurogenic urinary incontinence: results of a single treatment, randomized, placebo controlled 6-month study. J Urol 2005; 174(1): 196-200. (ID 3528462)).
O termo "incontinência" significa incontinência urinária, a qual é a incapacidade de controlar o fluxo de urina da bexiga. Existem vários tipos e graus de incontinência, os quais estão dentro do escopo do ensinamento da presente invenção: incontinência de transbordamento é uma condição na qual a bexiga retém urina após urinar; como uma conseqüência, a bexiga continua cheia a maioria do tempo, resultando uma infiltração involuntária de urina da bexiga; incontinência de tensão é a descarga involuntária de urina quando há pressão aumentada sobre a bexiga, como quando se tosse ou levanta objetos pesados; incontinência total é a incapacidade de controlar voluntariamente os esfíncter da bexiga e uretra, resultando em perda total de capacidade retentora. No tratamento de incontinência, a composição men- cionada aqui pode, por exemplo, ser injetada cistoscopicamente no músculo detrusor, excluindo a região trigonal (Schurch B. The role of botulinum toxin in neurourology. Drugs Today 2004; 40(3): 205-212. (ID 3097145) ; Schurch B, De Seze M, Denys P, Ghartier-Kastler E, Haab F, Everaert K. e outros. Botulinum toxin type a is a safe and effective treatment for neurogenic uri- nary incontinence: results of a single treatment, randomized, placebo control- led 6-month study. J Urol 2005; 174(1): 196-200.(ID 3528462)).
O termo "hiperplasia prostática" refere-se a um alargamento da próstata no qual os elementos normais da glândula prostática aumentam de tamanho e número. Seu desvio de massa pode comprimir a uretra, a qual trafega através do centro da próstata, impedindo o fluxo de urina da bexiga através da uretra para fora. Isso pode levar à retenção de urina e à necessi- dade de micção freqüente. Se hiperplasia prostática é grave, bloqueio com- pleto pode ocorrer. Após injeção da composição descrita aqui na próstata, uma redução significativa de sintomas, marcadores de próstata no soro, vo- lume da próstata, volume de urina residual pós-micção e taxas de fluxo uri- nário de pico são observados. Resultados similares foram descritos por ou- tros (Maria G, Brisinda G, Civello IM, Bentivoglio AR, Sganga G, Albanese A. Relief by botulinum toxin of voiding dysfunction due to benign prostatic hy- perplasia: results of a randomized, placebo-controlled study. Urology 2003; 62(2): 259-265. (ID 2562820)).
"Paralisia Cerebral" descreve um amplo espectro de deficiências orgânicas piramidais que causam paresia, disfunções extrapiramidais que causam distonia, rigidez, espasticidade e espasmos, componentes apráxicos e disfunções de coordenação. Paralisia cerebral (Koman LA, Mooney JF, Smith BP, Goodman A, Mulvaney T. Management of spasticity in cerebral palsy with botulinum - A toxin: report of a preliminary, randomized, double- blind trial. J Pediatr Orthop 1994; 14(3): 299-303. (ID 1767458); Pidcock FS. The emerging role of therapeutic botulinum toxin in the treatment of cerebral palsy. J Pediatr 2004; 145(2 Supl.): S33-30 S35. (ID 2994781)) pode aconte- cer após hemorragia cerebral, asfixia, nascimento prematuro e outras com- plicações perinatais. Ela é uma condição de longa duração que causa movi- mentos não-coordenados, paresias e várias formas de hiperatividade muscu- lar. Pacientes afetados por paralisia cerebral, quando tratados de acordo com os métodos descritos aqui, experimentem uma melhora funcional de músculos hiperativos.
Em uma modalidade mais preferida da presente invenção, o músculo espástico é um músculo liso ou estriado. O tecido-alvo para o com- ponente neurotóxico no tratamento de distúrbios de hiperatividade muscular pode ser, em princípio, todos músculos estriados e lisos do corpo humano, conforme descrito em Sobotta, Johannes: Atlas der Anatomie des Mens- chen. 22. Auflage. Band 1 und 2. Urban & Fischer, 2005. Os músculos men- cionados nessa referência são incorporados aqui por referência. Os métodos da presente invenção podem objetivar qualquer um desses músculos.
