Campo da Técnica
A presente invenção refere-se ao uso de um produto lácteo fermentado que compreende proteínas do soro do leite não-hidrolisadas para tratamento de pele, especialmente pele humana.
Antecedentes e Técnica Anterior
O leite e os produtos lácteos vêm sendo usados em aplicações cosméticas para cuidado da pele há centenas de anos como uma maneira de adicionar umidade e gorduras à pele para condicionar e hidratar. O leite fermentado (por exemplo, iogurte) também vem sendo historicamente usado para aplicações para cuidados da pele. Tais iogurtes possuem um teor de caseína tipicamente alto.
Está bem-documentado que a exposição à luz do sol danifica a estrutura da pele. Em resposta a esse dano, a própria pele se repara mediante a rápida produção de colágeno e outros componentes dérmicos associados, tais como, polissacarídeos. Infelizmente, essa rápida formação pode resultar na desordem não-estruturada de fibras, uma condição chamada elastose. É comum que os ingredientes mostrem a capacidade de estruturar o colágeno também para ativar a síntese de colágeno, um resultado que nem sempre é desejado.
O documento WO 2004/098632 (Snow Brands) descreve composições cosméticas que contêm inibidores que promovem a formação de colágeno na pele, contendo frações de proteína básica do leite ou seus hi- drolisados.
O documento US 6.203.805 (Color Access) descreve o uso de proteína do soro do leite para aumentar a produção de colágeno na pele.
O documento EP 0046326 A descreve o uso de produtos do soro do leite não-hidrolisados em cosmética.
Sumário da Invenção
A presente invenção refere-se ao uso de um produto lácteo fermentado que compreende proteínas do soro do leite não-hidrolisadas que é substancialmente isento de proteínas caseína para o propósito de aprimorar a firmeza da pele quando topicamente aplicado à pele.
Os produtos de leite fermentado particulares usados de acordo com a invenção foram considerados eficazes na estruturação de colágeno sem promover a síntese de colágeno. Essa propriedade surpreendente e pouco comum possui o resultado que a firmeza da pele é melhorada quando o produto é topicamente aplicado à pele.
Substancialmente isento de proteínas caseína significa que o produto compreende menos de 5% em peso, de preferência, menos de 3% em peso, com mais preferência, menos de 2% em peso, ou ainda menos de 1% em peso de proteínas caseína.
Assim, em um aspecto adicional, a invenção refere-se ao uso de um produto lácteo fermentado que compreende proteínas do soro do leite não-hidrolisadas que é substancialmente isento de proteínas caseína para o propósito de estruturar o colágeno sem promover a síntese de colágeno quando topicamente aplicado à pele.
A nova propriedade dos produtos de leite fermentado torna-os particularmente adequados para uso na pele danificada quando a pele for gerar colágeno naturalmente como parte do processo de reparo.
Assim, em um aspecto adicional, a invenção refere-se ao uso de um produto lácteo fermentado que compreende proteínas do soro do leite não-hidrolisadas que é substancialmente isento de proteínas caseína para aplicação à pele danificada com o propósito de estruturar o colágeno.
De preferência, o produto do leite contém baixo teor de gorduras do leite ou não contém nenhuma gordura do leite, tipicamente obtido ao fermentar o leite desnatado. Baixo teor de gorduras do leite ou nenhuma gordura do leite significa geralmente que o produto lácteo contém não mais de 10% em peso de gorduras do leite, de preferência, não mais de 5% em peso de gorduras do leite, com mais preferência, não mais de 2% em peso de gorduras do leite, ou ainda contêm zero gordura de leite.
Os produtos de leite fermentado são tipicamente à base de iogurte. A invenção pode usar iogurte, de preferência, feito de leite semidesna- tado ou leite desnatado. Entretanto, qualquer iogurte deve ser substancialmente isento de proteínas caseína. A invenção pode usar alternativamente uma faixa de materiais proteináceos derivados de iogurte diferentes. Em particular, a invenção usa de forma conveniente iogurte modificado, modificado por tratamento para remover substancialmente todas as proteínas caseína. Tal modificação possui os benefícios de produzir um material que é menos alérgico (visto que os efeitos alérgicos se devem geralmente às proteínas caseína), também de remover algum teor de gordura, e produzir um material que é menos propenso a exalar odores (visto que os odores de ranso associados com o leite e produtos à base de leite se devem geralmente às proteínas caseína e/ou gordura). O iogurte também pode ser adicionalmente modificado pela adição de proteínas do soro do leite para compensar a remoção de proteínas caseína. Tais modificações são adequadamente realizadas antes da etapa de fermentação no processo convencional para produzir iogurte.
O produto lácteo fermentado é desejavelmente usado em condição seca para inclusão em uma composição (por exemplo, na forma de um pó ou grânulos) em vez de em condição líquida. O uso de um produto lácteo fermentado seco comparado a um em condição líquida como um ingrediente em um produto topicamente aplicado possui certos benefícios práticos, em particular em termos de uma vida de prateleira mais longa do ingrediente seco, teor mais baixo de microorganismos e evitação de risco de crescimento microbial. O material em condição seca também pode ser incorporado em produtos em pó ou anidros.