A presente invenção também refere-se a um método de redução de linhas faciais ou rugas da pele ou de remoção de assimetrias faciais, o método compreendendo administração, a um indivíduo, de uma composição compreendendo uma quantidade eficaz de um componente neurotóxico de um complexo de toxina de Clostridium botulinum, a composição sendo des- provida de qualquer outro componente de proteína do complexo de toxina de Clostridium botulinum, em que (a) o indivíduo é um ser humano; (b) a com- posição é administrada através de injeção subcutânea ou intramuscular em ou na proximidade de um ou mais músculos faciais ou músculos envolvidos na formação da ruga da pele ou da assimetria; e (c) a composição é admi- nistrada em um intervalo de menos de três meses, o intervalo compreen- dendo um primeiro tratamento e um segundo tratamento, em que a quanti- dade administrada no segundo tratamento pode ser menor, maior ou idêntica à quantidade administrada no primeiro tratamento.
Esse método da presente invenção permite tratar músculos fa- ciais ou rugas da pele de um paciente ou uma assimetria facial. Tipicamente, quantidades menores de componente neurotóxico são usadas em tal trata- mento cosmético. Tais quantidades estão, de preferência, na faixa de 1 a 5, 5 a 10, 10 a 20 ou 20 a 50 Unidades. Tais quantidades totais podem ser ad- ministradas nos mesmos dias ou em um dia subseqüente de tratamento. Por exemplo, durante uma primeira sessão de tratamento, uma primeira fração da dose pode ser administrada. Essa primeira fração é, de preferência uma fração subótima, isto é, uma fração que não remove as rugas ou linhas da pele completamente. Durante uma ou mais sessões de tratamento, a fração restante da dose total pode ser administrada.
Em uma modalidade preferida da presente invenção, a compo- sição é injetada nas linhas de expressão, linhas horizontais na testa, "pés de galinha", dobras periorais, marcas de expressão, queixo duplo e/ou faixas platismais.
Em outra modalidade preferida da presente invenção, o referido músculo é selecionado do grupo consistindo dos seguintes músculos: sple- nius capitis, esternocleidomastóide, complexo do escaleno, elevador da es- cápula, semispinalis, Iongissimus capitis, Iongissimus cervicis, multifidus, obliqus capitis inferior, obliqus capitis superior, rectus capitis posterior maior, rectus capitis posterior menor, trapézioIpars horizontalis, trapézioIpars cervi- calis, músculos supra-hióides, músculos infra-hióides, digástrico, pterigóide mediai, pterigóide lateral, masseter, temporal, orbicularis oculi, nasalis, pro- cerus, corrugador do supercílio, depressor do ângulo oral, depressor do lábio inferior, frontal, elevador do lábio superior, elevador do lábio superior alae- que nasi, orbicularis oris, risorius, zigomático menor, zigomático maior, del- tóide, tríceps braquial, braquio-radial, bíceps braquial, pronator quadratus, pronator teres, flexor carpi radialis, flexor carpi ulnaris, flexor pollicis longus, opponens, interossei, lumbricales, adductor pollicis, flexor pollicis brevis, fle- xor digitorum superficialis, flexor digitorum profundus, grupo dos adutores, quadríceps femoral, tendões, tríceps surae, tibialis posterior, flexor hallucis longus, tibialis anterior, extensor hallucis longus, extensor digitorum longus, flexor hallucis brevis, flexor digitorum brevis, músculos paraverterbrais.
O componente neurotóxico mencionado aqui acima pode ser parte de uma composição ou composição farmacêutica. Essa composição farmacêutica pode conter componentes farmaceuticamente ativos adicionais. "Composição farmacêutica" é uma formulação na qual um ingrediente ativo para uso como um medicamento ou diagnóstico está contido ou compreen- dido. Tal composição farmacêutica pode ser adequada para diagnóstico ou administração terapêutica (isto é, através de injeção intramuscular ou subcu- tânea) a um paciente humano. A composição farmacêutica pode ser Iiofiliza- da ou seca a vácuo, reconstituída ou estar em solução. Quando reconstituí- da, é preferido que a solução reconstituída seja preparada adicionando solu- ção salina fisiológica estéril (NaCI a 0,9%).
Tal composição pode compreender componentes adicionais, tais como um tampão de pH, excipiente, diluente, crioprotetor e/ou estabili- zante.
"Tampão de pH" refere-se a uma substância química que é ca- paz de ajustar o valor de pH de uma composição, solução e similares para um determinado valor ou uma determinada faixa de pH.
"Estabilização", "estabiliza" ou "estabilizar" significa que o ingre- diente ativo, isto é, o componente neurotóxico em uma composição farma- cêutica reconstituída ou em solução aquosa tem mais de cerca de 20%, 30%, 40%, 50%, 60%, 70%, 80%, 90% e até cerca de 100% da toxidade que o componente neurotóxico biologicamente ativo tinha antes de ser incorpo- rado na composição farmacêutica. A atividade da preparação pode ser de- terminada conforme descrito aqui em alguma parte.
"Crioprotetor" refere-se a excipientes os quais resultam no in- grediente ativo, isto é, um componente neurotóxico em uma composição farmacêutica reconstituída ou em solução aquosa, tendo mais de cerca de 20%, 30%, 40%, 50%, 60%, 70%, 80%, 90% e até cerca de 100% da toxida- de que o componente neurotóxico biologicamente ativo tinha antes de ser incorporado na composição farmacêutica. A atividade do preparado pode ser determinada conforme descrito aqui em alguma parte aqui.
Exemplos de tais estabilizantes são gelatina ou albumina, de preferência de origem humana ou obtida de uma fonte recombinante. Os estabilizantes podem ser modificados através de meios químicos ou através de genética recombinante. Em uma modalidade preferida da presente inven- ção, considera-se o uso de álcoois, por exemplo, inositol, manitol, como ex- cipientes crioprotetores para estabilizar proteínas durante liofilização.
Em uma modalidade mais preferida da presente invenção, o es- tabilizante pode ser um agente de estabilização não proteináceo compreen- dendo ácido hialurônico ou polivinilpirrolidona ou polietileno glicol ou uma mistura de dois ou mais dos mesmos. Tal composição é considerada como sendo uma composição mais segura que possui estabilidade acentuada.
Em uma modalidade mais preferida da presente invenção, a composição farmacêutica pode compreender o componente neurotóxico e um ácido hialurônico ou uma polivinilpirrolidona ou um polietileno glicol, tal composição tendo, opcionalmente, o pH estabilizado por um tampão de pH adequado, em particular por um tampão de acetato de sódio e / ou um poli- álcool crioprotetor.
Quer a composição farmacêutica compreenda ou não, além do componente neurotóxico, componentes adicionais, tais como albumina, áci- do hialurônico, uma polivinilpirrolidona e/ou um estabilizante de polietileno glicol, a composição farmacêutica mantém sua potência substancialmente inalterada durante períodos de seis meses, um ano, dois anos, três anos e/ou quatro anos quando armazenada em uma temperatura entre cerca de +8°C e cerca de -20°C. Adicionalmente, as composições farmacêuticas in- dicadas podem ter uma potência ou recuperação percentual de entre cerca de 20% e cerca de 100% quando de constituição.
Uma composição farmacêutica, dentro do escopo da presente invenção, pode incluir o componente neurotóxico ou mais componentes adi- cionais. De preferência, as composições farmacêuticas descritas aqui têm um pH de entre cerca de 4 e 7,5 quando reconstituídas ou quando de inje- ção, mais preferivelmente um pH entre cerca de 6,8 e um pH de 7,6 e, ainda mais preferivelmente, um pH entre 7,4 e um pH de 7,6. Geralmente, a com- posição farmacêutica da presente invenção compreende o componente neu- rotóxico em uma quantidade de cerca de 6 pg a 30 ng, de preferência o componente neurotóxico tem uma atividade biológica de 50 a 250 unidades de LD50 por 15 ng de componente neurotóxico, conforme determinado em um ensaio de LD5O de camundongo. Mais preferivelmente, o componente neurotóxico tem uma atividade biológica de cerca de 150 LD50.