O produto lácteo fermentado é convenientemente seco, de preferência, por uma técnica de secagem por atomização.
As técnicas de secagem adequadas são bem-conhecidas pelos versados na técnica.
É particularmente preferido utilizar um produto de iogurte modificado seco por atomização conhecido por Trade Mark Yogurtene e disponível junto a Quest International como um suplemento alimentar. Yogurtene consiste em frações de leite selecionadas: soro do leite, concentrados de soro do leite (componentes da fase de soro de leite) e leite em pó desnatado (2%), que são fermentados com bactérias clássicas do iogurte (Streptococcus thermophiluse Lactobacillus bulgaricus). O soro do leite é a fonte de proteína preferida, pois as proteínas caseína estão associadas com reações alérgicas. Uma vez que a fermentação é concluída, o iogurte líquido é seco por atomização para produzir um pó de fluxo livre branco a esbranquiçado com fraco odor, levemente higroscópico.
O produto lácteo fermentado é, de forma desejada, substancialmente isento de bactérias vivas, ou seja, esse não contém mais de 1000 cfu/g, de preferência, não mais de 500 cfu/g, com mais preferência, não mais de 200 cfu/g, ou ainda zero bactérias vivas. As bactérias podem ser convenientemente exterminadas ao tratar o produto lácteo por calor de maneira conhecida por um versado na técnica.
O produto lácteo fermentado usado na presente invenção é tipicamente aplicado à pele, em particular pele humana, em um produto topicamente aplicado. Exemplos de produtos adequados são composições de sabonete corporal, produtos à base de sabão, cremes e loções para a pele, protetores solares e produtos pós-sol, e em particular, composições antien- velhecimento que também podem incluir componentes para tratar celulite, flacidez, rugas, sinais de idade e similares. Outros produtos adequados são cosméticos, tais como, batons, cremes de base e similares.
A quantidade de produto lácteo fermentado em um produto topi-camente aplicado irá variar dependendo da aplicação, porém está geralmente incluída na faixa de 0,005 a 20% em peso.
A invenção será adicionalmente descrita agora, a título de ilustração, nos seguintes exemplos:
Exemplo 1: Organização de Fibra de Colágeno
O colágeno é o principal constituinte da pele humana e conta com uma alta proporção da elasticidade da pele e propriedades físicas. Quando o colágeno for incubado in vitro com fibroblastos dérmicos humanos normais (NHDF), os NHDF irão se ligar espontaneamente ao colágeno solúvel e se organizar em uma reticula estruturada. A estrutura resultante se encolhe visivelmente à medida que esse processo ocorre, e o nível de enco-
Ihimento é diretamente proporcional à proporção de estruturação que ocorre.
A taxa de organização de colágeno pode ser influenciada pela adição de ingredientes diferentes no sistema. Portanto, pode ser mostrado que alguns materiais irão aumentar a taxa da formação de reticula e então 5 poderiam possuir um efeito "firmador" se aplicados topicamente à pele.
Uma solução de colágeno foi preparada in vitro (1,3mg/ml) e incubada com NHDF (100.000 NHDF/ml) durante um período de 168 horas (controle). A quantidade de "encolhimento de reticula"foi monitorada em 24 horas, 72 horas, 144 horas e 168 horas. Durante esse período, a mesma 10 concentração de colágeno/NHDF foi cultivada com Yogurtene® a 0,08mg/ml, 0,4% mg/ml e 2mg/ml. Um controle positivo, Fator de Crescimento de Transformação (beta-TGF), foi usado para comparação com os efeitos acentuado- res de reticula de Yogurtene®. Cada teste foi realizado em triplicata e a média de encolhimento calculada. A Tabela 1 (abaixo) mostra a área de superfície da solução de colágeno como medida durante o experimento. Tabela 1
Desta maneira, Yogurtene® mostra estruturação de colágeno notável.
Exemplo 2: Síntese de Matriz Extracelular Dérmica
Os fibroblastos dérmicos humanos normais (NHDF) foram culti- 5 vados in-vitro com prolina radiomarcada [3H]. O colágeno é uma proteína rica em prolina. O nível de prolina radiomarcada encontrado em proteínas, após a cultura dos NHDF, é uma medida da taxa de síntese de colágeno. Yogurtene® pode ser adicionado à cultura celular para medir o efeito de Yogurtene® sobre a taxa de absorção de prolina (síntese de colágeno).
O estudo investigou o aumento em prolina radiomarcada encon trada em: (i) proteínas solúveis/secretadas, e (ii) proteínas de matriz intracelular e extracelular (ECM).
O Fator de Crescimento de Transformação-Beta (β-TGF) e ácido ascórbico são promotores de síntese de colágeno conhecidos e foram usa- 15 dos como controles em ambos os estudos.
As Tabelas 2 e 3 mostram os níveis de prolina encontrados nas proteínas associadas. Tabela 2: Incorporação de prolina em proteínas soluveis
Tabela 3: Incorporação de prolina em proteínas de camada intracelular & ECM
Esses dados demonstram que Yogurtene® não aumenta a síntese de colágeno.