A composição farmacêutica da presente invenção pode com- preender uma neurotoxina e um ácido hialurônico. O ácido hialurônico esta- biliza a neurotoxina. As composições farmacêuticas descritas aqui podem ter um pH de entre cerca de 4 e 7,5 quando reconstituídas ou quando de inje- ção. O ácido hialurônico na presente composição farmacêutica é, de prefe- rência, combinado com o presente componente neurotóxico em uma quanti- dade de 0,1 a 10 mg, especialmente 1 mg de ácido hialurônico por ml em uma solução de toxina botulínica a 200 U/ml. Mais preferivelmente, a solu- ção em questão contém também um tampão de acetato de sódio a 1-100 Mm, especialmente a 10 mM.
Em outra modalidade preferida, a composição pode conter um poliálcool como crioprotetor. Exemplos de poliálcoóis que poderiam ser usa- dos incluem, por exemplo, inositol, manitol e outros álcoois de não-redução.
Em particular, aquelas modalidades da composição farmacêuti- ca da presente invenção não compreendendo um estabilizante proteináceo, de preferência, não contêm trealose ou maltotriose ou açúcar relacionado ou compostos de polihidróxi os quais são, algumas vezes, usados como crio- protetores.
A polivinilpirrolidona na presente composição farmacêutica é, de preferência, combinada com o presente componente neurotóxico em uma quantidade de 10 a 500 mg, especialmente 100 mg de polivinilpirrolidona por ml em uma solução de toxina botulínica a 200 U/ml. Mais preferivelmente, a solução em questão contém também um tampão de acetato de sódio a 1- 100 mM, especialmente a 10 mM.
O polietileno glicol na presente composição farmacêutica é, de preferência, combinado com o presente componente neurotóxico em uma quantidade de 10 a 500 mg, especialmente 100 mg de polietileno glicol por ml em uma solução de toxina botulínica a 200 U/ml. Mais preferivelmente, a solução em questão também contém um tampão de acetato de sódio a 1- 100 mM, especialmente a 10 mM.
Assim, a presente invenção abrange, em uma modalidade mais preferida, um componente neurotóxico formulado em uma composição far- macêutica, a qual contém um estabilizante de ácido hialurônico ou um esta- bilizante de polivinilpirrolidona ou um estabilizante de polietileno glicol. Adi- cionalmente, a composição farmacêutica pode conter um sistema tampão de acetato de sódio e/ou um crioprotetor alcoólico.
Os exemplos a seguir são fornecidos por meio de ilustração a- penas e não se destinam a ser limitativos.
Exemplo 1: Terapia com toxina botulínica para tratamento de distonia cervi- cal Um paciente de 45 anos de idade sofrendo de distonia cervical é avaliado com relação à terapia com toxina botulínica. Após todos os exames apropriados, um esquema de injeção é construído e toxina botulínica isenta de proteínas de formação de complexo é aplicado conseqüentemente em uma dose total de 300 MU. Quando de reavaliação após 2 semanas, a sin- tomatologia é melhorada, mas há a necessidade de incluir músculos-alvo adicionais e aumentar a dose de toxina botulínica nos músculos-alvo inicial- mente injetados. Duas semanas depois, o paciente é reavaliado novamente e o resultado do tratamento é ótimo.
Efeitos adversos não ocorrem. Até o momento, quando de 7 sé- ries de injeção subseqüentes, os resultados de tratamento são mantidos sem qualquer indicação de falha de terapia anticorpo-induzida.
Exemplo 2: Terapia com toxina botulínica para tratamento de blefarospasmo. Curta duração de ação
Uma paciente de 62 anos de idade sofrendo de blefarospasmo é tratada com um medicamento contendo o componente neurotóxico da pre- sente invenção, isento de proteínas de formação de complexo, em uma dose total de 48 MU com excelente resultados. 4 semanas após as injeções com o componente neurotóxico, o efeito começa a declinar. Após mais 2 sema- nas, o efeito do tratamento cessou quase que completamente. Reinjeções são realizadas 7 semanas após a série de injeções iniciais. Terapia com o componente neurotóxico é repetida na dose inicial e com efeitos idênticos. Terapia com o componente neurotóxico é continuada durante 6 séries de injeções subseqüentes com excelentes resultados terapêuticos e sem qual- quer indicação de falha de terapia anticorpo-induzida.
Exemplo 3: Terapia com toxina botulínica para tratamento de espasticidade generalizada. Aplicação em alta dose
Um paciente de 35 anos de idade sofrendo de lesão cerebral hi- póxica com espasticidade generalizada. O componente neurotóxico da pre- sente invenção, isento de proteínas de formação de complexo em uma dose total de 750 MU, é administrado em três alíquotas de 250 MU fornecidas em intervalos de 1 dia. 2 semanas após a aplicação, a condição melhorou subs- tancialmente. Efeitos adversos, nem locais nem regionais nem sistêmicos, não podem ser detectados. Quando de 7 séries de injeções subseqüentes, o efeito terapêutico é estável sem ocorrência de efeitos adversos. Não há indi- cação de falha de terapia anticorpo-induzida.
Exemplo 4: Uso cosmético de toxina botulínica. Dificuldades na construção do esquema de injeção e curta duração de ação
Uma cliente de 40 anos de idade apresentando linhas de ex- pressão franzida na testa e linhas frontais horizontais foi tratada com 20 MU de toxina botulínica isenta de proteínas de formação de complexo (isto é, o componente neurotóxico da presente invenção). 2 semanas depois, houve uma melhora da sintomatologia, mas injeção adicional de 20 MU de toxina botulínica é necessária. 2 semanas depois, o resultado é totalmente satisfa- tório para a paciente. 4 semanas depois, o efeito favorável começa a decli- nar, de modo que reinjeções de toxina botulínica em uma dose total de 40 MU se tornam necessárias. Até o momento, a cliente sofreu 4 séries de inje- ções subseqüentes com doses totais de 40 MU cada. Não há indicação de falha de terapia anticorpo-induzida.

Claims (20)

1. Método de tratamento de uma doença ou condição causada por ou associada à inervação colinérgica hiperativa de músculos ou glându- las exócrinas em um paciente, o método compreendendo administração de uma composição compreendendo uma quantidade eficaz de um componente neurotóxico de um complexo de toxina de Clostridium botulinum, a composi- ção sendo desprovida de qualquer outro componente de proteína do com- plexo de toxina Ciostridium botulinum, em que: (a) o paciente é um ser humano (b) a composição é administrada através de injeção e (c) a composição é administrada em um intervalo de menos de três meses, o intervalo compreendendo um primeiro tratamento e um segun- do tratamento, em que a quantidade administrada no segundo tratamento pode ser menor, maior ou idêntica à quantidade administrada no primeiro tratamento.
2. Método de acordo com a reivindicação 1, em que o segundo tratamento é realizado de forma a melhorar o efeito de tratamento do primei- ro tratamento.
3. Método de acordo com a reivindicação 1 ou 2, em que: (a) o paciente é um paciente com um distúrbio grave ou movi- mento ou espasticidade grave; e (b) a quantidade eficaz administrada excede a 500 U de compo- nente neurotóxico em adultos ou excede a 15 U/kg de peso corporal em cri- anças.
4. Método de acordo com a reivindicação 3, em que a quantida- de a qual excede a 500 U é uma quantidade total em adultos ou excede a 15 U/kg de peso corporal em crianças e em que a quantidade é administrada através de: (a) injeção de uma primeira fração dessa quantidade durante uma primeira sessão de tratamento, e (b) injeção da fração restante durante uma ou mais sessões de tratamento subseqüentes, em que as sessões de tratamento subseqüentes são esquematizadas pelo menos um dia após a primeira sessão de trata- mento.
5. Método de acordo com qualquer uma das reivindicações 1 a -4, em que o paciente é um ser humano que tenha sido tratado com toxina Clostridium botulinum, mas que se queixa de uma diminuição do efeito de tratamento e que requer tratamento antes de expirar 3 meses após o trata- mento.
6. Método de acordo com qualquer uma das reivindicações 1 a -5, em que a glândula hiperativa é uma glândula exócrina autonômica e em que a composição é injetada em ou próximo dessa glândula.
7. Método de acordo com a reivindicação 6, em que: (a) a glândula é selecionada do grupo consistindo em glândula sudorípara, glândula Iacrimal1 glândula salivar e glândula mucosal; ou (b) a glândula está associada a uma condição ou doença sele- cionada do grupo consistindo em síndrome de Frey, síndrome de lágrimas de Crocodilo, hiperidrose axilar, hiperidrose palmar, hiperidrose plantar, hipe- ridrose da cabeça e pescoço, hiperidrose do corpo, rinorréia ou hipersaliva- ção relativa em pacientes com derrame, mal de Parkinson ou esclerose late- ral amiotrófica.
8. Método de tratamento de uma doença ou condição causada por inervação colinérgica hiperativa de um músculo em um paciente, o mé- todo compreendendo administração de uma composição compreendendo uma quantidade eficaz de um componente neurotóxico de um complexo de toxina de Clostridium botulinum, a composição sendo desprovida de qual- quer outro componente de proteína do complexo de toxina Clostridium botu- linum, em que: (a) o paciente é um ser humano com um distúrbio grave de mo- vimento ou espasticidade grave; (b) a composição é administrada através de injeção; e (c) a quantidade eficaz administrada excede a 500 U de compo- nente neurotóxico em adultos ou excede a 15 U/kg de peso corporal em cri- anças.
9. Método de acordo com a reivindicação 8, em que a quantida- de a qual excede a 500 U é uma quantidade total em adultos ou excede a 15 U/kg de peso corporal em crianças e em que a quantidade é administrada através de: (a) injeção de uma primeira fração dessa quantidade durante uma primeira sessão de tratamento; e (b) injeção da fração restante durante uma ou mais sessões de tratamento subseqüentes, em que a sessão de tratamento subseqüente é esquematizada pelo menos um dia após a primeira sessão de tratamento.
10. Método de acordo com a reivindicação 8 ou 9, em que a composição é administrada em um intervalo de menos de três meses, o in- tervalo compreendendo um primeiro tratamento e um segundo tratamento, em que a quantidade administrada no segundo tratamento pode ser menor, maior ou idêntica à quantidade administrada no primeiro tratamento.
11. Método de acordo com qualquer uma das reivindicações 1 a -10, em que a doença ou condição é ou envolve distonia de um músculo.
12. Método de acordo com a reivindicação 11, em que a distoni- a: (a) é selecionada do grupo consistindo em (1) distonia craniana, incluindo blefarospasmo, distonia oromandibular do tipo com abertura da mandíbula ou fechamento da mandíbula, bruxismo, síndrome de Meige, dis- tonia lingual, apraxia de abertura da pálpebra, (2) distonia cervical, incluindo antecolo, retrocolo, laterocolo, torcicolo, (3) distonia faringeal, (4) distonia laringeal, incluindo disfonia espasmódica do tipo adutor ou do tipo abdutor, dispnéia espasmódica, (5) distonia de membros, incluindo distonia do braço, tais como distonias tarefa-específicos, incluindo câimbra do escritor, câim- bras de músicos ou câimbras de golfista, distonia da perna envolvendo adu- ção da coxa, abdução da coxa, flexão de joelho, extensão de joelho, flexão de tornozelo, extensão de tornozelo ou deformidade equinovarus, distonia dos pés envolvendo dedo estriatal, flexão de dedos ou extensão de dedos, distonia axiai, tal como síndrome de Pisa ou distonia do dançarino de balé, distonia segmentária, hemidistonia ou distonia generalizada, (6) distonia em Lubag, (7) distonia em degeneração córtico-basai, (8) distonia tardia, (9) dis- tonia em ataxia espino-cerebelar, (10) distonia em mal de Parkinson, (11) distonia em doença de Huntington, (12) distonia em doença de Hallervorden Spatz, (13) discinesias dopa-induzidas/distonia dopa-induzida, (14) discine- sias tardias/distonia tardia, (15) discinesias /distonias paroxísmicas (cinesio- gênicas, não cinesiogênicas, ação-induzidas); ou (b) envolve um padrão clínico selecionado do grupo consistindo em torcicolo, laterocolo, retrocolo, anterocolo, cotovelo flexionado, antebraço protonado, pulso flexionado, polegar-na-palma ou punho apertado.
13. Método de acordo com a reivindicação 11, em que o múscu- lo é selecionado do grupo consistindo em splenius ipsilateral, esternocleido- mastóide contralateral, esternocleidomastóide ipsilateral, splenius capitis, complexo do escaleno, elevador da escápula, postvertebralis, trapézio ipsila- teral, elevador da escápula, splenius capitis bilateral, trapézio superior, post- vertebralis inferior, esternocleidomastóide bilateral, complexo do escaleno, complexo submental, brachioradialis, bicepsbrachialis, pronator quadratus, pronator teres, flexor carpi radialis, flexor carpi ulnaris, flexor pollicis Iongus adductor pollicis, flexor pollicis brevis / opponens, flexor digitorum superficia- lis, flexor digitorum profundus.
14. Método de acordo com qualquer uma das reivindicações 1 a -10, em que a doença ou condição é ou envolve espasticidade de um múscu- lo.
15. Método de acordo com a reivindicação 14, em que a espas- ticidade é ou está associada a: (1) uma condição espástica em encefalite e mielite relativa a (a) processos auto-imunes, incluindo com relação à esclerose múltipla, mielite transversal, síndrome de Devic, (b) infecções virais, (c) infecções bacteria- nas, (d) infecções parasitárias ou (e) infecções fúngicas, (2) paraparesia es- pástica hereditária, (3) síndrome pós-apoplética resultante de enfarte hemis- férico, enfarte do tronco cerebral ou enfarte da coluna espinhal, (4) um trau- ma no sistema nervoso central envolvendo, por exemplo, uma lesão hemis- férica, uma lesão no tronco cerebral, uma lesão na coluna espinhal, (5) uma hemorragia no sistema nervoso centrai, tal como um hemorragia intracere- bral, uma hemorragia subaracnoidal, uma hemorragia subdural ou uma he- morragia intra-espinal ou (6) uma neopiasia, por exemplo, um tumor hemis- férico, tumores no tronco cerebral ou um tumor na coluna espinhal. Outros tratamentos podem ser o tratamento de bexiga urinária, bexiga espástica, incontinência, esfíncter espástico, espastícidade causada por paralisia cere- bral ou hiperplasia prostática.
16. Método de acordo com a reivindicação 14, em que o múscu- lo é um músculo liso ou estriado.
17. Método de redução de linhas faciais ou rugas da pele ou de remoção de assimetrias faciais, o método compreendendo administração, a um indivíduo, de uma composição compreendendo uma quantidade eficaz de um componente neurotóxico de um complexo de toxina de Clostridium botulinum, a composição sendo desprovida de qualquer outro componente de proteína do complexo de toxina de Clostridium botulinum, em que: (a) o indivíduo é um ser humano; (b) a composição é administrada através de injeção subcutânea ou intramuscular em ou na proximidade de um ou mais músculos faciais ou músculos envolvidos na formação da ruga da pele ou da assimetria; e (c) a composição é administrada em um intervalo de menos de três meses, o intervalo compreendendo um primeiro tratamento e um segun- do tratamento, em que a quantidade administrada no segundo tratamento pode ser menor, maior ou idêntica à quantidade administrada no primeiro tratamento.
18. Método de acordo com a reivindicação 17, em que a compo- sição é injetada nas linhas de expressão, linhas horizontais na testa, "pés de galinha", dobras periorais, marcas de expressão, queixo duplo e/ou faixas platismais.
19. Método de acordo com a reivindicação 17 ou 18, em que o músculo injetado é selecionado do grupo consistindo em corrugador do su- percílio, orbicularis oculi, procerus, venter frontalis do occipto-frontal, parte orbital do orbicularis oculi, nasalis, lábio superior: orbicularis oris, lábio inferi- or; depressor do ângulo oral, mentalis e platisma. Esses são os músculos envolvidos na formação das linhas mencionadas acima.
20. Método de acordo com qualquer uma das reivindicações 1 a -19, em que o componente neurotóxico é selecionado do grupo consistindo do tipo A, B, C, D, E, F, G ou uma mistura dos mesmos.
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